Curso Básico sobre Mediunidade
União Espírita Mineira
VI - Classificação Mediúnica
(Segundo a aptidão do médium)
1 - EFEITOS FÍSICOS:
Mediunidade em que se observam os fenômenos objetivos e, por isso,
perceptíveis pelos sentidos físicos.
Os médiuns de efeitos físicos, segundo Kardec, podem ser:
- Facultativos - O que tem consciência da sua mediunidade e se presta
à produção dos fenômenos por ato de sua própria vontade;
- Involuntário ou natural - Nenhuma consciência tem dessas faculdades
psíquicas, servindo muitas vezes, de instrumento dos fenômenos, a seu mau
grado. (Ref. 1, Cap. XIV).
O médium de efeitos físicos, durante a produção dos fenômenos, pode
permanecer em estado de transe, ou completamente desperto.
Os fenômenos de efeitos físicos mais comuns são:
- LEVITAÇÃO: Quando pessoas ou objetos são erguidos no ar, sem
interferência de recursos materiais objetivos;
- TRANSPORTE: Quando objetos são levantados e deslocados de uma parte
para outra, dentro do mesmo local ou trazidos de locais distantes;
- TIPTOLOGIA: Comunicação dos Espíritos - valendo-se do alfabeto ou
qualquer outro sinal convencionado - por meio de movimento de objetos ou
através de pancadas.
O Espírito responderá às perguntas formuladas, valendo-se de um código
estabelecido anteriormente.
Por exemplo:
- Uma pancada significa sim; duas pancadas, não.
- Uma pancada corresponde a letra A; duas pancadas correspondem à letra B,
etc.;
- As letras do alfabeto são dispostas sobre uma mesa e os Espíritos
conduzem um determinado objeto que, percorrendo as várias letras, forma
palavras e frases inteiras.
A tiptologia, portanto, pode ser obtida de maneira muito variada, a
critério dos responsáveis pela experiência.
É muita conhecida, nesse caso, a experiência com o copo;
- MATERIALIZAÇÃO: Manifestação dos Espíritos, através da criação de
formas ou efeitos físicos.A materialização se desdobra em nuances variadas -
sinais luminosos ligeiros ou intensos, ruídos, odores e a materialização
propriamente dita, desde apenas determinadas partes do corpo até a completa
materialização da entidade espiritual que se comunica.
Para a materialização, os Espíritos manipulam e conjugam três elementos
essenciais:
- Fluidos inerentes à Espiritualidade;
- Fluidos inerentes ao médium e demais participantes da reunião;
- Fluidos retirados da natureza, especialmente da água e das plantas.
- VOZ DIRETA ou PNEUMATOFONIA - Comunicação oral do Espírito,
diretamente, através de um aparelho vocal fluídico, manipulado pela
espiritualidade.Nesse caso, os presentes registram apenas a voz dos Espíritos.
- ESCRITA DIRETA OU PNEUMATOGRAFIA - Comunicação dos Espíritos,
através da escrita direta, isto é, sem concurso físico do médium.
A mensagem é grafada pelos Espíritos e, para tanto, nem o próprio lápis é
indispensável.
- DESDOBRAMENTO (bicorporeidade) - Exteriorização do perispírito do
médium que, afastado do corpo carnal - ao qual se liga pelo cordão fluídico -
se manifesta materializado em local próximo ou distante.
O desdobramento pode assumir outras características, as quais,
necessariamente, não se enquadram na categoria de efeitos físicos.
Por exemplo:O Espírito do médium, afastado do corpo, pode se fazer notar em
outro local, através da vidência de um segundo médium.(Ref. 3, Cap. XII.)
2 - SENSITIVOS OU IMPRESSIONÁVEIS:
São aqueles cuja mediunidade se manifesta através de uma sensação física
experimentada pelo médium, à aproximação do espírito.Assim, o médium
impressionável, ainda que não ouça ou veja um Espírito, sente a sua presença
pelas reações em seu organismo .
Do teor dessas reações, pode o médium deduzir a condição do Espírito:Rebelde,
perseguidor, evoluído, dócil, etc.
Com o exercício, o médium chega a identificar, individualmente, os Espíritos,
à sua simples aproximação.(Ref. 1, Cap. XIV)
3 - AUDITIVOS:
O médium audiente ouve vozes proferidas pelos Espíritos ou sons por eles
produzidos, bem como, sons da própria natureza, que escapam à percepção da
audição normal.
Por ser fenômeno de natureza psíquica, é fácil compreender-se que a audição
se verifica no órgão perispíritico do médium, por isso, independe de sua audição
física. (Ref. 3, Cap IX)
4 - VIDÊNCIA:
Faculdade mediante a qual o médium percebe, pela visão hiperfísica, os
Espíritos desencarnados ou não, bem como situações ou paisagens do plano
espiritual.Pode-se classificar em:
- VIDÊNCIA AMBIENTE OU LOCAL - quando o médium percebe o ambiente espiritual
em que se encontra, registrando fatos que ali mesmo se desdobram ou então,
quadros, sinais e símbolos projetados mentalmente por Espíritos com os quais
esteja em sintonia.
