Manual do Curso de Coordenadores de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - ESDE

União Espírita Mineira

Departamento de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita

S U M Á R I O

1. Apresentação
2. O que é o Estudo Sistematizado
2.1. Conceitos
2.2. Histórico da Campanha
3. Objetivos do E.S.D.E.
4. Metodologia
4.1. Definição
4.2. Característica
4.3. Como se dá a aprendizagem
5. Estruturação
5.1. Estrutura do Departamento de E.S.D.E.
5.2. Estrutura da Aula
6. Grupo
6.1. Conceito
6.1.1. Comunicação no Grupo
6.1.2. A Discussão no Grupo
6.2. Tipos
6.2.1. Identificação
6.2.2. Percepção
6.3. Motivação
7. Liderança
7.1. Conceito
7.2. Tipos de Liderança
7.3. O Líder Ideal
7.4. Renovação e Continuidade
7.4.1. Renovação
7.4.2. Continuidade
8. Coordenador
8.1. Conceito
8.2. Função
8.3. Perfil
9. Monitor
9.1. Conceito
9.2. Função
9.3. Perfil
10. Participantes
10.1. Conceito
10.2. Público-alvo
10.3. Características
10.4. Evasão
11. Recursos Didáticos
11.1. Conceito
11.2. Função
11.3. Tipos
11.4. Manuseio do Material
11.5. Dinâmicas de Grupo
12. Integração do E.S.D.E. na Casa Espírita
13. Reflexão Motivadora
14. Bibliografia
14.1. Bibliografia Utilizada
14.2. Bibliografia Complementar

1. Apresentação

“Que fazeis de especial...”- Jesus - Mt 5:47

Em 21.10.95 foi realizada a 58a. Reunião do COFEMG, na sede da União Espírita Mineira, em Belo Horizonte. Na ocasião aconteceu o primeiro encontro entre o DESDE/UEM e os responsáveis pelo E.S.D.E. nos seguintes CRE: Manhuaçu, Ipatinga, e Divinópolis.

Na reunião dos Presidentes de CRE, na mesma data, foi colocada em pauta a atuação do DESDE/UEM e a divulgação do Estudo Sistematizado no Estado de Minas Gerais. Na oportunidade foi detectada a necessidade imediata de realização de um Curso de Monitores e Coordenadores de E.S.D.E., bem como de indicação de responsáveis por esta área de trabalho nos CRE, se possível criando um Departamento especializado. Os Presidentes deliberaram que, até o final de 1995, o DESDE/UEM e os representantes dos CRE, deveriam elaborar pelo menos um esboço de um Manual de Coordenadores e Monitores de E.S.D.E., devendo, para tal, ser feita uma reunião em Belo Horizonte.

Em 02.12.95, na União Espírita Mineira, com a presença do DESDE/UEM e dos representantes dos CRE de Barbacena, Divinópolis, Ipatinga, Manhuaçu, Teófilo Otoni e sugestões de Juiz de Fora, foram definidos o formato e a estrutura do Manual. Ao DESDE coube a elaboração do texto final para apresentação aos CRE no COFEMG de abril de 1996. No período de abril a setembro, com apoio direto ou indireto da equipe do DESDE, foram realizados Cursos de Coordenadores e Monitores de E.S.D.E., tendo por base este Manual. Após este período de testes foi feita a avaliação final do Manual na reunião do COFEMG de outubro/96, quando foi aprovado.

Este é, portanto, o fruto do trabalho conjunto dos órgãos unificadores de Minas Gerais. A colaboração de todos se deu, se dá e se dará em todos os momentos, da idealização à realização.

Nada há de especial. Apenas a coleta de informações da literatura especializada, de material da FEB e de outras federativas estaduais e a experiência dos companheiros de Minas.

Tudo há de especial. O trabalho de vários companheiros, sem personalismos, propiciará que o Manual atenda aos anseios demonstrados pelos Presidentes de CRE na reunião do COFEMG anteriormente citada.

Este não é um trabalho definitivo. A consulta a outras publicações será necessária. A dinâmica da divulgação da Campanha do E.S.D.E. em Minas Gerais trará adequações, modificações e nos levará a outros trabalhos.

Mas, o que consideramos como de fundamental importância, é que este Manual seja um instrumento de divulgação e criação de vários grupos de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.

“Portanto, ide e ensinai...” - Jesus - Mt 28:19

2. O que é o Estudo Sistematizado

2.1. Conceitos

Corre-nos, pois, o dever de estudar sempre, escolhendo o melhor para que as nossas idéias e exemplos reflitam as idéias e os exemplos dos paladinos da luz.”

