O Porquê da Vida
Léon Denis
Traduzido por : Paulo A Ferreira
Revisado por : Lucia F. Ferreira
SOLUÇÃO RACIONAL
DO PROBLEMA DA EXISTÊNCIA
O que somos?
De onde viemos ?
Para onde vamos ?
ÀQUELES QUE SOFREM
É a vocês, ó meus irmãos e irmãs em humanidade, a todos vocês a quem o fardo
da vida tem curvado, a vocês a quem as ásperas lutas, os cuidados, as provas têm
sobrecarregado, que dedico estas páginas. É à intenção de vocês, aflitos,
deserdados deste mundo, que escrevo. Humilde pioneiro da verdade e do progresso,
coloco nelas o fruto de minhas vigílias, de minhas reflexões, de minhas
esperanças, de tudo que me tem consolado, sustentado na minha caminhada aqui em
baixo.
Possam vocês aí encontrar alguns ensinamentos úteis, um pouco de luz para
aclarar os seus caminhos. Possa esta obra modesta ser para seus espíritos
entristecidos aquilo que a sombra representa para o trabalhador queimado de sol,
aquilo que representa, no deserto árido, a fonte límpida e refrescante se
ofertando aos olhos do viajante sedento!
I - DEVER E LIBERDADE
Quem é que, nas horas de silêncio e recolhimento, nunca interrogou à natureza
e ao seu próprio coração, perguntando-lhes o segredo das coisas, o porquê da
vida, a razão de ser do universo? Onde está aquele que jamais procurou conhecer
seu destino, levantar o véu da morte, saber se Deus é uma ficção ou uma
realidade? Não seria um ser humano, por mais descuidado que fosse, se não
tivesse considerado, algumas vezes, esses tremendos problemas. A dificuldade de
os resolver, a incoerência e a multiplicidade das teorias que têm sido feitas,
as deploráveis conseqüências que decorrem da maior parte dos sistemas já
divulgados, todo esse conjunto confuso, fatigando o espírito humano, os têm
relegado à indiferença e ao ceticismo.
Portanto, o homem tem necessidade do saber, da luz que esclareça, da
esperança que console, da certeza que o guie e sustente. Mas tem também os meios
para conhecer, a possibilidade de ver a verdade se destacar das trevas e o
inundar de sua benfazeja luz. Para isso, deve se desligar dos sistemas
preconcebidos, descer ao fundo de si mesmo, ouvir a voz interior que nos fala a
todos, e que os sofismas não podem enganar: a voz da razão, a voz da
consciência.
Assim tenho feito. Por muito tempo refleti, meditei sobre os problemas da
vida e da morte e com perseverança sondei esses profundos abismos. Dirigi à
Eterna Sabedoria um ardente apelo e Ela me respondeu, como sempre responde a
todos.
Com o espírito animado do amor ao bem, provas evidentes e fatos da observação
direta vieram confirmar as deduções do meu pensamento, oferecer às minhas
convicções uma base sólida e inabalável. Após haver duvidado, acreditei, após
haver negado, vi. E a paz, a confiança e a força moral desceram em mim. Esses
são os bens que, na sinceridade de meu coração desejoso de ser útil aos meus
semelhantes, venho oferecer àqueles que sofrem e se desesperam.
Jamais a necessidade de luz fez-se sentir de maneira mais imperiosa. Uma
imensa transformação se opera no seio das sociedades. Após haver sido submetido,
durante uma longa seqüência de séculos, aos princípios da autoridade, o homem
aspira cada vez mais a libertar-se de todo entrave e a dirigir a si próprio. Ao
mesmo tempo em que as instituições políticas e sociais se modificam, as crenças
religiosas e a fé nos dogmas se tornam enfraquecidas. É ainda uma das
conseqüências da liberdade em sua aplicação às coisas do pensamento e da
consciência. A liberdade, em todos os domínios, tende a substituir a coação e o
autoritarismo e a guiar as nações para horizontes novos. O direito de alguns
torna-se o direito de todos; mas, para que esse direito soberano esteja conforme
com a justiça e traga seus frutos, é preciso que o conhecimento das leis morais
venha regulamentar seu exercício. Para que a liberdade seja fecunda, para que
ofereça às ações humanas uma base certa e durável, deve ser complementada pela
luz, pela sabedoria e pela verdade. A liberdade, para os homens ignorantes e
viciosos, não seria como uma arma possante nas mãos da criança? A arma, nesse
caso, freqüentemente se volta contra aquele que a porta e o fere.
II - OS PROBLEMAS DA EXISTÊNCIA
O que importa ao homem saber, acima de tudo, é: o que ele é, de onde vem,
para onde vai, qual o seu destino. As idéias que fazemos do universo e de suas
leis, da função que cada um deve exercer sobre este vasto teatro, são de uma
importância capital. Por elas dirigimos nossos atos. Consultando-as,
estabelecemos um objetivo em nossas vidas e para ele caminhamos. Nisso está a
base, o que verdadeiramente motiva toda civilização. Tão superficial é seu
ideal, quanto superficial é o homem. Para as coletividades, como para o
indivíduo, é a concepção do mundo e da vida que determina os deveres, fixa o
caminho a seguir e as resoluções a adotar.
Mas, como dissemos, a dificuldade em resolver esses problemas, muito
freqüentemente, nos faz rejeitá-los. A opinião da grande maioria é vacilante e
indecisa, seus atos e caracteres disso sofrem a conseqüência. É o mal da época,
a causa da perturbação à qual se mantém presa. Tem-se o instinto do progresso,
pode-se caminhar mas, para chegar aonde? É nisto que não se pensa o bastante. O
homem, ignorante de seus destinos, é semelhante a um viajante que percorre
maquinalmente um caminho sem conhecer o ponto de partida nem o de chegada, sem
saber porque viaja e que, por conseguinte, está sempre disposto a parar ao menor
obstáculo, perdendo tempo e descuidando-se do objetivo a atingir.
A insuficiência e obscuridade das doutrinas religiosas e os abusos que têm
engendrado, lançam numerosos espíritos ao materialismo. Crê-se, voluntariamente,
que tudo acaba com a morte, que o homem não tem outro destino senão o de se
esvanecer no nada.
Demonstraremos a seguir como esta maneira de ver está em oposição flagrante à
experiência e à razão. Digamos, desde já, que está destituída de toda noção de
justiça e progresso.
Se a vida estivesse circunscrita ao período que vai do berço à tumba, se as
perspectivas da imortalidade não viessem esclarecer sua existência, o homem não
teria outra lei senão a de seus instintos, apetites e gozos. Pouco importaria
que amasse o bem e a eqüidade. Se não faz senão aparecer e desaparecer nesse
mundo, se traz consigo o esquecimento de suas esperanças e afeições, sofreria
tanto mais quanto mais puras e mais elevadas fossem suas aspirações; amando a
justiça, soldado do direito, acreditar-se-ia condenado a quase nunca ver sua
realização; apaixonado pelo progresso, sensível aos males de seus semelhantes,
imaginaria que se extinguiria antes de ver triunfarem seus princípios.
Com a perspectiva do nada, quanto mais tivesse praticado o devotamento e a
justiça, mais sua vida seria fértil em amarguras e decepções. O egoísmo, bem
compreendido, seria a suprema sabedoria; a existência perderia toda sua grandeza
e dignidade. As mais nobres faculdades e as mais generosas tendências do
espírito humano terminariam por se dobrar e extinguir inteiramente.
