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Maio de 2003 N° 17 Ano 02

Portal do Espírito (www.espirito.ORG.br)

Nesta Edição

A Codificação Espírita

Apesar de sempre informado em todos os anais que apresentam a codificação espírita, é ainda muito pouco conhecida a coleção de livros denominada Revista Espírita, um compêndio de diversos textos publicado e mantido por Kardec no período que vai de 1858 a 1969, totalizando doze volumes.

É um conjunto fascinante, nele temos parte da correspondência que Kardec recebia, tanto de apoio ao Espiritismo quanto de dúvidas e mesmo contestações, artigos de estudo, poemas, transcrições de muitas das sessões de contato espiritual e por aí vai.

Talvez devido ao seu tamanho, ela venha a assustar no começo, mas para o estudante sincero da Doutrina Espírita é difícil ter uma em mãos e conseguir largar, a cada página se encontra uma nova informação, mais um detalhe, uma maior compreensão.

Visando corrigir esta lacuna, tentamos sempre na medida do possível compilar todos os artigos esparsos que encontramos desta coleção, mas a quantidade sempre foi irrisória se comparada com o conjunto total. Tivemos até reclamações de pessoas que gostariam de ver a coleção completa.

Felizmente, uma destas pessoas, ao invés de reclamar, se dispôs a nos ajudar, e está fazendo o penoso trabalho de transcrição dos textos para o formato eletrônico.

Já conseguimos disponibilizar o primeiro semestre do primeiro ano, esperamos chegar ao final num prazo de quatro a seis meses, se Deus nos ajudar, permitindo, pela primeira vez na internet, o acesso à coleção completa.

Assim, aos que conhecem e gostariam de ver mais, pedimos paciência, e aos que nunca ouviram falar ou tiveram um volume em mãos, sugerimos uma visita à nossa Revista Espírita, garantimos que apenas o que já foi liberado é mais do que suficiente para muitas horas de estudo e meditação.

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Fale Conosco

O canal de comunicação com o Portal do Espírito, continua recebendo pedidos de orientação sob a visão da Doutrina Espírita. Neste mês destacamos mais duas solicitações.

Quem desejar pode entrar em contato conosco pelo e-mail: ajuda@espirito.com.br . Respondemos sempre, na medida que nossos recursos permitam.

Caso 1:

Boa Noite!

Meu nome é K., tenho 36 anos, sou membro da Igreja Messiânica.
Há mais ou menos uns 14 anos atrás comecei a ter uns problemas de saúde que me deixaram a mim e a minha família quase loucos. Sem mais nem menos comecei a ter taquicardias, tremedeiras, formigações e meu peito queimavam muito. Fui a diversos médicos, fiz diversos exames e por incrível que pareça ninguém me dava nenhum diagnóstico. Sofri muito, não tinha mais vontade de sair de casa, nem de viajar, pois temia que a qualquer momento teria que correr para algum hospital. Cansada deste sofrimento, eu mesma resolvi dar um basta nisto, toda vez que começava a sentir isso, eu rezava de todo meu coração, pensava em coisas boas e acabei descobrindo que isso funcionava bem. Depois que fiquei grávida do meu primeiro filho nunca mais voltei a sentir tais coisas. Se passaram quatorze anos desde a primeira vez que senti e nesta sexta feira, isto voltou com força total, passei tão mal que achei que não conseguiria chegar ao hospital com vida e por incrível que pareça nem minha pressão arterial estava alterada para que o médico desconfiasse de alguma coisa.
Agora eu pergunto: Existe algum tipo de tratamento para isso? Como devo agir no momento que começa? Porque eu sinto tais coisas que em aparelho nenhum é capaz de detectar tanto mal estar?
Se vocês puderem me esclarecer o porque eu tenho isto agradeceria muito. Se houver algum texto que diz a respeito destes sintomas também gostaria muito de ler sobre isto.

Resposta:

Cara amiga,

Primeiramente é importante que entenda que qualquer coisa que dissermos aqui não exclui, em hipótese alguma, o acompanhamento de um profissional médico competente. Qualquer teoria ou auxílio espiritual deve ser sempre usado de forma complementar ao médico.
Aparentemente - pois não temos informações suficientes - os sinais que você apresenta são característicos de quem tem mediunidade, ou seja, a faculdade de se comunicar com os espíritos. Não há nada demais nisso, todos temos esta faculdade, apenas alguns são mais desenvolvidos do que outros.
No seu caso, sugerimos que procure uma casa espírita kardecista e exponha o que vem acontecendo com você, tenha a certeza de fazer todas as perguntas que precisar, não deixando dúvidas, talvez tenha que ler e estudar um pouco, mas logo compreenderá o que se passa com você. Quanto a corrigir este problema, dependerá apenas de seu empenho e força de vontade, na casa onde for eles saberão esclarecê-la melhor.
Se, depois disso, ainda tiver dúvidas, fique à vontade para nos escrever.

