Portal do Espírito

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Portal do Espírito Informa

Setembro de 2003 N° 21 Ano 02

Portal do Espírito (www.espirito.ORG.br)

Nesta Edição

Outubro: Mês do Nascimento de Allan Kardec

O mundo recebeu em 03 de Outubro de 1804 Hyppolyte Léon Denizard Rivail que ficou mais conhecido como Allan Kardec (seu nome em existência passada) o grande codificador da Doutrina Espírita.

Vale a pena relembrar alguns detalhes de suas características e do extenso trabalho de codificação da Doutrina que nos oferece tanto Conforto e Esperança.

  • Seu espírito científico, metódico e lógico encontrou vasto campo para desenvolvimento do Instituto Pestalozzi na Suíça onde praticava-se a igualdade e fraternidade pela mistura de raças, crenças e culturas (uma exceção para a época).
  • Conhecido como Professor Rivail elegeu como objetivo "auxiliar a viver" pelos conteúdos e métodos da educação.
  • Em 1854 aproximou-se dos fenômenos extraordinários que dominavam a sociedade da época e pressentiu algo de sério por trás destas manifestações (que até então a sociedade apenas visualizava uma forma de diversão).
  • Nasce neste instante o árduo trabalho levado até o ultimo dia de sua existência na Terra.
  • Em 25 de Março de 1856 tem o primeiro contato com seu guia espiritual que o auxiliou em sua tarefa: O Espírito da Verdade
  • Valeu-se de muitos médiuns de diferentes lugares que lhe enviavam respostas às suas questões. Analisou, selecionou, comparou, meditou, organizou e encadeou as respostas a fim de formar o corpo de Doutrina.
  • Em 1857 foi publicado "O Livro dos Espíritos" com 501 perguntas e respostas, distribuídas em três partes. Em 1960 foi publicado a 2a edição com 1.019 perguntas e respostas, tal como a conhecemos.
  • Em 1858 iniciou a publicação da Revista Espírita, publicação que ocorreu por 12 anos, como forma de difundir o conhecimento espírita.
  • Outras datas de publicação: 1861 - O Livro do Médiuns
  • 1864 - O Evangelho Segundo o Espiritismo
  • 1865 - O Céu e o Inferno
  • 1868 - A Gênese

A essência, a forma e o método do trabalho de Kardec é de fundamental importância ao estudante da Doutrina para que possamos discernir, meditar e concluir sobre os mais variados aspectos abordados pelo Espiritismo.

Quem desejar se aprofundar mais, sugerimos a série de artigos sobre a biografia de Allan Kardec:

http://www.espirito.org.br/portal/doutrina/kardec/index.html

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Fale Conosco

Recebemos neste mês diversas mensagens questionando o ato do aborto, decidimos publicar duas emblemáticas mensagens com o objetivo de auxiliar o entendimento sas pessoas sobre este complexo tema.

A terceira mensagem que publicamos é de um leitor que não concorda com certa postura do Portal do Espírito. Veja a resposta e entenda nosso ponto de vista.

O canal de comunicação conosco continua aberto, escreva para: ajuda@espirito.org.br. Respondemos sempre, na medida que nossos recursos permitam.

Aborto 1:

"NÃO SEI SE PODEM ME AJUDAR MAS GOSTARIA DE DESABAFAR UM POUCO!!!

Tô escrevendo este e-mail mas mal estou aguentando digitar, pois minhas lágrimas e meu remorso e nervosismo tão falando mais alto, vou contar-lhe o q me aconteceu e peço q por favor me ajudem.

Comecei a namorar tinha 17 anos (hoje tenho 21), foi Meu primeiro namorado entaum tudo eram flores sonhava com o namorado perfeito e achava q tinha encontrado, ele dizia q me amava até entam dava a entender q era uma pessoa maravilhosa.

Infelizmente acreditei demais e por pressão dele acabei concedendo a ele a opOrtunidade de ser o primeiro homem da minha vida (Exatamente quando completei 18 anos). Só q nem tudo eram flores e infelizmente na nossa 3º relação engravidei.

Quando descobri a gravidez estavamos brigados e entaum ligue a ele e contei o q havia acontecido ele naum acreditou disse-me q fui irresponsável, mas a princípio adorou a idéia, por culpa da falta de maldade e a esperança q nunca aconteça com a gente só percebi q estava grávida quando já tava com 2 meses de grávidez.

