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Novembro de 2003 N° 23 Ano 02

Portal do Espírito (www.espirito.ORG.br)

Nesta Edição

É Natal ?

Chega esta época do ano e vemos nas casas espíritas diversas palestras e exposições nos lembrando do verdadeiro sentido do Natal, de sua banalização comercial, sua descaracterização por trás de papais noéis, árvores e enfeites natalinos e da necessidade de preservarmos este verdadeiro sentido.

Mas, afinal, que sentido é este ?

Será que o verdadeiro sentido do natal é lembrar de Jesus ? de sua vida e ensinamentos ? comemorar isso, ainda que de forma singela ? será mesmo que Jesus se preocupa com isso ?

Ou será que para ele, Jesus, mais importante do que comemorar, não seria agir ?

Jesus pautou sua vida de pregação pelo exemplo, jamais exigiu de outros aquilo que não podia fazer, nunca mandou ninguém fazer algo que já não tivesse feito repetidas vezes e, acima de tudo, não esperou o momento propício, atuou sempre que possível, a cada oportunidade que lhe surgia.

Então, em nosso entender, ser cristão é seguir o Cristo, andar por sobre suas pegadas, seguir seus passos e exemplos. Natal é isso: ação!

Quando perguntamos se é natal, esperamos que cada um se pergunte: que fiz eu este ano, para poder comemorar o natal? será que não estou um pouco atrasado para estas comemorações? será que deixei para a última hora a oportunidade de agir, de levar amor e compreensão, de dar auxílio e ombro amigo, de ajudar a quem tem menos que eu?

E fica ainda a pergunta mais importante, especialmente àqueles que não conseguiram responder às anteriores: quanto tempo ainda vou esperar? até o ano que vem?

Afinal, é natal ?

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Fale Conosco

Mensagem 1:

Estou novamente passando uma fase difícil de minha vida.
Estou cursando a faculdade de Educação física 2º semestre tenho procurado um estagio e não consigo parece não dar certo na hora H,Quero muito ter minha independência financeira,estou me sentindo sufocado. Pareço estar passando por uma obsessão. Já conversei com a dirigente do meu grupo mais por eu ser uma pessoa educada e aparentemente equilibrada ela não acredita nisso.
Trocando de assunto como poderia saber se é verdadeiro o sentimento de uma pessoa por nós.

D.

Resposta:

Caro amigo,

Quanto à questão da obsessão, é preciso cuidado na avaliação destes casos, pois não se deve atribuir a causas espirituais tudo o que acontece conosco.
De qualquer forma, se não está contente com a resposta que obteve naquela casa que freqüenta, sugerimos que procure outra, uma segunda opinião é sempre útil.
Quanto à questão de saber sentimentos, não existem fórmulas mágicas, cada pessoa é de um jeito, em alguns podemos perceber pelas atitudes, em que elas demonstram seus sentimentos, outros no entanto não têm tanta facilidade de se expressar, parecendo que não se importam.
Olhe em seu coração, mais do que os outros sentem por você, o que realmente importa é o que você sente pelos outros.

Muita paz.

Mensagem 2:

Sou espírita a um ano e desde então venho estudado muito. Porém tenho uma dúvida que ainda procuro resposta: Sim, sou médium (alguns médiuns do centro que freqüento afirmam isto e também eu sinto), mas qual a minha mediunidade? Tem algum jeito para que eu possa descobrir?

A.

Reposta:

Cara amiga,

Jeito, simples e direto, não tem, porque mediunidade é uma sensibilidade prática, que varia e cresce conforme o uso.
É mais ou menos como um artista se perguntando se ele tem talento para música, artes plásticas ou teatro, ele sabe que é artista, mas ainda não determinou o seu potencial.
Só o uso e a prática dirão a você qual o tipo de mediunidade em que você se destaca, apesar de nas casas espíritas em geral se utilizar apenas de psicofonia e psicografia.
Estude o Livro dos Médiuns, poderá lá ver a referência às outras mediunidades existentes, e na Revista Espírita encontrará diversos exemplos de sessões feitas para estudo delas.

Muita paz.

Mensagem 3:

Questão:

Primeiramente gostaria de agradecer a vocês pelo excelente trabalho que vem desenvolvendo com o site. Parabéns a toda equipe do Portal do Espírito.

É a primeira vez que lhes escrevo e gostaria que vocês me esclarecessem uma dúvida:
Estudo a doutrina em um Centro Espírita em P., e, numas das aulas, sobre a comunicabilidade dos espíritos, nossa orientadora, após a apresentação da escala (hierarquia) dos espíritos, nos disse que os espíritos puros e mesmo os bons (de uma classe de certa elevação) não se deslocam até a crosta, onde vivemos, e se utilizariam, para realizarem suas missões e/ou intervenções benéficas, espíritos imperfeitos (inferiores) para tais trabalhos. Fiquei bastante inquieto com a afirmação, já que no Livro dos Espíritos (Capítulo VI, questão 233), temos:

Os espíritos já purificados vão aos mundos inferiores?
Resposta: Eles vão freqüentemente para ajudar o seu progresso; sem isso esses mundos estariam entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los.