A negação da vida futura suprime também toda sanção moral. Com ela, quer
sejam bons ou maus, criminosos ou sublimes, todos os atos levariam aos mesmos
resultados. Não haveria compensações às existências miseráveis, à obscuridade, à
opressão, à dor; não haveria consolação nas provas, esperança para os aflitos.
Nenhuma diferença se poderia esperar, no porvir, entre o egoísta, que viveu
somente para si, e freqüentemente na dependência de seus semelhantes, e o mártir
ou o apóstolo que sofreu, que sucumbiu em combate para a emancipação e o
progresso da raça humana. A mesma treva lhes serviria de mortalha.
Se tudo terminasse com a morte o ser não teria nenhuma razão de se
constranger, de conter seus instintos e seus gostos. Fora das leis terrestres,
ninguém o poderia deter. O bem e o mal, o justo e o injusto se confundiriam
igualmente e se misturariam no nada. E o suicídio seria sempre um meio de
escapar aos rigores das leis humanas.
A crença no nada, ao mesmo tempo em que arruína toda sanção moral, deixa sem
solução o problema da desigualdade das existências, naquilo que toca à
diversidade das faculdades, das aptidões, das situações e dos méritos. Com
efeito, por que a uns todos os dons de espírito e do coração e os favores da
fortuna, enquanto que tantos outros não têm compartilhado senão a pobreza
intelectual, os vícios e a miséria? Por que, na mesma família, parentes e
irmãos, saídos da mesma carne e do mesmo sangue, diferem essencialmente sobre
tantos pontos? Tantas questões insolúveis para os materialistas e que podem ser
respondidas tão bem pelos crentes. Essas questões, nós iremos examinar
brevemente à luz da razão.
III - ESPÍRITO E MATÉRIA
Não há efeito sem causa; nada procede do nada. Esses são axiomas, isto é,
verdades incontestáveis. Ora, como se constata em cada um de nós a existência de
forças e de poderes que não podem ser considerados como materiais, há a
necessidade, para explicar sua causa, de se chegar a uma outra fonte além da
matéria, a esse princípio que chamamos alma ou espírito.
Quando, descendo ao fundo de nós mesmos, querendo aprender a nos conhecer, a
analisar nossas faculdades; quando, afastando de nossa alma a borra que a vida
acumula, o espesso envelope de preconceitos, erros e sofismas que têm revestido
nossa inteligência; penetrando nos recessos mais íntimos de nosso ser,
encontramo-nos face a face com esses princípios augustos sem os quais não
haveria grandeza para a humanidade: o amor ao bem, o sentimento de justiça e de
progresso. Esses princípios, que se encontram em diversos graus, tanto entre os
ignorantes quanto entre os homens de gênio, não podem vir da matéria, desprovida
que está de tais atributos. E se a matéria não possui essas qualidades, como
poderia formar, sozinha, os seres que delas são dotados? O senso do belo e do
verdadeiro, a admiração que sentimos pelas grandes e generosas obras, não
poderia ter a mesma origem que a carne de nossos membros ou o sangue de nossas
veias. Está lá, na sua maior parte, como os reflexos de uma luz sublime e pura
que brilha em cada um de nós, da mesma forma que o sol se reflete sobre as
águas, quer estejam perturbadas ou límpidas.
Em vão se pretende que tudo seja matéria. E apesar de que ainda que nos
ressintamos de poderosos impulsos de amor e de bondade, já conseguimos amar a
virtude, o devotamento, o heroísmo; o sentimento da beleza moral está gravado em
nós; a harmonia das coisas e das leis nos penetra, nos arrebata. E, com tudo
isso, nada nos distinguiria da matéria? Sentimos, amamos, possuímos consciência,
vontade e razão e procederíamos de uma causa que não encerra essas qualidades em
nenhum grau, de uma causa que não sente, não ama nem conhece nada, que é cega e
muda? Superiores à força que nos produziu, seríamos mais perfeitos e melhores
que ela!
Uma tal maneira de ver não suporta um exame. O homem participa de duas
naturezas. Por seu corpo, por seus órgãos, deriva da matéria; por suas
faculdades intelectuais e morais, é espírito.
Dizendo ainda mais exatamente, relativamente ao corpo humano, os órgãos que
compõem essa admirável máquina são semelhantes a rodas incapazes de agir sem um
motor, sem uma vontade que as coloque em ação. Esse motor é a alma. Um terceiro
elemento religa os dois outros, transmitindo aos órgãos as ordens do pensamento.
Esse elemento é o perispírito, matéria etérea que escapa aos nossos
sentidos. Envolve a alma, acompanha-a após a morte nas suas peregrinações
infinitas, depurando-se, progredindo com ela, constituindo um corpo diáfano,
vaporoso. Voltaremos, mais adiante, a comentar sobre a existência desse
perispírito, chamado também de duplo fluídico (1).
O espírito jaz na matéria como um prisioneiro em sua cela; os sentidos são as
aberturas pelas quais se comunica com o mundo exterior. Mas, enquanto a matéria,
cedo ou tarde, declina, periclita e se desagrega, o espírito aumenta em poder,
fortifica-se pela educação e experiência. Suas aspirações se engrandecem, se
estendem para além da túmulo; sua necessidade de saber, de conhecer e de viver
não tem limites. Tudo mostra que o ser humano pertence apenas temporariamente à
matéria. O corpo não é senão uma vestimenta emprestada, uma forma passageira, um
instrumento com a ajuda do qual a alma prossegue, nesse mundo, sua obra de
depuração e de progresso. A vida espiritual é a vida normal, verdadeira, sem
fim.
IV - HARMONIA DO UNIVERSO
Vimos acima a existência em nós de um princípio inteligente e racional;
retornamos agora até a fonte de onde decorre para explicar sua origem pelo
encadeamento das causas e dos efeitos,. Os homens chamam essa fonte, na sua
pobre e insuficiente linguagem, de Deus.
Deus é o centro de onde emanam e para onde retornam todas as potências do
Universo. Ele é o foco de onde se irradia toda idéia de justiça, solidariedade e
amor; o objetivo comum para o qual todos os seres se encaminham, consciente ou
inconscientemente. É de nosso relacionamento com o grande Arquiteto dos mundos
que decorrem a harmonia universal, a comunidade e a fraternidade. Para sermos
irmãos, com efeito, é preciso haver um pai comum, e esse pai somente pode ser
Deus.
Deus, dirá você, tem estado presente sob aspectos tão estranhos, por vezes
tão revoltantes para os homens crentes, que o espírito moderno se está afastando
d’Ele. Mas que importam essas divagações sectárias? Pretender que Deus possa ser
diminuído pelos propósitos dos homens equivale a dizer que o monte Branco e o
Himalaia possam ser manchados pelo sopro de um mosquito. A verdade paira
radiosa, deslumbrante, bem acima das obscuridades teológicas.
Para entrever esta verdade, o pensamento deve se desligar das regras
estreitas, das práticas vulgares, rejeitar as formas pueris com as quais certas
religiões têm envolvido o supremo ideal. Deve estudar Deus na majestade de
suas obras.
Na hora em que tudo repousa nas nossas cidades, quando a noite está
transparente e o silêncio se faz sobre a terra adormecida, então, ó homens, meus
irmãos, elevem seus olhos e contemplem o infinito dos céus!