Muita paz.

Caso 2:

Olá!

Meu nome é R. Freqüento uma mocidade em C./MG e estou escrevendo, em nome dos jovens, porque temos tido algumas dificuldades com relação à realização de festas juninas dentro de nosso centro.
Depois de estudarmos livros como "Conduta Espírita" (caps. 11, 37 e 44), expomos à diretoria da casa a possibilidade de se substituir a comemoração com motivos juninos por um chá fraterno, ou um festival, enfim, um encontro sem muitos apelos simbólicos e com bastante simplicidade, sem perder o ideal de confraternizar com alegria.
Levamos em consideração a questão da pureza doutrinária e do respeito ao centro espírita e suas atividades, sobre as quais autores como o próprio André Luiz recomendam afastar-se de festas que se caracterizem por "manifestações exteriores espetaculares", e "desaprovar a conservação (...) de quaisquer objetos que possam ser tidos na conta de apetrechos para ritual, tão usados em diversos meios religiosos". Nossa preocupação ainda se fundou no fato de ser a festa junina - e, por sinal, muitas outras práticas dentro de nosso centro - resquício de práticas ritualescas de outras religiões, sobretudo a católica.
Deixamos claro, no entanto, que se fosse da vontade da maioria que a
festividade se realizasse naqueles moldes, participaríamos ainda assim, contando com o apoio de toda a mocidade.
As pessoas da diretoria do centro se tornaram hostis, nos classificando como jovens fanáticos e procurando nos demover de nossa postura afirmando não sabermos nós a diferença entre pureza doutrinária e rigidez dogmática; depois de muitos comentários acerca do assunto, eles marcaram mais uma reunião para continuar a discussão, e deliberaram a realização de um estudo na mocidade sobre a mesma pureza doutrinária, sem no entanto respeitar a programação de estudos do grupo de jovens.
O surgimento desse impasse é mais uma ocasião em que, depois de estudado qualquer problema e atingidas conclusões que contrariam a prática do nosso centro, surgem opiniões contrárias a essas conclusões, procurando modificá-las para a manutenção do que já existe: o uso de vestimentas específicas para certas atividades (como roupa branca), a preocupação com a manutenção de fotografias do mentor da casa, a decoração efusiva de motivos festivos em ocasiões como natal e páscoa, a insistência em se manter a presidência da casa (que já se encontra no posto a mais de vinte anos), dentre outras questões.
A mocidade, vez por outra, procura se aproximar e levantar diálogos sobre a validade dessas práticas, que, mediante estudos e reflexões, cremos desnecessárias para o bom andamento da casa.
Pedimos alguma luz para nosso problema porque nem mesmo as entidades federativas, como a AME de nosso município, é considerada pela nossa diretoria, que já se desvinculou do movimento espírita aqui em C.; esperamos que, mediante a orientação de alguém conhecido no meio espírita e considerado pelo conhecimento e experiência, talvez a situação se modifique; se, no entanto, tal não for possível, agradeceríamos a instrução sobre, pelo menos, a melhor postura a ser tomada por nós diante dessas situações.
Agradecemos muitíssimo pela atenção; estamos realmente precisando de alguma ajuda!
Um grande abraço de todos os jovens!

Resposta:

