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Portal do Espírito InformaJaneiro de 2004 N° 25 Ano 03 Portal do Espírito (www.espirito.ORG.br) Nesta EdiçãoAno novo, vida nova... será?Sempre que começa um ano vemos de monta mensagens de otimismo, incitando-nos a começar um novo período de vida, com novos desafios e atividades. Não que encontremos nada de errado nestas tentativas de nos incitar ao novo, mas não podemos deixar de pensar o que acontece com elas depois de um ou dois meses apenas. Será que precisamos esperar apenas a virada de ano para pensar em coisas novas? será que só depois das festividades de ano novo é que estamos prontos para começar novas tarefas, renovar nossos hábitos, mudar nossas atitudes? E o que acontece, na maioria das vezes, com aqueles compromissos que assumimos todo começo de ano? continuamos firmes neles? Cabe a cada um que nos lê, pensar nisso, e, quem sabe, começar a criar alguns hábitos novos, como por exemplo em tentar se renovar o tempo todo, o ano inteiro. Fale ConoscoMensagem 1: Caros amigos, Já freqüento a doutrina espírita a bastante tempo, sendo que acerca de dois anos estou mais "engajado" em projetos, atividade artísticas e outros... tenho até um bom conhecimento doutrinário...mas existe algo que ainda não entrou em minha cabeça e gostaria que, se possível, vocês me respondessem: 1°_ Por que toda esta preocupação em diferenciar a doutrina das outras religiões, sinto as mais das vezes que muito de nós se vangloriam de serem espíritas, quando na verdade sabemos que o mais importante é quem você foi, não a que religião você seguiu? 2°_ Mesmo sendo espírita, gosto muito da filosofia oriental e cada vez mais fico impressionado com ensinamentos budistas e bhramistas, diga-se de passagem muitos parecidos com doutrina espírita... Mas a minha pergunta é: Há algum escritor espírita que já tenha abordado de alguma forma este tema? Mas especificamente Alguém Já escreveu algo sobre Buda? Adoraria saber quem foi este cara! Desde já agradeço a atenção, Um forte abraço, F. Resposta: Caro amigo, Vamos tentar responder às suas questões segundo a nossa visão particular, que não é em absoluto a última nem a melhor. 1.Esta é uma questão antiga, que data de Kardec,
e importante, porque para começar Espiritismo não é religião, é no máximo
uma doutrina "de conseqüências religiosas", nas palavras de Kardec. Faz-se
necessária esta separação porque existe toda uma instituição mental por trás
da palavra religião, usando-se este termo assume-se logo a existência de
hierarquia, clero, paramentos, cerimônias, etc, tudo o que absolutamente não
existe no Espiritismo. Aqui mesmo neste site vemos pessoas que nos escrevem
reclamando que querem fazer casamentos espíritas em centros para terem sua
união "abençoada" pela doutrina, uma óbvia confusão de valores e
entendimento, que deve ser esclarecida. 2.Existe mesmo muita confluência entre os dois, encontrará uma série de artigos interessantes comparando budismo e espiritismo na seção do GEAE, em nosso site. Não sabemos se outros autores espíritas escreveram sobre ele, mas encontrará muita literatura no assunto em qualquer livraria ou biblioteca que visitar, ou mesmo na internet. Se aceita uma sugestão, seria interessante postar suas dúvidas em nosso fórum de debates, poderá lá encontrar outras pessoas com opiniões diferentes (e talvez melhores) do que a nossa e fazer boas amizades. Muita paz. Mensagem 2: Que a luz habite seus corações. Através de estudos já tirei muitas dúvidas com relação à doutrina espírita. Mas uma, quando perguntado, me sinto embaraçado. A pergunta é: O que vem a ser vidência? Uma pessoa seria capaz de prever o futuro? Faço esta pergunta porque existe um ditado popular que diz que o futuro a Deus pertence. E ele me parece bastante razoável. A outra pergunta que tenho interesse em esclarecer é a seguinte: Uma sobrinha minha, médium, freqüentadora do candomblé, dormiu uma noite em minha cama quando eu estava a viajar. quando cheguei fui informado por