Observem a marcha ritmada dos astros, evoluindo nas profundezas. Esses fogos
inumeráveis são mundos perto dos quais a Terra não é mais que um átomo, sóis
prodigiosos contornados por cortejos de esferas e dos quais as distâncias
espantosas que nos separam se medem por milhões de anos-luz. Por isso nos
parecem simples pontos luminosos. Mas, dirijam para eles esse olho colossal da
ciência, o radiotelescópio, e vocês distinguirão suas superfícies, semelhantes a
oceanos em chamas.
Procurem em vão contá-los; eles se multiplicam até nas regiões mais remotas e
confundem-se na distância, como uma poeira luminosa. Observem também, como sobre
os mundos vizinhos da Terra se desenham os vales e as montanhas, mares são
cavados, nuvens se movem. Reconheçam que as manifestações da vida se produzem
por toda parte, e que uma ordem admirável une, sob leis uniformes e por destinos
comuns, a Terra e seus irmãos, os planetas errantes no infinito. Verifiquem que
todos esses mundos, habitados por outras sociedades humanas, se agitam, se
afastam e aproximam dotados de velocidades diversas, percorrendo orbes imensos;
por todo lado o movimento, a atividade e a vida se mostram em um espetáculo
grandioso. Observem nosso próprio globo, a Terra, que parece nos dizer: « Vossa
carne é a minha, vossos entes minhas crianças ». Observem-na, esta grande ama de
leite da humanidade; vejam a harmonia de seus contornos, seus continentes, no
seio dos quais as nações germinam e crescem, seus vastos oceanos sempre em
movimento; acompanhem a renovação das estações revestindo-a, cada vez, de verdes
adornos ou de louras colheitas; contemplem os seres vivos que a povoam:
pássaros, insetos, plantas e flores; cada um deles é um cinzelado maravilhoso,
uma jóia do estojo divino. Observem a si mesmos; vejam o desempenho admirável de
seus órgãos, o mecanismo maravilhoso e complicado de seus sentidos. Que gênio
humano poderia imitar essas delicadas obras-primas?
Considerem todas essas coisas e perguntem à sua razão se tanta beleza,
esplendor e harmonia, podem resultar do acaso, ou se não existe, sobretudo, uma
causa inteligente presidindo a ordem do mundo e a evolução da vida. E se vocês
me opusessem os flagelos, as catástrofes, tudo o que vem pertubar essa ordem
admirável, lhes responderia: Sondem os problemas da natureza, não se fixem na
surperfície, desçam ao fundo das coisas e descobrirão, com surpresa, que as
aparentes contradições mais não fazem que confirmar a harmonia geral, que são
úteis ao progresso dos seres, único propósito da existência.
Se Deus fez o mundo, replicam triunfalmente certos materialistas, quem então
fez Deus? Esta objeção não tem sentido. Deus não é um ser que se junte à série
dos seres. Ele é o Ser universal, sem limites no tempo e no espaço, por
conseqüência infinito, eterno. Não pode haver nenhum ser acima nem ao lado dele.
Deus é a fonte e o princípio de toda vida. É por ele que se religam, unem e
harmonizam todas as forças individuais, e que sem Ele estariam isoladas e
divergentes.
Abandonadas a si mesmas, não estando regidas por uma lei, uma vontade
superior, essas forças não teriam produzido senão confusão e caos. O fato de
existir um plano geral, um propósito comum, do qual participem todos as
potências do universo, prova a existência de uma causa, uma inteligência
suprema, que é Deus.
V - AS VIDAS SUCESSIVAS
Como tínhamos dito o homem deve antes de tudo aprender a se conhecer a fim de
clarear seu porvir. Para caminhar com passo firme, precisa saber para onde vai.
É conformando seus atos com as leis superiores que o homem trabalhará
eficazmente para a própria melhoria e do meio social. O importante é discernir
essas leis, determinar os deveres que elas nos impõem, prever as conseqüências
de suas ações. O dia em que estiver compenetrado da grandeza de sua função, o
ser humano poderá melhor se desapegar daquilo que o diminui e rebaixa; poderá se
governar com sabedoria, preparar por seus esforços a união fecunda dos homens em
uma grande família de irmãos.
Mas estamos longe desse estado de coisas. Ainda que a humanidade avance na
via do progresso, pode-se dizer, entretanto, que a imensa maioria de seus
membros caminha pela via comum, em meio à noite escura, ignorante de si mesma,
nada compreendendo do propósito real da existência.
Espessas trevas obscurecem a razão humana. As radiações da verdade chegam
empalidecidas, enfraquecidas, impotentes para aclarar as rotas sinuosas
trilhadas pelas inumeráveis legiões em marcha e para fazer resplender aos seus
olhos o objetivo ideal e longínquo.
Ignorando seus destinos, flutuando sem cessar entre o preconceito e o erro, o
homem maldiz, por vezes, a vida. Curvando-se sob seu fardo, lança sobre seus
semelhantes a culpa das provas que suporta e que, muito freqüentemente, são
geradas por sua imprevidência. Revoltado contra Deus, a quem acusa de injustiça,
chega mesmo, algumas vezes, na sua loucura e desespero, a desertar do combate
salutar, da luta que, por si só, poderia fortificar sua alma, esclarecer seu
julgamento, prepará-lo para os trabalhos de uma ordem mais elevada.
Por que é assim? Por que o homem desce fraco e desarmado na grande arena onde
trava sem trégua, sem descanso, a eterna e gigantesca batalha? É porque este
globo, a Terra, está em um degrau inferior na escala dos mundos. Aqui residem em
sua maior parte espíritos infantis, isto é, almas nascidas há pouco tempo para a
razão. A matéria reina soberana em nosso mundo. Nos curva sob seu jugo, limita
nossas faculdades, estanca nossos impulsos para o bem e nossas aspirações para o
ideal.
Além disso, para discernir o porquê da vida, para entrever a lei suprema que
rege as almas e os mundos, é preciso saber se libertar dessas pesadas
influências, desapegar-se das preocupações de ordem material, de todas essas
coisas passageiras e cambiantes que encobrem nosso espírito e que obscurecem
nossos julgamentos. É nos elevando pelo pensamento acima dos horizontes da vida,
fazendo abstração do tempo e do lugar, pairando, de alguma forma, acima dos
detalhes da existência, que perceberemos a verdade.
Por um esforço de vontade, abandonemos um instante a Terra e gravitemos
nessas alturas imponentes. De cima se desenrolará para nós o imenso panorama das
idades sem conta, e dos espaços sem limites. Da mesma forma que o soldado,
perdido no conflito, não vê senão confusão em torno dele, enquanto o general,
cujo olhar abraça todas as peripécias da batalha, calcula e prevê os resultados;
da mesma forma que o viajante, perdido nas sinuosidades do terreno pode,
escalando a montanha, vê-las se fundir em um plano grandioso; assim a alma
humana, da altura onde plana, longe dos ruídos da terra e longe dos baixios
obscuros, descobre a harmonia universal. Aquilo que, aqui em baixo, lhe parece
contraditório, inexplicável e injusto, quando visto do alto, se reata, se
aclara; as sinuosidades do caminho se endireitam; tudo se une, se encadeia; ao
espírito, fascinado, aparece a ordem majestosa que regula o curso das
existências e a marcha do universo.