Por 15 dias eram flores dizia q iriamos nos casar mas ele me enrolava para contar para meus pais, quando completei 3 meses ele me disse q queria q abortasse q naum assumiria a criança. Daí fiquei doida meus pais íam horrorisar com a gravidez imagina c ele naum assumice......Meus pais são super conservadores e nunca poderam sonhar isto. Fiquei doida naum sabia o q fazer, quando me lembrei q minha amiga tinha feito um aborto e eu sabia como conseguir o tal XXXX (vetado pelo Portal do Espirito). De tanta pressão acabei comprando, ele já tinha me deixado naum falava comigo desde o dia q me mandou abortar (Nisso tava com 15 semanas de gestação). Tive de ter a frieza de comprar e tomar o remédio sozinha...

Naum gosto nem de lembrar do dia naum senti muito dor , mas meu coração parecia q naum ia ficar dentro do peito, as lágrimas molharam toda minha cama e a hemorragia foi forte depois de sofrer a noite inteira a criança morreu e a ví perfeitamente (Naum é frieza minha é só para me entenderem)... Tenho 3 irmàs e moro com meus pais.... ainda tive de fingir q naum tinha nada pra eles em ksa imagina.....Foi horrível, ele naum me ligou nem pra saber c tava viva , ou c tinha dado certo, ou algo parecido...

Naum sei explicar como ninguem percebeu... acho q pela criação q tive e meu jeito de ser ... nunca deixaria ninguem acreditar q fui capaz de fazer isso... Até hoj naum sei como estou , c meu útero tá normal, c naum fiquei estéril... naum tive coragem de ir ao médico... Tenho vergonha de mim mesma.... Vergonha de ter feito td isso....

Minha vida foi chorar por 3 meses direto sem parar imagrecí 10Kg, comecei a melhorar quando fez uns 6 meses.... entrei em depressão e assim fiquei por 2 anos naum sei c ainda tenho, fiz tratamento com psicólogo mas naum consegui contar do aborto.

Até hoje uma pessoa sabe disso um amigo, q naum achou certo e se afastou de mim.

Faço parte da renovação carismática e um dia Deus tocou e meu coração q devia perdoar ele, depois de um ano do 0corrido liguei pra ele e pedi perdão ainda ele se desculpou mas naum c mostra arrependido, virou evangélico e nem assim me procurou para q eu desabafe... ele sabe q ninguem sabe da história.... entaum naum aguentando mais escreví pra vocês para me desabafar ... Naum sei c vc q tá aí do outro lado vai me julgar certa ou errada... mas só sei q arrependo amargamente todos os dias por isso, pena q naum posso voltar atras.... Crescí escutado Deus naum perdoa quem faz aborto e se suicída naum verá o reino dos céus e sinceramente hoje concordo com isso... parece q fico cada dia mais longe de Deus... Gostaria q passassem isto pra qualquer pessoa q queira fazer isso, para q naum sofram o quanto sofro hoje.

OBS: SE PODEREM ME AJUDAR SERÁ ÓTIMO... AGUARDO CONSELHOS E NAUM GOSTARIA Q PUBLICASSEM MEU ENDEREÇO DE E-MAIL PRA NINGUEM PQ NINGUEM SABE DISTO E COMO DISSE TENHO VERGONHA DE MAIS ALGUEM DESCOBRIRI ISTO SE MINHA FAMILIA SONHAR POSSO DESAPARECER DA FACE DA TERRA POIS NAUM ME ACEITARIAM PODEM PUBLICÁ-LO ASSIM ACHO Q TAREI AJUDANDO ALGUEM MAS NAUM GOSTARIA DE SER CITADA COM MEU NOME OU E-MAIL..... MAS PODEM ME RESPONDER NELE.....

OBRIGADO PELO MENOS CONSEGUIR PARAR DE CHORAR UM POUCO.... A.

Resposta:

Cara amiga,

Sentimos muito por sua atitude no passado, foi mesmo um erro muito grave, mas o que passou já passou, você deve se concentrar no presente e no futuro, pois o passado não pode mais ser mudado.

Não podemos ajudá-la quanto à visão do assunto segundo a sua religião, mas se quer a nossa opinião, segundo a Doutrina Espírita, podemos então dá-la, se acha que não é este o caso, então pare de ler por aqui. Você não tem que se preocupar com Deus, pois Ele é um pai amoroso e gentil, Ele não perdoa ninguém nem pune ninguém, Deus apenas ama, a todos nós, incondicionalmente. Somos nós, com nossa consciência, que punimos a nós mesmos.

Nossa primeira sugestão é que você procure um médico, um ginecologista, e faça todos os exames necessários para garantir que não houve nenhuma seqüela para sua saúde. O médico é obrigado, por força de lei e pela ética médica, de manter segredo, assim você deve contar tudo a ele, de modo que ele possa fazer um diagnóstico preciso. Ninguém deve estranhar isso pois toda mulher deve se consultar com um médico uma vez por ano e se ele pedir exames e alguém estranhar, diga que você está com alguma infecção, ou algo assim.