ela que tinha levado uma "surra de santo" que era pra mim, mas ela sofreu as conseqüências porque estava em minha cama. Achei esquisito, pois não acho que santo possa dar surra em ninguém. Por fim gostaria das considerações de vocês sobre oferendas, que são praticadas por diversas religiões espiritualistas. Como pode um espírito desencarnado usufruir de oferendas materiais. Esquisito não? Sei que são muitas perguntas, mas diante da minha sede de conhecimento, seria de profunda ajuda repostas para elas, até mesmo para que possa ajudar irmãos que estão com o olhos vedados diante da verdade. De antemão, meu muitíssimo obrigado, e parabéns pelo site. Realmente é de muita valia. Reposta: Caro amigo, Vamos tentar responder, na medida de nossas
possibilidades. Quanto à sua sobrinha, não temos como responder-lhe, pois não somos ligados ao candomblé. Quanto às oferendas, segundo o entendimento da Doutrina Espírita são inúteis, pelos motivos que você mesmo expôs. Muita paz. Mensagem Fraterna
O Melhor do SiteComunicação nos SonhosYoku Kanayama Segundo o próprio Alan Kardec escreveu, os espíritos podem aparecer em nossos sonhos para nos dar avisos e instruções. Nessa matéria, contamos alguns casos que ilustram essa situação e nos dão idéia das opções que estão ao nosso alcance. “Sonhos: segundo a doutrina espírita, durante o sono, quando o corpo está repousando, em completo relaxamento, a alma fica livre e mais suscetível de entrar em contato com os desencarnados. Por meio dos sonhos, os espíritos amigos aproveitam a oportunidade para entrar em comunicação: dão conselhos, avisos e chegam até a fazer tratamento de saúde. Nos sonhos, os espíritos geralmente se utilizam de uma simbologia na comunicação com os encarnados, com a precípua finalidade de não nos afligir com suas revelações. Precisamos aceitar suas mensagens com respeito e credibilidade, pois eles não vêm nos prevenir sem uma razão muito forte” (Texto extraído do livro Histórias de Alma, de Lygia Taranto Prestes de Mello, página 24). Essas mensagens ou sugestões poderiam ser “sopradas” aos encarnados, que as receberiam sob forma de inspiração ou idéia; mas nem sempre eles captam tais intenções, a não ser que sejam médiuns bem desenvolvidos. Daí a necessidade de utilizar-se o momento em que o corpo está descansando e o espírito está em desdobramento para essa finalidade, pois assim o intento será mais eficiente. O risco que se corre é do encarnado não se lembrar do sonho. Dessa forma, muitas vezes, os espíritos evoluídos energizam certas glândulas para que o esquecimento não ocorra. A literatura espírita é farta na exemplificação desse tipo de contato por meios dos sonhos. Vamos apresentar dois deles, a título de ilustração. O primeiro foi extraído do livro Histórias de Alma, de Lygia Taranto Prestes de Mello. A narradora se refere ao falecimento, em 1971, de uma mulher chamada Maria Cantora, o que causou grande sentimento na família. Em 1973, Helena, irmã da autora da história, teve um sonho que impressionou a todos. Nele, ela se levantava de sua cama e, sobre uma mesa da sala, encontrava um envelope endereçado ao dr. Antônio Alves Taranto, com uma carta que dizia: "Meu caro amigo dr. Taranto, em breve virei buscá-lo. Assinado: Maria Cantora." Impressionada com o sonho e imaginando que ele se referia ao seu pai, Helena falou com sua irmã, que a tranqüilizou. Disse que deveria ser um aviso, mas que não devia se preocupar, porque o pai estava bem de saúde, e o "em breve", utilizado por Maria Cantora, podia significar, no plano espiritual, um tempo mais extenso do que na Terra. Seja como for, o fato é que o pai delas teve de se submeter repentinamente a uma operação. Ficou quinze dias hospitalizado e recebeu alta do médico, pois já estava quase bom. No entanto, um dia antes de ter alta, ele começou a passar mal e faleceu. Na Vida MaiorOutro exemplo pode ser encontrado num trecho do livro E a Vida Continua, do autor espiritual André Luiz, psicografada pelo saudoso médium Chico Xavier. O