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Respostas à questão dos anjos decaídosRevista Espírita, abril de 1862 Nota. - Recebemos de diversos lados respostas a todas as perguntas propostas no número de janeiro último. Sua extensão não nos permite publicá-las todas simultaneamente; limitar-nos-emos hoje à questão dos anjos rebeldes. (Bordeaux. - Médium, Sra. Cazemajoux.) Meus amigos, a teoria contida no resumo que vindes de ler, é a mais lógica e a mais racional. A sã razão não permite admitir a criação de Espíritos puros e perfeitos se revoltando contra Deus e procurando igualá-lo em poder, em majestade, em grandeza. Antes de chegar à perfeição, o Espírito ignorante e fraco, entregue ao seu livre arbítrio, se entrega, muito freqüentemente, à corrupção, e mergulha com prazer no oceano da iniqüidade; mas o que causa sobretudo a sua perda, é o orgulho. Ele nega Deus, atribui ao acaso sua existência, as maravilhas da criação e a harmonia universal. Então, infeliz dele! É um anjo decaído. Em lugar de avançar para os mundos felizes, é mesmo exilado do planeta em que habita para ir expiar, em mundos inferiores, a sua rebeldia incessante contra Deus. Guardai-vos, irmãos, de imitá-los: são os anjos perversos; fazei todos os vossos esforços para não lhes aumentar o número; que a luz da fé espírita vos esclareça sobre os vossos deveres presentes e sobre os vossos interesses futuros, a fim de que possais, um dia, evitar a sorte dos Espíritos rebeldes, e subir a escala espiritual que conduz à perfeição. VOSSOS GUIAS ESPIRITUAIS (Haia (Holanda). - Médium, Sr. barão de Kock.) Sobre este artigo não tenho senão poucas palavras a dizer, senão que é sublime de verdade; nada há a acrescentar, nada há a suprimir; bem felizes aqueles que unirem fé a essas belas palavras, aqueles que aceitarão esta Doutrina escrita por Kardec. Kardec é o homem eleito de Deus para instrução do homem desde o presente; são palavras inspiradas pelos Espíritos do bem, Espíritos muito superiores. Acrescentai-lhe fé; lede, estudai toda esta Doutrina: é um bom conselho que vos dou. VOSSO GUIA PROTETOR. (Sens. - Médium, Sr. Pichon.) Perg. Que devemos pensar da interpretação da doutrina dos anjos decaídos, que o Sr. Kardec publicou no último número da Revista Espírita? - Resp. Que ela é perfeitamente racional e que nós mesmos não teríamos explicação melhor. ARAGO. (Paris. Comunicação particular. - Médium, senhorita Stéphanie.) Está bem definido, mas é preciso ser franco, não acho senão uma coisa que me contrarie: por que falar desse dogma da Imaculada Conceição? Tivestes revelações concernentes à Mãe do Cristo? Deixai essas discussões para a Igreja católica. Lamento tanto mais essa comparação quanto os padres crerão e dirão que quereis lhes fazer a corte. UM ESPÍRITO amigo sincero do médium e do diretor da revista espírita. (Lyon. - Médium, senhora Bouillant.) Outrora críamos que os anjos, depois de ter habitado os mundos mais radiosos, tinham se revoltado contra Deus, e tinham merecido ser expulsos do Éden, que Deus lhes havia dado como morada. Cantamos sua queda e sua fraqueza, e, crendo nessa fábula do Paraíso perdido, bordamo-lo com todas as flores da retórica que conhecíamos. Era para nós um tema que nos oferecia um encanto particular. Esse primeiro homem e essa primeira mulher expulsos de seu oásis, condenados a viver sobre a Terra, presos de todos os males que vêm assediar a Humanidade, era para o autor um grande recurso para estender suas idéias, e o assunto, sobretudo, se prestava perfeitamente às nossas idéias melancólicas; como os outros, acreditamos no erro, e acrescentamos a nossa palavra a todas as que já tinham sido pronunciadas. Mas, agora que nossa existência no espaço nos permitiu julgar as coisas sob seu verdadeiro ponto de vista; no presente que podemos compreender o quanto é absurdo admitir que o Espírito, chegado ao seu mais alto grau de pureza, podia retrogradar de repente, se revoltar contra seu o criador e entrar em luta com ele; mas agora que podemos julgar por quantos cadinhos é preciso que o líquido se filtre para se depurar ao ponto de se tornar essência e quintessência, estamos no estado de vos dizer o que são os anjos decaídos, e o que deveis acreditar do Paraíso perdido. Deus, em sua imutável lei do progresso, quer que os homens avancem, e avancem sem cessar, de século em século, em épocas determinadas por ele. Quando a maioria dos seres