Emmanuel. Pensamento e Vida. P. 26.

2.2. Histórico da Campanha

Em 1975 a USE-SP lançou a campanha “Comece pelo Começo”, estimulando o estudo das obras básicas do Espiritismo. No Paraná é lançado o programa “Centro de Orientação e Educação Mediúnica-COEM, que tem por base “O Livro dos Médiuns” e demais obras da codificação, utilizando o processo de aprendizado gradativo e sistemático, partindo do simples para o complexo.

Em 1976 e em 1978 o espírito Angel Aguarod, através de mensagens ditadas em reuniões da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, apresenta e reitera a sugestão de se levar a efeito uma grande campanha em torno da importância do estudo das obras básicas da Doutrina Espírita. Em 1978 é lançada a Campanha de Estudo da Doutrina Espírita nas Federadas no Rio Grande do Sul.

A FEB, analisando a importância da iniciativa, a objetividade da sugestão provinda do Mundo Maior e , sobretudo, visando reforçar a necessidade do entendimento correto dos princípios doutrinários do Espiritismo, mediante estudo metódico-disciplinado, lançou, em 27.11.1983, em reunião do Conselho Federativo Nacional a CAMPANHA DO ESTUDO SISTEMATIZADO DA DOUTRINA ESPÍRITA, abrangendo todo o país. No mesmo ano, em apoio a esta Campanha, lançou as apostilas do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.

Em novembro de 1992 é noticiada no COFEMG a criação do DESDE/Departamento de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita da União Espírita Mineira, que iniciou suas atividades em 13.03.93, com o objetivo de divulgar a Campanha do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita em Minas Gerais.

3. Objetivos do E.S.D.E.

É fundamental observar que a Campanha de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita tem caráter permanente e tem como objetivo maior aquele preconizado por Kardec no “Projeto 1868”, publicado em Obras Póstumas: “Um curso regular de Espiritismo seria professado para desenvolver os princípios da Ciência e difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as idéias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns. Considero esse curso como de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas conseqüências.”

Podemos ainda desdobrar os objetivos do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita da seguinte forma:

4. Metodologia

4.1. Definição

Método significa caminho para algo, uma ação encaminhada a um fim, um meio para conseguir um objetivo determinado”. [3]

Conhecer é patrocinar a libertação de nós mesmos, colocando-nos a caminho de novos horizontes na vida”.

Emmanuel. Pensamento e Vida. P. 26.

4.2. Característica

Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” - Jesus - Jo 14:6

“O Espiritismo progrediu principalmente depois que foi sendo mais bem compreendido na sua essência íntima, depois que lhe perceberam o alcance, porque tange a corda mais sensível do homem: a da sua felicidade, mesmo neste mundo. Aí a causa da sua propagação, o segredo da força que o fará triunfar. Enquanto a sua influência não atinge as massas, ele vai felicitando os que o compreendem. Mesmo os que nenhum fenômeno têm testemunhado, dizem: á parte esses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que NENHUMA OUTRA me havia explicado. Nela encontro, por meio unicamente do raciocínio, uma solução racional para os problemas que nos mais alto grau interessam ao meu futuro. Ela me dá calma, firmeza, confiança; livra-me do tormento da incerteza. Ao lado de tudo isto, secundária se torna a questão dos fatos materiais”. Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Conclusão.

A característica principal do Estudo Sistematizado é a da participação de todos os interessados no processo de aprendizagem, através de estudos em grupo, da leitura e comentário das obras da codificação e subsidiárias, dos debates, da troca de idéias entre participantes, monitores e coordenadores. Todos somos aprendizes. E todos podemos também ensinar. Não se trata, portanto, de um ciclo de estudos com palestras, exposições. Mas de um envolvimento efetivo de todos os participantes, buscando o conhecimento e a consolação, objetivo maior da Doutrina Espírita, conforme podemos notar pelo texto de Allan Kardec acima transcrito.

4.3. Como se dá a aprendizagem

“Todos os sentidos, audição, visão, tato, olfato e paladar, têm seu papel no processo de aprendizado.

Há pessoas que aprendem melhor apenas ouvindo (poucas!), outras vendo, ainda outras ouvindo e escrevendo, e assim por diante.

Por outro lado, o próprio assunto, por vezes, exige a participação maior de um dos sentidos. Por exemplo, aprender a distinguir odores, definitivamente precisa do olfato; aprender a preparar boas refeições, depende do paladar.

Além disso, a diversificação de abordagens aumenta o interesse ao evitar a monotonia.

