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Julho de 2003 N° 19 Ano 02
Portal do Espírito (www.espirito.ORG.br)
Nesta Edição
Recebemos muitas vezes questionamentos de pessoas sobre problemas relativo ao
uso de jogo (bingo) ou venda de produtos (bazar) como forma de obter fundos para
a manutenção de casas espíritas.
É uma questão complexa, que está longe de se chegar a um consenso em nosso
meio. Uns dizem que o uso destes artifícios vai contra o os princípios de
gratuidade pregados pela Doutrina Espírita, fazendo das casas que os usam o
papel de vendilhões. Outros rebatem que não se pode contar apenas e tão somente
com a boa vontade das pessoas para que doem espontaneamente os valores
necessários.
Fato inabalável é que custos fixos existem. Nenhuma casa funciona sem água,
energia elétrica e pessoas para a manutenção e limpeza. Despesas comuns como
compra de materiais para o dia a dia, livros para a biblioteca, material
didático para as crianças da evangelização, aluguel e tudo o mais, devem sair de
algum lugar.
Por outro lado, é verdadeira a preocupação daqueles que pregam a gratuidade,
pois aqueles que chegam pela primeira vez e são logo cercados por solicitações
materiais sofrem um impacto e uma primeira impressão difícil de se eliminar no
futuro.
Um real equilíbrio entre estes dois pontos de vista deve ser sempre o
objetivo de toda diretoria.
Um exemplo típico vivemos aqui, em nosso site. Por muito tempo vacilamos em
fazer qualquer tipo de solicitação mais direta, contando sempre com a iniciativa
e boa vontade dos que nos visitam. Com o tempo, o aumento dos custos e a virtual
inexistência de colaboradores, vimo-nos obrigados a iniciar pequena campanha,
veiculada nos nas mensagens enviadas diariamente, apenas para recebermos uma
grande enxurrada de reclamações e apupos, e uma única contribuição.
Não é nossa intenção aqui dizer quem está certo ou errado, esperamos apenas
que levantando o problema e estimulando o debate criem-se soluções e mecanismos
que atendam, a contento, todas as partes envolvidas.
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O canal de comunicação com o Portal do Espírito, continua recebendo pedidos
de orientação sob a visão da Doutrina Espírita. Neste mês destacamos mais duas
solicitações.
Quem desejar pode entrar em contato conosco pelo e-mail:
ajuda@espirito.com.br . Respondemos
sempre, na medida que nossos recursos permitam.
Caso 1:
Olá, amigos de ideal!
Li hoje pela manhã uma das perguntas divulgadas no informativo do Portal do
Espírito e gostaria de dar meu parecer a respeito.
Uma companheira questionou sobre a validade da realização de um bingo na sua
Casa Espírita.
Concordo plenamente com a afirmação de que a doutrina não proíbe nada, deixando
o homem livre para agir, mas não livre para colher os resultados de suas
atitudes.
No entanto, ilustrando a partir da obra "Jogo, Mergulho no Vulcão", de Eurípedes
Kuhrl, vale lembrar que a possibilidade do jogo de qualquer espécie e em
qualquer ambiente serve como brecha para processos obsessivos vulgares (leia-se
"comuns"). Lembremos que, no jogo, assim como em qualquer evento onde há
premiação, há ganhadores e perdedores, o que acarretará certamente em frustração
de muitos em detrimento do entusiasmo de um único ganhador.
Sendo assim, pode ser viável a organização deste tipo de eventos, tomadas as
devidas precauções através da oração. Mas, estarão os participantes livres dos
sentimentos inferiores que todos nós temos, na condição de habitantes desta
abençoada escola onde os enganos materiais ainda turvam nossa visão limitada?
Muito obrigado, espero sua compreensão e o perdão no "intrometimento" a
respeito.
Fiquemos com o Pai!
Muitos abraços!
Resposta:
Caro amigo,
Agradecemos suas colocações, são sempre úteis para nos ajudar a ponderar mais
profundamente sobre o assunto.
E a referência ao livro do colega Eurípedes é bastante útil, iremos dar uma
olhada nele.
Abraços de toda a equipe do Portal.
Caso 2:
Fui ontem em um centro espírita e a mulher que me deu o passe me disse que
eu deveria tomar um passe de expansão vcs sabem o que é isso
obrigado
Resposta:
Não, não existe isso, não existem passes diferenciados,
todos são iguais.
Infelizmente ainda há muita mistificação no meio espírita.
De qualquer forma, o melhor lugar para se informar é a própria casa
espírita em que você foi, pergunte do que se trata, como é, porque é
feito assim, em que lugar nas obras de Kardec está escrito que deve
ser daquele jeito e etc.
