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A Relação Jovem/Evangelizador

3º Encontro Espírita de Evangelizadores

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
e pelo Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Palestrante: Elizabeth Operti
Rio de Janeiro
11/07/1999

Organizadores da palestra:

Moderador: "Brab" (nick: <[Moderador]>)

"Médium digitador": Marcelo Soutinho (nick: Elizabeth_Operti)

Oração Inicial:

<[Moderador]> Senhor Deus, de bondade, de justiça e de amor. Estamos aqui reunidos em Teu Nome para tentar penetrar os meandros das relações humanas de aprendizado e troca que nos permitiste entrar pela sagrada tarefa da evangelização, tendo como modelo instrutor amoroso e puro nosso mestre Jesus. Que as tarefas de ensino e evangelização que nos chamam na vida sejam sempre baseadas nesse modelo: tolerância, paciência, firmeza limpeza de ação e de pensamento, para que saibamos doar de nós mais que conteúdos intelectuais, mas nosso tempo e nosso amor, que sensibilizarão o espírito para que possa ele também dar um fim útil a tudo quanto absorva em sua existência, porque só com Jesus, Senhor, divinizaremos os nossos conteúdos pedagógicos, fazendo deles formadores de homens de bem, que construirão o nosso futuro. Sê conosco, Senhor, hoje e sempre, e ampara-nos pelas mãos desses instrutores amigos que já se encontram a postos. Que assim seja!

Apresentação do palestrante:

<Elizabeth_Operti> Em primeiro lugar, bom dia a todos. Eu espero que a nossa conversa seja proveitosa. Eu sou Coordenadora do trabalho de evangelização infanto-juvenil do CELD, e estou neste trabalho há 25 anos. (t)

Considerações iniciais do palestrante:

<Elizabeth_Operti> Qual a razão de nos preocuparmos num Encontro de Evangelizadores com a relação entre o evangelizador e o jovem? É que temos nos deparado, ao longo desses anos, com o fato de que muitos jovens vêm à casa espírita por imposição dos pais e, ao participarem dos trabalhos, se colocam em oposição aos conceitos trazidos pelo evangelizador. Além disso, sabemos que os conceitos trazidos pela Doutrina Espírita, muitas vezes entram em choque com os conceitos vigentes em muitas camadas da sociedade e, principalmente, os que são veiculados nos meios de comunicação. Isso faz com que o evangelizador precise ter muita habilidade para conduzir o trabalho da evangelização, contornando as dificuldades decorrentes desses fatores.(t)

Perguntas/Respostas:

<[[Moderador]]> [1] <Jayme> Em muitas tarefas dedicadas ao Bem, basta que exista boa vontade, sentimento de amor ao próximo. Isto aplica-se à evangelização também?

<Elizabeth_Operti> Não se pode prescindir da boa vontade e do amor ao próximo, mas, não só na evangelização, como em todas as demais tarefas no Centro Espírita, é necessário que se tenha organização, planejamento, uma preparação, por mais simples que seja.(t)

<[[Moderador]]> [2] <Brab> Qual deve ser a postura do evangelizador perante o jovem que expõe mediunidade ostensiva, descontrolada, fora de sua vontade consciente, nos trabalhos de mocidade espírita?

<Elizabeth_Operti> Encaminhar ao Departamento Mediúnico do Centro, já que o trabalho de evangelização não abrange o exercício das faculdades mediúnicas.(t)

<[[Moderador]]> [3] <Brab> O adolescente e o jovem, dentro do centro espírita, que não se sentir à vontade em reuniões de mocidade espírita e desejar participar de outros trabalhos do centro espírita, Que postura deve o evangelizador adotar perante essa criatura? Tratamos aqui de um desânimo natural, não um caso de repulsa. O centro espírita deve abrigá-lo em outras atividades?

<Elizabeth_Operti> Penso que esse jovem deve ser estimulado a participar das atividades que são dirigidas especificamente à sua faixa etária, em razão do proveito que isso pode ter para o seu desenvolvimento e crescimento espiritual. No entanto, nada impede que este jovem participe de outras atividades na Casa Espírita. Considero até desejável essa participação e, para isso, o trabalho da evangelização deve se organizar, programando atividades de integração do jovem nos trabalhos da Casa. Em alguns casos, essa "fuga" do jovem se deve ao fato de não querer se expor nas reuniões dedicadas ao jovem, onde se deve promover a troca de experiências entre os participantes. Tudo depende da circunstância, e cada caso é um caso. Também se deve levar em conta a idade desse jovem. Em algumas mocidades espíritas, encontramos jovens de mais de 20 anos, que já deveriam realmente estar atuando nas atividades regulares da Casa.(t)

<[[Moderador]]> [4] <Brab> O jovem está, hoje, num ambiente onde procura explicações lógicas e racionais para seus problemas. Além disso, convive com todo tipo de transviação moral no dia-a-dia, a saber: drogas, sexo desvairado, álcool, como coisas naturais. Como o evangelizador de juventude deve tratar questões polêmicas como essas dentro do centro espírita? A partir de que idade?