que habitam a Terra se torna muito superior para a parte terrestre que ela ocupa, Deus ordena uma emigração de Espíritos, e aqueles que cumpriram sua missão com consciência vão habitar regiões que lhes são determinadas; mas o Espírito recalcitrante ou preguiçoso que vem fazer sombra no quadro, este está obrigado a permanecer para trás, e nessa depuração do Espírito, ele é rejeitado, como os químicos fazem para o que não passou pelo filtro; então o Espírito se encontra em contato com outros Espíritos, que lhe são inferiores, e sofre realmente do constrangimento que lhe é imposto. Lembra-se intuitivamente da felicidade que gozava, e se encontra no meio de seus iguais como uma flor exótica que fosse bruscamente transplantada num campo inculto. Esse Espírito se revolta compreendendo a sua superioridade; procura dominar aqueles que o cercam, e essa revolta, essa luta contra si mesmo, volta-se também contra o criador que lhe deu a existência, e que desconhece. Se seus pensamentos podem se desenvolver, derramará o que excede de seu coração em recriminações amargas, como o condenado na prisão, sofrerá cruelmente até que tenha expiado a preguiça e o egoísmo que o impediram de seguir seus irmãos. Eis, meus amigos, quais são os anjos decaídos e porque todos lamentam seu paraíso. Tratai, pois, a vosso turno, de vos apressar para não serdes abandonados quando soar o sinal do retorno; lembrai-vos de tudo o que deveis a vós mesmos; dizei-vos bem que sois vós, e que tendes o vosso livre arbítrio. Essa personalidade do Espírito vos explica porque o filho do homem sábio, freqüentemente, é um idiota, e porque a inteligência não pode se transformar em morgadio. Um grande homem poderá bem dar à sua prole o garbo de sua aparência, mas jamais lhe transmitirá o seu gênio, e podeis estar certos de que todos os gênios que vieram ostentar seus talentos entre vós eram bem os filhos de suas obras, porque, assim como disse um homem muito sábio, é que: "as mães dos Patay, dos Letronne e do vasto Arago criaram esses grandes homens muito inocentemente". Não, meu amigo, a mãe que dá nascimento a um talento ilustre não está, por nada, no Espírito que anima seu filho: esse Espírito já era muito avançado quando veio se reencarnar no cadinho da depuração. Escalai, pois, esses degraus da escala; degraus luminosos e brilhantes como sóis, uma vez que Deus os ilumina com a sua esplêndida luz; e lembrai-vos de que, agora que conheceis o caminho, sereis muito culpáveis se vos tornardes anjos decaídos; de resto, não creio que ninguém ousaria vos lamentar e vos cantar ainda o Paraíso perdido. MILTON. (Francfort. - Médium, senhora Delton). Não direi nada diverso sobre essa interpretação dos anjos rebeldes e dos anjos decaídos, senão que ela faz parte dos ensinamentos que devem vos ser dados, a fim de dar, às coisas mal compreendidas, seu verdadeiro sentido. Não creiais que o autor desse artigo o haja escrito sem assistência, como ele mesmo pensou; acreditou emitir suas próprias idéias e foi por isso que dela se duvidou, ao passo que, em realidade, não fez senão dar uma forma às que lhe eram inspiradas. Sim, está com a verdade quando disse que os anjos rebeldes estão ainda sobre a Terra, e que são os materialistas e os ímpios, aqueles que ousam negar o poder de Deus, não está aí o cúmulo do orgulho? Todos vós que credes em Deus e cantais seus louvores, vos indignais com tal audácia da criatura, e tendes razão; mas sondai a vossa consciência, e vede se não estais, vós mesmos, a cada instante em revolta contra ele, pelo esquecimento de suas mais santas leis. Praticai a humildade, vós que credes na superioridade de vosso mérito; que vos glorificais dos dons que recebestes; que vedes com inveja e ciúme a posição de vosso vizinho, os favores que lhe acontecem, a autoridade que lhe é concedida? Praticai a caridade, vós que denegris vosso irmão; que derramais sobre ele a maledicência e a calúnia; que em lugar de lançar um véu sobre seus defeitos, tendes prazer em expô-los à luz, a fim de rebaixá-lo? Vós que credes em Deus, sobretudo vós, Espíritas, e que se agis assim, eu o digo em verdade, sois mais culpáveis do que o ateu e o materialista, porque tendes a luz e não vedes. Sim, sois também anjos rebeldes, porque não obedeceis à lei de Deus, e no grande dia Deus vos dirá: "Que fizestes de meus ensinamentos?" PAUL, Espírito protetor. |
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