Estudo Dinâmico do Evangelho

Segunda edição

Amílcar Del Chiaro Filho

Epílogo da Mais Extraordinária Jornada de Todos Os Tempos

Não abordamos todas as passagens dos Evangelhos, e precisamos encerrar este despretensioso estudo. Não vamos, a partir de agora citar os textos dos evangelistas, mas fazer uma abordagem geral de tudo aquilo que aprendemos e descobrimos sobre a prisão e crucificação de Jesus de Nazaré.

Jesus, ao se aproximar de Jerusalém envia os discípulos para buscarem um pequeno jumento e entra na cidade montado nele, cumprindo assim, uma profecia de Isaías sobre a vinda do Messias. O povo corta ramas de arvores com as mãos e colocam no caminho, enquanto muitos gritam, Viva o Rei dos Judeus, especialmente as crianças. Alguém pede para que ele mande as pessoas se calarem e ele responde: – Se se calarem, as pedras clamarão.

Posteriormente ele manda discípulos a alugar uma sala para comerem a Páscoa. Jerusalém está superlotada de peregrinos. O ambiente é tenso e os romanos estão atentos, pois sempre havia tentativas de rebelião na Festa da Páscoa. Inúmeras tropas de soldados romanos estavam aquartelados na cidade.

Jesus reúne-se com os discípulos e lhes passa inúmeras instruções. Num dado momento diz a Judas Iscarioti para ir fazer o que tem que fazer e Judas se retira. No coração de Judas uma luta titânica. Tudo estava preparado para iniciar uma revolução e expulsar os romanos da sua terra. Entretanto, o líder pelo qual tanto ansiava, seu Mestre, não demonstrava o desejo de assumir a liderança. Restava a Judas uma jogada muito arriscada, denunciá-lo, para que assim ele assumisse o comando da revolta.

O que Judas não sabia é que muitos dos seus companheiros tinham sido mortos ou presos. Entre estes, Dimas, Gestas e Barrabaz, que ao assaltar uma caravana, mataram um soldado romano. Dimas e Gestas foram crucificados imediatamente. Barrabaz foi guardado para depois.

Terminada a ceia pascal, Jesus se retira com os discípulos para o Horto das Oliveiras, onde pretende orar. Os discípulos dormem, deixando Jesus angustiado. Na sua prece ele pronuncia as palavras: — Pai, afasta de mim esse cálice, mas que seja feita a tua vontade e não a minha.

Judas, entregou-o aos sacerdotes que pediram reforço de soldados romanos e foram prendê-lo. Chegando junto ao Mestre, ele o beija com o coração angustiado, pois, se o Mestre não reagisse, tudo estaria perdido.

Em nossa opinião, Judas não era um odioso traidor, mas um nacionalista, um patriota que queria a liberdade da sua pátria. Dimas, Gestas e Barrabas não eram bandidos, mas revolucionários. (vejam os livros – Barrabaz, de Herculano Pires – e – Eu Judas, de Taylor Caldwel.

Os fatos do julgamento é muito conhecido. Pilatos mandou-o a Herodes, ambos estavam na cidade, e Herodes devolveu-o novamente a Pilatos. Este não queria condená-lo, não porque tivesse simpatia a Jesus, mas porque desprezava os judeus com as suas constantes tricas.

Quando os sacerdotes que queriam condenar Jesus porque ele se intitulara Filho de Deus, e logicamente por outros motivos e por despeito, porque Jesus era amado pelo povo, ao ver que Pilatos relutava em condená-lo, disseram que comunicariam a César que Pilatos aceitava outro Rei que não era César.

Ameaçado politicamente, ele condenou Jesus, antes, num gesto teatral lavou as mãos. Pilatos tentou libertar o Rabi oferecendo ele e Barrabaz para que o povo escolhesse a quem libertar e o povo escolheu Barrabaz.

Jesus foi flagelado duramente e depois teve que carregar a viga horizontal da cruz até o Monte Golgota, onde Dimas e Gestas já estavam crucificados mas vivos, Sua cruz foi plantada entre os dois, do mesmo modo que ele viu, na visão que teve no deserto.

Seus discípulos se dispersaram e apenas João permaneceu com Maria, mãe de Jesus, ao pé da cruz. Jesus ora o Salmo do Messias, composto Por David, 700 anos antes. Pai, Pai por que me desamparaste?! - Está consumado! Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.

Os Evangelistas narram que houve uma grande escuridão, e uma tempestade abalou a cidade, e neste momento, O VÉU DO TEMPLO RASGOU-SE DE ALTO A BAIXO. Isto tem um significado. Este véu cobria a entrada do Santíssimo, onde deveria estar depositada a Arca da Aliança, mas que já havia desaparecido ao Tempo de Jesus. No Santíssimo somente o Sumo Sacerdote podia entrar uma vez por ano. Era realmente o símbolo do mistério. Ao rasgar-se, acabaram-se os mistérios, as religiões iniciáticas, as coisas ocultas, pois todos devem saber que Deus é único, Inteligência Suprema e Causa Primeira de Todas as Coisas.

José de Arimatéia vai pedir o corpo de Jesus a Pilatos, que se admira dele já ter morrido. Daí nasceu uma lenda que ele não morreu, e que foi reanimado e fugiu para a Índia onde viveu até os setenta anos, casou-se e teve filhos. Em Caxemira, na Índia, existe o túmulo do Profeta desconhecido, que segundo alguns, seria Jesus. Pura especulação, fábula, lenda.

Na manha seguinte à Páscoa, Maria Madalena vai ao sepulcro, e encontra a pedra removida e o túmulo vazio. Ela julga que o jardineiro retirou o corpo e ouve passos extremamente leve atrás de si. Ela pensa que é o jardineiro, mas uma voz que ela conhecia muito bem, fala-lhe com acento de infinita ternura:

– Maria...

– Raboni! (Mestre muito querido)

Especula-se sobre o corpo de Jesus. Os sacerdotes acusam os discípulos de tê-lo roubado. Os discípulos culparam os sacerdotes. Contudo, convém frisar que o corpo não era fantasma (teoria docetista e Roustanguista), e as aparições de Jesus foram em perispírito. (lembremos que quando Kardec perguntou aos espíritos se os puros espíritos possuem perispírito, a reposta foi, È COMO SE NÃO TIVESSE, no que deduzimos que TEM).

Sobre o Pentecostes já emitimos nosso parecer, mas convém lembrar: para os cristãos em geral as línguas de fogo encheram os discípulos do Espírito Santo. Para os espíritas foi a eclosão da mediunidade. Para nós, pessoalmente, acreditamos que , os discípulos de Jesus, homens simples e ignorantes, reassumiram o seu patrimônio intelectual, a sabedoria que possuíram em outras vidas e que estavam obnubiladas.

Muitos se escreveu sobre este moço galileu. Cerca de 72 mil livros. Elegeram-no Deus. O Espiritismo despiu-o da divindade, mas fez dele o construtor e governador do planeta Terra. Para nós, particularmente, ele foi um grande homem, com uma grande missão, a de guiar-nos para o caminho da perfeição. Para isto basta seguir a poeira de estrelas que se desprendeu das suas sandálias.

Eu amo Jesus de Nazaré, e um dia, seguirei os seus passos.

Guarulhos 06 de fevereiro de 2002