Nunca aceite nada gratuitamente, pergunte sempre, e se não se sentir confortável
com as respostas, você é sempre livre para procurar
outro local.
Se ainda tiver outras dúvidas, fique à vontade para nos contactar.
Muita paz.
Caso 3:
Caros amigos.
Gostaria que pudessem me esclarecer uma forma que faça com que eu possa pedir
ajuda ao meu anjo da guarda.
Se ensina que sempre devemos rezar para o nosso anjo, mas gostaria de saber qual
a forma mais correta de entrarmos em sintonia com ele. Além do mais estou
vivendo momentos tristes em minha vida e preciso muito de ajuda.
E gostaria que me esclarecem algumas dúvidas.
Este ser, um dia já foi um simples ser humano, como nós que aqui estamos
encarnados, ou sempre foi uma forma espiritual mais elevada e sempre próxima de
Deus incubidos de suas missões?
Como posso também rezar para o anjo da guarda de outras pessoas, tanto as que me
causam sentimentos bons quanto os ruins também?
O mais recomendado mesmo são as orações que popularmente são ensinadas, que ás
vezes já pensamos nelas automaticamente? Pois eu sempre prefiro, e me sinto bem,
mais verdadeira, orando como se eu estivesse conversando com um amigo muito
querido que pudesse me entender sem que eu preciso me esforçar tanto para
explicar o que se passa dentro de mim.
Obrigada e muita paz!
Resposta:
Cara amiga,
Não existem orações especiais, não existem frases
mágicas que possam mudar o nosso destino ou forçar alguém, um espírito elevado,
por exemplo, a fazer algo.
Prece é uma relação íntima entre nós e Deus, não precisamos sequer dizer nada,
pois o que conta são nossos sentimentos e não as palavras, fale com ele, ou com
Jesus, ou com Deus, como se estivessem alí, a seu lado.
Todos os espíritos são criados simples e ignorantes, e evoluem ao longo do
tempo, chegando à condição de espíritos elevados, se Deus criasse espíritos já
perfeitos, como os ditos anjos, Ele não estaria sendo justo, o que ele é.
Verifique na seção Categorias em nosso site, encontrará diversos artigos falando
de preces e "anjos".
Muita paz.
Caso 4:
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Repassamos aos nossos leitores algumas de nossas correspondências, para seu
conhecimento.
De: Denis Colares
Enviada em: domingo, 15 de junho de 2003 01:01
Assunto: Fernando Pessoa e o viver não é preciso
Prezados amigos do Portal do Espírito,
Lendo o último boletim, não pude deixar de sentir compaixão de nosso irmão (caso
2) que, rebelando-se contra as leis divinas, fez aquela sutil apologia ao
suicídio... Chamou-me a atenção, no entanto, e tal fato é o móvel de minha
mensagem, que ele tenha usado aquela frase, popularizada por Fernando Pessoa:
Navegar é preciso, viver não é preciso. Nosso irmão, infelizmente, apropriou-se
indevidamente desta expressão, que longe de ter qualquer fundo apologético com
relação ao suicídio, é uma ode à vida. A frase original é de Pompeu, general
romano de 106-48 aC., e diz assim: "Navigare necesse; vivere non est
necesse"(latim). Pompeu a teria dito na tentativa de demover seus marinheiros da
idéia de fugir à luta, pois que os mesmos tinham medo de navegar em tempos de
guerra. Podemos ver, então, que o general queria transmitir a seus subordinados
a idéia de que o importante era viver a vida de verdade, pois que aquilo que
eles chamavam de vida - covarde, medrosa, enfim arremedo de existência - não
poderia ser considerada como tal, e se assim o fosse, ele preferia então
navegar, pois que se parecia mais com vida, como ele a entendia... Sob a luz da
Doutrina, entendemos a batalha que devemos travar como sendo aquela contra
nossos instintos inferiores, e que fugir desta, não navegando nos mares do
auto-conhecimento, não é viver... Para terminar, gostaria de disponibilizar o
poema de Fernando Pessoa, para que os amigos vejam como está longe da idéia
pessoal e mesquinha que nosso irmão com tendência ao suicídio tentou passar:
"Navegar é Preciso
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse
fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça."
Muita Paz a todos, que a luz da Terceira Revelação possa iluminar nossos
corações.
Denis Colares Siqueira de Oliveira.
