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Visão Espírita do Idoso - VI - Conclusão I

Leda Marques Bighetti

de Ribeirão Preto, SP

No desenvolvimento de um plano de trabalho alguns pontos foram trabalhados evidenciando situações conhecidas:

  • indivíduos que caminham velozmente para o envelhecimento
  • outros que em idênticas condições de vida, apresentam verdadeiras renovações em seu metabolismo
  • a situação difícil quando há o comprometimento da inteligência e do raciocínio com reflexos mais ou menos intensos
  • importância de se manter o idoso junto a família, uma vez que, o núcleo familiar, mesmo quando o Espírito aparentemente pareça não percebê-la ou até mesmo portar-se em relação a ela, de forma hostil, representa-lhe nutrição tão importante quanto aquela dirigida à criança que está formando uma mentalidade, iniciando uma nova romagem.

Enfatizou-se a necessidade do desenvolvimento da capacidade de adaptação, que de certo modo, será difícil de ser trabalhada quando já nessa idade avançada.

Daí a importância dos "futuros idosos", na fase em que cada qual se encontra hoje, meditar, fazer planos para essa fase natural, com entendimento, compreensão frente ao panorama da imortalidade onde não terá lugar velhice ociosa, contemplativa, sem movimento, trabalho, sonhos, planos, ideais, privacidade e compromissos, claro e justo que, adaptado às condições físicas e psicológicas do momento. Isso pressupõe nutrir as próprias fontes de energia com equilíbrio, justeza e bom senso, ocupando os velozes minutos com atividades significantes sempre produtivas.

Se entendermos que os dias de agora são semeadura para o futuro, encontrar nesse porvir, felicidade, plenitude, dependerá do desenvolver das qualidades positivas do que se está fazendo hoje, onde estruturas psicológicas dignificantes, sedimentadas, proporcionarão viver esse movimento natural da idade sem tantas desordens e desentendimentos. Nessa etapa preparatória de uma nova vida "(...) saibamos atravessá-la com naturalidade e harmonia, a fim de colhermos e apreciarmos as belezas de uma nova aurora".

Levando-se em conta que a expectativa de vida, especialmente nos países desenvolvidos aumenta consideravelmente, em futuro próximo, acentuado número de pessoas atingirão oitenta, noventa anos ou mais em satisfatório estado de saúde física e mental. Diante de perspectiva tão importante, há inúmeros programas preocupados com medidas preventivas não só para a população já idosa, mas visando aqueles que poderão atingir essa faixa etária.

No Brasil, segundo recente estudo, o grupo acima dos sessenta anos é o que mais cresce, reafirmando que é tempo de se olhar de nova forma, a idade que chega com seus benefícios, necessidades e desafios.

Nesse objetivo o "Programa de Educação Sanitária da Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica", oferece algumas reflexões, mais ou menos no sentido que segue. Ressalta que: o chegar da idade trás mudanças que desafiando o bem-estar físico e mental, incluem:

  • mudanças de papéis
  • mudanças de padrões familiares, de amizades e outras relações sociais
  • mudança na situação econômica
  • mudança de comportamento, de corpo e mente
  • mudança de interesses e de oportunidades

Com relação as mudanças de papéis, esta exigirá que o idoso aprenda sua nova forma de atuar na sociedade para obter suas respostas e manter seus direitos correspondentes. Vejamos: a oportunidade dá-lhe a vantagem de não mais ter que acordar ao toque do despertador; dispor do tempo, viajar, visitar lugares, encontrar pessoas diferentes, desfrutar novas experiências, dedicar-se a atividades interessantes e que até podem ao mesmo tempo ser úteis à comunidade, nas várias formas participativas que o trabalho voluntário oferece.

De modo geral, frente a tantas opções não se sabe por onde começar, a quem procurar. Um bom começo, são os programas oferecidos pelos serviços públicos de Assistência Social, todos agrupando amplo oferecimento de opções intelectuais, físicas, sociais, variadas, abrangentes e enriquecedoras.

Mudanças de padrões familiares, de amizade e de relações sociais - Na maioria das vezes, nessa faixa se é avô ou avó. Como tal já se sentiu a alegria da visita dos netos "(...) e o prazer de devolvê-los aos pais ao fim de animada reunião familiar (...)". De qualquer modo, esse espaço entre gerações oferece oportunidade de desfrutar o crescimento dos mais jovens que funcionarão como veículo atualizador do mundo, dos costumes, dos hábitos e alterações naturais da sociedade que muda.

Para eles, o avô/avó representará o vínculo deles com o passado onde a história tem vida porque esse antepassado faz parte dela. O jovem ao ouvir esses fatos, esses "casos" entram em contato com a história das próprias raízes e num futuro repetirão aos filhos esses fatos que referenciam, identificam aquela família.

