Curso
Básico de Espiritismo
Associação de
Divulgadores de Espiritismo de Portugal
9. Da lei de
igualdade - igualdade natural
Todos os homens são iguais perante Deus, que os criou
simples e ignorantes, e perante a lei natural, pois os direitos são para todos.
A
desigualdade que vemos entre os homens é fruto da sua própria evolução e
esforço, baseada no facto de cada um ser herdeiro de si mesmo ao longo de sua
trajectória evolutiva, onde forja a sua superioridade espiritual.
Desigualdade das aptidões
O que à primeira vista pode parecer uma injustiça - a variedade e
desigualdade de aptidões - é a prova maior da harmonia divina, expressa na sua
lei do progresso, que coloca espíritos de condições evolutivas diferentes uns ao
lado dos outros, com a finalidade de que o que estiver em situação pior encontre
um modelo que lhe sirva de meio e estímulo para a sua melhoria.
A diversidade de aptidões facilita o desenvolvimento da solidariedade entre
todos, pois aquilo que um não faz, faz o outro, e no final todos precisam uns
dos outros, entendendo-se que só na troca é que se desenvolve o amor fraterno e
o respeito mútuo.
Espíritos de planos superiores têm como finalidade servir de auxiliares do
progresso, quando encarnam em mundos e meios inferiores, dando assim testemunho
da sua compreensão e renúncia, desempenhando papel de real valor na ordem geral
evolutiva.
Desigualdades sociais
As condições de desigualdade social são criadas pelo homem e não determinadas
por Deus. Nascem geralmente do abuso no campo do egoísmo e do orgulho, que se
atenuarão cada vez mais através do mecanismo reencarnatório que conduz ao
progresso em todos os níveis. A única desigualdade natural é a do merecimento e
dá origem a uma hierarquia moral natural ou cósmica.
Desigualdade das riquezas
É utopia a igualdade absoluta das riquezas, porque a diversidade das
faculdades e dos caracteres logo a desfaria, pela força dos acontecimentos. O
importante não é uma igualdade absoluta, mas uma distribuição equitativa,
baseada na lei da justiça, de amor e de caridade, únicas capazes de anularem o
egoísmo e o orgulho.
Geralmente, os grandes monopólios constroem-se à custa do trabalho diuturno e
suarento de anónimos colaboradores que, por uma questão de justiça, devem
receber pagamento pelos seus esforços, o que na sociedade actual nem sempre
acontece. A exploração do trabalho de muitos enseja o enriquecimento ilícito de
poucos, que perante as leis maiores candidatam-se a múltiplas dificuldades
espirituais posteriores.
A riqueza deve servir para reparar injustiças e ajudar a colectividade a
crescer, proporcionando-lhe o bem-estar, que "consiste em cada um empregar o seu
tempo como lhe apraz e não na execução de trabalhos pelos quais nenhum gosto
sente. Em tudo existe o equilíbrio; o homem é quem o perturba". A miséria é
fruto do egoísmo e da imprevidência da sociedade, por um lado, e da preguiça e
da acomodação, por outro, e só a educação moral dos seus membros é que a
eliminará definitivamente.
As provas da riqueza e da miséria
Tanto a prova da riqueza como a da miséria são concedidas por escolha do
próprio espírito, que frequentemente nelas sucumbe.
Enquanto o pobre se perde em queixas, na revolta e até no crime, como
tentativa de reparar uma injustiça social, o rico não menos se compromete
espiritualmente, quando, esquecendo que quanto mais poder exerce maiores deveres
e obrigações tem para com os seus semelhantes, apenas cuida de aumentar o seu
património material, tornando-se egoísta, orgulhoso e insaciável. "Deus
experimenta o pobre pela resignação, e o rico pelo emprego que dá aos seus bens
e ao seu poder".
Igualdade de direitos do homem e da mulher
Perante Deus e a lei natural o homem e a mulher têm direitos iguais, pois a
ambos foi concedida a inteligência e a consciência de escolha do bem e do mal e
também a faculdade de progredir.
A inferioridade com que a mulher é tratada provém de preconceitos milenares
de que o homem, sendo muscularmente mais forte, tem o direito de oprimir e
dominar a sua fragilidade. Deus, porém, forneceu a força para amparar e proteger
e não para escravizar e esmagar. O homem e a mulher, por terem funções
específicas, só podem suportar as provas e vencer juntos se mutuamente se
ajudarem.
Perante a natureza, a importância da mulher é maior, porque ela cumpre o
papel de fornecer aos descendentes as primeiras noções da vida. Têm muita razão
todos os ramos da psicologia moderna que atribuem à mãe papel preponderante na
psicologia do filho, determinando traços de personalidade que o acompanharão
sempre, pelo resto da sua existência, podendo ou não ser manejados
convenientemente pelo seu possuidor.
Uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar os direitos
igualitários do homem e da mulher, respeitando a diversidade de funções, para
evitar uma confusão e sobreposição dos papéis que cabem a cada um e que geraria
uma situação competitiva.
"Todo o privilégio a um ou a outro concedido é contrário à justiça. A
emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. A sua escravização
marcha a par da barbárie. Os sexos, além disso, só existem na organização
física. Visto que os espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto
nenhuma diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos mesmos
direitos".
Igualdade perante o túmulo
"O túmulo é o ponto de reunião de todos os homens. Aí terminam,
inelutavelmente, todas as distinções humanas. Em vão o rico tenta perpetuar a
sua memória, mandando erigir faustosos monumentos. O tempo os destruirá, como
lhe consumirá o corpo. Assim o quer a natureza. Menos perecível do que o seu
túmulo será a lembrança das suas boas e más acções. A pompa dos funerais não o
limpará das suas torpezas, nem o fará subir um degrau que seja na hierarquia
espiritual.
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