Me utilizando dessa questão do livro expus meu questionamento aos orientadores e a resposta que me deram foi a de que os espíritos purificados vêm a terra, mas encarnados e em missões especiais. Como teria vindo Jesus, por exemplo. E, sendo assim, afirmaram novamente que os espíritos purificados, das classes mais elevadas, nunca vêem até a terra e não efetuam comunicação direta conosco.

Minha dúvida ainda persiste, pois no livro Libertação, de André Luís, psicografado por Chico Xavier, há claramente um relato de um espírito de luz que vem até a crosta, com o devido auxílio fluídico/magnético para que pudesse ser visualizada. Após aparecer a todos essa entidade se comunica, não só com os espíritos errantes que ali se encontravam, mas também com os encarnados em estado de desligamento pelo sono.

Compreendo que para os espíritos de luz, a tarefa de vir até aqui é um trabalho penoso, devido à condição de luz e o padrão vibratório elevadíssimo em que se encontram. Teriam de baixar o seu estado vibratório e etc. Mas mesmo assim, é possível que em virtude de uma missão importante eles possam vir até nós?

Sendo assim, pergunta-se: Afinal, os espíritos de ordem superior comunicam-se conosco? Eles podem vir até a crosta para auxiliar-nos? Ou eles sempre se utilizam necessariamente de espíritos imperfeitos para levarem seu auxílio, nunca vindo até nosso meio?

D.E.P.

Reposta:

Caro amigo,

Vamos dar nossa opinião aqui, que não é, de forma alguma, a última palavra no assunto.
Cremos que há muitos "absolutos" aqui, e até onde já vimos, nada é realmente absoluto, exceto Deus, é claro.
Firmar pura e simplesmente sim ou não, preto ou branco, é algo sério e difícil, pois cria dúvidas como esta.
Podemos entender que seus instrutores deveriam estar dizendo que "em geral" os espíritos de grande hierarquia não se comunicam diretamente.
Para dar um exemplo vamos imaginar uma fábrica de automóveis, não faz sentido o presidente da companhia sair de sua sede, lá na Alemanha e vir pessoalmente levar despachos a um torneiro mecânico numa fábrica aqui no Brasil, seu tempo e habilidades são preciosos e devem ser usados de forma mais efetiva, para isso ele possui assistentes, secretários, gerentes, supervisores, etc.
Mas não quer dizer que ele não seja capaz de fazê-lo, e nem que não o faça de vez em quando, por um motivo qualquer, apenas é pouco provável.
Da mesma forma, espíritos superiores podem, sem dúvida nenhuma, se comunicar, Jesus provou isso, mas não quer dizer que eles o façam o tempo todo ou que não o façam, é mera questão de conveniência e necessidade.
Pelo menos este é nosso entendimento no assunto.
Porque não posta suas dúvidas em nosso fórum? poderá contar com a opinião de outros visitantes.

Muita paz.

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Mensagem Fraterna

Ressonâncias do Natal

Na paisagem fria e sem melhor acolhimento, a única hospedaria à disposição era a gruta modesta onde se guardavam os animais.

Não havia outro lugar que O pudesse receber.

O mundo, repleto de problemas e de vidas inquietas, preocupava-se com os poderosos do momento e reservava distinções apenas para os que se refestelavam no luxo, bem como no prazer.

Aos simples e desataviados sempre se dedicavam a indiferença, o desrespeito, fechando-lhes as portas, dificultando-lhes os passos.

Mas hoje, tudo permanece quase que da mesma forma.

Não obstante, durante aquela noite de céu transparente e estrelado, entre os animais domésticos, em uma pequena baia, usada como berço acolhedor, nasceu Jesus, que transformou a estrebaria num cenário de luzes inapagáveis que prosseguem projetando claridade na noite demorada dos séculos, em quase dois mil anos...

Inaugurando a era da humildade e da renúncia, Jesus elegeu a simplicidade, a fim de ensinar engrandecimento íntimo como condição única para a felicidade real.

O Seu reino, que então se instalou naquela noite de harmonias cósmicas, permanece ensejando oportunidades de redenção a todos quantos se resolvam abrigar nas suas dependências.

E o Seu nascimento modesto continua produzindo ressonâncias históricas, antes jamais previstas.

Homens e mulheres, que tomaram contato com Sua notícia e mensagem, transformaram-se, mudando-se-lhes o roteiro de vida e o comportamento, convertendo-se, a partir de então, em luzeiros que apontam rumos felizes para a Humanidade.

*

Guerreiros triunfadores passaram pelo mundo desde aquela época, inumeráveis.

Governantes poderosos estabeleceram reinos e impérios, que pareciam preparados para a eternidade, e ruíram dolorosamente.

Artistas e técnicos, de rara beleza e profundo conhecimento, criaram formas e aparelhagens sofisticadas para tornarem a Terra melhor, e desapareceram.