Dessas alturas iluminadas, a vida não é mais, para os nossos olhos, como é
para os da multidão - uma vã perseguição de satisfações efêmeras - mas antes um
meio de aperfeiçoamento intelectual, de elevação moral, uma escola onde se
aprende a doçura, a paciência e o dever. E essa vida, para ser eficaz, não pode
ser isolada. Fora de seus limites, antes do nascimento e após a morte, vemos, em
uma espécie de penumbra, desenrolar-se inúmeras existências através das quais,
ao preço do trabalho e do sofrimento, conquistamos, peça por peça, retalho por
retalho, o pouco de saber e de qualidades que possuímos; por elas igualmente
conquistaremos o que nos falta: uma razão perfeita, uma ciência sem lacunas, um
amor infinito por tudo que vive.
A imortalidade se assemelha a uma cadeia sem fim e se desenrola para cada um
de nós na imensidade dos tempos. Cada existência é um elo que se religa, na
frente e atrás, a elos distintos, a vidas diferentes, mas solidárias entre si. O
presente é a conseqüência do passado e a preparação do futuro. De degrau em
degrau, o ser se eleva e cresce. Artesã de seu próprio destino, a alma humana,
livre e responsável, escolhe seu caminho e, se este caminho é mau, as quedas que
advirão, as pedras e os espinhos que a dilacerarão, terão o efeito de
desenvolver sua experiência e esclarecer sua razão nascente.
VI - JUSTIÇA E PROGRESSO
A lei superior do universo é o progresso incessante, a ascensão dos seres
para Deus, foco das perfeições. Das profundezas do abismo da vida, por uma rota
infinita e uma evolução constante, nos aproximamos d’Ele. No fundo de cada alma
está depositado o germe de todas as faculdades, de todos os poderes cabendo a
ela fazê-los eclodir por seus esforços e seus trabalhos. Visto sob este aspecto,
nosso avanço e felicidade futura, são obra nossa. A Graça não tem mais razão de
ser. A justiça se irradia sobre o mundo porque, se todos tivermos lutado e
sofrido, todos seremos salvos.
Da mesma forma, revela-se aqui em toda sua grandeza a função da dor e sua
utilidade para o avanço dos seres. Cada globo, girando no espaço, é vasta
oficina onde incessantemente trabalha a substância espiritual. Assim como o
mineral grosseiro, quando sob a ação do fogo e da água, transforma-se pouco a
pouco em metal puro, também a alma humana, sob os pesados martelos da dor se
transforma e fortifica. É por meio das provas que se temperam os grandes
caracteres. A dor é a purificação suprema, a fornalha onde se fundem todos os
elementos impuros que nos mancham: o orgulho, o egoísmo e a indiferença. É a
única escola onde se refinam as sensações, onde se aprende a piedade e a
resignação estóica. Os gozos sensuais, ligando-nos à matéria, retardam nossa
elevação, enquanto que o sacrifício e a abnegação, nos libertam por antecipação
dessa espessa ganga, nos preparam para novas etapas, para uma ascensão mais
alta. A alma, purificada, santificada pelas provas, vê cessar as encarnações
dolorosas. Deixa para sempre os globos materiais e eleva-se sobre a escala
magnífica dos mundos felizes. Percorre o campo sem limites dos espaços e das
idades. A cada passo adiante, vê seus horizontes se alargarem e sua esfera de
ação crescer; percebe mais e mais distintamente a grande harmonia das leis e das
coisas, delas participando de uma maneira mais estreita, mais efetiva. Então o
tempo se eclipsa, os séculos se escoam como horas. Unida às suas irmãs,
companheiras da eterna viagem, prossegue sua ascensão intelectual e moral no
seio de uma luz sempre grandiosa.
De nossas observações e pesquisas se destaca, assim, uma grande lei: a
pluralidade das existências da alma. Já tínhamos vivido antes do nascimento e
reviveremos após a morte. Esta lei dá a chave desses problemas, até aqui
insolúveis. Por si só, explica a desigualdade das condições, a variedade
infinita das aptidões e dos caracteres. Temos conhecido ou conheceremos
sucessivamente todas as fases da vida social e percorreremos todos os seus
meios. No passado, éramos como os selvagens que povoavam os continentes
atrasados; no porvir, poderemos nos elevar à altura dos gênios imortais, dos
espíritos gigantes que, semelhantes a faróis luminosos, aclaram a marcha da
humanidade. A história deles é nossa história e, dela participantes, percorremos
os seus árduos caminhos, suportamos as evoluções seculares relatadas nos anais
das nações. Tempo e trabalho: eis os elementos de nosso progresso.
Esta lei da reencarnação mostra, de maneira evidente, a soberana justiça que
reina sobre todos os seres. A cada vez forjamos e quebramos nossos próprios
grilhões. As provas assustadoras que alguns entre nós sofrem são, em geral,
conseqüência de nossa conduta passada. O déspota torna-se escravo; a mulher
altiva, vaidosa de sua beleza, retoma em um corpo informe, sofredor; o ocioso
torna-se mercenário, curvado sob um serviço ingrato. Aquele que tem feito sofrer
sofrerá por sua vez. Inútil procurar o inferno nas regiões desconhecidas ou
longínquas, o inferno está em nós, esconde-se nos recessos ignorados da alma
culpada, da qual somente a expiação pode fazer cessar as dores. Não há penas
eternas. Mas, dirá você, se outras vidas precederam o nascimento, por que delas
perdemos a lembrança? Como poderíamos expiar com proveito quando as faltas são
esquecidas?
A lembrança não seria uma pesada bola presa aos nossos pés? Penosamente
saídos das idades de furor e de bestialidade, como deve ter sido esse passado de
cada um de nós! Através as etapas transpostas, quantas lágrimas vertidas, quanto
sangue derramado por nossos atos! Conhecemos o ódio e praticamos a injustiça.
Que fardo moral seria esta longa perspectiva de faltas para espíritos ainda
débeis e vacilantes!
E depois, a lembrança de nosso próprio passado não estaria ligada de maneira
íntima às lembranças do passado dos outros? Que situação para o culpado, marcado
pelo ferro em brasa, por toda a eternidade! Pela mesma razão, os ódios e os
erros se perpetuariam, cavando divisões profundas, indeléveis, no seio desta
humanidade já tão dilacerada. Deus fez bem apagando de nossos fracos cérebros a
lembrança de um passado terrível. Após haver sorvido a beberagem do
esquecimento, renascemos para uma nova vida. Uma educação diferente, uma
civilização mais adiantada, faz desvanecer as quimeras que outrora visitaram
nosso espírito. Aliviados dessa bagagem bloqueante, avançamos com passos mais
rápidos nas vias que nos são abertas.
Todavia, esse passado não está apagado de tal maneira que não possamos
entrever alguns de seus vestígios. Se nos desapegarmos das influências
exteriores, descermos ao fundo de nosso ser; se nos analisarmos com cuidado,
nossos gostos e aspirações, descobriremos coisas, em nossa existência atual e
com a educação recebida, que nada poderia explicar. Partindo daí, chegaremos a
reconstituir esse passado, senão em todos os seus detalhes, pelo menos em suas
grandes linhas. Quanto às faltas, que implicam numa expiação necessária nesta
vida, ainda que apagadas momentaneamente aos nossos olhos, sua causa primeira
continua existindo, sempre visível, qual seja, nossas paixões e caracteres
impetuosos, que as novas encarnações têm por objetivo domar, dobrar.