- VIDÊNCIA NO ESPAÇO - O médium vê cenas, sinais ou símbolos em pontos
distantes do local em que se encontra.
- VIDÊNCIA NO TEMPO - O médium vê cenas, representando fatos a ocorrer
(visão profética) ou fatos passados em outros tempos (visão rememorativa).
- PSICOMETRIA - Forma especial de vidência que se caracteriza pelo
desenvolvimento, no campo mediúnico, de uma série de visões de coisas
passadas, desde que, posto em presença do médium um objeto qualquer ligado
àquelas cenas.Essa percepção se verifica em vista de tais objetos se acharem
impregnados de influências pessoais dos seus possuidores ou dos locais onde se
encontravam.
5 - FALANTES OU PSICOFÔNICOS:
Os médiuns falantes ou psicofônicos transmitem, pela palavra falada, a
comunicação do Espírito.
É uma das formas de mediunidade mais comuns no intercâmbio mediúnico e é
freqüentemente denominada de “incorporação”.
O médium psicofônico pode ser:
- CONSCIENTE - O Espírito comunicante transmite telepaticamente, às
vezes de grandes distâncias, as suas idéias ao médium, que as retrata aos
encarnados com as suas próprias expressões.
- SEMICONSCIENTE - Estabelecida a sintonia, ou equilíbrio vibratório,
o Espírito comunicante, através do perispírito do médium, entra em contato com
este, passando a atuar sobre o campo da fala e outros centros motores do
médium.
Não há afastamento acentuado do Espírito do médium e este não perde a
consciência ou conhecimento do que se passa.
Sujeita-se, espontaneamente, à influência do Espírito comunicante, mas o
controla devidamente, podendo reagir a qualquer momento a essa influência,
pela própria vontade.
O Espírito, apesar de não ter domínio completo sobre o médium, pode
expressar com mais fidelidade as suas idéias, do que no caso anterior.
Na psicofonia semiconsciente, o comunicante é a ação, mas o médium
personifica a vontade. (Ref. 3, Cap. XI)
- INCONSCIENTE - Também denominada psicofonia sonambúlica, se processa com o
afastamento do Espírito do médium de seu corpo.
O comunicante utiliza-se mais livremente dos implementos físicos do
medianeiro, pelo que a sua comunicação é mais fiel e isenta de
“interpretações” por parte do médium.É comum, nesse caso, observada a
afinidade, o Espírito retratar também, com maior ou menor nitidez, o tom de
voz, as maneiras e até mesmo o seu aspecto físico característico.
Se o comunicante é um Espírito de inteira confiança do médium, este se
afasta, tranqüilamente, cedendo-lhe o campo somático, como que entrega um
instrumento valioso às mãos de um artista emérito que o valoriza.
Quando, no entanto, o irmão que se manifesta se entrega à rebeldia ou
perversidade, o médium, embora afastado do corpo, age na condição de um
enfermeiro vigilante que cuida do doente necessitado.Esse controle é pacífico,
porque a mente superior subordina as que lhe situam à retaguarda nos domínios
do Espírito.
Quando se trata de uma entidade intelectualmente superior ao médium, porém,
degenerada ou perversa, a fiscalização corre por conta dos mentores
espirituais do trabalho mediúnico.
Se a psicofonia inconsciente ou sonambúlica se manifesta em um médium
desequilibrado - sem méritos morais - ou irresponsável, pode conduzi-lo à
subjugação (possessão), sempre nociva e que, por isso, apenas se evidencia
integral nos obsessos que renderam às forças vampirizantes.
6 - SONAMBÚLICOS:
No sonambulismo vemos duas ordens de fenômenos:
- O sonâmbulo, propriamente dito, que age sob a influência de seu próprio
Espírito.
É a sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe fora dos
limites dos sentidos.
Suas idéias são, em geral, mais justas do que no estado normal;; seus
conhecimentos mais dilatados, porque tem livre a alma.
- O médium sonambúlico, ao contrário, é um instrumento passivo e o que diz
não vem de si mesmo.
Enquanto o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento, o médium exprime o
de outrem; confabula com os Espíritos e nos transmite os seus pensamentos.
(Ref. 1, Cap. XIV.)
Médium sonambúlico, portanto, é aquele que, em estado de transe, se desprende
do corpo e, nessa condição de “liberdade”, nos descreve o que vê, o que sente e
ouve no plano Espiritual.
Esta mediunidade é denominada por André Luiz como DESDOBRAMENTO e assim é
também classificada por diversos autores. (Ref. 2, Cap. XI.)
7 - CURADORES:
A mediunidade de cura é a capacidade que certos médiuns possuem de provocar
reações reparadoras de tecidos e órgãos de corpo humano, inclusive os oriundos
de influenciação Espiritual.