Caros amigos,

Sentimos muitíssimo pelos problemas que têm enfrentado em sua entidade, infelizmente estes males são mais comuns do que se pode imaginar, mesmo grandes grupos sofrem destas faltas.
Quanto à questão da ornamentação, vestimentas e aparatos, não temos como expressar qualquer opinião, pois está relacionada à orientação da casa, se ela é espírita, então não os usa, se não é espírita - mesmo que insista em usar este nome - é livre para usar, e nada podemos fazer a respeito.
A atitude a tomar é manter a posição crítica, sempre respaldada em Kardec, convivemos com o saudoso Dr. Ary Lex, autor do livro Pureza Doutrinária, que aliás recomendamos, que combatia todos os dias a "santificação" de Emmanuel e André Luiz, ele dizia sempre "mais Kardec, menos André Luiz", e era duramente criticado, inclusive pelos seus mais fraternos amigos da diretoria, mas nunca desistiu.
Quanto à questão da permanência da mesma diretoria, deve-se sempre tomar cuidado com críticas ao tempo em que estão, avaliem com cuidado se a casa ainda existiria se não fosse a persistência e tenacidade destes que aí estão agora. No mandamento Honrar a Pai e Mãe temos lições importantes que devem ser refletidas e aplicadas neste caso. Podemos não concordar com quase nada do que fazem hoje, mas quer queira ou não, a casa não existiria se eles não tivessem começado este trabalho e muitos foram beneficiados por ele.
Assim, antes de dizer que devem fazer coisas assim ou assado, tentem colocar-se no lugar deles, preocupar-se com jovens reclamões, com os velhinhos que insistem em dar passe de roupa branca, com a compra dos copinhos, com o pagamento da conta de luz, com os livros, com os alimentos aos pobres, etc, etc, etc.
Verão que muitas vezes não é sua posição que está errada, mas eles simplesmente estão com coisas demais na cabeça para poderem pensar profundamente no assunto como vocês fizeram.
Façam as coisas mais simples, comecem dando o exemplo. Peçam a eles incumbências de apoio à gestão da casa. Façam a proposta, por exemplo, de a mocidade passar a arcar com a conta de luz. Algo simples e fácil, e verão o quanto é difícil manter a casa acesa.
Assumam depois a compra de um dos itens de alimento que certamente sua casa distribui aos necessitados, depois outro, e assim sucessivamente. Vão vocês mesmo, lá em campo, distribuí-los.
Não precisam querer mudar tudo de uma vez, deixem a festa funcionar como os que a organizaram sempre, apenas garantam que o seu espaço, a sua barraca ou mostruário seja feito da forma como vocês acham que deveria ser o resto.
Com o tempo podem assumir todo o encargo da preparação de uma das festas, fazendo-a no todo do seu modo.
Quando se acharem em condições, lancem uma chapa alternativa para eleição da diretoria. Não venham com propostas mirabolantes - o Lula só ganhou quando compreendeu que o que as pessoas precisam nem sempre é o que achamos - mas com a vontade e a garra de ajudar a casa a crescer e, o que é mais importante, frutificar, gerando outras casas.
Antes de classificar tudo o que os velhos dizem como "ultrapassado", tentem imaginar o que há por trás daquilo, pesem todos os anos deles mesmos quando tentaram "mudar o mundo" e não conseguiram. Não estamos dizendo que não se deve discutir ou criticar, mas, reiteramos, é preciso sempre bastante cuidado nisso, não apenas para não ofender - tarefa quase que impossível - mas para não se cometer os mesmos erros que eles cometeram e não estão sabendo demonstrar a vocês.
Não dispensem nunca a prece e a meditação, pesem tudo o que foi dito e decidam onde querem chegar, pode ser que seja o momento de aparecer mais uma casa espírita em sua cidade, e talvez vocês é que tenham sido os escolhidos para criá-la, agora conforme vocês entendem como deveria ser.

Muita paz.

Caso 3:

Boa tarde ,

Venho por meio desta, solicitar-lhes uma ajuda .
Tenho uma amiga cujo nome é R., a um tempo atrás +/- 7 anos ela se relacionou com um rapaz cujo nome é T., este relacionamento terminou. Ela casou e tem a vida muito bem estabilizada , porém a +/- 02 meses a R., começou a se sentir muito angustiada , pensando muito no T., mais não para se relacionarem e sim para conversar já que eles tinham uma amizade muito sincera. Como essa angustia está se tornando insuportável ela investigou e descobriu que ele está casado, isto não importa. Já que a noticia que acabou chocando foi o falecimento de Dona J. (mãe dele), como estou na doutrina a 03 anos comecei a ligar os fatos:

1º = A angustia da R.
2º = A facilidade para o encontrar o telefone da residência da Dona J.
3º = Dona J. era seguidora da doutrina , porém seus filhos não eram.

Será que com passar do tempo Dona J., quer passar alguma mensagem aos filhos ??
Não sem se isto é possível, mais acredito pois do nada minha amiga ficou angustiada e sonhando com Dona J.

Quero que fique claro que minha intenção, não é destruir nenhum relacionamento seja do T. ou da R., e sim ajudá-los pois acho que ela quer enviar alguma mensagem aos filhos , já que eles não acreditavam.