Assim então, se deixamos no limiar da vida as mais perigosas lembranças,
levamos ao menos conosco os frutos e as conseqüências dos trabalhos realizados,
isto é uma consciência, um julgamento, um caráter tal qual o houvermos talhado.
Tudo que nos é inato não é outra coisa senão a herança intelectual e moral que
as vidas desvanecidas nos legaram.
E cada vez que se abrem para nós as portas da morte, quando, liberta do jugo
material, nossa alma escapa de sua prisão na carne para reentrar no império dos
Espíritos, então seu passado se reconstitui pouco a pouco. Uma após outra, sobre
o caminho seguido, revê suas existências, as quedas, os altos, os avanços
rápidos. Julga a si mesma, medindo o caminho percorrido. No espetáculo de seus
descréditos ou de seus méritos, expostos ante ela, encontra sua punição ou sua
recompensa.
Sendo o propósito da vida o aperfeiçoamento intelectual e moral do ser, que
condições, que meios nos conviriam melhor para realizá-lo? O homem pode
trabalhar em seu aperfeiçoamento em todas as condições, em todos os meios
sociais; entretanto, se sairia bem mais facilmente dentro de certas condições
determinadas.
A riqueza proporciona ao homem, meios de estudo poderosos; permite-lhe dar
ao seu espírito uma cultura mais desenvolvida e mais perfeita; coloca em suas
mãos facilidades maiores para aliviar seus irmãos infelizes, participando por
meio de fundações de utilidade pública, visando o melhoramento de seus destinos.
Mas são raros os que consideram como um dever trabalhar no alívio da miséria, na
instrução e melhoria de seus semelhantes.
A riqueza, freqüentemente, seca o coração humano; extingue essa chama
interior, esse amor ao progresso e às melhorias sociais que anima toda alma
generosa; ergue uma barreira entre os poderosos e os humildes; leva a viver em
um meio onde não se alcança os deserdados desse mundo e onde, por conseqüência,
suas necessidades e males permanecem quase sempre ignorados e desconhecidos.
A miséria também tem seus pavorosos perigos: a degradação dos caráteres, o
desespero, o suicídio. Mas, enquanto a riqueza nos torna indiferentes e
egoístas, a pobreza, ao nos aproximar dos humildes, nos faz compartilhar a dor.
É preciso ter sofrido, por si mesmo, para apreciar os sofrimentos do outro.
Enquanto os poderosos, no seio dos honrados, invejam-se e procuram rivalizar em
brilho, os pequenos, aproximados pela necessidade, vivem, por vezes, em tocante
confraternização.
Observem as aves de nossa região durante os meses de inverno, quando o céu
está sombrio, quando a terra está coberta de um manto branco de neve; apertados
uns contra os outros, na borda de um telhado, aquecem-se mutuamente em silêncio.
A necessidade os une. Mas vêm os belos dias, o sol resplandecente, a provisão
abundante, e eles chilreiam, perseguem-se, combatem-se, dilaceram-se. Assim é o
homem. Doce, afetuoso com seus semelhantes nos dias de tristeza, a posse de bens
materiais o torna, muito freqüentemente, esquecido e duro.
Uma condição modesta convém melhor ao espírito desejoso de progredir, de
adquirir as virtudes necessárias à sua ascensão moral. Longe do turbilhão dos
prazeres enganadores, aquilatará melhor a vida. Solicitará da matéria o que é
necessário à conservação de seu organismo, mas evitará cair nos hábitos
perniciosos, tornar-se presa das inumeráveis necessidades fictícias que são os
flagelos da humanidade. Será sóbrio e trabalhador, contentando-se com pouco,
ligando-se, acima de tudo, aos prazeres da inteligência e às jóias do coração.
Assim, fortificado contra os assaltos da matéria, o sábio, sob a pura luz da
razão, verá resplandecer seu destino. Esclarecido sobre o objetivo da vida e o
porquê das coisas, permanecerá firme, resignado diante da dor; saberá fazê-la
servir à sua depuração, ao seu adiantamento. Afrontará a prova com coragem,
compreendendo ser salutar, que é o choque que rasgará nossas almas, e que é só
por esse dilaceramento que poderá ser derramado o fel que está em nós. Se os
homens rirem dele, se for vítima da injustiça e da intriga, aprenderá a suportar
pacientemente seus males, dirigindo seus pensamentos para nossos irmãos mais
velhos: Sócrates bebendo a cicuta, Jesus na cruz, Joana na fogueira.
Consolar-se-á no pensamento de que os maiores, os mais virtuosos, os mais
dignos, sofreram e morreram pela humanidade.
E quando, enfim, após uma existência bem completada, vier a hora solene, será
com calma, sem pesar, que acolherá a morte; a morte, que os homens envolvem com
sinistro aparato; a morte, espanto dos poderosos e dos sensuais, e que, para o
pensador austero, não é mais que a libertação, a hora da transformação, a porta
que se abre para o império luminoso dos Espíritos.
Esse umbral das regiões supraterrestres, flanquea-lo-á com serenidade. Sua
consciência, desapegada das sombras materiais, se vestirá ante ele como um juiz,
representante de Deus, perguntando: "Que fez da vida? » E responderá : - « Tenho
lutado, sofrido, amado, ensinado o bem, a verdade, a justiça; tenho dado aos
meus irmãos o exemplo da retidão, da doçura; tenho socorrido aqueles que sofrem,
consolado os que choram. E agora, que O Eterno me julga, eis-me aqui em Suas
mãos! »
VII - O PROPÓSITO SUPREMO
Homem, meu irmão, tenha fé em seu destino, porque ele é grande. Você nasceu
com faculdades inatas, aspirações infinitas, e a eternidade lhe é dada para
desenvolver uns e satisfazer os outros. Crescer vida a vida, esclarecer-se pelo
estudo, purificar-se pela dor, adquirir uma ciência sempre mais vasta,
qualidades cada vez mais nobres; eis o que lhe está reservado. Deus tem feito
ainda mais por você. Deu os meios de colaborar em Sua obra; de participar na lei
do progresso sem limites, abrindo novas vias aos seus semelhantes, elevando seus
irmãos, atraindo-os a você, iniciando-os nos esplendores do verdadeiro e do
belo, às sublimes harmonias do universo. Não é isso criar, transformar almas e
mundos? E esse trabalho imenso, fértil em caráteres, não é preferível a um
repouso morno e estéril? Colaborar com Deus! Realizar em tudo e por tudo o bem e
a justiça! Que pode ser maior, mais digno ao seu espírito imortal!
Eleve então seu olhar e abrace as vastas perspectivas de seu porvir. Ponha
nesse espetáculo a energia necessária para afrontar os ventos e as tempestades
do mundo. Marche, valente, lutador, suba a rampa que conduz aos cumes que
chamamos virtude, dever, sacrifício. Não se detenha no caminho para colher
floretes ou mato, para brincar com seixos dourados. Para frente, sempre em
frente!
Vê você nos céus esplêndidos esses astros flamejantes, esses sóis inumeráveis
arrastando, em suas evoluções prodigiosas, brilhantes cortejos de planetas?
Quantos séculos acumulados não foram necessários para os formar! Quantos séculos
não serão precisos para os dissolver! Bem! Um dia virá em que todos esses fogos
estarão extintos, onde esses mundos gigantescos se esvanecerão para dar lugar a
novos globos, a outras famílias de astros emergentes das profundezas. Nada
daquilo que vê hoje existirá mais. O vento dos espaços terá para sempre varrido
a poeira, esses mundos usados; mas você, você viverá sempre, prosseguindo sua
marcha eterna no seio de uma criação incessantemente renovada. Que serão então
para tua alma purificada, engrandecida, as sombras e os cuidados do presente?
