Curso para Gestantes
Grupo Espírita Bezerra de Menezes
A responsabilidade de ser mãe
Primeira aula
1.0 - INTRODUÇÃO
Ser mãe é o sonho de quase todas as mulheres. Mas a concepção de um filho
representa uma grande mudança na vida de um casal. Ele deverá estar preparado,
pois muitos dos seus hábitos terão que ser modificados em função da chegada do
bebê.
O amor que os une será compartilhado com um novo ser que, a princípio, na
dependência total dos pais, necessitará de muita atenção, carinho e cuidados.
Por isso, o ideal é que o filho encontre o lar estruturado, onde os pais já
tenham desenvolvido seus projetos pessoais, e que sua chegada venha complementar
a vida do casal. Mas nem sempre isso é possível. As condições sócio-culturais no
nosso país facilitam a gravidez sem planejamento.
O relacionamento entre pais e filhos é um valioso instrumento para
desenvolver a capacidade de doação que existe no ser humano. A presença da
criança no lar é uma fonte rica de alegrias. Seu sorriso nos enternece, trazendo
à tona a sensibilidade de nossas almas.
A Doutrina Espírita ensina o princípio da reencarnação, mostrando que a alma
de nossos filhos não é criada no momento da concepção, como normalmente se
pensa. Ao contrário, as pessoas são Espíritos imortais, momentaneamente
encarnadas, que já viveram muitas vidas e que viverão outras tantas no caminho
da perfeição. Nossos filhos, pois, essas doces e angelicais criaturas que nos
encantam, possuem histórias vividas no passado. Trazem consigo suas boas e más
inclinações e cabe-nos a responsabilidade de reeducá-las, conduzindo-as no
caminho do bem.
1.1 - GRAVIDEZ INESPERADA
Nem todos os casos de gravidez ocorrem dentro das expectativas humanas
desejadas. A própria dinâmica da vida terrena nos dias de hoje tem facilitado a
gravidez inesperada. Ela pode acontecer junto a jovens solteiras e casais que
ainda não haviam planejado a vinda do bebê. Nessas circunstâncias, a gravidez
pode trazer um período de desequilíbrio à família, principalmente nos casos em
que a futura mamãe for solteira. No entanto, a criança que está sendo preparada
para vir ao mundo não pode ser penalizada pelos atos impensados ou pelo descuido
dos adultos.
Obviamente, tudo deverá ser feito no sentido de amenizar as dificuldades, de
modo que a mulher grávida possa ter a tranqüilidade necessária durante a
gestação. O tempo se encarregará de solucionar os transtornos iniciais. Com o
nascimento do filho, tudo voltará ao normal e a alegria envolverá a todos.
1.2 - OS DIREITOS DA CRIANÇA
- Ser respeitada por todos;
- Ser amada pelos pais, irmãos, parentes e amigos;
- Freqüentar a escola e receber atenção dos professores;
- Ser bem tratada recebendo alimentos e roupas;
- Receber assistência médica;
- Ser feliz.
Podemos facilitar a aquisição desses direitos à criança, avaliando os
seguintes aspectos na influência de seu processo educativo:
- O Amor
- A condição de vida
- A educação
O amor: os cuidados na orientação, formação física e emocional
da criança são um grande testemunho de amor. Como devemos educar os nossos
filhos? Esta é a preocupação da maioria dos pais. O melhor método para ensinar é
o exemplo. Não adianta falarmos de um jeito e agirmos de outro. A criança
observa todos os nossos atos e nos imitará na maioria deles. O diálogo é um bom
recurso na educação, fornece os elementos que ensinam a criança a pensar,
levando-a a agir de maneira coerente.
A criança, quando é amada e orientada, crescerá consciente da
responsabilidade que possui diante da vida e tudo fará para contribuir com a
sociedade, empenhando-se na construção de um futuro melhor.
A religião é a bússola que deve ajudar nossos filhos a caminhar neste mundo
tão conturbado. Quando estamos distanciados das coisas do Espírito, acabamos por
nos envolver de maneira indevida com as preocupações materiais, valorizando-as
excessivamente, prejudicando a experiência reencarnatória.
Devemos ensinar à criança o amor a Deus e à pátria; valorizar os laços da
família e levá-la a compreender e aceitar com naturalidade sua encarnação no
berço que a recebeu. Devemos ajudá-la a amar o trabalho e a buscar melhoria
através do esforço pessoal.