Feito isso, vamos ao segundo problema, que é lidar com as conseqüências de vida que seu ato resultarão. Como dissemos Deus não nos pune por nada do que fazemos, Ele é justo e apenas quer que aprendamos com nossos erros, e não os cometamos de novo, e uma das formas que ele nos faz perceber estes erros é sofrer as conseqüências deles. Assim, aquilo que muitos chamam de punição, na verdade, é apenas uma reação, o resultado, daquilo que as pessoas fizeram.

Costumamos dizer no meio espírita que a plantação é livre, mas a colheita obrigatória, ou seja, somos livres para fazer o que quisermos, mas temos que arcar com as conseqüências de nossas decisões. Mas, como dissemos, Deus é muito amoroso, assim ele nos dá a oportunidade de, por nossas próprias forças e vontade, compensar algum mal que tenhamos causado, eliminando assim a possibilidade de surgirem aquelas conseqüências. E uma das melhores formas que conhecemos para fazer isso, é ajudar aos necessitados.

Primeiro, vá ao médico. Depois, no dia seguinte, procure algum trabalho voluntário, de preferência ligado a crianças carentes, como um orfanato, ou uma unidade da febem, ou alguma entidade que trabalhe com crianças de rua. Não procure facilidades, procure aqueles que estão nas piores condições, tente ajudar aquelas crianças que ninguém quer ajudar, os agressivos, os doentes mentais, os dependentes de drogas. Mas não se iluda que indo uma vez por semana fazer isso estará tudo bem, compensar o assassinato de seu filho lhe custará anos e anos de dedicação. Sentimos muito pelas palavras duras, mas é preciso ser realista, estamos apenas querendo o seu bem, e para isso você terá que se esforçar, e muito, para compensar seu erro passado. A grande vantagem deste tipo de atividade é que além de corrigir o erro, também auxiliará a você a consertar outros problemas, como a depressão, por exemplo, e lhe dará uma nova perspectiva de vida.

Faça deste trabalho um compromisso sério em sua vida, lembre-se que aquelas crianças que você ajudar passarão a depender de você, e sempre que lhe faltarem as forças para continuar, ore a Deus, peça para que ele lhe ajude a vencer este obstáculo, que você não se desvie do trabalho e que aqueles que você toca, possam encontrar uma vida melhor da que nossa sociedade lhes dá. Não encare nunca isso como uma punição ou uma penitência, se for para ir ajudar com o coração pesado e de forma forçada, não valerá nada, faça por amor, amor a Deus, em retribuição ao grande amor que Ele tem por você, por amor àquelas criancinhas, que ninguém mais ama, por amor à vida, que é bela, e merece ser vivida. Se tiver alguma dúvida ou precisar "conversar" mais, não hesite em nos escrever, estaremos sempre aqui se precisar de nós.

Muita paz.

Aborto 2:

Caros amigos.

Gostaria de dividir uma experiência que vivi hoje e que apesar de minha longa vivência profissional ainda me faz ficar muito triste.

Quero também a opinião de alguém que entenda de bioética para saber se estou agindo certo.

Sou médica ginecologista e obstetra.

Hoje a mãe de uma paciente me ligou desesperada: sua filha está grávida, ficou grávida de uma pessoa quase desconhecida em um momento que se encontrava alcoolizada.

Pediu-me que indicasse alguém para fazer um aborto, decisão que já estava tomada e era irreversível.

Disse a ela que não poderia indicar ninguém. (Como o ato é ilegal, uma simples indicação me tornaria conivente com o ato).Mas não foi isso que aleguei, aleguei que os "profissionais" que fazem isso são bandidos, que não existe nenhum em que possamos confiar.

A mãe da paciente, que também é minha cliente antiga, insistiu que pelo menos eu atendesse sua filha para verificar o seu real estado.

Concordei com isso e a atendi em caráter de emergência, encaixando entre consultas marcadas com antecedência.

Durante a consulta, a menina, maior de idade, repetiu a mesma história e disse que entendia que eu tivesse meus princípios mas que gostaria que eu a orientasse sobre qual seria o método de aborto mais seguro para sua saúde.

Alegou que a decisão já estava tomada e que nada que eu dissesse mudaria sua idéia.

Disse a ela que não a orientaria sobre métodos abortivos e que me limitaria a verificar a condição atual de saúde dela.