Acidentes efêmeros de nosso curso, não deixarão, no fundo de nossa memória, mais
do que tristes ou doces lembranças. Diante dos horizontes infinitos da
imortalidade, os males do presente, as provas sofridas, serão como uma nuvem
fugitiva no meio de um céu sereno.
Meça então, em seu justo valor, as coisas da Terra. Não as desdenhe, sem
dúvida, porque são necessárias ao progresso, e sua missão é de contribuir para o
seu aperfeiçoamento pelo aperfeiçoamento de si mesmo; mas não ligue sua alma
exclusivamente nisso, antes de tudo, procure os ensinamentos que trazem. Por
eles, você compreenderá que os objetivos da vida não são os gozos, nem a
felicidade, mas, acima de tudo, uma forma de trabalho, de estudo e de
cumprimento do dever, o desenvolvimento da alma, da personalidade que você
reconhecerá além da tumba, tal qual a tem estado talhando, você mesmo, no curso
de sua existência terrestre.
VIII - PROVAS EXPERIMENTAIS
A solução que acabamos de dar aos problemas da vida está baseada na mais
rigorosa lógica. Está de acordo com as convicções dos grandes gênios da
Antiguidade, com os ensinamentos de Sócrates, de Platão, de Orígenes, dos
druídas, cujas profundas visões, hoje reconstituídas pela história, têm
confundido o espírito humano há vinte séculos. Ela forma o fundo das filosofias
do Oriente. Tem inspirado obras e atos sublimes; nossos pais, os Gauleses, daí
tiraram sua indomável coragem, seu desdém pela morte. Nos tempos modernos, tem
sido professada por Jean Reynaud, Henri Martin, Esquirros, Pierre Leroux, Victor
Hugo, etc.
Todavia, malgrado seu caráter absolutamente racional, malgrado a autoridade
das tradições sobre as quais repousam, essas concepções seriam qualificadas de
puras hipóteses e relegadas ao domínio da imaginação, se não pudéssemos
assentá-las sobre uma base inquebrantável, sobre experiências diretas e
sensíveis, à disposição de todos.
Fatigado das teorias e dos sistemas, o espírito humano, ante toda nova
afirmação, reclama hoje por provas. Essas provas da existência da alma, de sua
imortalidade, o espiritualismo experimental nos traz, materiais, evidentes.
Basta observá-las fria e seriamente, estudando com perseverança os fenômenos
psíquicos, para se convencer de sua realidade e de sua importância e para sentir
as vastas conseqüências que terão, do ponto de vista das transformações sociais,
por trazer uma base positiva, um sólido ponto de apoio às leis morais e ao ideal
de justiça, sem os quais nenhuma civilização poderia crescer.
As almas dos mortos se revelam aos humanos. Manifestam sua presença,
conversam conosco, nos iniciam nos mistérios das reencarnações, nos esplendores
desse porvir que será nosso.
Isto é um fato real, muito pouco conhecido e muito freqüentemente contestado.
As experiências Espíritas têm sido acolhidas com sarcasmo e todos que disso têm
se ocupado, desde o início, têm sido achincalhados, ridicularizados,
considerados como tolos.
Tal tem sido em todos os tempos o destino das novas idéias, o acolhimento
reservado às grandes descobertas. Considera-se como trivial a utilização das
mesas girantes; mas as maiores leis do universo, as mais poderosas forças da
natureza, não foram reveladas de uma maneira mais imponente. Não é graças às
experiências feitas com rãs que a eletricidade foi descoberta? A queda de uma
maçã demonstrou a atração universal, e a ebulição de uma marmita, a ação do
vapor. Quanto a serem taxados de loucos, os espíritas compartilham nesse ponto a
sorte de Salomão de Caus, (2) de Harvey, (3) de Galvani (4) e de tantos outros
homens de gênio.
É digno de nota que: a maior parte dos que criticam apaixonadamente esses
fenômenos não os têm nem observado nem estudado, ou o têm feito bem
superficialmente; ora, entre o número dos que os conhecem e afirmam a sua
existência, estão os maiores sábios da época. Entre esses estão, na Inglaterra:
Sir W. Crookes, membro da Sociedade Real de Londres, físico eminente a quem se
deve a descoberta da matéria radiante; Russel Wallace, o adversário de Darwin;
Warley, engenheiro chefe dos telégrafos; F. Myers, presidente da Sociedade de
Pesquisas Psíquicas; O. Lodge, reitor da Universidade de Birmingham;
na América, o jurisconsulto Edmonds, presidente do Senado; o professor Mappes,
da Academia nacional; na Alemanha: o astrônomo Zoellner; na França: Camille
Flammarion, o doutor Peul Gibier, aluno de Pasteur, Vacquerie, Eugène Nus, C.
Fauvety, o Coronel de Rochas, o professor Ch. Richet, membro do Instituto, o
doutor Maxwell, procurador geral da Corte de apelação de Bordeaux.
Na Itália o célebre professor Lombroso, que após ter contestado por muito
tempo a possibilidade dos fatos espíritas, os estudou e então reconheceu
publicamente a realidade. Quanto tem sido dito sobre qual lado teria garantias
de ter procedido a um exame sério e a uma madura reflexão! Galileu, àqueles que
negavam o movimento da Terra respondia "E por si move!" Crook esse
pronuncia assim no assunto dos fatos espíritas: "Eu não disse que isso
poderia ser, disse que é”. A verdade, no início qualificada de utopia, acaba
sempre por prevalecer.
Constatamos, entretanto que a atitude da imprensa a respeito desses fenômenos
está sensivelmente modificada. Não se graceja e ridiculariza mais; entrevê-se aí
que há qualquer coisa de seriedade. Os grandes jornais de Paris, O Figaro, o
Matin, o Eclair, o Journal, o Petit Parisien, etc.,
publicam freqüentemente sérios artigos sobre essas matérias. A doutrina do
espiritualismo experimental se expande no mundo com uma rapidez prodigiosa. Nos
Estados-Unidos, seus adeptos se contam por milhões; na Europa ocidental ela está
começando e até nos meios mais afastados, sociedades de investigação se fundam,
numerosas publicações aparecem. Um instituto metafísico foi fundado em Paris,
com o concurso do Estado, para o estudo experimental desses fatos.
O concurso de indivíduos particularmente dotados é indispensável para a
obtenção dos fenômenos psíquicos. Os Espíritos não podem agir sobre os corpos
materiais, impressionando nossos sentidos, sem uma provisão de fluidos animais
que tomam por empréstimo a indivíduos denominados médiuns. Todo o mundo possui
rudimentos de mediunidade, que pode ser desenvolvida pelo trabalho e pelo
exercício.
A alma, em sua existência de além-túmulo, não está desprovida de forma.
Possui um corpo fluídico, de matéria vaporosa, quintessenciada, chamada
perispírito, que pré-existe e sobrevive ao corpo material, do qual é ao
mesmo tempo a matriz, o modelo e o motor. Esse perispírito ou corpo
fluídico possui todo um organismo sutil, e é por sua ação, combinada com o
fluido vital dos médiuns, que o Espírito se manifesta aos homens, fazendo-os
ouvir golpes, deslocando objetos, correspondendo-se por sinais convencionados.