Temos, ainda, que levar em consideração que, em média, retemos apenas de 10 a 20% do que ouvimos, 30% do que vemos, 50% do que ouvimos e vemos e 80% do que ouvimos, vemos e fazemos. 100% aplica-se àquilo que nós mesmos criamos.

Para melhor atender às características individuais das pessoas, considerando também a natureza do assunto, é essencial que trabalhemos com todos os sentidos apropriados, falando sobre o tema, utilizando ilustrações, dando ao aluno a oportunidade de escrever e praticar a atividade a ser aprendida.

Abrindo o leque sensorial, ampliamos a possibilidade de aprendizado. ”[4]

Que exemplo, que aprendizado podemos ter, neste aspecto, com o Mestre dos mestres? Vejamos a seguinte passagem, inscrita em Lc 9:12-17.

E já o dia começava a declinar; então, chegando-se a ele os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos lugares e aldeias em redor, se agasalhem e achem que comer; porque aqui estamos em lugar deserto.

Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes; salvo se nós próprios formos comprar comida para todo este povo.

Porquanto estavam ali quase cinco mil homens. Disse então aos seus discípulos: Fazei-os assentar, em ranchos de cinqüenta em cinqüenta.

E assim o fizeram, fazendo-os assentar a todos.

E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discípulos para os porem diante da multidão.

E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.”

O que são os Cinco Pães? Os nossos cinco sentidos.

E os Dois Peixes? O Amor e a Sabedoria, as duas asas divinas com as quais a alma humana penetrará nos pórticos da espiritualidade, conforme a acertiva de Emmanuel, em O Consolador, questão 260. Lembramos também o Espírito de Verdade, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI “Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo”.

O Mestre atende a multidão em pequenos grupos, através dos discípulos (monitores), abençoando os alimentos, isto é, o ensino da Verdade, da Lei do Amor. E saciados, ainda houve doze cestos. É a multiplicação dos ensinos, dos trabalhadores esclarecidos.

Finalmente observamos que SABER vem do latim SAPERE, que significa “ter gosto”. Temos que desenvolver o gosto pelo saber, para que o saber seja sempre gostoso.

5. Estruturação

5.1. Estrutura do Departamento de E.S.D.E.

5.2. Estrutura da Aula

6. Grupo[6]

6.1. Conceito

“Quando várias pessoas se reúnem para realizar uma tarefa, visando um objetivo comum, constituem um grupo”. Quando várias pessoas se reúnem para estudar a Doutrina Espírita, visando o seu conhecimento, constituem um Grupo de Estudos da Doutrina Espírita.

6.1.1. Comunicação no Grupo

O grupo é a forma mais adequada para o processo de comunicação.

O grupo força a comunicação.

A comunicação expõe a intimidade psíquica.

No grupo o indivíduo tende a ser mais sensível à lógica de uma argumentação, ao mesmo tempo que pode ver destruídas as contradições de um ponto de vista ilógico. “Não é o bastante ensinar ao homem uma especialidade. Por ela, ele pode vir a ser útil, mas não uma personalidade harmoniosa e desenvolvida”.

6.1.2. A Discussão no Grupo

Discutir é debater, examinar, investigar, tendo em vista razões pró e contra.

A forma de comunicação do grupo é a Discussão. A discussão força o grupo a ver o problema sob todos os seus ângulos, em decorrência da diversidade de experiências e da forma de reflexão dos membros da equipe.

6.2. Tipos

6.2.1. Identificação

Ato ou efeito de identificar-se. Reconhecimento duma coisa ou dum indivíduo como os próprios. Tornar idêntico. Determinar a identidade de. Tomar o caráter de”. Ao trabalharmos com um grupo, é necessário que façamos a sua identificação, adequando o trabalho às suas necessidades.

Os grupos não nascem, se fazem. Há que aprender a atuar em grupo, atuando em grupo.

O grupo maduro surge quando seus membros adquirem habilidade de transformá-lo em um conjunto efetivamente produtivo, pois crescendo dentro dele, alcançaram a condição de membros maduros.

Obter a maturidade do grupo é parte da tarefa educativa, que requer esforço constante. Há necessidade de auxiliar os grupos a se formarem, o que implica em conhecer suas leis e suas técnicas.

6.2.2. Percepção

Adquirir conhecimento de, pelos sentidos. Formar idéia de; compreender. Ouvir. Ver bem. Ver ao longe”. Quando conseguimos compreender e procuramos enxergar ao longe, detectamos a presença de forças positivas e forças negativas no grupo.