Nesse campo é muito difundida a prática de “passes” individuais ou coletivos,
existindo dois tipos, assim discriminados:
- Passe ministrado com os recursos magnéticos do próprio médium;
- Passe ministrado com recursos magnéticos hauridos, no momento, do Plano
Espiritual.
No primeiro caso, o médium transmite ao doente suas próprias energias
fluídicas, operando assim, um simples trabalho de magnetização.No segundo, com a
presença do médium servindo de polarizador, um Espírito desencarnado faz sobre o
doente a aplicação, canalizando para ele os fluidos reparadores. (Ref. 3, Caps.
XII e XX).
EFEITOS FÍSICOS - Também no campo de Efeitos Físicos, comumente, encontramos
médiuns que se dedicam às curas, realizando alguns, inclusive, operações de
natureza extra-física, em doentes tidos como incuráveis, cujos resultados
benéficos são imediatos, contrariando, desse modo, todo o prognóstico da ciência
terrena.
8 - PSICOGRAFIA:
Faculdade mediúnica, através da qual os Espíritos se comunicam pela escrita
manual.
Os médiuns psicógrafos se classificam em:
- MÉDIUM MECÂNICO - Quando o Espírito atua sobre os centro motores do
médium, impulsionando diretamente a sua mão.Esta se move sem interrupção e sem
embargo do médium, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer.
Nesta circunstância, o que caracteriza o fenômeno é que o médium não tem a
menor consciência de que escreve.
- MÉDIUM INTUITIVO - O Espírito não atua sobre a mão para fazê-la escrever;
atua sobre o Espírito do médium que, percebendo seu pensamento, transcreve-o
no papel.
Nessa circunstância, não há inteira passividade; o médium recebe o
pensamento do Espírito e o transmite.Tendo, portanto, consciência do que
escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento.
A idéia nasce à medida que a escrita vai sendo traçada e essa pode estar
mesmo fora dos limites dos conhecimentos e da capacidade do médium.
Enquanto o papel do médium mecânico é o de uma máquina o médium intuitivo
age como um intérprete.Para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo,
apropriar-se dele, para traduzi-lo fielmente.
- MÉDIUM SEMI-MECÂNICO - No médium mecânico o movimento da mão independe da
vontade; no médium intuitivo esse movimento é voluntário.O médium
semi-mecânico participa dos dois gêneros:Sente que à sua mão é dada uma
impulsão, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve, à medida que as
palavras se formam.
Assim, no médium mecânico, o pensamento vem depois do ato da escrita; no
intuitivo o pensamento precede a escrita e no semi-mecânico o pensamento
acompanha a escrita. (Ref. 1, Cap. XV.)
9 - POLIGLOTAS:
Médiuns que, no estado de transe, possuem a capacidade de se exprimirem em
línguas estranhas às suas próprias, embora no estado normal não conheçam estas
línguas.
Essa mediunidade é denominada XENOGLOSSIA e tem causa no recolhimento de
valores intelectuais do passado, os quais repousam na subconsciência do
médium.Só pode ser o médium poliglota aquele que já conheceu, noutros tempos, o
idioma pelo qual se expressa durante o transe. (Ref. 4, Cap. XXXVIII.)
10 - PRESSENTIMENTOS:
Os médiuns de pressentimentos ou proféticos são pessoas que, em dadas
circunstâncias, têm uma intuição vaga de coisas vulgares que ocorrerão ou,
permitindo-o a Espiritualidade, têm a revelação de coisas futuras de interesse
geral e são incumbidos de dá-las a conhecer aos homens, para sua instrução.
As profecias se circunscrevem às linhas mestras da evolução humana, pelo que
é fácil de ser entendida por nós o seu mecanismo, pois, quem já percorreu o
caminho, pode retornar atrás e alertar aos da retaguarda sobre seus percalços.
No que diz respeito ao campo individual, pode um Espírito falar a respeito de
determinadas provas programadas pela própria pessoa antes da reencarnação.
Seja, no entanto, no plano geral ou no plano individual, as profecias são
sempre relativas, já que, detendo a criatura o “livre-arbítrio” poderá em
qualquer época, consoante a sua vontade, modificar as circunstâncias de sua
vida, imprimindo-lhe novos rumos e, portanto, alterar os prognósticos que
naturalmente se cumpririam se não fosse a sua deliberação.
11 - INTUIÇÃO:
Faculdade que permite ao homem receber, no seu íntimo, as inspirações e
sugestões da Espiritualidade.
Desenvolve-se por não ter caráter fenomênico, à medida que a criatura se
espiritualiza.
Para a intuição pura, portanto, todos nós caminhamos, constituindo a sua
conquista um patrimônio da criatura espiritualizada.
12 - REFERÊNCIAS:
1 - Kardec, Allan - “O Livro dos Médiuns” - 29ª Ed. FEB - GB
2 - Luiz, André - “Nos Domínios da Mediunidade”- 2ª Ed. FEB - GB
3 - Armond, Edgard - “Mediunidade”- 9ª Ed. LAKE - SP
4 - Peralva, José Martins - “Estudando a Mediunidade” - 4ª Ed. FEB - GB
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