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Controle da Mediunidade - Controle da Identidade

Jean Bazerque

Traduzido por Paulo A. Ferreira

Em um fascículo precedente, abordamos sucintamente o problema da obsessão (ação moral ou física dos desencarnados sobre os encarnados), através alguns exemplos vividos por muitos de nosso grupo. Esta questão é bem conhecida dos espíritas tanto mais que ela foi largamente explicada por Allan Kardec em seus livros como "O Livro dos Médiuns" ou "O Evangelho Segundo o Espiritismo". Nosso propósito não é o de repetir esses textos, facilmente acessíveis, mas dar exemplos concretos, vivenciados, mais particularmente no que tange ao controle dos Espíritos que se manifestam por intermédio dos médiuns.

A experimentação mediúnica não está isenta de vicissitudes e não há chefe de grupo que não tenha sido objeto da ação de espíritos brincalhões. Dificuldades dessa espécie são o sal da prática mediúnica porque elas permitem melhor apreciar, pelos médiuns confirmados, o prazer do trabalho bem feito.

No início da fundação do Centro Espírita (do qual finalizamos uma parte bem mais tarde), havia apenas um médium falante em transe, o irmão Botella e muita boa vontade entre os assistentes, mas nenhum meio de controle; a fundadora do grupo, irmã Maria MUNOZ, estava ausente por causa de seu estado físico precário. No decorrer de uma sessão, o médium tendo transmitido uma mensagem moral de alta elevação, a pedido do presidente da sessão, o espírito comunicante deu como identidade esse nome: o Anjo Azul. Os assistentes ficaram perplexos.

Esta pequena estória parece de uma ingenuidade surpreendente; mas, não temos já lido na literatura espírita ou metapsíquica que a médium do professor Flournoy, Melle H.S. transmitia mensagens de um espírito marciano em linguagem marciana, o que foi objeto do livro, se nossa lembrança for precisa, "Da Índia ao Planeta"? O médium desenhista Victorien Sardou (o acadêmico) não desenhou a casa de Mozart no planeta Júpiter? Bastante recentemente, não se manifestava regularmente, em um grupo parisiense, um espírito habitante do planeta Plutão? Quantas outras manifestações também extravagantes não são conhecidas?

É evidente que sem meios de controle não importa qual espírito farsante na erraticidade, pode se divertir às custas daqueles que o escutam; e se o médium pratica solitariamente, como poderá saber de quem ele se trata? O controle da mediunidade ou da identidade é indispensável; isso se faz com a ajuda dos espíritos guias do grupo por intermediação de outros médiuns; de onde a vantagem de praticar em grupo. A presença de um médium vidente (que vê os espíritos) é o ideal, sobretudo no início da prática mediúnica de um médium principiante.

Eis aqui um exemplo de vidência no decorrer de uma sessão do grupo; este não é, propriamente falando, um controle de mediunidade porque todos os médiuns eram confirmados, mais acima de tudo uma demonstração da colaboração existente entre os planos espiritual e humano. O médium vidente era o irmão Botella.

"À direita do médium J.S., vejo um homem de 55 a 6O anos, barba grisalha, fronte bastante desenvolvida; ele diz se chamar Etienne. À esquerda do médium J.S.: o irmão Espinoza e do seu lado o irmão André em seu costume talhado.

À direita do médium A.: o irmão Barthelemy, diante do médium A: o irmão Augusto. Acima do médium A: uma grande auréola, uma luz muito clara com três raios partindo para a direita, para o alto e para a esquerda. À esquerda do médium A: a irmã Maria Munoz e próximo dela, o irmão Chiapoli. Ao seu lado, o irmão Georges o ex-banqueiro, uma jovem de quatorze anos com um buquê de flores, chamada Anita; perto dela sua mãe, após o irmão Georges, guia do médium H.S.

À esquerda do médium H.S.: um jovem de 17 a 18 anos chamado Jean, atrás do médium H.S.: uma irmã de 35 a 40 anos, um lenço branco sobre a cabeça protegendo seu maxilar (a bela irmã do médium H.S.).