Fico no aguardo,

Resposta:

Cara amiga,

Possível é, mas nos parece um pouco improvável, pois espíritos que desejam se comunicar usam, em geral, pessoas próximas, e pelo que você descreve elas não tinham contato há algum tempo, poderia, é lógico, ter sido a única opção que Dona J. encontrou, sendo talvez a R. uma médium latente.
Sugerimos que ela, R., procure uma casa espírita e exponha todo o acontecido, se for o caso de uma comunicação, eles poderão assumir o encargo e dar passagem à mensagem de Dona J., ou pelo menos orientar a R. de como proceder.

Muita paz.

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Correspondência

Repassamos aos nossos leitores algumas de nossas correspondências, para seu conhecimento.

De: Marcos Antônio Gonçalves de Alencar
Enviada em: sexta-feira, 2 de maio de 2003 09:26
Assunto: Apoio para conteúdo do site da FEEAL

Amigos e irmãos, que a paz de Deus envolva a todos. Sou coordenador do Departamento de Comunicação Social da Federação Espírita do Estado de Alagoas. Assumi recentemente a coordenação, necessitando colocar alguma coisa em ordem. Depois dos 30 dias de correria, conseguimos colocar nos eixos o programa de rádio, o programa de televisão e o jornal.Tudo vem caminhando como deve.

Nosso desafio agora,contudo, é colocar no ar o nosso site. Estamos com um webmaster trabalhando no conceito de comunicação. No entanto, por termos uma equipe muito pequena, precisamos de ajuda de vocês. Gostaria de solicitar a autorização para copiar alguns artigos e links de vocês, como forma de estimular que o nosso movimento local possa iniciar a produção de textos. Na realidade é apenas um início. Vocês nos autorizam a fazer isso?

Marcos Alencar
Coordendoria da FEEAL

Resposta:

Caro amigo,

É com grande prazer que recebemos sua mensagem, comunicador como nós sabe da importância da divulgação da Doutrina Espírita.
Já temos hoje a honra de colaborar com o site da F.E. do Paraná, que faz referências ao nosso trabalho, maior honra ainda será a de ter vocês também nos prestigiando.
Fiquem absolutamente à vontade para copiar e apontar para o que desejarem, todo o conteúdo de nosso site é absolutamente livre, feito com a colaboração de muitos que cederam seus direitos sobre o material ali exposto.
Não deixem de nos avisar quando tiverem seu site liberado, pois mantemos também uma página com os links para todas as federações que é bastante popular, e queremos mantê-la atualizada.

Abraços fraternos de toda a equipe do Portal.

Agradecimentos:

São muitas as mensagens de apoio, elogio e colaboração que recebemos para podermos transcrevê-las, assim colocaremos aqui nossos agradecimentos de forma geral, aos amigos:

José Marcelo Gonçalves Coelho, Marcilio Araujo, Lucas Yadran, Gilberto Schoereder, Inelda Franco, Honório Corrêa Jr., Rogério Martoni, Ulisses do Porto Salvador, Renato Nascimento, Vera Custódio, Tiago Vital, Genival Batista de Oliveira, Mirta Canales Lozano (Honduras), Vilma Guimarães, Jorge di Biagio, Felipe Maximo, Antonio Paulino Lima, Yara Correa, Gloria Lins Pinto, Osvaldo Vieira Mundim, Eliane Laukkanen, Juracy Emanuel e tantos outros que não informaram o nome completo.

Em especial queremos agradecer aos novos colaboradores Olavo B Di Piero Jr e Eny Feliz.

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Mensagem Fraterna

O TALENTO ESQUECIDO

No mercado da vida, observamos os talentos da Providência Divina fulgurando na experiência humana, dentro das mais variadas expressões. Talentos da riqueza material, da intelectualidade brilhante, da beleza física, dos sonhos juvenis, dos louros mundanos, do brilho social e doméstico, do poder e da popularidade.

Alinham-se, à maneira de jóias grandes e pequenas, agradáveis e preciosas, estabelecendo concorrência avançada entre aqueles que as procuram.

*

Há, porém, um talento de luz acessível a todos. Brilha entre ricos e pobres, cultos e incultos. Aparece em toda parte. Salienta-se em todos os ângulos da luta. Destaca-se em todos os climas e sugere engrandecimento em todos os lugares.

E o talento da oportunidade, sempre valioso e sempre o mesmo, na corrente viva e incessante das horas.