texto refere-se a Mariana que, em desdobramento espiritual durante o sono, entrou numa sala onde a esperavam alguns amigos, um deles Ribas, seu orientador espiritual. Ele apresentou-lhe Evelina e Ernesto, dizendo a Mariana para guardar na lembrança a imagem de Evelina, que deveria ajudá-la na próxima gravidez. Voltando-se para Ribas, Mariana lhe disse que cumpriria a vontade de Deus, recebendo mais um filho, e aguardava sua proteção. Continuou: "Joaquim, meu esposo, está mais fraco, doente. Lavo e passo, trabalho quanto posso, mas ganho pouco. Quatro filhos pequenos. Ignoro se já sabeis, mas nosso barraco não está resistindo às chuvas. Quando o vento atravessa as paredes rachadas, Joaquim piora, tosse muito. Não estou a queixar-me, meu pai, mas peço o vosso auxílio." Sensibilizado, o mentor lhe disse para não temer, pois Deus não nos abandona. "Seus filhos serão sustentados e, muito em breve, você e Joaquim estarão numa casa grande", assegurou ele. Mariana afirmou confiar em Deus e em seu mentor, não sabendo, no entanto, que o instrutor se reportava ao próximo desencarne do casal quando, por merecimento genuíno, teriam novo domicílio na Vida Maior. Ao retornar ao corpo físico, acordou e falou com o marido sobre as pessoas que tinha encontrado novamente em seu desdobramento. Contou-lhe que iriam ter mais um filho e que os dois iriam ter uma casa grande. Joaquim riu e disse: "Ah! minha mulher! Casa grande? Só se for no outro mundo!" E os visitantes desencarnados sorriram. Um fato ocorrido comigo também serve para ilustrar o porquê dos sonhos. Na véspera de minha ida à cidade de Ipaussu, no interior de São Paulo, para ministrar uma palestra-aula, sonhara com uma prima já desencarnada e de quem eu gostava muito. Dizia ela, sentada no banco do carro, que iria nos acompanhar, já que tinha alguns assuntos a tratar na região (ela morou muito tempo em Avaré, cidade próxima a Ipaussu). Na viagem de volta estavam no carro os meus dois filhos – na ocasião, adolescentes, e que me auxiliaram – e mais um carona. Transitávamos à noite pela rodovia Castelo Branco, a mais ou menos 100 km por hora, quando um dos pneus traseiros estourou. O carro rodopiou, mas consegui controlá-lo sem maiores conseqüências. Paramos na primeira borracharia, trocamos o pneu e só aí é que percebi o perigo que corremos. Graças a Deus, não aconteceu nada de grave, e instantaneamente, lembrei-me do sonho que tivera. Será que a minha prima viera para nos proteger? Acredito que a maioria das pessoas deve ter passado por uma experiência dessa natureza: é só aguçar um pouco a mente. RegulamentosOutro aspecto que merece destaque com relação a esse tema é a questão das normas, regras, regulamentos e leis que os humanos criam com o propósito de ordenar as coisas. Assim, supostamente estariam resolvendo qualquer tipo de problema que venha a ocorrer. Essas regras podem ser brandas, severas, rígidas ou exageradamente rígidas, estas últimas muito usadas em questões militares. No entanto, muitas dessas regras, por serem criadas por humanos, não são perfeitas e, portanto, factíveis de erros, mesmo porque muitas vezes dependem de interpretação pessoal, o que pode ser um grande problema. Como exemplo podemos citar uma pendência judicial, na qual cada advogado quer provar que o seu ponto de vista na interpretação de uma determinada lei é a correta, e que a do seu oponente é errada; para dar razão a um ou outro, existe a figura do juiz. O caso que ora reportamos tem o objetivo de enfatizar que o bom senso deve prevalecer em toda e qualquer situação, mesmo que com isso se venha a quebrar alguma regra. Desde que seja para ajudar alguém, sem prejuízo de outrem, certamente, terá o amparo da espiritualidade, uma vez que não se trata de rebeldia ou de satisfazer o seu ego, e sim de auxiliar o próximo. Eu participava de uma formatura de jovens que tinham concluído o curso de Mecânica de Precisão da Escola Senai. Eis que sobe ao palco um jovem, andando com dificuldade e com deformidade congênita