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Assassinato do Sr. PoinsotRevista Espírita, março de 1861 O mistério que cerca ainda o deplorável acontecimento fez nascer, em muitas pessoas, o pensamento de que evocando o Espírito da vítima poderia se chegar a conhecer a verdade. Numerosas cartas nos foram escritas a esse respeito, e como a questão repousa sobre um princípio de uma certa gravidade, cremos útil fazer conhecer a resposta a todos os nossos leitores. Não fazendo nunca do Espiritismo um objeto de curiosidade, não pensamos em evocar o Sr. Poinsot; entretanto, ao pedido insistente de um de nossos correspondentes, que tivera uma comunicação dele, supostamente, que desejava saber por nós se era autêntica, pensamos fazê-la há alguns dias. Segundo o nosso hábito, perguntamos ao nosso guia espiritual se essa evocação era possível e se era bem ele que se manifestou ao nosso correspondente. Eis as respostas que obtivemos: "O Sr. Poinsot não pode responder ao vosso chamado; ele não se comunicou ainda com ninguém: Deus o proíbe no momento." 1. Pode-se saber o motivo disso? - R. Sim: porque revelações desse gênero influenciariam a consciência dos juizes, que devem agir com toda a liberdade. 2. Entretanto essas revelações, esclarecendo os juizes, poderiam algumas vezes poupar-lhes erros lamentáveis, e mesmo irreparáveis. - R. Não é por esse meio que devem ser esclarecidos; Deus quer deixar-lhes a inteira responsabilidade pelos seus julgamentos, como deixa a cada homem a responsabilidade de seus atos; não quer mais lhes poupar o trabalho das pesquisas, quanto não quer lhes tirar o mérito de tê-las feito. 3. Mas, na falta de informações suficientes, um culpado pode escapar à justiça? - R. Credes que ele escapa à justiça de Deus? Se deve ser atingido pela justiça dos homens, Deus saberá bem fazê-lo cair em suas mãos. 4. Seja, para o culpado; mas se um inocente for condenado, não seria um grande mal? - R. "Deus julga em última instância, e o inocente condenado injustamente pelos homens terá a sua reabilitação. Essa condenação, aliás, pode ser para ele uma prova útil para o seu adiantamento; mas algumas vezes também ela pode ser a justa punição de um crime ao qual escapara numa outra existência. "Lembrai-vos de que os Espíritos têm por missão vos instruir no caminho do bem, e não vos aplainar o caminho terrestre deixado para a atividade de vossa inteligência; é em vos afastando do fim providencial do Espiritismo que vos expondes a serem enganados Pela turba de Espíritos mentirosos, que se agitam sem cessar ao vosso redor." Depois da primeira resposta, os assistentes discutiam sobre os motivos dessa interdição, e, como para justificar o princípio, um Espírito fez escrever ao Médium: vou conduzi-lo... ei-lo; um pouco depois: "Que vos seja agradável em querer conversar comigo; isso me é tanto mais agradável quanto tenho muitas coisas em vos dizer." Essa linguagem parece suspeita da parte de um homem tal como o Sr. Poinsot, e em razão sobretudo da resposta que acabara de ser dada; por isso se lhe roga em consentir de afirmar a sua identidade em nome de Deus. Então o Espírito escreveu: "Meu Deus, eu não posso mentir; entretanto, muito desejei conversar em uma sociedade tão amável, mas não me quereis: adeus." Foi então que o nosso guia espiritual acrescentou: "Eu vos disse que esse Espírito não pode responder esta noite; Deus o proíbe de manifestar-se; se insistirdes sereis enganados." Nota. É evidente que se os Espíritos pudessem poupar as pesquisas aos homens, estes se dariam menos trabalho para descobrir a verdade, uma vez que ela lhe chegaria sozinha. A esse título, o mais preguiçoso poderia dela saber tanto quanto o mais laborioso, o que não seria justo. Isto é um princípio geral. Aplicado ao assunto do Sr. Poinsot, não é menos evidente que se o Espírito declarasse um indivíduo inocente ou culpado, e que os juizes não encontrassem provas suficientes de uma ou de outra afirmação, a sua consciência com isso seria perturbada; que a opinião pública poderia se perder por prevenções injustas. Não sendo o homem perfeito, devemos disso concluir que Deus sabe melhor do que ele o que deve lhe ser revelado ou ocultado. Se uma revelação deve ser feita por meios extra-humanos, Deus sabe dar-lhe uma marca de autenticidade capaz de levantar todas as dúvidas, como testemunha o fato seguinte: nas vizinhanças das minas, no México, uma fazenda foi incendiada. Em uma reunião onde se ocupavam de manifestações espíritas (há várias nessa região, onde provavelmente ainda não chegaram os artigos do Sr. Deschanel, é por isso que ali se está tão atrasado); nessa reunião, dizemos, um Espírito se comunicou por pancadas; ele diz que o culpado está entre os assistentes; primeiro duvidou-se disso, e acreditou-se em uma mistificação; o Espírito insiste e designa um dos indivíduos presentes; admira-se; este porta-se bem, mas o Espírito parece se obstinar junto dele, e faz tão bem que se detêm o homem que, pressionado por perguntas, acaba por confessar o seu crime. Os culpados, como se vê, não devem se fiar na discrição dos Espíritos que, freqüentemente, são os instrumentos pelos quais Deus se serve para castigá-los. Como o Sr. Figuier explicaria esse fato? Isso é intuição, o hipnotismo, a biologia, a super-excitação do cérebro, a concentração do pensamento, a alucinação, que admite sem crer na independência do Espírito e da matéria? Arranjai, tudo isso, se o podeis; a própria solução é um problema, e deveria bem dar a sua solução de sua solução. Mas por que um Espírito não daria a conhecer o assassino do Sr. Poinsot, como fez com esse incendiário? Pedi, pois, a Deus conta de suas ações; perguntaio ao Sr. Figuier, que crê disso saber mais do que ele. |
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