Curso Básico de Espiritismo

Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal

5. DA LEI DA CONSERVAÇÃO

É uma lei da natureza que todos os seres vivos possuem em diferentes graus, desde o maquinal, instintivo, até ao nível raciocinado.

Porque os seres vivos têm necessidade de viver para cumprimento dos desígnios da Providência Divina, sentem instintivamente a lei de conservação como parte natural de sua constituição.

Os meios de conservação dados por Deus ao homem nem sequer são entendidos, principalmente os meios que a Terra lhe proporciona, que devem ser utilizados na medida do necessário, de forma sustentada, evitando o supérfluo. Quando o próprio necessário não é alcançado pelo homem no trato da terra isso deve-se à imperícia do próprio homem, que não respeita as leis naturais.

Os esbanjamentos dos recursos materiais demonstram que o homem, no afã de satisfazer as suas fantasias, torna-se imprevidente no uso, caindo no abuso, tendo que sofrer, nos dias de penúria.

"A natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelas consequências da ambição e do amor-próprio."

GOZO DOS BENS TERRENOS

Os bens da Terra devem ser entendidos como tudo o que o homem pode gozar neste mundo, e quando o homem não alcança este gozo não pode, nem deve, acusar a natureza como imprevidente, senão reconhecer que é dele a responsabilidade pelo seu sofrimento, por não saber regrar o seu viver.

Se uns têm tanto e outros têm pouco, ou nada, deve-se reconhecer, por um lado, a existência do egoísmo que impede qualquer atitude altruísta e, por outro lado, a indolência e a acomodação, pois quem realmente busca e se esforça, por pouco que tenha, sempre está fadado a conseguir mais e melhor, se não ficar apenas a reclamar, sem produzir. Os obstáculos e impedimentos, o mais das vezes, têm apenas a finalidade de experimentar a constância, a paciência e a firmeza.

Se cada um aprender a ocupar o seu lugar, não ocupando o espaço do semelhante, a organização social tende a apresentar-se de forma equilibrada e estável.

Os esforços dos vários povos que se utilizam de técnicas científicas para o aperfeiçoamento moral provam que o homem, utilizando a inteligência, pode melhorar o seu padrão de vida, desde que não caia em círculos egoístas e de opressão a terceiros. Estes, quando existem, geram condições de sofrimento futuro, devido à infracção da lei.

A necessidade de subsistência gera no homem a exigência do trabalho, que não deve ser escravo nem explorador. E qualquer tipo de malefício e crime que se cometa contra o próximo sempre gerará uma falta do tipo lesa-natureza com as consequências decorrentes. À medida que as sociedades e os mundos se diferenciam evolutivamente a alimentação está em relação directa com a sua natureza, havendo, nos mundos mais elevados, ainda necessidade de alimentação, que não seria bastante substanciosa para os nossos estômagos ainda grosseiros.

O gozo dos bens terrenos é um direito consequente à necessidade de viver e serve para experimentar o homem, desenvolvendo-lhe a razão, preservando-o dos excessos e abusos, educando-o, desta forma. Todas as vezes que o homem ultrapassa o limite do necessário incide no excesso, amargando o gosto da saciedade e perdendo o estímulo do prazer, punindo-se, desta forma, automaticamente.

NECESSÁRIO E SUPÉRFLUO

O homem ponderado estabelece o limite do necessário pela intuição e pela experiência, conquanto a própria natureza estabeleça a linha divisória do uso e do abuso, conhecendo-se este pelos resultados nefastos dele decorrentes.

Sem saúde e sem força o homem não consegue desenvolver convenientemente o seu trabalho, que tem como finalidade prover as necessidades do corpo, sendo natural o seu desejo de bem-estar, desde que não conseguido a custa de outrem.

PRIVAÇÕES VOLUNTÁRIAS - MORTIFICAÇÕES

Todo e qualquer esforço que se faça para a privação dos gozos inúteis desprende o homem das suas paixões materiais, elevando a sua alma, que se dignifica ainda mais quando o homem abdica dos seus prazeres para fazer a felicidade do semelhante, através do auxílio fraternal.

A utilização de medidas simuladas, com a finalidade de apenas crescer perante os olhos humanos, além de não trazer nenhum auxílio espiritual para o homem ainda o coloca como ser hipócrita que, com máscaras, procura impressionar o seu semelhante. A privação, por exemplo, de certos alimentos, é tomada como prova de superioridade, embora a constituição do homem exija, para a manutenção das suas forças e da sua saúde, a ingestão de proteínas animais, somente sendo coerente esta privação se for séria e útil, isto é, se não for apenas para sobressair, com o uso de sentimentos de falsa superioridade.

Todo e qualquer sofrimento que não seja natural, portanto criado pelo próprio homem com a finalidade de agradar a Deus, não leva a nada, porque, no fundo, está apenas a atender ao seu egoísmo; mortifica-se inutilmente.

Melhor faria se usasse as suas energias para atender ao semelhante que sofre dificuldades, exercitando o seu desprendimento em acções que resultassem em algo útil para alguém, e não apenas fustigando o seu corpo, de maneira egoísta.