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A Evolução da Mediunidade Através dos TemposSérgio Biagi Gregório SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Definindo os Termos do Título. 3. Histórico. 4. Dois Grandes Marcos do Espiritismo: 4.1. Episódio de Hydesville (31/03/1848); 4.2. Lançamento de O Livro dos Espíritos (18/04/1857). 5. Questão de Terminologia. 6. O Médium Espírita. 7. Conclusões. 8. Bibliografia Consultada. 1. INTRODUÇÃOA faculdade mediúnica, tanto natural como de prova, acompanha a vida humana, pois desde que o homem existe, os Espíritos estão prontos a se comunicar com ele. Um estudo da mediunidade através dos tempos exige uma ampla pesquisa no sentido de RESGATAR as contribuições dadas pelo homem da caverna, pelas pitonisas, pelas bruxas e pelos médiuns em cada etapa do desenvolvimento da sociedade. 2. DEFININDO OS TERMOS DO TÍTULOEvolução - etimologicamente, o termo evolução, significa desenvolvimento, volver para fora o que já está contido em algo. Nesse sentido, evolução seria o desenvolvimento pela atualização das possibilidades, das potências já inclusas virtualmente em algo. Assim, o germe evolui até alcançar o indivíduo acabado. (Santos, 1965) A essência do significado do termo evolução é a de desenvolver, desenrolar, ou desdobrar, designando assim movimento de natureza metódica que gera novas espécies de mudanças. Mais especificamente designa o processo de mudança através do qual algo novo é produzido de tal modo contínuo, que a identidade ou individualidade do objeto original não seja violada. (FGV, 1986) Evolução - é impositivo da Lei de Deus, incessante, inquestionável. Nessa Lei não existe o repouso, o letargo de forças, a inércia. Por toda parte e sempre o impositivo da evolução, o imperativo do progresso. (FEB, 1995) Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e Espíritos. (Pires, 1984) ----- Mediunidade é sintonia e filtragem. Cada Espírito vive entre as forças com as quais combina, transmitindo-as segundo as concepções que lhe caracterizam o modo de ser. (FEB, 1995) Tempo - é a sucessão das coisas transitórias. Está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito. (FEB, 1995) 3. HISTÓRICOO Espírito André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, diz-nos que quando a criatura humana se iniciou na produção do pensamento contínuo, o sonho foi a mola propulsora da mediunidade, porque durante os momentos de desprendimento do corpo físico, ela entrava em contato com entidades espirituais, cujos ensinamentos lhe serviam para ampliar a sua visão de mundo. Tomando como base os registros históricos, podemos anotar: 1.º) A Bíblia está repleta de manifestações mediúnicas, tanto no Velho quanto no Novo Testamento.
2.º) os horizontes culturais, retratados por J. H. Pires em O Espírito e o Tempo. Situando a mediunidade em termos dos horizontes alcançados pela humanidade - em cada etapa de seu desenvolvimento - Herculano Pires, valendo-se das pesquisas científicas de Bozzano, John Murphy e outros, oferece-nos valiosas informações que são úteis de serem lembradas. Assim: No horizonte tribal imperava o mediunismo primitivo. O mediunismo, na expressão de Emmanuel, designa a mediunidade em sua expressão natural. São as relações naturais entre o clã e o Totem dentro do Totemismo. Falam de uma força misteriosa que impregna ou imanta objetos e coisas, podendo atuar sobre as criaturas humanas. São as forças conhecidas pelos nomes polinésicos de "mana" e "orenda". "Essa força primitiva corresponde ao ectoplasma de Richet, a força ou substância mediúnica das experiências metapsíquicas, cuja ação foi estudada cientificamente por Crawford, professor de mecânica da Universidade Real de Belfast, na Irlanda". (Pires, 1979, p. 19) No horizonte agrícola, o animismo e culto aos ancestrais. Nessas primeiras formas sedentárias de vida social, o animismo tribal desenvolve-se no nível da racionalização, principalmente através da concepção fetichista da Terra-mãe e Céu-Pai, que mais tarde dá origem à mitologia egípcia: Osíris, Deus pai, que fecunda Ísis, deusa terra, gerando o filho Hórus. No horizonte civilizado, o mediunismo oracular. O oráculo é às vezes a própria divindade, outras vezes a resposta dada às consultas, o santuário ou templo, o médium que atende aos consulentes, ou o local de consultas. Embora haja o médium, o oráculo, ou pitonisa, as mensagens são dadas de forma impessoal. No horizonte profético, o mediunismo bíblico. Esse horizonte caracteriza-se pelo mundo da individualização. O profeta apresenta-se como indivíduo social, mediúnico e espiritual. Assim, dado o avanço de sua liberdade, surgem também os excessos e abusos que caracterizam o indivíduo grego-romano e o profeta hebraico. No horizonte espiritual, a mediunidade positiva. É nessa fase