É o desejo de doar um pensamento mais nobre ao círculo da maledicência, de fortalecer com um sorriso o ânimo abatido do companheiro desesperado, de alinhavar uma frase amiga que enterneça os maus a se sentirem menos duros e que auxilie aos bons a se revelarem sempre melhores, de prestar um serviço insignificante ao vizinho, plantando o pomar da gratidão e da amizade, de cultivar algum trato anônimo de solo, onde o arvoredo de amanhâ fale sem palavras de nossas elevadas intenções.

*

Acima de todos os dons, permanece o tesouro do tempo.

Com as horas os santos construíram a santidade e os sábios amealharam a sabedoria.

É com o talento esquecido das horas que edificaremos o nosso caminho, no rumo da Espiritualidade Superior, na aplicação silenciosa com o mestre que, atendendo compassivamente às necessidades de todos os aprendizes, prometeu, com amor, não somente demorar-se conosco até ao fim dos séculos terrestres, mas também asseverou, com justiça, que receberemos individualmente na vida, de acordo com as nossas próprias obras.

* * *


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caridade.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
Araras, SP: IDE, 1978
 

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Acessórios

Destacamos para este mês excelente artigo de Sérgio Biagi.

A Sintonia entre o Orador e o Auditório

Sérgio Biagi Gregório

Sintonia - do grego syntonia - significa acordo mútuo, reciprocidade. Em Psicologia é o estado de quem se encontra em correspondência ou harmonia com o meio. Orador - do lat. oratore -, aquele que ora um discurso em público. Auditório - do lat. auditoriu -, conjunto de ouvintes que assiste a algum discurso.

A indutância, a capacitância a ressonância e a própria sintonia em eletricidade oferecem-nos campo para a analogia. Valendo-nos da ressonância, coloquemos quatro pêndulos (dois de comprimento curto e dois de comprimento longo) e movimentemos um deles. Imediatamente, o pêndulo de mesmo comprimento começará a oscilar querendo entrar na mesma freqüência daquele que foi acionado, enquanto os outros dois permanecem fixos. Como interpretar psicologicamente esse fenômeno mecânico?

O discurso oratório pressupõe o emissor, a mensagem e o receptor. O orador é o indutor, ou seja, o pêndulo emissor. À sua frente os ouvintes. Para que seja ouvido deve entrar em sintonia com o auditório. Mas, o que é entrar em sintonia com o público? é captar o ponto médio dos ouvintes e trabalhar em cima dele. Pois, se estiver muito acima da média não será entendido e, muito abaixo, tornar-se-á desinteressante.

O impacto interpessoal define o ajustamento entre o orador e o público. Para que o orador desperte a atenção consciente dos ouvintes, deve falar somente aquilo que interessa ao auditório. Pressupor público inteligente e falar como se estivesse na condição de ouvinte auxiliam sobremaneira a preparação de nossa peça oratória. Conseqüentemente, criaremos um campo mental harmonioso entre nossa pessoa e aqueles que nos ouvem.

A manutenção do interesse durante a exposição exige diversos cuidados. Primeiramente, o preparo do orador. Este deve ter em mente a sintonia com Deus, consigo próprio e com aqueles que irão ouvi-lo. Em segundo lugar, a preparação do tema. Montar e seguir um roteiro, deixando brechas para a criatividade do momento, em que os Benfeitores Espirituais poderão inspirar-nos o pensamento correto para atender às necessidades do ambiente.

Apliquemos todas as nossas potencialidades para a compreensão do tema a ser exposto. A naturalidade de nossa expressão garantirá a verdadeira sintonia com o público que nos assiste.

Fonte de Consulta

D'ARAÚJO, I. B. C. Oratória Eficiente Hoje. Rio de Janeiro, Agir, 1974.
BROWN, C. I. Introdução à Eloquência. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura, 1961.

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O Melhor do Site

Voltamos a destacar a necessidade do trabalho neste mês.