O grande temor, muitas vezes, nessa idade é tornar-se repetitivo, maçante. Já ensinava o poeta "(...) se somos interessados, somos interessantes (...)". Daí a importância da atualização. Talvez tenha chegado a hora de escrever livros, artigos em jornais, desenvolver conhecimentos de informática, entrar em salas de conversas, "navegar", viajar em museus ou outras áreas de interesse, alfabetizar-se, aprender a tocar algum instrumento musical, auxiliar o semelhante nos trabalhos comunitários, ser ou tornar-se curioso nesse sentido do conhecer, enfim, ativo, saudável, encantador, integrado nas dificuldades e vitórias familiares, sem perder, abdicar ou anular suas atividades e interesses pessoais. Há que se ter esse cuidado de, em meio ao corre-corre familiar, preservar, manter os interesses particulares onde o dia surge, nasce no segredo do maravilhoso, na expectativa dos acontecimentos reais que estão se sucedendo.

Por que é importante criar ou defender essa individualidade?

De modo geral, no transcorrer dos dias, no criar filhos, nos acontecimentos que se sucedem, corre-se o risco de absorver ou ser absorvido pelas circunstâncias, onde a individualidade, o pessoal, como que, vai se ofuscando, perdendo ou camuflando as características próprias. Essas possibilidades aumentam ou agravam quando os filhos se casam indo morar em suas próprias casas ou pior, permanecendo no próprio lar dos pais. Em "Você e o remédio" encontramos um parágrafo que sintetiza essa situação: "(...) Há anos vem sendo a atriz/o ator coadjuvante, mais importante de sua vida. Há muito tempo deixou de ser a atriz/ator principal da sua existência. Hoje idosa/idoso precisa de uma nova identidade".

Em síntese, ressalta-se a necessidade dos interesses próprios, envolventes, possibilitadores dos sonhos, compromissos, idéias e planos que levam a esperar com entusiasmo os dias que se sucedem.

Mas, e os filhos? Estão começando a vida? Têm necessidades, precisam trabalhar?

A mãe de André Luiz em "Nosso Lar", sinaliza exemplo sutil nesse sentido. Vivendo em planos superiores, poderia movimentar méritos e "tirar" o filho das dores umbralinas? Poderia suspender compromissos pessoais para ficar ali ao lado do filho? Foi insensível ao deixá-lo? Que decisões toma? Como é entendido o Amor?

Desse modo, não se trata de abandonar, mas respeitar, deixando-os viver seus compromissos e experiências. Se procurando socorrê-los na medida do possível até que adquiram fôlego, afastando-se para que possam trabalhar as próprias experiências, aprender crescer, esforçar-se nas superações que levarão sem dúvida, a maior estabilidade no campo emocional.

Mas, e os netos? E a filha que espaça suas visitas? E o filho que não telefonou? Netos são responsabilidades que cabem aos pais e mágoas com os filhos não valem a pena guardar, pois à próxima chegada deles elas se dissipam no coração que se derrete.

Isso não seria um colocar-se à margem, indiferente, impessoal, frio?

Não é esse o sentido. Manter a individualidade é preservar os próprios sonhos não se imiscuindo nos dos outros. Interessar-se sim, ser dinâmico, vivo, participante sem absorver a realidade do outro. Compartilhar da necessidade ou do entusiasmo deles onde na preservação e respeito à própria identidade serão boa companhia uns para os outros.

Nessa busca, nesse planejamento de uma vida pessoal plena de interesses há vários outros canais abertos, não só para contato com os membros da família, mas conhecimentos, amizades novas ou velhas - o telefone, a internet, a igreja, a sinagoga, o centro espírita, o barbeiro, o cabeleireiro, o banco, enfim, tantos contatos, onde o importante como ser social que se é, será estar com outras pessoas compartilhando interesses, prazeres ou até mesmo preocupações. Idade avançada mais que nunca é momento de se expandir relações sociais onde as seleções naturais que se processam, vão estruturando grupos prazerosos que, atendendo a um momento especial, mantém o entusiasmo de fazer coisas no contacto vivo de uns para com os outros.

Mudança de situação econômica - Alguns podem se apresentar com boa renda, ou ainda aposentados, dedicar-se a outros afazeres adquirindo verba adicional. Estes seriam os idosos "jovens", física e mentalmente cheios de vigor que, continuando a produzir não sentirão tantas pressões, inclusive a financeira. De modo geral, os recursos sendo limitados, a situação preocupa e obrigará o idoso a selecionar lugar para morar, transporte, compras. Para passeios, buscar os descontos ocasionais oferecidos, os transportes públicos, teatros, museus, restaurantes, cinemas, clubes de bairro, associações, enfim, benefícios que ajudam a desfrutar a vida, com um preço menor.

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(Jornal Verdade e Luz Nº 183 de Abril de 2001)

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