Curso para Gestantes
Grupo Espírita Bezerra de Menezes
A importância do afeto
Segunda aula
2.0 - INTRODUÇÃO
O afeto tem grande importância nos primeiros anos de vida da criança. O
equilíbrio emocional de nossos filhos e seu sucesso na vida estão diretamente
ligados ao afeto que eles recebem nos seus primeiros anos.
Durante a gestação, é importante envolvermos o feto com carinho, conversando
com ele e demonstrando amor. Logo após o nascimento da criança, é fundamental
que demonstremos o nosso amor por aquele ser que ali está, tratando-o com
bastante delicadeza, aconchegando-o ao nosso corpo. Ele precisa ser amado e
respeitado para crescer com o psiquismo saudável.
Embora pareça óbvio que um filho sempre seja aceito, na verdade, muitos não
são bem-vindos.
São numerosos os motivos pelos quais uma gravidez não é desejada. Entre eles,
podemos citar os casos de pais solteiros, da criança que não é do sexo desejado,
do casamento que passa por uma crise, da família numerosa, das dificuldades
financeiras, dos filhos temporões etc.
A não aceitação da criança pelos pais poderá torná-la um adulto descontente,
com comportamento auto-destrutivo e portador de crises depressivas.
A ausência do amor maternal e paternal poderá trazer-lhe sensação de
abandono. O fato de pensar que seus pais lhe fizeram um favor deixando-o nascer,
faz com que se sinta em dívida constante para com eles.
A criança sente-se aceita através da energia receptiva que se cria no lar.
Mesmo que ela tenha sofrido a experiência da rejeição durante a gestação, seus
pais poderão proporcionar-lhe mais tarde outra experiência mais positiva, a
experiência da aceitação. Isso poderá ser feito através do contato físico, do
colo, do olhar carinhoso e da presença firme e meiga dos pais.
A criança, nessa etapa, necessita de pais presentes e carinhosos, que saibam
reconhecer as necessidades dos filhos e desfrutem sua companhia.
No período da infância, a criança é mais acessível às impressões que recebe,
daí a importância do exemplo e da educação cuidadosa para que ela se torne uma
pessoa equilibrada.
2.1 - A PRESENÇA DO PAI
A presença do pai é fundamental para que a chegada da criança ao mundo seja a
melhor possível. A atenção paterna é indispensável para que ela cresça forte e
feliz. As mães que possuem um bom relacionamento com o pai e contam com a sua
ajuda na educação do filho devem conscientizá-lo da importância da sua
colaboração nos cuidados para com o bebê.
Deve dividir com o marido algumas tarefas diárias, como o banho, a troca de
fraldas, a preparação da mamadeira e a hora de dormir.
A mulher, com sua sensibilidade, pode conduzir o pai a um relacionamento
saudável para ambos. Em poucos dias ele descobrirá as alegrias do relacionamento
entre pai e filho. Essa conquista trará para a família o equilíbrio espiritual.
O casal deve evitar discussões de qualquer espécie em presença dos filhos,
pois isso deixa marcas indeléveis no psiquismo da criatura, que podem
acompanhá-la pelo resto de sua vida. O desequilíbrio familiar é fonte causadora
de muitos problemas de delinqüência juvenil, o que reforça nossa
responsabilidade diante dos nossos filhos e da sociedade. Não nos esqueçamos de
que o bebê capta com facilidade esses transtornos da vida familiar e pode
tornar-se irritado, agitado e intranqüilo.
Os filhos de pais separados necessitam de um cuidado especial na educação.
Caberá à mãe administrar a ausência do pai, de forma a não prejudicar sua
imagem, tão importante para a formação do caráter da criança. Nunca se deve
transferir um problema que é dos pais para os filhos, usando-os para se
agredirem mutuamente. Os filhos não têm culpa dos erros que os pais cometem e,
acima de tudo, merecem respeito.