Percebidas essas forças, poderemos adequar o trabalho para que alcancemos:

  1. EFICIÊNCIA - considera-se eficiente o grupo cujo relacionamento de seus membros é predominantemente afetivo e cordial, no qual a maioria manifesta uma atitude de comprometimento para com o objetivo a concretizar, compreendendo claramente o que deve ser feito para alcançar a meta. É necessário que os participantes sintam-se confortáveis, abertos à troca de experiência e dispostos a colaborar.
  2. COESÃO - a coesão grupal é a força que mantém os participantes de um grupo unidos e harmônicos em torno de objetivos mutuamente aceitos e partilhados. A Coesão do grupo está estreitamente ligada à liderança no grupo. Dificilmente um grupo sentir-se-á coeso sem liderança, o que torna importante, nos Grupos de Estudo da Doutrina Espírita, as figuras do Coordenador. e do Monitor.

6.3. Motivação

O que faz vibrar?

O que estamos fazendo para que sejamos felizes?

Algumas interrogações iniciais sobre motivação, nos levam a refletir sobre as nossas necessidades.

Tão logo as necessidades sejam satisfeitas, buscamos outras necessidades. Daí surge a motivação para alcançarmos nossos objetivos.

7. Liderança[7]

7.1. Conceito

Liderança é a influência interpessoal exercida numa situação e dirigida através do processo da comunicação humana a consecução de um ou de diversos objetivos específicos”.

“O comportamento de Liderança ( que envolve funções como planejar, dar informações, avaliar, arbitrar, controlar, recompensar, estimular, punir, etc) deve ajudar o grupo a atingir os seus objetivos, ou, em outras palavras, a satisfazer suas necessidades”.

Líder é aquele que possui alguns traços específicos de personalidade que o distingue das demais pessoas. Assim, o líder apresenta características marcantes de personalidade através das quais pode influenciar o comportamento das demais pessoas”. “Assim, o indivíduo que possa dar maior assistência e orientação ao grupo (escolher ou ajudar ao grupo a escolher as melhores soluções para seus problemas), para atingir um estado satisfatório, tem maiores possibilidades de ser considerado seu líder”. “O Líder surge como um meio para a consecução dos objetivos desejados por um grupo. E o grupo pode selecionar, eleger, aceitar espontaneamente um indivíduo como Líder, porque ele possui e controla os meios”.

7.2. Tipos de Liderança

Estes problemas existem em função da personalidade do líder quase sempre é a sua imaturidade emocional. O moral (sentimentos e atitudes das pessoas em relação ao trabalho do grupo) estará quase sempre baixo e as comunicações comprometidas. Qualquer sistema que funcione sempre assim estará em desequilíbrio e irá acarretar, não só a insatisfação do grupo, mas também sensível queda de produtividade.

7.3. O Líder Ideal

O Livro dos Espíritos - Questão 625

Traços de personalidade que definem o bom Líder:

· Traços físicos: energia e aparência.

Mt 6:22 - Lc 4:32 - Lc 2:7 - Lc 15:27 - Lc 2:40 - Jo 6:48

· Traços Intelectuais: adaptabilidade, entusiasmo e autoconfiança.

Mt 7:29 - Mt 24:35 - Mc 8:29 - Mc 10:21 - Mc 13:01 - Lc 2:46 -Lc 2:47 - Lc 9:23 -

Jo 16:33 - Tg 2:17

· Traços Sociais: cooperação, habilidades interpessoais e habilidade administrativa.

Mt 19:28 - Mt 9:6 - Mt 9:35 - Mt 25:15 - Mt 28:20 - Mt 5:25 - Lc 2:19

· Traços Relacionados com a tarefa: impulso de realização, persistência e iniciativa.

Mt 14:19 - Mt 8:7 - Mt 9:23 a 26 - Lc 4:43 - Mt 9:16 - Jo 21:22 - Mc 8:36

7.4. Renovação e Continuidade

7.4.1. Renovação

“Acontece muitas vezes que quando um grupo funciona bem, é muito unido, um dos seus membros tem de deixá-lo, este fato pode provocar desequilíbrio prejudicial à vida do grupo”.

O dever do coordenador é o de preparar um ou mais integrantes do grupo que possam substituí-lo em caráter eventual ou definitivo. Um exemplo concreto disso é a sua ausência durante o período de férias. Muitos se sentem elogiados por serem considerados “insubstituíveis”. Entretanto, isto representa um fator negativo na coordenação. Nenhum coordenador ou líder deve fazer por se tornar insubstituível ( esta, inclusive, é uma característica própria aos coordenadores que têm atitudes autocráticas).