De: Dalton Kato Gomes (EDB)
Enviada em: segunda-feira, 16 de junho de 2003 16:24
Assunto: Contato
Olá a todos,
Sou do Grupo Espírita Dr. Bezerra de Menezes de Guarulhos e apreciamos muito o
site portal do espírito.
Estaremos divulgando em nosso site e estaremos sempre a disposição para
agregar cada vez mais para o movimento espírita.
Abraços,
Dalton Kato Gomes
Dir. Reuniões Públicas
De: Mychelle
Enviada em: segunda-feira, 16 de junho de 2003 22:52
Assunto: Parabéns
A todos os companheiros da Doutrina:
Gostaria de parabenizar o site pelo conteúdo principalmente das palestras.
Sou palestrante e sempre busco ajuda na confecção de minhas palestras no portal.
Minhas palestras se enriqueceram muito e tenho certeza que todos os irmão que
ouvem as palestras são beneficiados.
Obrigada
Mychelle
De: Fernando Vicente
Enviada em: domingo, 13 de julho de 2003 11:31
Assunto: Chico Xavier não é Kardec!Dora Incontri
Parabéns pelo texto esclarecedor. É confortante saber que existem pessoas
(espíritas ou não) que não se deixam levar pelo "frenesi de supostas verdades"
sem um estudo mais apurado dos fatos. Parabéns Dora Incontri, Parabéns site
Portal do Espírito.
Fraternalmente,
Fernando Vicente
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ACORDEMOS
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É sempre fácil
examinar as consciências alheias,
identificar os erros do próximo,
opinar em questões que não nos dizem respeito,
indicar as fraquezas dos semelhantes,
educar os filhos dos vizinhos,
reprovar as deficiências dos companheiros,
corrigir os defeitos dos outros,
aconselhar o caminho reto a quem passa,
receitar paciência a quem sofre
e retificar as más qualidades de quem segue conosco...
*
Mas enquanto nos distraímos,
em tais incursões a distância de nós mesmos,
não passamos de aprendizes que fogem, levianos, à verdade e à lição.
*
Enquanto nos ausentamos
do estudo de nossas próprias necessidades,
olvidando a aplicação dos princípios superiores que abraçamos na fé viva,
somos simplesmente
cegos do mundo interior
relegados à treva...
*
Despertemos, a nós mesmos,
acordemos nossas energias mais profundas
para que o ensinamento do Cristo
não seja para nós uma bênção que passa, sem proveito à nossa vida,
porque o infortúnio maior de todos
para a nossa alma eterna
é aquele que nos
infelicita quando a graça do Alto
passa por nós em vão!... |
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* * *
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caridade.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
Araras, SP: IDE, 1978.
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O Que é Mais Importante, a Quantidade ou a Qualidade dos
Centros Espíritas?
Alkíndar de Oliveira
De vez em quando ouço um espírita dizer: “o importante não é a quantidade de
Centros Espíritas, é a qualidade”.
Será que afirmar “o importante não é a quantidade de Centros Espíritas, é a
qualidade” não é imaginar que o Espiritismo não veio para o mundo, mas sim para
um grupo de privilegiados? Será que a Terceira Revelação é só para nós?
Será que não seria melhor dizer, pela importância (para o mundo) dos
princípios espíritas, que “o importante é a qualidade e a quantidade”?
Outros argumentam: “é preciso esperar melhorar qualitativamente os Centros
Espíritas, para só então divulgarmos intensamente nossa Doutrina”.
Será?
Penso que temos que trabalhar com o que temos. Uma coisa é pensar e
sonhar com o “ideal”, outra é fazer o “possível”.
Pensar que primeiro é preciso melhorar a qualidade dos Centros Espíritas,
para só depois melhor divulgar a Doutrina, é semelhante à atitude de um
governador de estado que resolvesse oferecer vagas às escolas públicas só depois
que todo o corpo docente melhorasse a qualidade! É semelhante ao fato de
começarmos a ensinar às pessoas que é preciso primeiro esperar conseguir amar ao
próximo como a si mesmo, para só depois começar a fazer a caridade!
Uma pergunta:
Sabendo que os discípulos de Jesus eram pessoas simples, comuns, sem destaque
social ou cultural, pescadores, Jesus esperou que eles melhorassem
qualitativamente para só depois convidá-los a seguí-Lo?
Esperar ficarmos prontos, para só então começar a trabalhar, é uma grande
ilusão.
Nós nunca estamos - nem estaremos - “prontos”.
Nós nunca seremos um produto acabado.
E o mesmo ocorre com os Centros Espíritas: sempre haverá alguma deficiência.
Mas é preciso trabalhar. É preciso divulgar nossa Doutrina.
E de forma ousada!
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