Ela insistiu, delicadamente, para que eu dissesse o nome do medicamento que se usa para provocar aborto. Eu não disse. Informei a ela, apenas, que o procedimento realizado com esse tipo de medicamento é doloroso e longo. Que o medicamento pode causar má formação fetal e existe risco de hemorragia.

Ela então me perguntou se seria mais seguro fazer um aborto em uma clínica. Eu, delicadamente disse a ela que não era o meu papel orientá-la sobre o método mais seguro de fazer aborto, que eu respeitava a opinião dela, entendia seu sofrimento e não a estava julgando, mas que eu tinha uma posição contrária ao aborto e mesmo assim não me permitia desvalorizar o sofrimento e a vida dela.

Ela insistiu se caso ela usasse o medicamento eu não a atenderia durante o processo de abortamento. Eu disse que durante esse processo eu não a atenderia, pois se ela usasse o medicamento e viesse ao meu consultório e eu constatasse que ela ainda continuava grávida, ela iria tomar mais medicamento. Até que obtivesse seu intento. E dessa forma eu estaria sendo conivente ou cúmplice.

Ela me perguntou qual a idade de sua gestação. Fiz os cálculos e conclui: 6 semanas e 4 dias.

Ela tinha pedido que eu solicitasse um exame de ULtra-sonografia Obstétrica. O que eu faria de qualquer forma.

Neste momento percebi que ao fazer o exame ela veria os batimentos cardíacos do feto. Pensei em omitir isso dela.

Mas como inferi que ela não iria contar ao ultra-sonografista que iria fazer um aborto, ele provavelmente faria a maior festa chamando sua atenção para este detalhe. Imaginei que este momento seria muito doloroso para ela.

Resolvi dizer a ela que ela, durante o exame, veria os batimentos cardíacos do embrião. Mas antes avisei a ela que minha intenção não era ser cruel.

Quando terminei de avisá-la ela me disse: Mas foi (cruel).

Expliquei meu pensamento a ela. E que minha posição era muito difícil pois eu tinha de ser solidária sem ser cúmplice.

Esta situação era como caminhar sobre uma frágil linha e que de um momento para outro eu poderia pender para um dos lados.

Eu pergunto: Fui cruel? Eticamente é essa a forma correta de agir?

Sou obrigada a acompanhar em nível ambulatorial um processo de abortamento provocado?

Sei que em caso e emergência, uma hemorragia, se ela entrar em contato comigo sou obrigada a prestar atendimento, e isto eu faria por qualquer pessoa, mesmo que não fosse minha paciente.

E como espírita, agi corretamente?

Espero ansiosamente uma resposta e agradeço a atenção.

Peço desculpas pelo texto longo.

G.

Resposta:

Cara amiga,

Primeiramente receba nossos parabéns pela sua honestidade e ponderabilidade, situações como esta sempre são muito difíceis, é incrível imaginar que alguém consiga manter a calma e a razão como você.

Não inverta, de forma alguma, as situações aqui, a única pessoa cruel que há é esta moça, que vai matar seu filhinho, qualquer coisa que você fizer que, de alguma forma, a faça pensar melhor nesse ato e, quem sabe, até desistir dele, é uma caridade, tanto para a criança, por motivos óbvios, como para com ela, evitando que cometa este terrível crime, acumulando um débito muito sério para sua vida futura. Nunca se culpe por tentar salvar alguém.

Entenda, sobre este assunto sempre existirão muitas opiniões, favoráveis e contrárias, de modo que só podemos dar a nossa.

Na questão sobre atendê-la, depois de tomado o remédio, mesmo que você tenha dito que não o faria, cremos que se ela a procurar, você deve atendê-la mesmo assim. É uma questão de caridade para com o criminoso, não importa o que ela fez, isso é entre ela e Deus, não nos cabe julgar, se o ato já está feito. Não somos em nada ligados à medicina nem conhecemos a fundo a ética médica, mas cremos que esta seria a melhor forma de agir.

Claro que você não é obrigada a isso, claro que pode recusar esta paciente, mas não seria isso, depois de o ato consumado, uma forma de julgamento de sua parte ?

Não estamos aqui esperando que nos responda nada, é uma questão para você mesma responder.

Concordamos com sua posição de afirmar que não a atenderia antes do ato, é uma forma de pressão válida, mas uma vez consumado, que se pode fazer senão tentar ajudá-la? Quem sabe, seu contato, sua atenção, tudo o que vocês têm em comum, ajudem essa moça a superar esse trauma, que se você acompanhar, verá que é muito mais profundo e sério do que qualquer um imagina e irá cobrar seu preço nos anos seguintes, e até a evitar que faça isso de novo.

Mas, é uma decisão sua, cabe a você pensar bem no assunto.

