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Visão Espírita do Idoso - VII - Conclusão IILeda Marques Bighetti de Ribeirão Preto, SP Mudanças de comportamento de corpo e mente - Além dessas reflexões é hora de ser cuidadoso com a saúde. Verificar os benefícios médicos a que tem direito, quer como previdenciário ou segurado em planos de saúde a que eventualmente pertença. Converse com o médico sobre necessidades e dúvidas. Desvincule-se, em função desses esclarecimentos, do excesso de medicação, atenda-se o prescrito, quando necessário. Quanto a um programa de atividade física, caminhada, exercícios, ainda o médico, é o elemento capaz, seguro e confiável, para avaliações e encaminhamentos. Associações, centros esportivos comunitários, escolas e grêmios oferecem variedade de programas e atividades gratuitas. Não necessitando de tantas calorias, a alimentação também precisa ser acompanhada e onde a dieta equilibrada cuidará dessa manutenção. Cuidado para a tendência do que vive só, habituar-se a lanches. São eles pouco nutritivos e o idoso precisa alimentar-se, comer, daí que, para aquele que não quer cozinhar, beneficiar-se da entrega de refeições a domicílio. Em relação às adaptações no campo sexual, se não há mais possibilidade ou prazer, contacto sexual, nada impõe limites ao estar juntos, no contato terno, íntimo, afetuoso, aconchegante, duradouro a se exteriorizar na calma cúmplice onde parceiros se sentem plenos, integrados no campo emocional recíproco. Recorde-se sempre que o "velho" é teimoso, inflexível, dono da verdade o que ensina aos outros nada mais tendo que aprender. Não está desperto para perceber que a Vida é o melhor professor continuamente ensinando através do filho, do neto, da empregada, do gari, da estudante, de uma criança. de um doente onde cada situação trás lições, experiências, sabedoria. Para o que sabe trabalhá-las levam ao crescer, aos interesses, dão qualidade, plenificam ações, metas, objetivos, burilam sentimentos interagindo com o Universo onde a lei de harmonia que o sustém passa a agir em seu favor devido a essa sintonia mental onde tudo se plasma para o melhor. Mudança de interesses e oportunidades - é hora de, por exemplo, ler ou dedicar-se a um prazer que em outros tempos não foi possível. O livro é caro? Há os aconchegantes ambientes das bibliotecas públicas onde se encontra todo tipo de leitura, bem como outras atividades culturais, como palestras, filmes, oficinas culturais. Idade não é limitante para a sede de conhecimento. Ah! sou analfabeto!!! Bem próximo de cada um, na escola pública, na associação de bairro, na igreja, no centro espírita, há oferecimento de bem montados cursos de alfabetização. Sei ler, concluí cursos, sou de formação universitária? A todos os casos, há oferecimento das reciclagens. Estão aí mais ou menos 115 cursos em Universidades ou mesmo cursos que realizam aspirações que em momentos passados não puderam ser atendidos. Ter presente que os acontecimentos naturais da Vida: nascimentos, desencarnes, separações, novos casamentos, mudança de ambiente, redução de renda, dependência ou imobilidade, doenças, acontecem não só ao idosos, mas que podem afetá-lo de forma mais critica. A idade avançada, mesmo não sendo incapacitante, é limitante. Daí ser importante a formação de uma consciência lúcida onde a organização e adaptação a um ritmo novo ajudarão sobremodo. Essas reflexões necessárias levam a perceber que envelhecer bem requer planejamento, compreensão realista das mudanças e desafios. Ruth Kay (Instituto Nacional de Saúde Mental - EUA), ao final de seu trabalho visando "a arte de envelhecer" enfatiza que nunca é cedo para se fazer as seguintes perguntas:
Pensar, planejar, mudar, adaptar significa estar desperto, consciente da realidade interior, das infinitas possibilidades de crescimento e que incluem: libertar-se dos medos que imobilizam na inutilidade, redescobrir alegria de viver, de agir; ampliar a comunicação com a Natureza e com todos os seres, multiplicar meios de dignação humana, envolver-se na eloqüente proposta de iluminação que, querendo, estando desperto pode ser encontrada em toda parte. Quando se caminha nesse campo de consciência "(...) o ser se move em encontro e conquistas que acima de tudo são internos, resplandecentes, calmos, poderosos como um raio e suaves como a brisa do amanhecer (...)". Todo instante, nesse enfoque, é momento da retomada. "(...) Maria de Magdala ao encontrar Jesus, decidiu e transformou-se totalmente; Paulo de Tarso, desperto ao chamado do Mestre, nunca mais foi o mesmo; Francisco de Assis, aceitando Jesus, renasce. Leonardo da Vinci, Galileu, Newton, Descartes, Pasteur, Schuwitzer