<Elizabeth_Operti> Aqui, no CELD, nosso programa prevê a abordagem destas questões a partir de 11 anos. O evangelizador precisa aliar o conhecimento do problema com a orientação da Doutrina Espírita e não perder de vista que o nosso objetivo, na evangelização, é mostrar que se pode ser feliz de uma forma saudável. Essa abordagem deve ser franca, sem preconceitos, mas com absoluta convicção da orientação da Doutrina Espírita. (t)

<[[Moderador]]> [5] <Jayme> Como o plano espiritual se posiciona em relação à evangelização de crianças e jovens?

<Elizabeth_Operti> Se entendemos "plano espiritual" como os espíritos orientadores do trabalho da casa espírita, podemos dizer que são incansáveis em nos alertar quanto à necessidade de, o mais cedo possível, levar a orientação da Doutrina Espírita para as crianças e os jovens.(t)

<[[Moderador]]> [6] <Brab> Muitos templos religiosos, hoje em dia, fazem da reunião de jovens um verdadeiro "point social", onde os jovens vão muito mais para encontrar pessoas, "paqueras", do que propriamente para estudar e se aperfeiçoar. Tanto é que em muitos locais roupas atraentes e caras são utilizadas nessas reuniões, como se freqüentassem ali um bar ou uma festa. Esse ambiente "social" é saudável dentro de um centro espírita? Se não, o que fazer para evitá-lo?

<Elizabeth_Operti> Penso que, não só nas reuniões de mocidade, mas em qualquer reunião de estudos ou práticas espíritas, o que deve atrair as pessoas é a mensagem que a Doutrina Espírita tem para a criatura. Lembramos ainda que a Doutrina Espírita não é proselitista, e se dirige àqueles que estão nela interessados. Assim, o jovem espírita, como qualquer freqüentador da casa espírita, deve ser atraído pelo caráter esclarecedor, consolador, orientador da Doutrina. Cabe, no entanto, aos dirigentes e evangelizadores de mocidades espíritas tornar claros e atraentes essas características da Doutrina Espírita para o jovem, aplicando o estudo à realidade e à vivência desses jovens, mostrando que a Doutrina Espírita tem respostas para os questionamentos e ansiedades que todos nós temos no momento atual. Além disso, o desenvolvimento de um programa complementar de atividades de integração do jovem no grupo, na casa espírita, e até no movimento espírita, de forma planejada será de molde a substituir esses "apelos".(t)

<[[Moderador]]> [7] <Brab> Temos visto em reuniões de mocidade espírita que os jovens chegam naturalmente com dúvidas sobre mediunidade e fenômenos que lhes interessam que, normalmente, não são sanadas de imediato pelos estudos ali feitos. Como o centro espírita pode ajudar nesse dinamismo e nessa necessidade veemente de respostas rápidas e direcionadas que o jovem pede, como, por exemplo, em relação à mediunidade?

<Elizabeth_Operti> Em nosso programa de evangelização temos um módulo especificamente dedicado ao estudo da mediunidade. Além disso, a mediunidade é tratada naturalmente, sempre que surge a oportunidade de se relacionar esse tema com situações do cotidiano, e dúvidas mais complexas podem ser atendidas em conversa em horário diferenciado, desde que seja do interesse do jovem. Também costumamos encaminhar o jovem que tenha um interesse mais profundo pelo assunto para o curso de "O Livro dos Médiuns", nos Estudos Sistematizados das Obras Básicas.(t)

<[[Moderador]]> [8] <lflavio> Como levar a mensagem espírita de maneira a manter o jovem na casa espírita?

<Elizabeth_Operti> Acredito que seja uma conjugação de alguns fatores: planejamento (um curso planejado para atender as necessidades do jovem) e habilidade do evangelizador em apresentar as aulas e lidar com o grupo. Conta também o fato de se ter um programa de atividades complementares, envolvendo atividades de convivência e de integração nas atividades do Centro.(t)

<[[Moderador]]> [9] <Regina_De_Agostini> Qual o perfil ideal do evangelizador para as diversas faixas etárias?

<Elizabeth_Operti> Habilidade específica para lidar com cada uma das faixas etárias. Exemplo : quem não consegue se fazer entender por jovens na faixa de 11, 12 anos, não pode atuar nessa faixa. Quem não é capaz de aceitar o jovem como ele é, não pode trabalhar com jovens, e assim por diante.(t)

<[[Moderador]]> [10] <lflavio> Como fazer com que aqueles jovens mais introvertidos se aproximem do grupo?

<Elizabeth_Operti> Normalmente, temos observado que a aproximação desses jovens se dá por intermédio de outros jovens. Ou seja, jovens do grupo que têm uma natural habilidade para se relacionar com outros jovens servem de ponte entre jovem introvertido/grupo/evangelizador.(t)

Considerações finais do palestrante:

<Elizabeth_Operti> Agradeço a atenção e desejo que os interessados procurem refletir nas necessidades do movimento espírita de evangelização de jovens, pois as transformações por que o mundo passa são imensas e o movimento espírita não pode correr o risco de ficar parado no tempo. (t)

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