Como espírita sua atitude foi irretocável, sem dúvida nenhuma, mas imaginamos que devido à sua profissão, talvez venha a passar por situações similares ainda muitas vezes, assim, se nos permite a intromissão, gostaríamos dar alguns conselhos.

Uma alternativa bastante interessante que sempre pode ser tentada é a de convencer a mulher a ter a criança, por motivos de saúde, e depois dá-la para adoção. Noventa por cento dos casos que conhecemos que fizeram isso não só ficaram com a criança como também dão graças a Deus, todos os dias, por não terem efetivado o aborto. E aquelas que são adotadas, em geral conseguem facilmente um lar, há sempre grande demanda de crianças pequenas para adoção (infelizmente para os maiorezinhos).

Talvez você possa tentar contato com outros médicos de sua especialidade, digamos pela Associação Medico Espírita do Brasil (www.ame.org.br) e trocar experiências, muitos deles poderão lhe dar outras orientações, mais focadas no seu trabalho, que a auxiliem a enfrentar situações similares como esta no futuro.

Conhecer grupos de adoção seria importante também, pois assim você pode contar com literatura para apoio e orientação e mesmo com contatos efetivos, existem diversos deles ligados ao meio espírita.

Enfim, se esta sua paciente realmente fizer o aborto, só nos resta rezar, pela criança e principalmente por ela, tenha o coração aberto e a mente tranqüila, pois se você fez tudo o que lhe era possível, então nada há a reprovar.

Receba novamente nossos parabéns e nossos sentimentos, imaginamos como deve ser difícil passar por tudo isso.

Muita paz.

Caso 3:

Caros Companheiros

Navegando pelo site, que pessoalmente considero muito bom, acessei um dos links que direcionam ao Grupo Espírita Bezerra de Menezes ( Nova Visão ) na página que trata do curso para gestantes e vi algo que não me agradou. O link nada mais é do que uma página que é contra o movimento espírita, com informações deturpadas sobre dirigentes e a própria FEB que tanto se esforça por manter a coesão dos ensinamentos espíritas e da própria codificação.

Creio que seu site não deveria dar lugar a uma organização que fere o Movimento Espírita com idéias tão tresloucadas como as que eu li. Seria mesmo de bom tom que vocês explicassem em nota na primeira página do site sua opinião acerca do assunto e explicassem as medidas a serem tomadas para se evitarem outros desmandos dessa natureza, é uma sugestão.

Sem mais, agradeço pela atenção e que Deus nos abençoe a todos fortalecendo cada vez mais nossas idéias de trabalho, paz e harmonia de todos.

E. A.

Resposta:

Caro amigo,

Agradecemos seus elogios e sua iniciativa em nos comunicar sua opinião, que é sempre muito preciosa para nós.

O material que temos do GEBM foi retirado quando eles ainda se diziam espíritas, e o consideramos muito bom, não encontrando nada que possa ser considerado contrário à Codificação ou ao próprio movimento espírita. Compreendemos o motivo de eles agirem da forma que agem hoje, pois concordamos com eles em muitos aspectos, mas discordamos da forma como eles decidiram combater os problemas que apontam. A FEB, por exemplo, está longe de defender unicamente a codificação espírita, uma vez que considera, por exemplo, a obra de Roustaing um complemento válido a esta, tendo em seus próprios estatutos a indicação de que se deve estudá-la.

Não que tenhamos nada contra quem quer seguir aquela doutrina, todos são livres para isso e o Espiritismo nos ensina que todas as religiões são boas, mas não há como conciliar as duas, de modo que uma entidade que se diga espírita - no nosso modo de entender - deveria se ater somente a esta última doutrina. Mas esta é uma das belezas da Doutrina Espírita, ela não tem hierarquia. Nenhum de nós deve nenhuma lealdade à FEB, ou às federações estaduais, ou a qualquer organismo, simplesmente porque nenhum deles nos representa ou precisamos deles para ser espíritas. Cada um é espírita sozinho, no coração, se para isso lê Kardec em casa ou vai a um grupo espírita, é mera questão de conveniência. O que denota o verdadeiro espírita é sua conduta, seu modo de ser, no dia a dia, "julgai a árvore pelos frutos que dá", disse-nos Jesus.

A proposta do Portal do Espírito é ser um divulgador da Doutrina Espírita independente de qualquer entidade ou organismo. Assim, se após uma avaliação criteriosa, o material é julgado condizente com a Doutrina, nós o publicamos, independentemente da fonte. É por isso que temos material do GEBM, e diversos outros divulgadores, espíritas ou não, como Martin Luther King ou Piaget, por exemplo, enquanto que ao mesmo tempo muitos artigos do Reformador, foram vetados, por serem meras apologias ao docetismo roustainguista.

