Curso
Básico de Espiritismo
Associação de
Divulgadores de Espiritismo de Portugal
4. DA LEI DE
REPRODUÇÃO
Evidentemente, a lei de reprodução é uma lei da natureza,
que assim provê, permanentemente, a renovação do património humano, não só de
bens materiais, mas culturais e espirituais que, em conjunto, formam a
humanidade.
Sempre
crescendo geometricamente, a população do globo terrestre ameaça chegar a um
nível em que as condições da Terra não permitirão a todos viver. O fantasma da
sobrepopulação e da saturação angustia o homem de hoje, que apenas vê "um canto
do quadro da natureza, não podendo julgar da harmonia do conjunto". Há
mecanismos naturais que impedirão a implosão da Terra por excesso de população e
escassez de meios e recursos de sobrevivência.
Velhas raças são apenas lembranças históricas que deram lugar a novas raças,
que envelhecerão e terão que ser substituídas. Uma visão limitada não permite
que entendamos com clareza os desígnios da Providência, que se fazem sem ou com
o nosso conhecimento, e sem ou com o nosso consentimento.
Embora as raças possam ser substituídas, os espíritos que as encarnam são os
mesmos seres em processo de evolução. Da força bruta dos nossos ancestrais
primitivos evoluiu a força da inteligência, que consegue sobrepor-se aos
elementos naturais, tirando-lhes, de maneira progressiva, a força, aplicando-a
em benefício próprio e colectivo, o que não conseguem os animais.
Deus manifesta-se no homem através da sua inteligência, que é colocada ao
serviço do aperfeiçoamento da própria natureza, dela extraindo forças capazes de
o ajudarem no seu bem-estar e a realizar o progresso, que se torna meritório de
acordo com a intenção dada pelos seus construtores.
OBSTÁCULOS À REPRODUÇÃO
A natureza é regulada por leis gerais, mas a acção inteligente do homem pode
alterá-las, desde que o faça de acordo com as suas necessidades e sem abuso.
Esta acção inteligente do homem é que o distingue dos animais, porque ele age
com conhecimento de causa, regulando os mecanismos da reprodução, conforme os
seus desejos e necessidades, provendo, com esta regulação, a um bem-estar
social, económico e moral. Desde que o faça visando somente a sua sensualidade
mostrará quanto ainda é material, já que predominam os valores do corpo sobre os
da alma.
CASAMENTO E CELIBATO
O casamento é um progresso na marcha da humanidade e a sua abolição seria uma
regressão à vida animal.
Através do casamento os seres estabelecem entre si um vínculo de
solidariedade fraterna, aprendendo a cooperar com o seu semelhante, abrindo mão
de interesses pessoais e egoísticos.
A indissolubilidade do casamento é uma lei humana, que contraria a natureza,
que pré-estabelece a união geral dos seres, sem a formação fechada, permanente,
de grupos que se enquistam e isolam dos demais. A estabilidade do casamento é
dada pela união dos interesses dos cônjuges e pela sintonia espiritual que deve
haver entre eles.
O celibato voluntário, procurado ou imposto a si mesmo como um estado
meritório e de perfeição espiritual, não passa de uma grande mentira egoísta,
desagradando às leis naturais e enganando o mundo, muitas vezes escondendo
problemas de desajustes pessoais de ordem moral e sexual. O celibato torna-se
meritório quando o seu móbil é o sacrifício pessoal, voltado para o bem da
humanidade, mas sem qualquer ideia egoísta de autopromoção, nem tão-pouco
compensado com outras práticas que adulteram a natureza da criatura humana,
descaracterizando-a sexualmente. O celibatarismo deve ser aceite quando é
espontâneo e não se reveste de qualquer tipo de compensação, elevando o homem
acima da sua condição material. Ele só é verdadeiro quando não pesa para quem o
vive e para quem não precisa de utilizar outros mecanismos de acção sexual para
justificá-lo.
POLIGAMIA
A poligamia é uma lei humana, nascida muito mais da sensualidade do que da
afeição real, sendo a sua abolição um progresso.
Se fosse uma lei natural, deveria, com o tempo, ter-se universalizado, o que
não ocorreu, por diversas razões. Ainda é encontrada no nosso mundo como
remanescente de épocas passadas, estando sujeita a uma legislação especial,
apropriada a certos costumes tradicionais, que o aperfeiçoamento social irá, aos
poucos, modificando.
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