Os interesses do E.S.D.E., ou qualquer atividade doutrinária, não podem ficar na dependência de um coordenador, por melhor qualificado que ele seja. Cumpre-lhe zelar no sentido de que a ausência física de sua pessoa não contribua para o prejuízo e, muitas vezes, até para a paralisação da tarefa.

Seu dever é o de preparar, pelo TREINAMENTO, seus auxiliares imediatos, para substituí-lo no momento oportuno, seja quando se afastar em caráter eventual ou definitivo.

Ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova, dia a dia”. Paulo (II Cor, 4:16).

7.4.2 Continuidade

A continuidade do trabalho deve ser um importante elo no processo de planejamento. Todavia, é freqüente que se caia na armadilha da não continuidade, não sistematizar o próprio processo. Desse modo, aquilo que é decidido nas reuniões de planejamento não é levado adiante e nem ao menos considerado nas reuniões de planejamento seguintes (que às vezes nem ocorrem). Esta falta de continuidade e sistematização é causadora de um substancial desgaste do processo, tornando impossível que ele assuma a posição de destaque que lhe é devido dentro do processo de coordenação.

Esse sistema pode incorporar práticas como: reuniões periódicas de avaliação, acompanhamento e reorientação; definição de projetos e responsáveis; condução de grupos de trabalho, com datas determinadas para implantação de mudanças e assim por diante.

“Nunca te deixarei, nem te desampararei”. Paulo ( Hb, 13:5)

8. Coordenador[8]

8.1. Conceito

Quem coordena.

É o responsável pelo bom andamento de todo o trabalho.

É aquele que influencia o pensamento e as atitudes dos coordenados, levando-os a se portarem de forma a que a meta pré-estabelecida seja mais facilmente atingida.

8.2. Função

O Coordenador tem a função de:

· Organizar o E.S.D.E.

· Delegar funções e tarefas

· Orientar os Monitores

· Administrar Recursos Humanos e tempos

· Ser o elo de ligação entre a direção da Casa Espírita e o Grupo de Trabalho

· Incentivar o Grupo visando a consolidação da equipe, preservando sempre a pureza doutrinária.

8.3. Perfil

Para a execução de qualquer tarefa é necessário que o responsável possua alguns predicados ou características, que podemos chamar de perfil.

O Coordenador deve ser Espírita, pois quem coordena uma atividade Espírita deve, naturalmente, professar o Espiritismo.

Além desta, podemos citar outras características:

9. Monitor[9]

9.1. Conceito

Aquele que, numa sala de aula, auxilia o professor.

Aquele que orienta, incentiva, envolve a turma buscando levá-la ao atingimento da meta pré-estabelecida.

Aquele que, dentro da sala de aula, transmite o tema, apresentando-o através de uma organização lógica, buscando a participação de todos, pois o processo de aprendizagem, no E.S.D.E., não é estático, mas dinâmico.

9.2. Função

Diferentemente do Coordenador, o monitor tem a função de:

9.3. Perfil

Para se assumir a tarefa de Monitoria é necessário que o monitor seja Espírita, pois quem se dispõe a divulgar, através do estudo, o Espiritismo, deve necessariamente ser Espírita.

Além disto, podemos citar as seguintes características:

10. Participantes

10.1. Conceito

“Partimos da premissa básica que o ALUNO é o ELEMENTO CENTRAL de um curso. Logo, como instrutores, atuamos exclusivamente para atender suas necessidades e aspirações de aprendizado. Para tanto, e em primeiro lugar, é imperativo que saibamos o máximo possível a respeito do nosso aluno:

Quanto mais dados tivermos acerca de nossos alunos, melhor poderemos adequar o ensino.”[10]

Dissemos que o Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Quem, pois, seriamente queira conhecê-lo deve, como primeira condição, dispor-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar”. Allan Kardec. “O Livro dos Médiuns”, Capítulo III - Do Método.

10.2. Público-alvo

“O Centro Espírita, célula básica do Movimento Espírita, tem por finalidades ESCLARECER E CONSOLAR as criaturas, à luz do Espiritismo. (...) Mas, para que a Casa Espírita cumpra esses elevados objetivos, é necessário que se torne um centro de estudo sério e metódico da Doutrina Espírita, envolvendo a todos os seus trabalhadores e demais freqüentadores, sempre unidos pelos elos do amor e da fraternidade”[11]

Caberá, portanto, aos responsáveis pelo E.S.D.E. na Casa Espírita, a definição clara do público-alvo, que podem ser : trabalhadores da casa, freqüentadores das reuniões públicas da Casa Espírita, demais interessados.