Em certos casos, pode mesmo se tornar visível, tangível, produzir a escrita
direta, mensagens, e até impressões e moldagens de seu envelope materializado.
Todos esses fatos têm sido observados milhares de vezes pelos sábios para isto
designados e por pessoas de toda classe, de todas as idades e de todos os
países. Eles provam experimentalmente a existência, em torno de nós, de um mundo
invisível, povoado de almas que deixaram a Terra, entre as quais se encontram as
que tínhamos conhecido e amado, e a quem nos juntaremos um dia. São elas que nos
ensinam a filosofia consoladora e grandiosa da qual esboçamos acima os traços
essenciais.
E que se repare bem que essas manifestações, consideradas, por tantos homens
- sob o império dos prejulgamentos estreitos - como estranhas, anormais,
impossíveis, sempre têm existido. Relacionamentos constantes têm unido o mundo
dos Espíritos ao mundo dos vivos. A história o comprova. A aparição de Samuel a
Saul, o gênio familiar de Sócrates, aqueles do Tasse (5) e de Jérôme Cardan (6),
as vozes de Joana d'Arc e tantos outros fatos análogos, procedem das mesmas
causas. Somente, que eram considerados outrora como sobrenaturais e miraculosos,
apresentando-se hoje com um caráter racional, como um conjunto de fatos regidos
por leis rigorosas, cujo estudo faz nascer em nós uma convicção profunda,
esclarecida.
O mundo invisível não é em realidade senão o prolongamento do mundo visível.
Além dos limites traçados por nossos sentidos, há formas de matéria e de vida
das quais a ciência cada vez mais admite a possibilidade, depois que a
descoberta da matéria radiante, a aplicação dos raios X, os trabalhos de Hertz
sobre a telegrafia sem fio, de Lockyer sobre as nebulosas, aqueles de Becquerel,
Curie e de Lebon sobre a radioatividade dos corpos, lhe abriram todo um domínio
ignorado da natureza.
Os fatos espíritas, como se vê, longe de serem desprezíveis, constituem umas
das maiores revoluções intelectuais e morais que se tem produzido na história do
globo. Eles são o mais sério argumento que se pode opor ao materialismo. A
certeza de viver do lado de lá do túmulo, na plenitude de nossas faculdades e de
nossa consciência, faz perder o temor da morte. O conhecimento das situações
felizes ou penosas, vividas pelos Espíritos por suas boas ou más ações, tem uma
poderosa ação moral. A perspectiva dos progressos infinitos, das conquistas
intelectuais, que esperam todos os seres e os conduz para destinos comuns, pode,
por si só, aproximar os homens, unindo-os por laços fraternais. A doutrina do
Espiritismo experimental é a única filosofia positiva que responde a todas as
necessidades morais da humanidade.
IX - RESUMO E CONCLUSÃO
Em resumo, os princípios que decorrem do Espiritismo, princípios ensinados
pelos Espíritos desencarnados - em muito melhor posição do que nós para
discernir a verdade - são os seguintes:
Existência de Deus, inteligência diretriz, lei vivente, alma do universo,
unidade suprema para onde se destinam e harmonizam todos os relacionamentos,
foco imenso das perfeições de onde se irradiam e expandem ao infinito todas as
potências morais: Justiça, Sabedoria e Amor!
Imortalidade da alma, essência espiritual que encerra, no estado de germe,
todas as faculdades, todos os poderes; que está destinada a desenvolvê-los pelo
seu trabalho, encarnando sobre mundos materiais, elevando-se por existências
sucessivas e inumeráveis, de degrau em degrau, até a perfeição.
Comunicação dos vivos e com os mortos; ação recíproca de uns sobre os
outros: permanência das relações entre os dois mundos; solidariedade de todos os
seres, idênticos na sua origem e nos seus fins, diferentes somente pela sua
situação transitória: uns no estado de Espírito, livres no espaço, os outros,
revestidos de um envelope perecível, mas passando alternadamente de um estado ao
outro, a morte não sendo senão um período transitório entre duas existências
terrestres.
Progresso infinito, Justiça eterna, sanção moral; a alma, tendo liberdade
nos seus atos é responsável, cria para si mesma seu porvir; segundo seu estado
normal, os fluidos grosseiros ou sutis que compõem o perispírito, e que têm sido
atraídos para ela por seus hábitos e tendências; esses fluidos, submetidos à lei
universal de atração e de gravidade, a arrastam para os globos inferiores, para
os mundos de dor, onde ela sofre, expia, resgata o passado, ou para onde a
matéria tem menos supremacia, onde reinam a harmonia e a felicidade. A alma, na
sua vida superior e perfeita, colabora com Deus, forma os mundos, dirige suas
evoluções, vigia o progresso das humanidades, o cumprimento das leis eternas.
Tais são os ensinamentos que o Espiritismo experimental nos traz. Não são
outros que os do Cristianismo primitivo, desapegado das formas de culto
material, despojado dos dogmas, das falsas interpretações, dos erros, sob os
quais o homem tem ocultado, mantido irreconhecível, a filosofia do Cristo.
A nova doutrina, revelando a existência de um mundo espiritual invisível, tão
real e tão vivo quanto o nosso, abre horizontes ao pensamento humano diante dos
quais hesita ainda, interdito, ofuscado. Mas as relações que esta revelação
facilita entre os mortos e nós, as consolações, os encorajamentos que daí
decorrem, a certeza de encontrar todos aqueles que acreditávamos perdidos para
sempre, de receber deles os supremos ensinamentos, tudo isso constitui um
conjunto de forças, de recursos morais que o homem não poderia desconhecer ou
desdenhar sem perigo para ele.
Todavia, malgrado o alto valor desta doutrina, o homem deste século,
profundamente cético, embotado com seus preconceitos, quase não teria dela feito
sentido, se fatos não tivessem vindo apoiá-la. Para atingir o espírito humano,
superficial, indiferente, foram necessárias as manifestações materiais,
ruidosas. É por isso que, em 1850 e por diversos meios, móveis de todas as
formas se balançavam, paredes retiniam golpes sonoros, corpos pesados se
deslocavam contrariamente às leis físicas conhecidas; mas, após esta primeira
fase grosseira, os fenômenos espíritas se tornaram cada vez mais inteligentes.
Os fatos de ordem psíquica (do grego psuckè, alma) sucederam-se às
manifestações físicas, médiuns, escritores, oradores, sonâmbulos, curandeiros,
se revelaram, recebendo, mecânica ou intuitivamente, inspirações cuja causa
estava fora deles, aparições visíveis e tangíveis se produziam, e a existência
dos Espíritos tornou-se incontestável para todos os observadores a quem não
fascinava mais a opção tomada.
Assim apareceu para a humanidade a nova crença; apoiada de um lado sobre as
tradições do passado, sobre a universalidade de princípios que se encontram na
fonte de todas as religiões e da maioria das filosofias, de outro sobre
inumeráveis testemunhos psicológicos, sobre fatos observados em todos os países
por homens de todas as condições.
Coisa notável, esta ciência, esta filosofia nova, simples e acessível a
todos, livre de todo aparato ou forma de culto, esta ciência chega na hora em
que os costumes se corrompem, os laços sociais se relaxam; em que o velho mundo
erra à deriva, sem freio, sem ideal, sem lei moral, como um navio privado de
governo flutuando ao sabor dos ventos.