Decálogo do trabalhador espírita

Rodrigues Ferreira

  1. Escolha seu centro espírita e participe dele e apenas dele.
    Cada centro tem sua maneira própria de interpretar as práticas e conduzir seus serviços doutrinários e assistenciais. Assim, não fica bem, por causa da mistura interpretativa que se forma, além do desagradável constrangimento que pode surgir, que uma dada pessoa freqüente, ao mesmo tempo, duas ou mais instituições. Não que seja proibido, pois a liberdade nos permite ir aonde quisermos, mas até por uma questão de ligação afetiva, para não falar sobre o fato de que, deste modo, não nos dedicamos, não tomamos parte, não estamos em lugar nenhum. Ninguém mora em duas casas, não é mesmo?
  2. Primeiro, estudo espírita, depois, serviço espírita no bem.
    Reconhecendo que o serviço assistencial espírita é uma decorrência natural do aprendizado espírita, o freqüentador bem orientado deverá encaminhar-se, em primeiro lugar, para os estudos doutrinários de esclarecimento e motivação, até para aprender a suportar dificuldades e reduzir o coeficiente de melindres, tão usados para justificar afastamento dos trabalhos. E, depois, somente a Doutrina Espírita insiste na filosofia de que, na caridade, estamos servindo a nós mesmos.
  3. Na hora do estudo, interromper sua participação no trabalho.
    É tão desagradável ver um agrupamento espírita se empenhando em um estudo esforçado, caprichado e interessado, enquanto uma turma, do próprio grupo, se dedica a algum serviço ! Transmite a impressão de desorganização ou, o que é pior, a de desinteresse pelo aprendizado. É verdade que há casos especiais que justificam e permitem a medida, mas o referido aqui não é para estes. Devemos todos dedicar-nos, o mais possível, para o nosso aculturamento, melhorando a nossa conscientização das coisas, pois, é o saber que liberta o homem.
  4. Adquirir e cultivar o hábito de ler.
    Interessar-se por jornais espíritas, revistas, mensagens e, sobretudo, pelos livros, buscando manter a média de leitura de, no mínimo, dois livros novos por mês.
  5. Participar dos cursos doutrinários do seu centro ou de outros.
    Os cursos de aprofundamento na Doutrina estão em alta. Quase todo centro já montou o seu. O companheiro espírita costuma adotar uma regra, esquisita, segundo a qual ele não precisa de curso nenhum, pois já estuda em casa. Quase sempre este é um raciocínio falso. Nós todos temos que aprender e quanto mais ensejo melhor. E ainda tem a confraternização, sempre de primeira linha, no encontro com os amigos, não é verdade?
  6. Não se distanciar dos serviços assistenciais.
    Nenhum estudioso sério de Doutrina Espírita permanece distante dos serviços assistenciais, até como aprimoramento prático dos próprios sentimentos. E, neste aspecto, a ligação direta com os necessitados é o instrumento mais poderoso. Verifique se você faz assistência com suas próprias mãos.
  7. Inteirar-se da vinculação estudo-serviço.
    Lá no centro existe uma ligação tão forte entre o estudo e o serviço que chego a estranhar quando não existe isto em outros locais. Nossos serviços assistenciais foram criados para os companheiros que estudam doutrina nesta casa. Conscientizamos para que a pessoa se liberte e motivamos para que a pessoa se concretize.
  8. Interpretar o serviço do próximo com equilíbrio.
    Refletir que estamos ligados aos serviços assistenciais como decorrência natural de nossa convicção espírita e, assim, trabalharemos no bem procurando a alegria de servir, ao lado de eficiência produtiva. Não é nosso propósito fazer muita caridade, cultivar aquelas manias mundanas de grandeza material, de relacionar a grande quantidade de benefícios praticados, como se fazer muito é que fosse importante. Faremos toda a caridade possível, sem a preocupação de resolver o problema da pobreza, apenas aproveitando a alegria atual de fazer algo.
  9. Não se avaliar como um grande caridoso.
    ‘’Reconhecer, mas reconhecer mesmo, que, trabalhando e servindo, estamos, acima de tudo, cooperando a favor de nós próprios.’’ Assim fala André Luiz, em Encontro de Paz e, aqui na casa, costumamos dizer que o centro não precisa de nós, nós é que precisamos dele. Dedicamo-nos, assim, a ocupar o nosso espaço, aceitando, humildemente, as atividades que nos cabem, esforçando-nos por sermos fiéis no pouco para que nossos talentos possam ser multiplicados. Afinal, estamos aqui para servir ou para sermos servidos?
  10. Não esquecer, nunca, o afeto.
    Não nascemos para assentar praça, para fazer bonito ou para gozar a vida. Foi para crescer espiritualmente. Incumbe-nos, então, o imperativo de buscar o afeto em nossas relações doutrinárias, inclusive com os necessitados. Pense nisso de vez em quando: dar pão aos pobres pode não ser uma caridade, pois, até um robô pode entregar. Mas se você puser afeto na sua pequenina entrega, ninguém pode substituí-lo.

Artigo publicado na edição n.º 3 do jornal Consciência Espírita

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