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Curso Básico de Espiritismo

Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal

2. O carácter da revelação espírita

Revelar, do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu e, de modo figurado, descobrir, dar a conhecer algo secreto ou desconhecido e verdadeiro. Ser verdadeiro é uma característica essencial.

No sentido especial da fé religiosa, a revelação refere-se mais particularmente aos assuntos de ordem espiritual, que o homem no momento não descobriu por meio da inteligência, nem com o auxílio dos sentidos e cujo conhecimento lhe dão de Deus ou seus mensageiros, quer por meio da palavra directa quer pela inspiração.
Pelo grande impacto que provocaram e pelo empurrão que deram na evolução da humanidade, assistimos até aos nossos dias a três grandes revelações:

1.ª revelação - MOISÉS

  • Profeta, revelou aos homens a existência de um Deus único, soberano e orientador de todas as coisas;
  • Promulgou a lei do Sinai;
  • Lançou as bases da verdadeira fé;
  • Imposição ao povo pela força;
  • Olho por olho, dente por dente;
  • Ocorreu XVIII séculos antes de Cristo...

2.ª revelação - JESUS

  • Tomou da antiga lei (Sinai) o que é eterno e Divino e rejeitando o que era transitório e puramente disciplinar e de concepção humana, acrescentou a revelação da vida futura, de que Moisés não falara;
  • Falou nas penas e recompensas que aguardam o homem, depois da morte;
  • A sua doutrina funda-se no carácter que ele atribui à Divindade.
  • Revela um Deus imparcial, soberanamente justo, bom e misericordioso;
  • Fez do amor de Deus e da caridade para com o próximo a condição indeclinável da salvação;
  • Doutrina essencialmente conselheira;
  • Doutrina aceite livremente...

3.ª revelação - ESPIRITISMO

  • Parte das palavras de Jesus;
  • Revela o mundo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo;
  • Levanta o véu dos "mistérios" do nascimento e da morte;
  • O espirita sabe donde vem, porque está na Terra, porque sofre, para onde vai, vê por toda a parte a justiça de Deus;
  • Sabe que alma progride incessantemente pela - pluralidade das existências -, até atingir o grau de perfeição que o aproxima de Deus;
  • O espírita toma conhecimento da pluralidade dos mundos habitados;
  • Descobre o livre-arbítrio;
  • É demonstrada a existência do perispírito, bem como do princípio vital. São estudadas as propriedades de vários outros fluidos;
  • Longe de negar ou destruir o Evangelho, vem, ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da natureza, que revela, tudo quanto o Cristo disse e fez;
  • A revelação espírita tem duplo carácter:
  1. DIVINO, o seu aparecimento não resultou da iniciativa do homem, mas de cálculos divinos. A primeira revelação teve a sua personificação em Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais a terceira colectiva;
  2. CIENTIFICO, Os seus ensinos não são privilégio de ninguém, são fruto do trabalho da observação e da pesquisa. Tem por base o raciocínio o exame e o livre-arbítrio. Não foram ditados completos, nem impostos à crença cega.

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