2.2 - A CRIANÇA E SUA SOCIALIBILIZAÇÃO
É muito comum verificarmos a ocorrência de proibições absurdas junto às
crianças em termos de comportamentos. Pessoas mal orientadas cobram delas bons
modos, boas maneiras e atitudes que ainda não possuem, devido à sua imaturidade
psicológica. Exigem que elas as obedeçam cegamente, sem direito à liberdade de
escolha e de preferência. Muitas vezes são tratadas com autoritarismo e
negligência. A autoridade exercida em excesso traz resultados negativos,
ocasionando mentiras, ressentimentos ou conformismos cegos.
O ambiente familiar tem capital importância na formação do caráter da
criança, pois os pais são espelhos com os quais ela se identifica. Quando a
família segue padrões corretos de honestidade e moralidade, os filhos também os
adotarão.
Bons modos e respeito dependem muito mais do exemplo do que da autoridade
despótica. Se orientarmos de uma maneira e agirmos de outra, a criança seguirá o
nosso exemplo, porque sua formação se dá em grande parte pela imitação das
atitudes familiares. Elogiar, aprovar e reforçar os bons hábitos ajudará a
criança a colocá-los em prática, quando estiver na idade adequada.
É na primeira infância que deverão ser despertadas as noções de respeito aos
direitos do próximo.
O desenvolvimento da criança é gradativo e deve ser observado atentamente
pelos pais, para que se possam corrigir os excessos, aceitando os comportamentos
naturais que fazem parte da fase em que a criança se encontra. Deve-se ter o
cuidado de não permitir que haja autoritarismo, superproteção ou mesmo rejeição
para com a criança. A demonstração de amor, carinho, compreensão, firmeza e
perspicácia muito ajudará para que ela adquira segurança, condição fundamental
para um aprendizado satisfatório.
Até os dois anos de idade a criança está na fase da descoberta dela mesma e
do mundo em que vive. Ela descobre a possibilidade de explorar o ambiente ao seu
redor. Tocar nas coisas, pegá-las ou simplesmente andar pelos cômodos da casa
criam na criança a consciência de sua capacidade de realizar. Suas atitudes
neste período são sempre no sentido de satisfazer a curiosidade.
É importante que os pais as acompanhem em suas descobertas, permitindo
explorações, deixando-as brincar na terra e no chão da sala. Que se esteja
atento para que não coloquem objetos perigosos na boca. Deixe-as, porém, tomarem
iniciativas.
Por volta dos 2 ou 3 anos a criança entra na fase da imitação das atitudes
familiares mais habituais e mostra-se individualista. Pode-se observar que,
apesar dela brincar ao lado de outra criança, ainda não brinca conjuntamente.
Neste período devemos incentivá-las a dividir suas brincadeiras e objetos com os
irmãozinhos e amiguinhos para que não cresçam egoístas. Se possuem dois objetos
iguais, incentivemo-las a ceder um para o outro, mostrando que pode
perfeitamente compartilhar sem grandes prejuízos para si.
A partir dos 3 anos inicia-se a aprendizagem social, que se estende até aos 6
anos. Nesta fase, a criança começa a definir sua identidade fazendo a pergunta:
Quem sou eu?
Buscando resposta a esta questão, começa a experimentar os relacionamentos
sociais. Participa com outras crianças de brincadeiras organizadas e já
apresenta manifestações dos atos de dar e receber.
Aos 4 anos já se pode perceber a cooperação entre todos, a ponto de formarem
espontaneamente seus grupos. Os atritos e a agressividade existente entre eles
nessa fase não são motivos para preocupação quanto ao caráter da criança, mas
deve ser oportunidade para orientação. Trata-se de um estágio onde ela começará
a perceber que seus atos provocarão reações. Descobre que se bater nas outras
crianças, acaba ficando sozinha. Se tratar bem os outros, eles gostarão de ficar
com ela. Se estudar, terá informações e com elas poderá desenvolver novas
habilidades.
O verdadeiro sentido do trabalho de equipe e o companheirismo vão se
revelando à medida que ela cresce. Por volta dos dez anos, ela já se encontrará
devidamente capacitada para utilizar a técnica de atividades em grupo.
Grupo Espírita Bezerra de Menezes
São José do Rio Preto - SP
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