O orgulho e a inveja, se despertados no coração da criança, serão uma fonte
de desequilíbrio, tornando-as criaturas revoltadas com a sociedade e sofridas
diante de Deus. O Espírito aprende a amar sendo amado e a ser justo vendo o bom
exemplo dos que o orientam e educam.
Observemos algumas regras de orientação:
- Corrigir a criança no momento certo, usando o diálogo como instrumento de
educação;
- Evitar intimidar a criança com a figura do pai, usando frases como "quando
o seu pai chegar, você vai ver" etc. Tal atitude só servirá para colocar temor
nas crianças e desrespeito pela imagem paterna;
- Tirar a criança de uma peraltice, estimulando-a com um outro tipo de
brincadeira. Nunca usar reprimendas físicas nestes momentos, mas aproveitar a
oportunidade para ensinar;
- Saber que existem algumas fases de comportamento crítico, que fazem parte
do próprio desenvolvimento da criança e que passam com o tempo.
A condição de vida: para se ter uma boa saúde é preciso contarmos com
uma boa alimentação. As crianças, no entanto, precisam mais de alimentos do que
os adultos, pois estão em fase de crescimento. Uma boa alimentação começa na
escolha da comida, exigindo cuidados e higiene no seu preparo. Todos os
alimentos precisam ser preparados de forma adequada para serem consumidos. Eles
deverão conter vitaminas, proteínas e sais minerais suficientes para o bom
desenvolvimento físico e mental do organismo. Nos bebês até 6 meses, o leite
materno exclusivo será suficiente para a alimentação. A partir dessa idade,
deverá ser introduzida a alimentação pastosa, feita com legumes e frutas. Nas
primeiras refeições do bebê, procure seguir as orientações do pediatra.
No acompanhamento da criança, outros fatores deverão ser observados com
cuidado, de modo a garantir o desenvolvimento saudável do corpo e da mente.
Citaremos abaixo alguns exemplos:
- Manter a saúde bucal: a criança deverá ser ensinada a escovar os
dentes após as refeições e visitar o dentista periodicamente. Os dentes devem
estar em boas condições para efetuar sua função mastigatória;
- Mastigar bem os alimentos: os dentes possuem a função de cortar e
triturar o alimento, preparando-o para que o estômago não sofra sobrecarga na
sua função digestiva. Nossos filhos precisam compreender esses mecanismos para
que a mastigação adequada seja para eles um processo natural.
- Beber água filtrada ou fervida: a água pode conter impurezas e
micróbios que provocam doenças. Por isto, ela deve ser fervida ou filtrada
para matar ou eliminar microrganismos responsáveis pelos quadros de diarréia e
vômitos, que levam muitas vezes a desidratações.
- Lavar os alimentos: as frutas e verduras precisam ser bem lavadas e
as carnes bem cozidas. Tudo deverá ser feito para proteger os alimentos contra
as moscas, a poeira e larvas de insetos, evitando a contaminação e o
conseqüente aparecimento das doenças que impedem o desenvolvimento normal da
criança.
Para a complementação destes itens são necessários alguns cuidados básicos
com o corpo, tais como:
- Tomar banho diariamente: o saudável hábito de tomar banho
diariamente conduz a um estado de bem estar, mantendo os poros da pele livres
de poeiras, suores e bactérias, facilitando sua melhor oxigenação.
- Cortar cabelos e unhas: as unhas e cabelos devem ser cortados
regularmente. Unhas compridas acumulam sujeiras e bactérias, facilitando a
auto contaminação. Cabelos compridos e mal cuidados contribuem para uma má
aparência e oferecem morada a piolhos e fungos.
- Usar calçados: os ancilóstomos causam a doença conhecida
popularmente como "amarelão". Estes vermes podem entrar no organismo quando a
criança anda descalça sobre a terra. Quando a criança adquire o "amarelão",
ela apresenta-se fraca, pálida e sonolenta.
- Lavar as mãos antes das refeições: nossos filhos devem ser educados
para lavar as mãos antes de qualquer refeição e após usar o banheiro. Esses
cuidados servem para evitar a contaminação de verminoses, muito comuns em
quase todas as regiões do país.
A educação: a responsabilidade na formação física, moral e intelectual
da criança está nas mãos da família e da escola.
Na família, as noções religiosas fundamentadas no cristianismo, o bom exemplo
diante da vida e o equilíbrio do lar são fatores que constituem a base da boa
educação. O período infantil, em sua primeira fase, que vai do zero aos 7 anos
de idade, é o mais propício à assimilação dos princípios educativos.