Sentimos muito se a presença deste material lhe desagrada, mas não pudemos encontrar nele nada que desabone o Espiritismo, de modo que não temos motivo para retirá-lo de nosso site. Se fôssemos agir assim, por questão de coerência, acabaríamos tirando quase tudo, porque sempre tem alguém que não gosta disso ou daquilo de certa instituição.

Muita paz.

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Mensagem Fraterna

LUCRARÁ FAZENDO ASSIM

Reconforte o desesperado. Você não escapará as tentações do desânimo nos círculos de luta.

Levante o caído. Você ignora onde seus pés tropeçaram.

Estenda a mão ao que necessita de apoio. Chegará seu dia de receber cooperação.

Ampare o doente. Sua alma não esta usando um corpo invulnerável.

Esforce-se por entender o companheiro menos esclarecido. Nem sempre você dispõe de recursos para compreender como é indispensável.

Acolha o infortunado. Nem sempre o céu estará inteiramente azul para seus olhos.

Tolere o ignorante e ajude-o. Lembre-se de que há Espíritos Sublimes que nos suportam e socorrem com heróica bondade.

Console o triste. Você não pode relacionar as surpresas da própria sorte.

Auxilie o ofensor com os seus bons pensamentos. Ele nos ensina quão agressivos e desagradáveis somos ao ferir alguém.

Seja benévolo para com os dependentes. Não se esqueça de que o próprio Cristo foi compelido a obedecer.

* * *

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Agenda Cristã.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
32a edição. FEB, 1996.
 

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Uma Palavra Sobre o Fórum

Como muitos visitantes já sabem, Fórum é um local virtual público disponibilizado pelo Portal do Espírito com o objetivo de troca de mensagens por meio de perguntas e respostas entre os visitantes.

Uma vez que é dado a possibilidade de qualquer visitante entrar no Fórum e fazer perguntas sobre os mais variados temas ou responder sobre qualquer assunto, a qualidade da resposta estará diretamente ligada às intenções e conhecimentos daqueles que o fizeram.

Temos notado que alguns usuários do Fórum estão se sentindo incomodados com um grupo de pessoas que não vêem a Doutrina Espírita com todo o seu esplendor e ainda procuram, por seus argumentos, desqualificá-la.

É hora de por em prática um pouco do que o Espiritismo nos oferece utilizando-se da lógica, da razão e do bom senso.

Se uma pergunta não lhe agradou, não responda. Se a resposta não lhe agradou, não considere-a. Dê prosseguimento apenas às perguntas e respostas que estão de acordo com o seu pensamento.

Quem em sã consciência acredita que nós poderemos modificar-lhes as opções de religião pelo simples fato de respondermos de acordo com a Doutrina ? Agir assim é participar do mesmo jogo deles que acreditam que nós mudaremos nossas convicções pelo fato de lermos seus argumentos. Nenhuma religião deve ser combatida e sim o materialismo. As diferentes religiões são formas de atrair espíritos de diferentes estados evolutivos. Tentar acelerar o processo é agir contra a natureza que nos é própria.

Lembremos de Kardec que SEMPRE colocou em dúvida qualquer informação que lhe foi oferecida para publicar apenas aquelas cujos princípios eram irrefutáveis.

Companheiros Espíritas, tomem mais esta oportunidade como forma de aprimorar seu estudo da Doutrina Espírita e alargamento moral.

Muita Paz

Equipe Portal do Espírito

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O Melhor do Site

A quem já abortou

Cleunice Orlandi de Lima

"O mal não é uma necessidade fatal para ninguém, e não parece irresistível senão àqueles que a ele se abandonam com satisfação. Se temos a vontade de fazê-lo, podemos também a de fazer o bem..."
—O Evangelho segundo o Espiritismo - Allan Kardec

A este respeito, diz o dr. Di Bernardi: "Cartazes acusando: "Aborto é crime!" só teriam valor se fossem lidos, exclusivamente, por quem ainda não tenha cometido nenhum ato desta natureza. Mas os cartazes estão lá, com finalidade preventiva, como que dizendo: "Se você não praticou o aborto, não o faça, porque é crime matar bebês não nascidos!"

Mas... e a quem já tenha abortado? O que dizer àquelas que já estão nas malhas do remorso, curtindo sufocante sentimento de culpa? O que dizer às parteiras e médicos aborteiros? O que dizer a quem tenha propiciado a interrupção de uma gravidez ou tenha induzido outra pessoa ao aborto? Estas, ao esbarrar em tais cartazes, têm seus sofrimentos muito mais agravados.

