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Reclamação do senhor Mathieu a propósito da palavra milagreRevista Espírita, novembro de 1859 O senhor Mathieu, que citamos em nosso artigo do mês de outubro, sobre os milagres, nos dirige a reclamação seguinte, à qual nos empenhamos em fazer direito. "Senhor, "Se não tenho a vantagem de estar de acordo convosco em todos os pontos, o estou pelo menos sobre aquele que vos deu oportunidade de falar de mim, no último número do vosso jornal. Assim, eu aprovo perfeitamente vossa observação relativamente à palavra milagre. Se dela me servi em meu opúsculo, foi tendo o cuidado de dizer ao mesmo tempo (página 4): "Estando convencionado de que essa palavra milagre exprime um fato que se produziu fora das leis conhecidas da Natureza; um fato que escapa a toda explicação humana, a toda interpretação científica. "Eu creio indicar suficientemente, por aí, que rio ^ou a esta palavra milagre senão um valor relativo e de convenção; parece, uma vez que tomastes o trabalho de me combater, que me enganei. "Conto, em todos os casos, com a vossa imparcialidade, Senhor, para que estas linhas, que tenho a honra de vos dirigir, encontrem lugar em vosso próximo número. Não estou descontente que vossos leitores saibam que não quis dar ao nome em questão o sentido que reprovais, e que houve imperícia de minha parte, ou mal-entendido da vossa, talvez um pouco de um e um pouco de outro. Aceitai, etc. "MATHIEU." Estávamos perfeitamente convencidos assim como dissemos em nosso artigo, do sentido no qual o senhor Mathieu empregou a palavra milagre; também nossa crítica não se dirigia, de nenhum modo, sobre a sua opinião, mas sobre o emprego da palavra, mesmo na sua acepção mais racional. Há tantas pessoas que não vêem senão a superfície das coisas, sem se darem ao trabalho de irem ao fundo, o que não as impede de julgarem como se as conhecessem, que um tal título dado a um fato Espírita poderia ser tomado ao pé da letra, de boa fé por alguns, por malevolência para a maioria. Nossa observação, a esse respeito, é tanto mais fundada, que nos lembramos haver lido em alguma parte de um jornal, cujo nome nos escapa, um artigo onde aqueles que gozam da faculdade de provocarem os fenômenos Espíritas eram qualificados, por zombaria, de fazedores de milagres, e isso a propósito de um adepto muito zeloso, que ele mesmo se empenhou em produzi-los. Não está aqui o caso de lembrar que: nada é mais perigoso do que um amigo imprudente. Nossos adversários são bastante ardentes em nos emprestar ridículos, sem que lhes forneçamos, para isso, o pretexto. |
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