Portal do Espírito |
|
Mapa do Site | Pesquisa no Site |
Curso Básico de EspiritismoAssociação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Com fim didáctico, imaginamos o espírito a evoluir por ciclos (uma volta completa da espiral em torno do seu eixo - a linha do princípio e da finalidade), vencendo etapas (as leis morais) que, vivenciadas em conjunto, expandirão a consciência, permitindo-lhe um maior raio de acção, simbolizando a sua perfeição moral.
O ser humano desenvolve o seu psiquismo na relação com o outro. É na troca com o seu semelhante que desenvolve e aperfeiçoa as suas faculdades.
O isolamento total, além de ser contrário à lei natural, é a manifestação do mais puro egoísmo - o egocentrismo. O isolamento parcial, quando serve para reflexões e aperfeiçoamento das faculdades do espírito, depois mobilizadas a favor do bem comum, é meritório.
A família é um meio pelo qual o espírito aprende a utilizar as suas faculdades, porque ela é uma micro-sociedade. No respeito aos familiares o homem aprende a respeitar os seus irmãos na humanidade.
Do estado de simplicidade ao estado de pureza, o espírito evolui graças à lei do progresso, que o impulsiona como uma força natural, fazendo-o enfrentar as diversas atribulações.
O progresso moral torna-se o grande objectivo, e é alcançado à medida que o espírito aprende a discriminar os caminhos que deve conscientemente palmilhar, usando, para tanto, a sua capacidade intelectual.
Só valem, como componentes da evolução espiritual, os actos gerados a nível da consciência esclarecida, por ser a discriminação uma função da inteligência, o que coloca o progresso intelectual como base do progresso moral.
Por enquanto, devido ao seu atraso espiritual, o homem tem feito do conhecimento um veículo para a sua satisfação imediatista. Quando souber aplicá-lo com sabedoria, terá encontrado o caminho da evolução moral. O orgulho e o egoísmo têm sido, entre os homens, os maiores obstáculos à lei do progresso.
A existência de povos degenerados não contraria o progresso; apenas mostra que a lei de causa e efeito se faz presente, devolvendo aos semeadores o fruto amargo das suas semeaduras.
Pelas características próprias e pela influência dos costumes locais, a humanidade futura sempre será formada por nações diferentes, mas que se entenderão, graças ao princípio da evolução e da caridade.
A civilização, na Terra, passa por estágios de crescimento e desenvolvimento, como o próprio homem. Quando ela atingir a maturidade, veremos as nações a respeitarem-se mutuamente, não pretendendo interferir uma na liberdade da outra, ajudando-se fraternalmente, exercendo a justiça em toda a sua extensão.
A legislação humana procurará aproximar-se cada vez mais das leis naturais, que não abonam os privilégios de castas, de dirigentes, nem de minorias, mas que se estendem a todos, em igualdade de condições.
Grande influência tem o espiritismo na lei do progresso, pois é um instrumento valioso para o homem entender a sua natureza, o seu lugar no universo e o seu papel na ordem geral das coisas. Libertando o homem das ideias materialistas, promove-o a cidadão espiritual, colocando-o em condições de uma visão mais ampla acerca do seu próprio futuro, instruindo-o sobre como deve fazer para atingir a sua pureza espiritual.
Perante Deus, todos os homens são iguais. Estão em posições evolutivas diferentes, mercê do esforço de cada um e da época da sua criação.
A desigualdade de aptidões é fruto do desenvolvimento individual e o convívio grupal de pessoas com aptidões diferentes é um incentivo à ajuda mútua.
As desigualdades sociais são fruto de abusos do homem, e a desigualdade das riquezas é uma prova que nem sempre é superada. Os ricos, em vez de utilizarem o seu património na geração de trabalho, dignificando o homem, fazem da exploração dele uma fonte de aumento da sua riqueza, envolvendo-se, cada vez mais, no egoísmo e no orgulho destruidores. Os pobres, em vez de aproveitarem a oportunidade para o desenvolvimento dos seus potenciais de trabalho construtivo e dos sentimentos sadios, decorrentes do cumprimento dos seus deveres, perdem-se na revolta, na acomodação e na preguiça, acumulando, ainda mais, misérias e atrasos. É claro que entre estes dois extremos existem posições diversas.
O homem e a mulher têm os mesmos direitos perante Deus; porém, os preconceitos humanos colocam a mulher como oprimida e o homem como opressor. Ambos têm funções específicas que só alcançam o seu mais alto nível de desenvolvimento quando eles se associam.
Apesar do fausto dos túmulos, que pretende perpetuar a memória do morto, perante a morte todos os homens são iguais, cada um levando para o mundo espiritual a sua consciência, como resultado de todas as suas experiências.
A liberdade é um impulso natural, que provém do espírito, que almeja sair de onde está e ser o que ainda não é. Por ser criado, e não criar-se, sente-se escravo da criação e luta sempre para ser livre.
Pelo facto de no estado de simplicidade ser inteiramente inconsciente, a sua luta faz-se no sentido de consciencializar-se. Quanto mais consciente mais responsável.
A escravização de qualquer modalidade - do homem pelo homem, pela máquina, pela economia, pela política - contraria a lei de liberdade.