Todo homem que observa e reflete não pode dissimular que a sociedade moderna
atravessa uma crise ameaçadora. Uma profunda decomposição a corrói surdamente. O
ódio que divide as classes, o engodo do lucro, o desejo dos gozos, tornam-se a
cada dia mais rudes, mais ardentes. Quer-se possuir a todo preço. Todos os meios
são bons para adquirir o bem-estar, a fortuna, único objetivo que se julga digno
da vida. Tais aspirações não podem produzir senão duas conseqüências: o egoísmo
impiedoso entre os felizes, o desespero e a revolta entre os infortunados. A
situação dos pequenos, dos humildes é dolorosa, e muito freqüentemente,
mergulhados em uma noite moral onde nenhuma consolação ilumina, são levados a
procurar no suicídio o fim de seus males.
O espetáculo das desigualdades sociais, os sofrimentos de uns, em oposição às
aparentes alegrias e a indiferença de outros, atiçam entre os deserdados
ardentes cobiças. Daí então a reivindicação de bens materiais se acentua. Basta
que as massas inferiorizadas se levantem, e o mundo estará perto de ser abalado
por atrozes convulsões.
A ciência é impotente para conjurar o mal, recuperar caracteres, curar
ferimentos dos combates da vida. Na realidade, em nossa época, quase que só
existem ciências especializadas em certos aspectos da natureza, reunindo fatos,
trazendo ao espírito humano uma soma de conhecimentos que lhe é própria. Foi
assim que as ciências físicas tornaram-se prodigiosamente enriquecidas após meio
século, mas a essas construções esparsas faltam o laço de união e de harmonia. A
ciência por excelência, aquela que da série de fatos remonta à causa que os
produziram, que deve religar, unir essas diversas ciências em uma grande e
magnífica síntese, fazendo brotar uma concepção geral da vida, fixando nossos
destinos, destacando uma lei moral, uma base de melhoria social, esta ciência
universal, indispensável, ainda não existe.
Se as religiões agonizam, se a fé vigilante morreu, se a ciência está
impotente para fornecer ao homem o ideal necessário, para regulamentar sua
marcha e melhorar as sociedades, ficaremos todos, então, sem esperança?
Não, porque uma doutrina de paz, fraternidade e progresso se eleva sobre o
mundo conturbado, vindo apaziguar os ódios selvagens, acalmar as paixões,
ensinar a todos a solidariedade, o perdão e a bondade.
Ela oferece à ciência esta síntese, aguardada, sem a qual tudo permaneceria
para sempre estéril. Triunfa da morte e, para adiante desta vida de provas e de
males, abre ao espírito as perspectivas radiosas de um progresso sem limites na
imortalidade.
Diz a todos: Venham a mim, eu os aquecerei, os consolarei, tornarei suas
vidas mais doces, a coragem e a paciência mais fáceis, as provas mais
suportáveis. Aclararei com uma poderosa razão seus obscuros e tortuosos
caminhos. Àqueles que sofrem darei a esperança; aos que buscam, darei a luz ;
aos que duvidam e desesperam, darei a certeza e a fé.
Diz ainda: « Sejam irmãos, ajudem-se, socorram-se em sua marcha coletiva.
Seus objetivos estão além desta vida material e transitória; será nesse porvir
espiritual que vocês se reunirão como membros de uma só família, ao abrigo das
preocupações, das necessidades e dos inúmeros males. Mereçam-no então por seus
esforços e seus trabalhos! »
A humanidade se erguerá grande e forte no dia em que esta doutrina, fonte
infinita de consolações, for compreendida e aceita. Nesse dia, a inveja e a
raiva se extinguirão no coração dos pequeninos; o poderoso, compreendendo que
tem sido fraco, e que pode redimir-se, que sua riqueza é apenas um empréstimo do
alto, tornar-se-á mais caridoso e mais doce com seus irmãos infelizes. A
ciência, concluída, fecundada pela nova filosofia, verá cair diante dela as
superstições e as trevas. Não mais ateus e céticos. Uma fé simples, grande,
fraterna, se estenderá sobre as nações, fazendo cessar seus ressentimentos e
suas rivalidades profundas. A Terra, liberta dos flagelos que a devoram,
prosseguirá sua ascensão moral, elevar-se-á um degrau na escala dos mundos.
(1) Após alguns anos, uma certa escola se esforçou em substituir o dualismo
da matéria e do espírito pela teoria da unidade de substância. Para ela a
matéria e o espírito são estados diversos de uma só e mesma substância que, na
sua evolução eterna, se afina, se depura, tornando-se inteligente e consciente.
Sem abordar aqui a questão de fundo, que necessita de longos desenvolvimentos, é
preciso reconhecer que a idéia que até agora se fazia da matéria estava errada.
Graças às descobertas de Crookes, Becquerel, Curie, Lebon, a matéria nos aparece
hoje sob estados muito sutis e, nesses estados, reveste-se de propriedades
infinitamente variadas. Sua flexibilidade é extrema. A um certo grau de
rarefação, transforma-se em energia. G. Lebon pode dizer, com aparente razão,
que a matéria não é mais que a energia condensada e a energia, a matéria
dissociada. Quanto a deduzir desses fatos que a energia inteligente, em um
momento dado de sua evolução, torna-se consciente, é ainda uma hipótese. Para
nós, há, entre o ser e o não ser, uma diferença de essência. Por outro lado, o
monismo Haeckelien, recusando ao espírito humano uma vida independente do corpo
e rejeitando toda noção de sobrevivência, termina logicamente nas mesmas
conseqüências que o materialismo positivista e incorre nas mesmas críticas.
(2) Salomon de Caus. Engenheiro francês (1576-1626). Devemos considerá-lo
como o verdadeiro inventor da máquina a vapor normal">.
(3) Harvey Médico inglês (1578-1657). Descobriu a circulação do sangue.
(4) Galvani Físico italiano (1737-1798).
(5) Tache: Poeta italiano (1544-1595).
(6) Germe Cardan: matemático, médico e filósofo italiano (1501-1576).
É preciso lembrar que em cada um de nós dormem inúteis e improdutivas,
riquezas infinitas. Daí, nossa indigência aparente, nossa tristeza e, por vezes
mesmo, nosso desgosto pela vida. Mas abra seu coração, deixe descer o raio, o
sopro regenerador, e então uma vida mais intensa e mais bela o despertará. Você
passará a se interessar por milhares de coisas que lhe eram indiferentes, mas
que farão o encanto de seus dias. Sentir-se-á crescer; caminhará na existência
com passos mais firmes e seguros, e sua alma tornar-se-á um templo pleno de luz,
de esplendor e de harmonia.
Léon Denis
Extraído do livro «Joana d’Arc médium».
O Espiritismo expandiu-se, invadiu o mundo. De início menosprezado,
amaldiçoado, acabou por atrair a atenção e despertar interesse. Todos os que não
se conservaram nas raias dos preconceitos e da rotina e que o abordaram com
sinceridade, foram por ele conquistados. Agora, penetra por toda parte, senta-se
em todas as mesas, toma lugar em todos os lares. A seus apelos, as velhas
fortalezas seculares, a Ciência e a Igreja, até aqui, por si mesmas,
herméticamente fechadas, abaixam suas muralhas, entreabrindo seus resultados.
Logo se imporá como um mestre.
Léon Denis
Extraído do livro «No Invisível».
Edição eletrônica original :
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