nas mãos. Ao meu lado, Walter, o diretor da escola me disse que aquele era o jovem sobre o qual já havia me falado em outra ocasião. Lembrei-me da conversa sobre o rapaz, que se chamava Vitor, e que tentou uma vaga para a escola do Senai, bastante disputada, uma vez que a escola é pioneira nesse tipo de curso, com equipamentos sofisticados para treinamento, fruto de um convênio com a Suíça; além de ser um curso gratuito, tão logo concluam os estudos, os jovens têm emprego quase certo. Vitor tinha sido aprovado com distinção num desses vestibulares, mas para se matricular o jovem precisava passar por um rigoroso exame médico, feito na própria escola. Dada a natureza do curso, o candidato deve ter as mãos perfeitas, de modo que o drama do rapaz é que tinha sido reprovado no exame médico. Walter desconhecia o fato, uma vez que se tratava de um exame de rotina, até que sua secretária lhe disse que um pai desesperado desejava conversar com ele. Muito jovem para o cargo, o diretor da escola era muito humano e tratava a todos que o procuravam com dignidade e respeito. Assim, recebeu o pai de Vitor, quase aos prantos. Ele disse que eram pobres, mas trabalhadores, dignos e honestos, e pediu sua ajuda. Walter disse que estudaria o caso e que voltaria a entrar em contato com ele. Mais do que depressa, já refeito da surpresa, tratou de se informar com os seus subordinados a respeito do Vitor. Ficou sabendo de toda a história e concluiu que, em face do regulamento, a decisão tomada fora correta. No entanto, ele não se conformou com a situação, e ficou o resto do dia tentando encontrar alguma saída. Voltou para casa extenuado, não conseguiu jantar direito, e foi para a cama ainda preocupado com o que poderia fazer para resolver aquele problema. Se admitisse a matrícula, estaria quebrando o regulamento e outros pais poderiam reclamar, correndo ainda o risco de ser punido pela direção. Por outro lado, se fosse mantida a decisão, poderia estar lançando Vitor num futuro sombrio, com sua única "culpa" ter sido nascer com a deformidade. Vencido pelo cansaço, dormiu e sonhou. Ao acordar, lembrava-se nitidamente do sonho, com riqueza de detalhes. Ele tinha sonhado com Aleijadinho, o grande escultor mineiro. Aleijadinho, Antonio Francisco Lisboa (1730 – 1814), nascido em Vila Rica, atual Ouro Preto, é considerado o maior escultor do período barroco, e recebeu o apelido por volta dos quarenta anos, quando passou a andar com dificuldades devido à hanseníase, que deformou suas pernas e mãos. Mas suas melhores obras são exatamente do período após contrair a doença. No sonho, o que mais chamou a atenção de Walter foi ver as ferramentas amarradas no que restava das mãos do artista, e a grande dificuldade que ele tinha para trabalhar. Essa cena lhe foi mostrada várias vezes. Walter acordou com uma decisão tomada e, chegando à escola, pediu que chamasse Vitor e seu pai para conversar. Disse-lhes, então, mesmo indo contra o regulamento da escola, resolvera dar-lhe uma chance. Vitor seria submetido a um teste e, se aprovado, poderia se matricular. Ele devia demonstrar que teria condições de acompanhar as aulas práticas, apesar de seu problema físico. Para Walter, o que importava era que tinha feito o que o seu coração mandava. Com grande esforço e sacrifício sobre-humano, Vitor conseguiu passar pelo teste e concluiu o curso com mérito, tendo sido escolhido o orador da turma. Em seguida, já iria trabalhar numa indústria. Anos depois, encontrei o Walter, que não era mais o diretor da escola, e o assunto Vitor surgiu em nossa conversa. Walter disse que ele subiu muito na vida, havia se formado engenheiro e ocupava um cargo de destaque numa indústria. Imaginem se Walter tivesse seguido o regulamento ao pé da letra? O que teria sido de Vitor? Será que os espíritos tiveram alguma participação ou influência nessa história? A resposta, cabe a cada um encontrar. ExpedienteEste boletim foi distribuído para 9.872 e-mails. 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