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CorrespondênciaRevista Espírita, julho de 1861 Carta do Presidente da Sociedade Espírita do México. México, 16 de abril de 1861. Ao senhor Allan Kardec, em Paris. Senhor, Meu amigo, Sr. Viseur, na sua penúltima carta, manifestou-me o desejo de que experimentásseis conhecer o objetivo e as tendências da Sociedade Espírita que eu presido no México. É com o maior prazer, e a mais viva simpatia pelas vossas profundas luzes com respeito a essa matéria, que vos dirijo esta curta exposição do histórico do Espiritismo neste país, rogando-vos considerar a nossa fraca experiência, mas também de nos contar entre vós como fervorosos adeptos. Muito tempo depois de vós, senhor, tivemos a felicidade de conhecer esta doce verdade, que os Espíritos ou almas de pessoas mortas podem comunicar-se com os vivos. Apesar de umas publicações vindas do Norte, nossa atenção e nossa curiosidade não estando despertas, e não nos demos a pena de procurar o que se entendia pelas manifestações espirituais; não foi senão vosso O Livro dos Espíritos, chegado felizmente entre nós, que nos fez abrir os olhos e nos convenceu da realidade dos fatos que se propagam com tanta rapidez sobre todos os pontos do globo, fazendo-nos compreendê-lo. Começamos, então, a fazer pesquisas e experiências, tomando a tarefa de nos formar, por um trabalho constante, para receber as manifestações. Os conselhos que haurimos no vosso excelente livro nos fizeram conhecer esta grande verdade, que, depois da morte, a alma existe, e que podemos nos comunicar com aquelas que nos foram queridas sobre a Terra. Eu não renderia homenagem à verdade, se vos dissesse que fomos os primeiros aqui a ter conhecimento das manifestações; várias pessoas de nossa cidade delas já se ocupavam, o que não soubemos senão mais tarde. O princípio da reencarnação foi aquele que mais nos admirou à primeira vista, mas as nossas comunicações com os Espíritos de uma ordem que reconhecemos, pela sua linguagem, por seres superiores, não nos permitiram duvidar de uma crença que tudo prova estar na ordem das coisas e conforme a onipotente justiça de Deus. Um fato que prova a bondade e a superioridade dos Espíritos que nos assistem é que restituem a saúde àqueles que sofrem corporalmente, e a calma e a resignação às aflições espirituais. A simples lógica nos diz que o bem não pode vir senão de uma boa fonte; mas seríamos muito presunçosos colocando-nos como campeões capazes dessa sublime doutrina; a vós, senhor, pertence o direito de nos esclarecer, como o provam os trabalhos saídos do seio de vossa Sociedade. Formamos uma sociedade composta de membros experimentados na crença espírita, e recebemos em nosso seio todo indivíduo que quer ser esclarecido. As leis fundamentais que nos regem são a unidade de princípios, a fraternidade entre os membros, e a caridade para todo aquele que sofre. Eis, senhor, como as idéias espíritas se difundiram neste país, e, podemos dizê-lo com satisfação, se propagaram além de nossas esperanças. Se julgais a propósito consentir nos guiar pelos vossos bons conselhos, recebê-los-emos sempre; com um vivo reconhecimento e como um testemunho de simpatia de vossa parte. Aceitai, etc. CH. GOURGERS. No mesmo dia em que nos chegou esta carta do México, recebemos a seguinte de Constantinopla. Constantinopla, 28 de maio de 1861. Ao senhor Allan Kardec, diretor da Revista Espírita. Senhor, Permiti-me vir, tanto em meu nome pessoal quanto em nome de meus amigos e irmãos Espiritualistas desta cidade, vos oferecer dois pequenos presentes, como lembrança, não de pessoas que não conheceis ainda, e que não têm a honra de vos conhecer senão pelas vossas obras, mas aceitai-os em testemunho dos sentimentos de confraternização que devem unir os Espiritualistas de todos os países. Aceitá-los-eis, também, porque são uma prova de fenômenos tão sublimes quanto extraordinários do Espiritismo. Aceitá-los-eis, e fareis as honras de um quadro à nossa boa Sofia, porque é em seu nome e em nome de sua irmã Angélica, que o Espiritismo se desenvolve e se propaga em Constantinopla, esta