10.3. Características

Existem algumas características de personalidade que podem dificultar uma reunião. Apresentamos uma tipologia e com possíveis atitudes a serem tomadas pelo Coordenador/Monitor:[12]

10.4. Evasão

A evasão dos participantes dos grupos de E.S.D.E. tem sido uma preocupação permanente dos responsáveis por esse trabalho na FEB e nas Federativas em todo o Brasil.

As suas Causas podem estar: na organização do trabalho, no tipo de liderança exercida pelo Coordenador ou pelo monitor, no tipo de grupo com o qual trabalhamos, na inadequação do público-alvo, na falta de motivação dos envolvidos, na aplicação equivocada dos princípios do Estudo Sistematizado, no horário do estudo, no local do estudo, nas necessidades dos participantes e outras causas.

Não existem ainda Soluções prontas e acabadas, a não ser aquelas que utilizamos para resolver os nossos problemas, aliadas com as experiências dos companheiros que lidam com o E.S.D.E., seja nas Casas Espíritas, nas Alianças Municipais, nos Conselhos Regionais, nas Federativas Estaduais e na Federação Espírita Brasileira.

É preciso, portanto, que coloquemos em prática a orientação que é dada por Kardec, no Capítulo “Das Reuniões e das Sociedades Espíritas”, de O Livro dos Médiuns “... no interesse dos estudos e por bem da causa mesma, as reuniões espíritas devem tender antes à multiplicação de pequenos grupos, do que à constituição de grandes aglomerações. Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando observações, podem, DESDE já, formar o núcleo da grande família espírita, que um dia consorciará todas as opiniões e unirá os homens por um único sentimento: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã. “ (destaque nosso).

11. Recursos Didáticos

11.1. Conceito

Recursos Didáticos ou Recursos de Ensino, “são componentes do ambiente de aprendizagem que dão origem à estimulação para o aluno”. [13]

11.2. Função

“Quando usamos de maneira adequada, os recursos de ensino colaboram para:

  1. motivar e despertar o interesse dos participantes
  2. favorecer o desenvolvimento da capacidade de observação
  3. aproximar o participante da realidade
  4. visualizar ou concretizar os conteúdos da aprendizagem
  5. oferecer informações e dados
  6. permitir a fixação da aprendizagem
  7. ilustrar noções mais abstratas
  8. desenvolver a experimentação concreta”[14]

11.3. Tipos

Recursos Audiovisuais - são assim denominados os recursos de ensino que “estimulam diretamente a visão e/ou audição”. [15]

Classificação Brasileira de Recursos Audiovisuais[16]

RECURSOS VISUAIS RECURSOS AUDITIVOS

Elementos ou códigos

Códigos digitais escritos

Códigos analógicos

-icônicos

-esquemáticos

-abstrato-emocionais

Códigos digitais orais

Códigos analógicos orais

Materiais ou veículos

quadro de giz , imanógrafo, quadros, cartazes, gravuras, modelos, museus, espécimes, diafilmes, filmes, álbum seriado, mural didático, exposição, gráficos, diagramas, mapas, objetos, diapositivos, transparências, flanelógrafo, transparências, textos rádio

disco

fita magnética

CD

RECURSOS AUDIOVISUAIS
Diapositivos e Diafilmes com som

-cinema sonoro, videotape, televisão

É importante empregar métodos de ensino que utilizem simultaneamente recursos orais e visuais. O quadro abaixo ilustra essa necessidade[17]:

Recurso Dados retidos antes de 3 horas Dados retidos depois de 3 horas
Oral

70 %

10 %

Visual

72 %

20 %

Oral e Visual

85 %

65 %

11.4. Manuseio do Material

“Caberá ao Monitor orientar a aprendizagem dos participantes no sentido de capacitá-los para discutir as informações recebidas. Para tanto deverá dar ênfase aos aspectos formativos, procurando transformar o participante de simples espectador, de mero e passivo receptor, de elemento manipulado pelo tema, em elemento crítico da mensagem em estudo.”[18]

Naturalmente, cabe ao monitor conhecer bem o material antes de utilizá-lo, verificando as condições de uso, a disponibilidade do local, providenciando com antecedência tudo o que for necessário para o seu uso.