Há religiões e movimentos que infundem culpa em quem, por ignorância ou necessidade, tenha expulsado algum filho das entranhas. Estas religiões e estes movimentos devem ser arquivados nas empoeiradas prisões medievais, junto a outros instrumentos de tortura. Não vamos repetir erros passados. Esclarecimento associado a consolo carinhoso devem fazer parte do conteúdo de qualquer doutrina contrária ao aborto.

É preciso apresentar soluções — e não cobrança.

Ao invés de apontar o inferno às mães que desprezaram seus filhos, é preciso ter a mesma postura de Pedro, o Apóstolo: "Mas sobretudo, tende ardente caridade para com os outros, porque a caridade cobrirá uma multidão de pecados." (1.ª espístola, cap IV, vers. 8).

Já há dois mil anos, Pedro ensinava que, ao invés da opção da dor, podemos fazer a opção pelo amor. Construir muito mais do que já destruímos. Voltar pelos pântanos da vida para semear flores onde plantamos dores e, quando voltarmos a transitar pelos mesmos pântanos, encontraremos milhares de lírios resultantes da nossa semeadura.

A postura estática do remorso e culpa nos desarmoniza e, cada vez mais, nos projeta para o desconsolo das companhias trevosas.

Segundo um espírito amigo, de nome François Villon 'não se pode abrir as portas da culpa àqueles que estão perdidos no corredor escuro do erro, para que eles não caiam no fosso do sofrimento. É necessário iluminá-los com a tocha do esclarecimento e do consolo, para que enxerguem mais adiante, a opção do Trabalho e do Amor.'

Errar é aprender. Ao invés de se fixar no remorso, aproveitar a experiência como uma boa aquisição para discernimento futuro.

Agir na mesma área para crescer em créditos espirituais.

As amargas conseqüências pelos crimes não são castigos infligidos pela espiritualidade — e sim, reparações para com as Leis Universais objetivando o necessário equilíbrio das almas endividadas. Já foi dito que ninguém chega aos pés de Deus carregando uma mochila de erros.

É preciso também saber que a lei de causa e efeito não é uma estrada de mão única. É uma lei que admite reparações; que oferece oportunidades ilimitadas para que todos possam expiar seus enganos.

O débito cármico ocasionado pelo aborto provocado precisa ser desfeito por qualquer modo e quem não o desfizer através do Amor, terá de desfazê-lo através da Dor.

Os meios através da Dor, podemos resumi-los rapidamente: Arrependimentos, remorsos, dores morais. Doenças adquiridas que não conseguem ser detectadas pela medicina comum. Morte prematura que serão consideradas suicídio. Longo tempo em profundo sofrimento na vida após a morte. Difícil reencarnação, geralmente se tornando um espírito abortável. Ao reencarnar, é possível não ter filhos, ou perdê-los ainda pequeninos ou ainda ter filhos portadores de anomalias graves.

Através do Amor é muito mais fácil o reequilíbrio de uma alma.

Segundo Pedro, "A caridade cobre uma multidão de pecados".

A caridade pura e simples portanto, é o caminho para estas mães.

Não apenas para a mãe que buscou o aborto.

Mas também ao pai do mesmo bebê abortado.

Também ao "fazedor de anjo".

Também às amigas e parentes que induziram ou facilitaram o ato.

Também os pais, que obrigaram a filha ou a nora a cometê-lo.

A todos os que se viram, de uma maneira ou outra, envolvidos criminosamente na rejeição e expulsão de um espírito reencarnante.

O antídoto contra o mal do aborto é a caridade.

Mas não aquela caridade humilhante que faz o recebedor sentir-se ainda mais diminuído do que já é, e sim aquela que eleva quem oferece e não envergonha quem recebe.

Não aquela caridade de levar uma cesta à favela, regada à reclamação.

Não aquela caridade de fim de ano quando, para aliviar a própria consciência e poder festejar sem remorsos, distribui presentinhos às crianças — e pronto! sua obrigação está feita até o ano que vem!

Não aquela caridade vaidosa que convida jornal e TV para que o mundo saiba o quanto se é "bonzinho".

A caridade que cobre uma multidão de pecados é aquela que arregaça as mangas e vai trabalhar, de verdade, em benefício de pessoas necessitadas e em silêncio.

E, como o erro foi em conseqüência de um aborto provocado, onde se rejeitou uma criança, então a dívida poderá ser melhor e mais rapidamente saldada através de ajuda a crianças.

Mesmo que se tenha provocado um aborto, é possível quitar os débitos ainda nesta existência corporal, sem ter de passar pelos sofrimentos dos umbrais ou vales espirituais de dores, sem precisar passar pelas amarguras todas já descritas.