que se observa uma transcendência humana. A mediunidade torna-se um fato de
observação e de estudo de todos os que se interessarem pelo problema. Observe
que na Idade Média, o fenômeno mediúnico de possessão é sempre tomado como
manifestação demoníaca ou sagrada. O homem, não tendo atingido o horizonte
espiritual, não pode conceber que o Espírito comunicante seja da sua mesma
natureza. 3.º) a invasão organizada, descrita por Arthur Conan Doyle. Em História do Espiritismo, Conan Doyle documenta boa parte da
evolução da mediunidade, lembrando que embora se considere a data de 31/03/1848
como o marco inicial, os fatos espíritas existiram desde todos os tempos. A sua
narrativa começa, assim, por volta de 1740, quando Swedenborg tornou-se famoso
pela vidência a distância. 4. DOIS GRANDES MARCOS DO ESPIRITISMO4.1. Episódio de Hydesville (31/03/1848)Em termos de destaque, no cenário público internacional, este fenômeno (raps)
foi o que mais chamou a atenção. Observe que uma família metodista havia se
mudado para uma casa, onde se falava muito de acontecimentos sobrenaturais.
Realmente, por algum tempo eles presenciavam muito barulho, sem causa aparente.
Tudo caminhava nesse ritmo quando, num certo dia, as filhas do casal, Kate e
Margaret Fox, resolveram responder às pancadas. 4.2. Lançamento de O Livro dos Espíritos (18/04/1857)O fato mediúnico marcante, após o episódio de Hydesville, é o fenômeno das mesas girantes, que assolou os Estados Unidos e a Europa, servindo de brincadeiras de salão, quando as mesas dançavam, escreviam, batiam o pé e até falavam. É dentro desse contexto que surge a Doutrina Espírita. Das brincadeiras de salão, surge Hypollyte Leon Denizard Rivail - Allan Kardec-, um estudioso do magnetismo e do método teórico experimental em ciência. O magnetismo já vinha sendo estudado há algum tempo. Historicamente, Mesmer descobre, em 1779, o magnetismo animal, Puysegur, em 1787, o sonambulismo e Braid, em 1841, o hipnotismo. Havendo uma disseminação muito grande dos fenômenos das mesas girantes, Kardec, ainda Hipollyte, foi convidado para assistir a uma dessas sessões, pois o seu amigo Fortier, magnetizador, dissera que além da mesa mover-se ela também falava. É aí que entra o gênio inquiridor do pesquisador teórico experimental. Assim, retruca: só se a mesa tiver cérebro para pensar e nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. A partir daí, começa a freqüentar essas sessões, culminando, mais tarde, com a publicação de O Livro dos Espíritos, em 18/04/1857 Por que a mediunidade se positivou com Allan Kardec? A palavra positivo advém da ciência, que se baseia em fatos. Kardec sendo um cientista, deu-lhe um caráter científico, formulando hipóteses tal qual a ciência o fazia, tomando o cuidado apenas de testá-las com a ferramenta da mediunidade, ou seja, utilizando-se da percepção extra-sensorial. 5. QUESTÃO DE TERMINOLOGIAA evolução da mediunidade através dos tempos deve alcançar uma melhor compreensão não só da mediunidade, mas também dos vários conceitos a ela ligados. Assim, convém distinguir:
6. O MÉDIUM ESPÍRITADe acordo com o Espírito Emmanuel, "Os médiuns, em sua generalidade, não são
missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram
desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que
resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o
passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado
de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre são Espíritos que
tombaram dos cumes sociais, pelos abusos do poder, da autoridade, da fortuna e
da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor
do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade
e da virtude. São almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as
felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto
esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável
insânia". (Xavier, 1981, p. 66 e 67). 7. CONCLUSÃOA mediunidade é promissora para o futuro. Contudo, deve o médium esforçar-se para ser o fiel interprete das mensagens espirituais, aprendendo a renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e servir, isento de qualquer tipo de pagamento, moral ou material. 8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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