11.5. Dinâmicas de Grupo

“As técnicas de Dinâmica de Grupo, em qualquer de suas especificações, não devem ser aplicadas apenas para criar um modelo novo ou diferenciado de ensino. Devem ser aplicadas quando se busca estabelecer as bases definitivas de uma filosofia formativa que se pretende imprimir na escola ou empresa; quando se descobre, nas pessoas envolvidas no processo, um estado de espírito para aceitarem uma inovação como resposta à necessidade e ao desejo de se conhecerem melhor; e finalmente, quando se acredita que uma técnica, seja ela qual for, não representa uma ‘poção mágica’ capaz de educar pessoas e alterar comportamentos, mas somente uma estratégia educacional válida na medida em que se insere em todo um processo, com uma filosofia amplamente discutida e objetivos claramente delineados”. [19]

Estando claros os objetivos do E.S.D.E., poderemos aplicar os recursos de ensino - audiovisuais e dinâmicas de estudo em grupo. Optamos, neste Manual, por não citar e/ou explicar nenhum dos recursos ou dinâmicas, tendo em vista que existem diversas publicações que tratam do assunto, tais como:

12. Integração do E.S.D.E. na Casa Espírita

Em todas as circunstâncias, lembre-se de que o Espiritismo expressa, antes de tudo, obra de educação, integrando a alma humana nos padrões do Divino Mestre”. André Luiz. Conduta Espírita. P. 140.

Verificamos, pela preocupação de Kardec no Projeto 1868, que é necessário criar e manter cursos regulares da Doutrina Espírita, para melhor formar os trabalhadores da Casa Espírita. Assim evitamos que, diante de eventuais dificuldades, esses trabalhadores abandonem a causa, exatamente no momento em que a Doutrina poderia consolá-los.

Ao mesmo tempo, as atividades na casa espírita serão fortalecidas com aquisição de conhecimento doutrinário por parte de todos os cooperadores. O hábito do estudo desenvolverá uma maior consciência sobre nossas responsabilidades e sobre o objetivo maior que é a nossa própria transformação moral. Desta forma teremos efetivamente uma fé inabalável.

A casa espírita, edificada sobre a rocha do pentateuco de Kardec, enfrentará, então, as dificuldades e intempéries, permanecendo firme, levando adiante sua tarefa consoladora, exercitando a máxima doutrinária: Fora da Caridade Não Há Salvação.

Mas a educação, com o cultivo da inteligência e com o aperfeiçoamento do campo íntimo, em exaltação de conhecimento e bondade, saber e virtude, não será conseguida tão-só à força de instrução, que se imponha de fora para dentro, mas sim com a consciente adesão da vontade que, em se consagrando ao bem por si própria, sem constrangimento de qualquer natureza, pode libertar e polir o coração, nele plasmando a face cristalina da alma, capaz de refletir a Vida Gloriosa e transformar, consequentemente, o cérebro em preciosa usina de energia superior, projetando reflexos de beleza e sublimação.” Emmanuel. Pensamento e Vida. P. 30.

Não é demais lembrar: o E.S.D.E. é uma das várias atividades que a Casa Espírita pode desenvolver. Pode e deve dar suporte para as demais áreas de trabalho na casa e no movimento espírita. É importante também que o Coordenador do E.S.D.E. tenha a sensibilidade para indicar, orientar e incentivar os alunos a ingressarem na ampla Seara de serviços que a Casa oferece. Assim estaremos cumprindo os objetivos do E.S.D.E., que formando espíritas esclarecidos, formará também trabalhadores conscientes para a casa espírita.

13. Reflexão Motivadora

INSTRUÇÃO[20]

Emmanuel

Já se disse que duas asas conduzirão o espírito humano à presença de Deus.

Uma chama-se Amor, a outra, Sabedoria.

Pelo amor, que, acima de tudo, é serviço aos semelhantes, a criatura se ilumina e aformoseia por dentro, emitindo, em favor dos outros, o reflexo de suas próprias virtudes; e, pela sabedoria, que começa na aquisição do conhecimento, recolhe a influência dos vanguardeiros do progresso, que lhe comunicam os reflexos da própria grandeza, impelindo-a para o Alto.

Através do amor valorizamo-nos para a vida.Através da sabedoria somos pela vida valorizados.

Daí, o imperativo de marcharem juntas a inteligência e a bondade.

Bondade que ignora é assim como o poço amigo em plena sombra, a dessedentar o viajor sem ensinar-lhe o caminho.

Inteligência que não ama pode ser comparada a valioso poste de aviso, que traça ao peregrino informes de rumo certo, deixando-o sucumbir ao tormento da sede.

Todos temos necessidade de instrução e de amor.

Estudar e servir são rotas inevitáveis na obra de elevação.

Toda a cultura intelectual é formada em cadeia de gradativa expansão.

As civilizações sucedem-se, ininterruptas, ao influxo da herança mental.

A arte, na palavra ou na música, no buril ou no pincel, evolui e se aprimora, por intermédio da repercussão, a exprimir-se no trabalho dos cultivadores do belo, que se inspiram uns nos outros.

