Curso
Básico de Espiritismo
Associação de
Divulgadores de Espiritismo de Portugal
3. DA LEI DO
TRABALHO
A necessidade do trabalho é lei da natureza, isto é, é
intrínseco no homem ter que trabalhar, para desenvolver o seu potencial
intelectual e moral. Tanto é trabalho o do corpo quanto o da inteligência e,
como resultado, temos uma aplicação moral desse trabalho, revertendo para o
próprio indivíduo e para aqueles que o cercam, aumentando o seu património
material e espiritual, do qual deve usufruir para a sua felicidade.
Enquanto
o trabalho animal é puramente instintivo e condicionado, o do homem é racional e
criativo, permitindo-lhe desenvolver os seus potenciais divinos, pois não visa
apenas a conservação do corpo e os bens materiais. O homem evoluído faz do
trabalho um meio para atingir os seus fins espirituais de socialização.
O trabalho existe em função das necessidades que, quanto menos materiais
forem mais, inclinam o homem para um trabalho menos penoso sob o ponto de vista
físico. As necessidades materiais exigem um trabalho material, as espirituais um
espiritual.
Quanto mais meios o homem possui para a sua manutenção e sustento mais
obrigação moral tem de ser útil aos semelhantes, pois usar o que possui só para
o seu gozo, caracteriza-o como egoísta e involuído. A posse de bens que
extrapolem as suas necessidades obriga-o a ser útil aos semelhantes, sob pena de
converter-se num entrave para o progresso moral e social do meio e da sociedade
em que vive, podendo, de futuro, encontrar-se impossibilitado de desenvolver uma
função voluntariamente desprezada, tendo que viver às expensas do trabalho
alheio, sofrendo o peso dos limites que ele mesmo procurou.
Na sociedade actual, o trabalho dos pais a favor dos filhos (de uma maneira
geral de uma geração anterior para uma sucessora) deve receber, como recíproca,
uma acção de ajuda mútua, estabelecendo uma cadeia natural de trocas, que
estabilize a sociedade. O mais velho ajudando a criança a ser adulta; esta,
alcançando a maturidade e o seu mais alto potencial produtivo, deverá ajudar e
amparar os que por ela tanto fizeram, e voltar-se também para as novas gerações,
que precisam de ajuda e exemplos, e assim sucessivamente.
LIMITE DO TRABALHO - REPOUSO
O repouso, além de ter um papel na reparação das energias físicas, também
serve como elemento importante na indução do espírito a procurar a liberdade da
inteligência, alcançando a vertente da criatividade, fugindo, assim, do estreito
anel das condições reflexas e limitantes de um trabalho rotineiro.
O limite do trabalho é o das forças e todo o abuso que se cometa será
considerado suicídio indirecto, se for autonomamente imposto pelo próprio
interessado, ou escravidão vil, se da responsabilidade de um terceiro. Tanto uma
como a outra atitude configuram uma transgressão da lei de Deus.
Num meio social que leva em conta a lei de produção e consumo uma faixa
etária nova é responsável pelo trabalho que assegura o bem-estar dos mais
velhos, que já não podem produzir, mas que têm o direito de viver e gozar
dignamente a sua velhice, e também é responsável pela educação dos mais novos,
que se prepararam para contribuir a favor da sociedade e do mundo.
Por isso é que a lei da reprodução é importante na manutenção deste fluxo
interminável, do qual são geradas as sociedades e a própria humanidade.
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