Do Outro Lado da Rua

Richard Simonetti

Durante a existência Inteira morou em frente ao Centro Espírita.

Pelos anos afora observou o movimento de gente que entrava e saía - dirigentes colaboradores, simpatizantes, aprendizes, doentes, pobres...

Nas noites quentes de verão, sentado em confortável poltrona, na ampla varanda, ouvia ao longe a palavra de vibrantes oradores e impressionava-se com a lógica dos conceitos espíritas na definição dós problemas humanos... Chegara a proclamar-se adepto da Terceira Revelação!

E aquela gente que ali cooperava! Que dedicação! Quanto desprendimento! Em qualquer tempo, com chuva ou frio, sucediam-se. as equipes de trabalhadores na distribuição de alimentos, na visitação aos enfermos, no socorro aos desabrigados!

Mas nunca se decidiu a atravessar a rua, perdendo preciosas oportunidades de serviço e edificação... Espírita! - é preciso atravessar a rua!

Não nos acomodemos na poltrona da indiferença, a ouvir de longe os apelos da Espiritualidade!... No Centro Espírita está o nosso ensejo maior de participação como aprendizes e colaboradores... Fortalecê-lo com a nossa presença! Engrandecê-lo com o nosso trabalho! Sublimá-lo com a nossa dedicação! - eis as metas Intransferíveis se aspiramos a um futuro de bênçãos!

Façamos do Centro Espírita a nossa escola, a nossa oficina, o nosso templo, para que nunca tenhamos de ver nele o hospital, atormentados por males e frustrações que afligem os que não atravessaram a rua!

Crônica publicada no jornal O Clarim – Janeiro de 1975, transformado em titulo de livro