A escola é um centro de indução espiritual, onde os mestres de hoje continuam a tarefa dos instrutores de ontem.

O livro representa vigoroso imã de força atrativa, plasmando as emoções e concepções de que nascem os grandes movimentos da Humanidade, em todos os setores da religião e da ciência, da opinião e da técnica, do pensamento e do trabalho. Por esse dínamo de energia criadora, encontramos os mais adiantados serviços de telementação, porquanto, a imensas distâncias, no espaço e no tempo, incorporamos as idéias dos espíritos superiores que passaram por nós, há séculos.

Sócrates reflete-se nas páginas dos discípulos que lhe comungavam a intimidade, e, ainda hoje, consumimos os elevados pensamentos de que foi ele o portador.

Retrata-se Jesus nos livros dos apóstolos que lhe dilataram a obra, e temos no Evangelho um espelho cristalino em que o Mestre se reproduz, por divina reflexão, orientando a conduta humana para a construção do Reino de Deus entre as criaturas.

Conhecer é patrocinar a libertação de nós mesmos, colocando-nos a caminho de novos horizontes na vida.

Corre-nos, pois, o dever de estudar sempre, escolhendo o melhor para que as nossas idéias e exemplos reflitam as idéias e os exemplos dos paladinos da luz.

14. Bibliografia

14.1. - Bibliografia Utilizada

14.2. - Bibliografia Complementar



[1] Novo Dicionário Aurélio, Editora Nova Fronteira
[2] idem
[3] SANT’ANA, Ilza Martins e MENEGOLLA, Maximiliano. DIDÁTICA: APRENDER A ENSINAR. SP. Ed. Loyola. 1991. P. 45.
[4] REINER, Dóli. ENSINANDO A ENSINAR. Rio, Casa Imagem Editorial, 1995. pp.15-6
[5] Recomendamos a leitura do documento “Princípios e Diretrizes da Comunicação Social Espírita” trabalho elaborado pela Assessoria de Comunicação Social das Comissões Regionais do CFN com contribuições das Federativas Estaduais. FEB, Brasília, out. 93.
[6] Fontes de Referência:
Apostila Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. Federação Espírita do Rio Grande do Sul
Apostila Relações Interpessoais - CEMIG
[7] Fontes de referência:
Apostila Liderança de Reuniões. Instituto Cultural Newton de Paiva Ferreira. 1974
WEIL, Pierre. RELAÇÕES HUMANAS. NA FAMÍLIA E NO TRABALHO. Petrópolis, Vozes, 1989
Apostila Técnicas de Chefia. ICNPF - Faculdade Ciência Contábeis e Administrativas. 1974
[8] Fontes de referência:
Apostila de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita da Federação Espírita do Rio Grande do Sul/Departamento Doutrinário.
Apostila Capacitação do Instrutor - Curso de Reciclagem para Coordenadores do E.S.D.E. - Goiânia/GO - Federação Espírita Pernambucana.
Mini Dicionário Aurélio - 2a. Edição - Ed. Nova Fronteira.
[9] Neste tópico foram utilizadas as mesmas referências do item anterior
[10] REINER, Doli. ENSINANDO A ENSINAR. Rio, Casa Imagem Editorial.1995. pp-26-7
[11] Apostila ESTUDO SISTEMATIZADO DA DOUTRINA ESPÍRITA. Fed. Esp. Do Rio Grande do Sul. P. 09
[12] Apostila LIDERANÇA DE REUNIÕES. Instituto Cultural Newton de Paiva Ferreira. 1974. p8
[13] GAGNÉ, R. COMO SE REALIZA A APRENDIZAGEM. Rio, Ao Livro Técnico, 1971. P. 247.
[14] PILETTI, Cláudio. DIDÁTICA GERAL. SP. Ed. Ática, 1984 e Apostila ESTUDO SISTEMATIZADO DA DOUTRINA ESPÍRITA. Federação Espírita do Rio Grande do Sul, p. 41.
[15] idem, ibidem. p. 42
[16] idem, ibidem. p. 43
[17] idem, ibidem.
[18] Apostila ESTUDO SISTEMATIZADO DA DOUTRINA ESPÍRITA. Federação Espírita do Rio Grande do Sul, p. 41.
[19] ANTUNES, Celso. MANUAL DE TÉCNICAS DE DINÂMICA DE GRUPO DE SENSIBILIZAÇÃO DE LUDOPEDAGOGIA. Petrópolis. Ed. Vozes, 1987. p.17
[20] XAVIER, Francisco C. PENSAMENTO E VIDA. Pelo Espírito Emmanuel. Rio, FEB,1987. 8a. Ed. pp.23-6