Ditadores indomáveis e aristocratas incomuns surgiram no proscênio terrestre, envergando posição, orgulho e superioridade, que o túmulo silenciou.

...Estiveram, por algum tempo, deixando suas pegadas fortes, que tornaram alguns odiados, outros rechaçados e sob o desprezo das gerações posteriores.

Jesus, porém, foi diferente.

Incompreendido, o Cantor do Amor aceitou a cruz, para não anuir com o crime, e abraçou a morte para não se mancomunar com os mortos.

Por isso, ressurgiu, em triunfo e grandeza, permanecendo o Ser mais perfeito que jamais esteve na Terra, como modelo que Deus nos ofereceu para Guia.

*

Quando a Humanidade experimenta dores superlativas, quando a miséria sócio-econômica assassina milhões de vidas que estertoram ao abandono; quando enfermidades cruéis demonstram a fragilidade orgânica das criaturas; quando a violência enlouquece e mata; quando os tóxicos arruínam largas faixas da juventude mundial, ao lado de outros males que atestam a falência do materialismo, ressurge a figura impoluta de Jesus, convidando à reflexão, ao amor e à paz, enquanto as ressonâncias do Seu Natal falam em silêncio: Ele, que tem salvo vidas incontáveis, pede para que tentes fazer algo, amando e libertando do erro pelo menos uma pessoa.

Lembrando-te dEle, na noite de Natal, reparte bondade, insculpe-O no coração e na mente, a fim de que jamais te separes dEle.

* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos Enriquecedores.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Salvador, BA: LEAL, 1994.

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Interpelações sobre a data real do nascimento de Jesus

José Herculano Pires

As celebrações do Natal despertam sempre a curiosidade de alguns leitores, a propósito da posição dos espíritas em face do problema do nascimento de Jesus. *Qual a maneira - pergunta um missivista - pela qual os espíritas explicam a aceitação da data de 25 de dezembro, como sendo a do nascimento histórico do Cristo, se é conhecida a impossibilidade de qualquer determinação dessa data?* A maneira de explicar isso é fácil, pois decorre da própria situação histórica da efeméride em causa. Quer dizer: a tradição espiritualista é a explicação natural dessa aceitação dos espíritas. Porque a data de 25 de dezembro corresponde às mais remotas celebrações do advento do Messias.

Trata-se de uma efeméride pagã, de origem mitológica, ligada ao mito-solar, e que foi adaptada ao Cristianismo, da mesma maneira porque tantas outras datas, festas e celebrações pagãs também o foram.

Um leitor que conhece o assunto, faz-nos, então, esta pergunta: Como e por que o Espiritismo aceita essa incorporação do paganismo ao cristianismo? Se o leitor conhecesse melhor o Espiritismo, veria que não há, do ponto de vista doutrinário, nenhum impedimento a respeito. As religiões mitológicas pertencem a fase de preparação do advento do Cristianismo. As revelações que antecederam a mosaica e a cristã eram tão legítimas como estas últimas. Não há motivo, pois, para qualquer repugnância nesse sentido. Por outro lado, o Espiritismo não pretende reformular a história cristã, mas apenas esclarecê-la. A tradição do Natal tem quase dois milênios. Substituí-la por uma novidade imprecisa seria absurdo. Além disso, a data de 25 de dezembro traz com ela uma impregnação milenar de adoração, que é de grande importância para os que conhecem o problema das vibrações espirituais. Tornou-se, por isso mesmo, a mais apropriada à celebração do Natal de Jesus.

Da mesma maneira porque o mito cristão ligou-se à revelação de Jesus, de forma indissolúvel, a partir do momento em que Jesus passou a ser considerado o Cristo, - transportou-se do plano das esperanças judaicas do Messias para o plano universal do mito grego - a data de 25 de dezembro deixou de ser apenas um marco mitológico na História das Religiões, para se transformar num marco histórico do processo de formação da religião cristã. Quando, pois, os espíritas celebram essa data, como a do nascimento de Jesus, com pleno conhecimento da sua natureza convencional (no plano histórico) sabem que ela também possui um aspecto de legitimidade histórica (no plano espiritual), em virtude do sentido profundo (antigamente chamado *oculto*) do mito-solar.

Não importa que Jesus tenha nascido em outra data, como não importa a simbologia mitológica do episódio evangélico do Natal. O que importa é compreender que a história do Natal, profundamente ligada à tradição espiritualista da evolução terrena, traz para o homem de hoje a mensagem eterna da renovação humana, através dos séculos, pelo desenvolvimento das forças do espírito. É nesse sentido que o espírita, sinceramente celebra o Natal de Jesus, acompanhando a tradição, sem com isso prejudicar a sua compreensão espiritual do Cristianismo. O processo de desenvolvimento espiritual do homem é vasto e complexo, abrangendo milênios, e envolvendo aspectos demasiado complexo, que o Espiritismo procura esclarecer de maneira racional, mas não pretende submeter a nenhuma transformação violenta.

Extraído do livro "O Infinito e o Finito".

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