Por que não tentar?

Por que esperar a vida do lado de lá para, em sofrimentos superlativos, apagar uma mancha que poderá ser apagada de forma mais branda se for de maneira espontânea?

Por que não começar agora, já, aqui, nesta existência e reparar o erro, de maneira mais suave, à sua escolha?

Veja como:

1.- Oração:

Oração significa: Luz em ação.

Quem ora em benefício de alguém, esta mandando Luz para esta pessoa. Luz é o contrário de trevas.

Quem ora também anda dentro da Luz, porque é impossível acender uma fogueira e não sentir o seu calor, não se iluminar também.

Comece orando a Deus por seu filho — aquele que você rejeitou e que poderá estar em sofrimento, cheio de dores nalgum lugar do espaço. E poderá estar odiando você. Ele está precisando de orações para sentir alívio pelas dores morais e físicas que você lhe propiciou.

Ore também por outros bebês abortados.

Ore também por mulheres grávidas, para que não recorram ao aborto.

Ore a Deus, pedindo perdão pelo seu ato.

Ore pelas crianças abandonadas pelas ruas, enquanto não se decidir qual tipo de atividade deseja exercer em benefício delas.

Ore por todos os filhos do mundo inteiro: crianças, adolescentes, drogados, doentes, presidiários — e pelas mães doentes, pelas mães dos presidiários, pelas mães dos drogados, por todas as mães sofredoras.

Ore com sentimento, com calor no coração, evitando a frieza das preces decoradas.

E continuar orando pela vida afora por seu filho e por todos os filhos.

2.- Atividade benfeitora:

Fazer opção por uma atividade onde possa estar em contato direto, corpo a corpo com crianças necessitadas de carinho, de amparo, de colo, de cuidados pessoais em creche, em escola, em APAE, em hospital, em orfanato ou em quaisquer outras instituições que cuidam de crianças pobres, abandonadas ou doentes.

Mas é enfiar a mão na massa e não apenas construir um orfanato e deixar para outros a tarefa de lidar com aquela gente pequenina.

A atividade voluntária neste sentido, sem remuneração, fará com que os erros sejam reparados muito mais rapidamente. De acordo com certo autor espiritual, as horas de trabalho com crianças são contadas em dobro.

3.- Adoção:

Não há obrigatoriedade mas, se houver oportunidade, adote uma ou mais crianças e trate-as como verdadeiros filhos, sem diferença alguma entre eles e os seus filhos de sangue. Doe-se a uma criança abandonada ou sem mãe.

Muitas vezes, com a adoção, está se abrindo a mesma porta que foi fechada pelo aborto.

Por vezes, volta pelos inesperados caminhos da vida, ao mesmo lar, aquele que foi ontem rejeitado.

Se você, mesmo não tendo praticado aborto algum nesta vida, sentir-se inclinada à adoção, adote!

A adoção é, talvez, a maior obra de amor que alguém pode praticar.

4.- Amparo às mães:

Outras atividades que reequilibram carmicamente a quem tenha errado no sentido de desprezar um bebê não nascido, é no amparo às mães solteiras, mães miseráveis, mães que não têm condições de criar seus filhinhos.

Quantas mãezinhas estão necessitando de um carinho? De uma palavra de afeto? De um auxílio em forma de enxovalzinho? Em forma de comida?

Converse com elas. Oriente. Evite que elas abortem...

Costure, borde, faça enxovaizinhos a quem não tem como fazê-los.

Ampare uma destas criaturas. Ou mais de uma, de acordo com suas possibilidades.

Amparando mães você estará, automaticamente, propiciando vida melhor para um porção de crianças.

5.- Votos:

Faça votos de nunca mais vir a praticar algum aborto.

E cumpra estes votos!

Numa próxima gravidez, ame seu filho em dobro, para compensar aquele que, por ignorância, não soube valorizar.

É difícil a reconquista da paz interior ainda nesta existência, através da caridade? Através do trabalho cansativo em benefício de crianças necessitadas?

Não, não é!

É muito mais difícil a reconquista desta mesma paz através do sofrimento ainda nesta existência e em existências futuras.

Portanto, se você tiver débito a ser saldado, comece hoje!

Comece agora para que a morte não a encontre desprevenida.

A morte poderá estar por perto e você ainda não fez nada para se reequilibrar espiritualmente.

Enquanto não se decide, comece a orar.

Ore com entrega total.

E seja feliz tendo a consciência tranqüila.

Trechos do livro "Depois do Aborto..." de Cleunice Orlandi de Lima - Mirassol (017) 242-1437

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