A liberdade de pensamento e de consciência é um direito inalienável do homem, servindo como aferidora do progresso e da civilização.
O livre-arbítrio é função do pensamento do espírito, podendo ser diferentemente enquadrado em razão de influências passadas, acumuladas em processos de abuso. A responsabilidade do acto é consequência directa do livre-arbítrio e do estado de consciência em que se encontre o espírito.
A fatalidade é decorrência natural da lei de causa e efeito e pode ser gerada com grande antecipação ou nos momentos que antecedem o acto.
A morte, como extinção da vida física, que depende do fluido vital, é fatal, podendo no entanto o seu momento ser modificado por antecipação ou retardamento, em que múltiplas situações se conjugam, principalmente de ordem espiritual. O mundo espiritual precede o mundo material.
A matéria só existe em função da existência do espírito; ela não teria finalidade se não fosse para servir de suporte à evolução do espírito. A imortalidade é do espírito e não da matéria, que é perecível, finita e transformável.
A fatalidade não deve servir de capa encobridora das responsabilidades do homem, que a usa para eximir-se da culpa.
O homem, sozinho ou em grupo, pode accionar mecanismos da lei de causa e efeito, gerando a fatalidade. Quando esta se abate sobre uma colectividade é porque as responsabilidades são grupais, mas sempre dela Deus tira um resultado proveitoso.
O homem, pelo seu presente, pode deduzir o seu futuro, desde que conheça as leis que regem a evolução. Como sempre é vítima de si mesmo, recebendo influências do seu passado ou do seu presente, cumpre-lhe, usando a sua inteligência, fugir do mal e praticar o bem, tornando-se bom, único caminho de crescimento espiritual.
A fatalidade nunca leva o homem a praticar o mal, que sempre nasce do seu desejo, seja por inferioridade, por vício ou por fraqueza.
A lei de justiça é intrínseca ao ser humano. Basicamente, está no respeito aos direitos do outro. É deformada pelo interesse pessoal, de grupos ou povos, servindo ao egoísmo e ao orgulho.
Ela deve prevalecer, para regular as acções entre os homens, baseada no respeito a uma hierarquia moral, que ainda, infelizmente, não vige na nossa sociedade.
O direito mais primário que o indivíduo detém é o da sua própria vida; daí o dever de preservá-la, e também a do próximo.
A propriedade verdadeira é a que o indivíduo consegue pelo seu trabalho, dedicação, sem prejuízo de outrem, devendo sempre contentar-se com o que possui, evitando desvairar-se à procura de acumular bens materiais.
Todo o acto de apropriação indébita, com ou sem violência mas sempre com astúcia, é considerado roubo.
A caridade, sendo o amor em acção, deve sempre ser dinâmica, e nunca paternalista. Não se pode confundir esmola com caridade. A caridade não é um acto, é uma virtude, que deve estar presente em todos os actos do ser humano.
O amor materno-filial e filial-materno é um dos primeiros modelos do amor entre os homens.
Serve como protótipo para o desenvolvimento do amor entre as pessoas, noutros níveis de relacionamento. Quem não aprendeu a amar a sua mãe ou o seu filho não saberá amar o seu semelhante; e quem não sabe amar o seu semelhante não pode afirmar que ama a Deus.
A virtude é a força de resistência aos maus pendores; o vício é a aceitação e a repetição de actos que caracterizam os maus pendores, fruto do atraso e da ignorância do espírito.
Os bens que o espírito detém devem ser aplicados sempre em benefício de muitos, pois aquele que apenas usufrui para si das riquezas que possui denota o seu grau de atraso e de egoísmo.
A moral sem exercício é como semente sem fruto.
As paixões são forças vivas do espírito, que as deve dominar, para aplicá-las convenientemente a bem do seu progresso espiritual, porque quando é dominado por elas, geralmente, candidata-se a grandes derrocadas morais.
O egoísmo é um vício do espírito, dele derivam todos os outros; é a negação do amor ao próximo, único meio do indivíduo sair do seu ensimesmamento; é um traço de inferioridade do espírito. O personalismo é o filho dilecto do egoísmo.
Como a caridade é a mãe de todas as virtudes, só ela poderá enfrentar o pai de todos os vícios - o egoísmo.
Conhece-se o homem de bem pelos seus actos, tal como uma árvore pelos seus frutos, e não pelos títulos que se lhe pendurem nos galhos.
A prova pela qual o homem se melhora e o espírito evolui é a do conhecimento de si mesmo.
Conhecer-se a si próprio, ao meio que o rodeia, às leis que regulam o seu relacionamento com este meio e com os seus semelhantes, aplicando o conhecimento das leis morais em si mesmo, é o que leva o espírito à perfeição, tirando-o da inconsciência para a consciência plena.
* Toda esta sessão de estudo se baseia na 3.ª Parte, capítulos 7 a 12, de "O Livro dos Espíritos", correspondendo as citações colocadas entre aspas ao texto da tradução da 36.ª edição da FEB.
KARDEC, Allan, "O Livro dos Espíritos", 3.ª parte - cap. 7 a 12. - 36.ª edição (popular) da Federação Espírita Brasileira; traduzido do título original francês "Le Livre des Esprits", editado em Paris em 18-4-1857.
Página principal | Mapa do Site | Pesquisa no Site |
![]() |