Até os sete anos, o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação para a
nova existência a ser vivenciada no mundo. Nessa idade, ainda não existe uma
integração perfeita entre ele e a matéria orgânica. Suas recordações do plano
espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se mais suscetível de renovar o
caráter e estabelecer um novo caminho na sua trajetória evolutiva. Para isso,
precisa encontrar em seus pais, verdadeiros representantes da instituição
familiar.
O papel da religião é o de ensinar as leis que regem a vida, nutrindo o
coração infantil com a crença, com a bondade, com a esperança e com a fé em
Deus.
Esses ensinamentos evitarão a revolta da criança junto à sociedade,
desviando-a do mundo do crime, das drogas e do erro, fatos que levam à
destruição da abençoada oportunidade evolutiva, concedida pelo Criador. As
dificuldades comuns à existência de todos nós precisam ser vencidas pela criança
com esforço próprio, dedicação e boa vontade. Só assim se cresce diante dos
homens e de Deus.
A escola é o segundo lar. Nela, a criatura deve receber as bases do
sentimento, do caráter e da cidadania. O aprendizado escolar deixará a criança
preparada para enfrentar a vida, oferecendo-lhe oportunidade para o crescimento
intelectual e material. Com o relacionamento entre os amigos aprenderá a viver
em comunidade. Nela, o Espírito aprenderá a compartilhar suas coisas com o
próximo, sociabilizando-se. Os estabelecimentos de ensino podem instruir, mas
cabe ao lar o papel principal de edificar o homem
1.3 - FORMAÇÃO MORAL DA CRIANÇA
A oração e o amor a Deus: a prece é a elevação dos padrões mentais
vibratórios. Liga o Espírito encarnado às fontes eternas do Bem. A oração tem o
poder de ajudar as criaturas a equilibrarem-se em períodos de transtornos. É um
hábito que deve ser condicionado desde a infância.
Amar a Deus sobre todas as coisas é o maior mandamento da Lei. A confiança em
Deus ajudará a criança nos momentos difíceis, livrando-a da revolta.
O respeito aos mais velhos: honrar pai e mãe é também um dos
mandamentos de Deus. Respeitar os mais velhos é um atitude que faz parte da boa
educação. Eles possuem a experiência de muitos anos; um patrimônio que deve ser
respeitado e aproveitado pelos mais jovens.
O respeito ao próximo: nos países subdesenvolvidos, é comum
confundir-se o estado de direito com o desrespeito ao próximo. No Brasil, a
educação social ainda é muito deficitária. Por este motivo, os pais devem
esforçar-se por ensinar as crianças a respeitar os direitos e a propriedade
alheia. Mostrar-lhes que a vida em sociedade compreende direitos e deveres e que
os nossos direitos terminam quando começam os do nosso próximo.
Abolir hábitos grosseiros: nos países mais civilizados há intensa
campanha na tentativa de se abolir os costumes grosseiros da conduta social.
Podemos considerar hábitos nocivos à vida individual e coletiva o uso do
cigarro, das bebidas alcoólicas, das drogas, de palavrões e gírias chulas. Todo
pai consciente tem o dever de alertar a criança quanto ao prejuízo que esses
vícios causam à saúde física e mental, constituindo-se em obstáculos à
realização pessoal e à felicidade das pessoas.
Respeitar as coisas públicas: o vandalismo é um dos hábitos mais
nocivos à vida social, comum em nosso tempo. Quando se destrói um bem público,
está se destruindo o que é de todos. Os vândalos se formam no período de
infância. Pais e professores precisam desenvolver grande esforço para ensinar
aos jovens o respeito às coisas públicas e o amor à sua pátria. As praças
públicas, as ruas, calçadas e telefones públicos são bens que proporcionam
comodidade e lazer a todos. Ninguém tem o direito de destruí-los em nome de
falsas liberdades.
Lembrete: pais, evitem discussões e brigas na presença de seus filhos.
Isto fará com que eles percam o respeito moral que naturalmente possuem por
vocês. É importante lembrar que, muito mais do que nas palavras, o ensinamento
deve ser pautado no bom exemplo.
1.4 - DEVERES DA CRIANÇA
- Amar a Deus e procurar obedecer suas leis morais;
- Amar e respeitar seus pais, irmãos, parentes e amigos;
- Amar a pátria onde vive e respeitar suas leis civis;
- Freqüentar a escola e estudar para um dia ser útil aos outros;
- Conservar as suas coisas pessoais.
Grupo Espírita Bezerra de Menezes
São José do Rio Preto - SP
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