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Curso Básico de EspiritismoAssociação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal
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Estes 5 livros constituem a codificação espírita |
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O espiritismo é uma filosofia com bases cientificas (método experimental e indutivo) e consequências ético-morais que tem um objectivo bem definido - estudar a natureza, origem e destino dos espíritos, bem como as suas relações com o mundo corpóreo.
A vertente filosófica está particularmente expressa em "O Livro dos Espíritos", a experimental em "O Livro dos Médiuns" e a moral em "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
Estas três vertentes fundamentais e indissociáveis são imprescindíveis para a abordagem ou análise completas de qualquer assunto, à luz da doutrina espírita.
A ausência de estudo da doutrina e dos seus princípios básicos tem levado a que estes sejam assimilados empiricamente e praticados de improviso, criando sistemas próprios que cada vez mais se distanciam da sua fonte original.
Os verdadeiros "inimigos" da doutrina espírita não são os seus críticos, pois por vezes a publicidade negativa é a melhor. Aqueles que mais a prejudicam são os que se identificam como espíritas ou como pertencentes a grupos ou associações espíritas que de espiritismo têm muito pouco.
Esta falta de estudo e conhecimento leva a confusões mais frequentes do que seria de desejar. Exemplos:
A verdadeira e única doutrina espírita está na codificação espírita. Os conhecimentos que comporta são por demais profundos e extensos para serem adquiridos de qualquer modo ou da noite para o dia, que não por um estudo perseverante, feito no silêncio e no recolhimento.
Muito poderia ser dito referente aos princípios fundamentais da doutrina espírita, no entanto poderão ser resumidos na dissertação que se segue, retirada da Introdução (que é, por si só, um tratado de filosofia) de "O Livro dos Espíritos", devendo, no entanto, o espírita aprofundar cada conceito para um estudo mais acurado.
"Deus é eterno, imutável, imaterial, único, omnipotente, soberanamente justo e bom.
Criou o universo que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.
Os seres desencarnados constituem o mundo invisível ou espiritual, isto é dos espíritos.
O mundo espiritual é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.
O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espiritual.
Os espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade.
Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras.
A alma é um espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
Há no homem três vertentes: 1.ª, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2.ª, a alma ou ser imaterial, espírito encarnado no corpo; 3.ª, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o espírito.
Tem assim o homem duas naturezas. Pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos espíritos.
O laço ou perispírito, que prende ao corpo o espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenómeno das aparições.
O espírito não é, pois, um ser abstracto, indefinido, só possível de conceber pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tacto.
Os espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os espíritos superiores, que se distingem dos outros pela sua perfeição, pelos seus conhecimentos, pela sua proximidade de Deus, pela pureza dos seus sentimentos e pelo seu amor ao bem: são os anjos ou espíritos puros. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria, eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito maus, antes perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e as inconsequências parecem ser o que neles predomina. São os espíritos estúrdios ou levianos.
Os espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da escala espírita. Esta melhor se efectua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral.
Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de espírito errante.
Tendo o espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra quer em outros mundos.
A encarnação dos espíritos dá-se sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se que a alma ou espírito possa encarnar no corpo de um animal.
As diferentes existências corpóreas do espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição.
As qualidades da alma são as do espírito que está encarnado em nós; assim o homem de bem é a encarnação de um bom espírito, o homem perverso a de um espírito impuro.
A alma possui a sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do corpo.
Na sua volta ao mundo dos espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo o bem e de todo o mal que fez.
O espírito encarnado acha-se sob a influência da matéria; o homem que vence esta influência, pela elevação e depuração de sua alma, aproxima-se dos bons espíritos, em cuja companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, aproxima-se dos espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.
Os espíritos encarnados habitam os diferentes globos do universo.
Os não-encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível a mover-se em torno de nós.
Os espíritos exercem incessante acção sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Actuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da natureza, causa eficiente de uma multidão de fenómenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no espiritismo.
As relações dos espíritos com os homens são constantes. Os bons espíritos atraem para o bem, sustentam nas provas da vida e ajudam-nos a suportá-las com coragem e resignação. Os maus impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos sucumbir e assemelhar-nos a eles.
As comunicações dos espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas verificam-se pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas dão-se por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.
Os espíritos manifestam-se espontaneamente ou mediante evocação.
Podem evocar-se todos os espíritos: tanto os que animaram homens obscuros como os das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, amigos ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes seja permitido fazer-nos.
Os espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os espíritos superiores comprazem-se nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Longe de se obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau-gosto ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.
Distinguir os bons dos maus espíritos é extremamente fácil. Os espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria transparece-lhes dos conselhos, que objectivam sempre o melhoramento e o bem da humanidade. A dos espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muitas mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e divertem-se à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde reine íntima comunhão de pensamentos, tendo em vista o bem.
A moral dos espíritos superiores resume-se, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores acções.
Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhes pôs nas mãos para experimentá-lo; que o forte e o poderoso devem amparo e protecção ao fraco, porquanto transgride a lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam que, no mundo dos espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra.
Mas ensinam também não haver faltas irremissíveis que a expiação não possa apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conforme os seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final".
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