À esquerda do médium B.: um irmão de certa idade, 65 a 70 anos, bigode e barba raspados, chamado André, de baixa estatura, de onde seu apelido "pequeno André", sempre sorrindo, ele procura trabalhar com o irmão B."

O controle pode ser feito por qualquer outro médium confirmado, geralmente o presidente da sessão, ele mesmo médium, evidentemente. Não é necessário ter faro policial uma vez que os eventos falam de si mesmos. Tendo o presidente da sessão a faculdade de médium desenhista, os guias espirituais o advertiam desenhando um símbolo: um caixão com a tampa levantada e uma máscara negra em cima significando um espírito na escuridão (na erraticidade).

Diz-se que se reconhece a árvore por seus frutos. Reconhecer as qualidades de um espírito por sua mensagem não é um critério suficiente. O exemplo seguinte o demonstra: a sagacidade do presidente de sessão sendo pego em falta.

Aqui está um controle por um médium desenhista:

Um médium falante dava uma mensagem espiritual sobre um assunto moral refletindo um profundo e verdadeiro sentimento. Ao mesmo tempo, o médium desenhista desenha um tronco de árvore depois as raízes até aos primeiros galhos e atrás desse tronco, um rosto meio dissimulado onde se percebe uma parte da testa, um olho, a bochecha e uma parte do queixo. A sessão se desenrola normalmente durante um longo tempo, até que o espírito desenhista diz a seu médium:

"Então, isso não é tudo o que lhe foi dito?”

O médium não tinha compreendido que existia uma relação entre o desenho e a mensagem; porque do ponto de vista da doutrina espírita, a mensagem era impecável. Na realidade, esse espírito estava na erraticidade e tinha sido trazido à sessão por seu guia espiritual; sentindo um ambiente simpático, ele experimenta a necessidade de se fazer entender, com tanto mais facilidade porque estava habituado a tratar de assuntos morais, por ter sido pároco na existência que tinha deixado. Essa foi, para o grupo, a ocasião de explicar-lhe sua verdadeira situação espiritual; ele nos agradeceria por meio de uma colaboração continua em nossos trabalhos.

Eis aqui o controle da faculdade de um médium vidente principiante e a confirmação de suas qualidades:

No fim de uma sessão, uma dama relativamente jovem, assistindo pela primeira vez aos nossos trabalhos, me disse: "Tenho visto meu pai, é ele que lhe tem feito falar". O fato estava exato. Porquanto, nada na mensagem, no tocante à doutrina, poderia deixar supor a identidade do espírito comunicante. Esta pessoa, entusiasmada, voltou nas sessões seguintes e sua mediunidade progrediu a passos largos, porquanto ela cada vez mais via entidades espirituais. O controle de sua faculdade mediúnica se produziu em uma das sessões seguintes.

Um médium falante deu uma mensagem sobre o Amor Fraternal. Eu registrava o texto em estenografia. A cada cinco a dez linhas, havia um rápido tempo de espera. Meu guia me fazia escrever o nome da entidade que acabava de dar a mensagem porque a cada parada, havia uma mudança da entidade espiritual falando sobre o mesmo assunto. No final, havia então seis nomes que eu era o único a conhecer, isso fora feito tão discretamente e tão rapidamente que certamente as pessoas da assistência não se aperceberam do que quer que seja. Meu guia me fez escrever então à atenção da médium vidente:

"Pergunte-lhe o que ela viu".

Imediatamente ela deu os dois primeiros nomes, corretamente e na ordem. Ela ignora o nome do espírito que falou em terceiro lugar, mas o descreve perfeitamente tal qual nós o conhecemos sob seu aspecto físico. Meu guia tomou o lápis e, de um só traço rápido, desenhou o retrato de perfil desta entidade que a médium admiravelmente reconheceu bem, evidentemente; eu lhe disse seu nome. Ela nomeia a quarta entidade, sempre exatamente. Para os dois últimos, ela vê apenas luzes, como sóis, mas não resplandecentes, sendo o último mais vivo. Sei que ela não pode ver esses espíritos sob seu aspecto físico. O exame probatório está concluído.