capital do Oriente, tão comovente pelas suas lembranças históricas. Verdadeira torre de Babel, é a cidade que reúne todas as seitas religiosas, todas as nações, e na qual se falam todas as línguas. Figurai-vos o Espiritismo se propagando de repente no meio de tudo isso... que imenso ponto de partida! Somos ainda em pequeno número, mas esse número aumenta todos os dias e faz a bola de neve; espero que dentro em pouco nos contaremos às centenas. As manifestações obtidas por nós, até este dia, são o erguimento de mesas, das quais uma, de mais de cem quilos, se elevou, leve como uma pluma, acima das nossas cabeças; as pancadas dadas pelos Espíritos; os raptos, etc. Estamos nas aparições de Espíritos, visíveis para todos; conseguiremos isso? Eles nos prometeram: nós esperamos. Temos já um grande número de médiuns escreventes; outros fazem desenhos; outros compõem trechos de música, então mesmo quando ignoram essas diferentes artes. Vimos, seguimos e estudamos diferentes Espíritos de todos os gêneros e de todas as qualidades. Alguns de nossos médiuns têm visões, êxtases; outros executam mediunicamente ao piano músicas inspiradas pelos Espíritos. Duas jovens senhoritas, que nunca nada viram nem leram do magnetismo, magnetizam todas as espécies de males, pela ação dos Espíritos, que as fazem agir da maneira mais científica. Eis, Senhor, um resumo do que fizemos em Espiritismo até este dia. Para melhor vos fazer julgar de nossos trabalhos em revelações espirituais, eis o resultado de algumas sessões por meio da mesa. (Seguem-se em diversas comunicações morais de uma ordem muito elevada, das quais a Sociedade ouviu a leitura com o mais vivo interesse.) Se achardes que essas revelações podem interessar à propagação da nova ciência Espiritualista ou Espírita, porque, para mim como para meus amigos, o título não faz absolutamente nada à coisa, da qual não muda nem a forma nem o fundo, eu terei prazer de enviar-vos algumas sessões instrutivas, ao mesmo tempo que concludentes, do ponto de vista da prova das manifestações espirituais. Logo, todos os Espiritualistas não deverão formar senão um único feixe, uma só e mesma família. Não somos todos irmãos e filhos do mesmo pai, que é Deus? Eis os primeiros princípios que os Espiritualistas devem pregar ao gênero humano, sem distinção de classe, de país, de língua, de seita nem de fortuna. Aceitai, etc. REPOS, advogado. Esta carta estava acompanhada de um desenho representando uma cabeça de tamanho natural muito corretamente executada, embora o médium náo saiba desenhar, e de um trecho de música, palavras, canto e acompanhamento de piano, intitulado: O Es-piritualismo; e tudo com essa dedicatória: "Oferta em nome dos Espiritualistas de Constantinopla ao Sr. Allan Kardec, diretor da Revista Espírita, em Paris." No trecho de música, só o canto e as palavras foram obtidos por via mediúnica; o acompanhamento foi feito por um artista. Se publicássemos todas as cartas de adesão que recebemos, ser-nos-ia necessário a isso consagrar volumes. Ver-se-iam milhares de vezes repetidas a expressão de um tocante reconhecimento para com a Doutrina Espírita. Muitas dessas cartas, aliás, são muito íntimas para serem comunicadas. As duas que reproduzimos acima têm um interesse geral, como prova a extensão que, de todos os lados, toma o Espiritismo, e do ponto vista sério sob o qual ele é agora encarado, muito longe, como se vê, do divertimento das mesas girantes; por toda parte compreendem-lhe as conseqüências morais, e o consideram como uma base providencial das reformas prometidas à Humanidade. Estamos felizes em dar por ali um testemunho de simpatia e um encorajamento aos nossos confrades distantes. Esse laço, que já existe entre os Espíritas dos diferentes pontos do globo, e que se não conhece senão pela conformidade da crença, não é um sintoma daquilo que será mais tarde? Esse laço é uma conseqüência natural dos princípios que decorrem do Espiritismo; não pode ser rompido senão por aqueles que lhe desconhecem a lei fundamental: a caridade para com todos. |
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