e tantos outros no campo do pensamento, da ciência, da arte, da religião e do amor (...)" após despertarem para realidade "(...) alteraram a própria rota, erguendo para si e para Humanidade um patamar de maior beleza e de mais ampla felicidade". Essa coragem "do mudar" estabelecendo novas metas "(...) significa encontrar-se construindo, livre de preconceitos e de limites, aberto ao bem e à verdade de que se torna vanguardeiro e divulgador". As reflexões até aqui levantadas falam do ser em relação a si mesmo, quer já seja idoso ou a caminho de sê-lo. Não podemos por isso, deixar de abordar a posição daqueles que podem estar vivendo essa realidade ao lado de familiares, pais ou amigos idosos. Se é claro ao homem, a imagem de que aos pais cabe cuidar, assistir e amparar os filhos, a recíproca, embora também seja real, nem sempre encontra respostas a altura, nas posições do filhos. Chegará sim, o momento no tempo, em que lhes caberá o dever, a obrigação natural de assistência aos pais. Será ela tanto mais abrangente, equilibrada e feliz na proporção em que os filhos respeitarem a individualidade, mantendo-se prontos, alertas, disponíveis sem serem impositores, dirigentes, afastando, impedindo participação, ditando normas e obrigando a posicionamentos e atitudes. Seja os pais quem forem - probos ou viciosos, responsáveis ou não - serão sempre credores de homenagem, gratidão e apreço, uma vez que através deles, recebeu-se um corpo físico, bênção incomensurável diante das necessidades do Espírito. Esse cuidado é tão especial, que ainda Jesus, em seus últimos momentos de vida física, exemplifica confiando sua mãe a João, conclamando-o para que cuidasse dela. Necessitamos estar atentos, pois numa sociedade de consumo, imediatista e baseada no lucro, quem deixa de produzir, é visto como estorvo. Nesse enfoque, os idosos, os pais passam a ser entendidos como obstáculos, onde o asilo, a "casa de repouso" ou afins acenam como solução (Ressalte-se o valor dos asilos quando agasalham e cuidam de idosos em casos excepcionais, sem família, sem renda, sozinhos, abandonados nas ruas. Há outras situações especialíssimas como por exemplo: a demência onde o atendimento médico ininterrupto requer esse afastamento do lar. A vontade dos filhos, permanece no sentido de querê-los junto a si, mas o acompanhamento especializado obriga à internação. Essa providência nascida da necessidade far-se-á acompanhar da visita diária, do coração em prece em favor daquele ser querido, agora em instante senil desestruturados da própria personalidade). Excetuando-se essas situações especiais, a maior parte dos anciãos ali depositados, têm condições e necessitam conviver com a família. A realidade mostra ainda que, após as primeiras visitas, filhos e netos vão sumindo, realizando aparições breves cada vez mais espaçadas a refletir o egoísmo destes e demais parentes frente à alguém que agora não serve mais. Emmanuel no estudo "Compaixão em família, reflete que "(...) cidadãos que julgamos a toda prova, que se destacam pela palavra e caridade, não hesitam em exportar mo rumo do asilo, o avô/avó, tio/tia menos feliz que a provação expõe a caducidade". "Indagando a essas pessoas que moram em tais núcleos, a dedução é clara: nenhuma delas decidiu por conta própria ir ali morar, deixar seu lar, filhos, netos enfim, o mundo construído e sonhado para reciprocidade do aconchego". Nos casos em que há a decisão pessoal, o motivo real está nas tragédias da vida familiar onde os filhos deixaram extravasar o sentimento de peso, estorvo, empecilho, traste que o idoso agora representa. O pai, a mãe percebe, não é preciso que lhe falem - as desavenças recíprocas entre filhos, noras, genros, netos, as grosserias, a falta de delicadeza quando não até de educação, e que leva o idoso a "livremente optar" ir para a "casa de repouso"/asilo, onde ainda por amor a esses mesmos filhos, abre mão do convívio com os entes queridos na família que se esfacela. Nasce nesse instante, o Espírito enfermo no medo, na insegurança, na depressão, dor, sofrimentos diversos, na perda da memória em que se refugia. Descrente do amor, fecha-se no trato difícil, agressivo, revoltado, hostil ou na indiferença, no mutismo, na tristeza onde tudo perdeu o valor, onde nada mais vale a pena. Os familiares, desconhecendo-se como geradores ou propiciadores dessas exteriorizações, usam-nas como justificativa do acerto da decisão tomada, "pacificando" a consciência nos remorsos pequeninos que vez por outra teimam aparecer. Clique aqui para ler mais artigos desta série (Jornal Verdade e Luz Nº 184 de Maio de 2001) |
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