Evidentemente, se poderá dizer que a médium vidente sabia os nomes por transmissão de pensamentos ou lido no meu subconsciente ou outra hipótese. Nesse caso, ela teria dado os nomes do terceiro, do quinto e do sexto orador espiritual, pois que eu os conhecia. Por que teria ela descrito o terceiro do qual eu sequer pensava na aparência física? A experiência feita com esta médium vidente era de uso exclusivo do grupo, então de espíritas convictos. Para a demonstração "científica" desta mediunidade (no sentido humano da palavra) refira-se aos livros espíritas, metapsíquicos ou outros, etc.

Eis um outro exemplo de controle: o meio empregado é totalmente diferente dos precedentes.

Um homem relativamente jovem veio nos encontrar nos informando da eclosão de uma faculdade mediúnica que ele praticava em sua casa no meio familiar. Nós o conhecemos anteriormente por havê-lo visto assistindo à nossas sessões, mas ignorávamos sua nova atividade. Sabíamos que ele estava obsediado e não queríamos fazê-lo sofrer dizendo-lhe isso brutalmente; de mais, ele não nos acreditaria, se bem que conhecesse perfeitamente o problema.

Ele desejava nos mostrar seu talento mediúnico e insistia repetidamente para fazer uma demonstração no decorrer de uma de nossas sessões. Acabamos por aceitar, embora conhecendo de antemão o resultado.

A sessão se desenrolava como de hábito e a palavra lhe foi dada. Ele se enrijece, tomado por uma entidade espiritual que sentia perfeitamente, mas coisa curiosa para ele, contrariamente ao de costume, nenhum som saía de seus lábios; seus olhos exprimiam a surpresa ou o desassossego e malgrado seus apelos para sua mente, nenhuma palavra era pronunciada. Após um momento, ele tira uma cruz de madeira presa a uma corrente, que colocara sobre o peito; ele ora por pensamento sem dúvida, em vão; seu silêncio durou uns vinte minutos, talvez mais. Falando com articulação fácil em casa, ele estava estupefato diante do resultado negativo de sua demonstração.

Os membros assistentes do grupo permaneceram passivos durante todo o tempo desta operação.

O que se passou?

Os guias espirituais, que dirigiam os trabalhos, fizeram que se retirasse o espírito obsessor preso ao médium e formaram uma barreira em volta dele, impedindo a influência espiritual de agir sobre seu órgão vocal. Estando ele mesmo insensibilizado, não pode falar por si próprio; permaneceu consciente, mas mudo apesar de seus esforços. Esse médium compreendeu muito bem a lição.

Nós temos tido várias vezes ocasião de assistir a demonstrações semelhantes. Geralmente, em vez de perseverar, o médium principiante prefere se retirar para sua torre de mármore.

Eis um outro exemplo de controle de identidade; ele traz um ensinamento indireto que não deve ser negligenciado.

O médium escrevente H.S. acaba de dar uma mensagem de seu guia espiritual, o irmão Georges. Geralmente as mensagens desse espírito tratam da Bondade e da Caridade. Nessa que acaba de dar, deixa entender que ele foi a personagem historicamente conhecida sob o título de pacificador do Marrocos. O médium esqueceu ou ignorou que seu nome não era Georges.

No fim da sessão, o médium vidente descreveu este espírito sob um aspecto físico que não tinha nenhuma semelhança com aquele bem conhecido do homem que havia sido. Perplexidade! Estava-se em presença de um espírito brincalhão?

O médium falante cai em transe, tomado pelo irmão Georges que explica isto: "A mensagem escrita corresponde bem à realidade, mas eu me mostrei ao médium vidente sob a aparência física que tinha antes de minha última encarnação, em que meu nome era Georges, porque é esta a que prefiro me lembrar, por ter em seu decorrer muito sofrido e evoluído”.

Edição eletrônica original:

Centre spirite Lyonnais Allan Kardec
23 rue Jeanne Collay
69500 BRON
04-78-41-19-03
http://spirite.com.fr

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