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Nós e o nosso Mundo - Como Entender e Explicar

12o Encontro Espírita Sobre a Vida e a Obra de Léon Denis

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
e pelo Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Palestrante: Carlos Roberto
Rio de Janeiro
02/04/1999

Organizadores da palestra:

Moderador: “Wania” (nick: |Moderador|)

“Médium digitador”: Marcelo (nick: Carlos_Roberto)

Oração Inicial:

<|Sandra_|> Mestre Jesus, Amigo incondicional de todos nós, rogamos-Te, Senhor, que, neste momento em que iniciamos mais uma tarefa em Tua Seara, possamos, mais uma vez, contar com o Teu amparo, com a Paz que Tua presença nos transmite, assim como pedimos-Te que possas envolver ao nosso irmão Carlos Roberto que hoje se dispôs a nos esclarecer sobre este tema tão atual e que nos vem aclarar a mente que ele possa também sentir a vibração harmoniosa que vem de Ti. Te agradecemos por mais esta oportunidade que agora se inicia e que a Tua paz fique entre nós! Que assim seja!

Apresentação do palestrante:

<Carlos_Roberto> Bom dia a todos! Estamos na Casa de Léon Denis ligados ao trabalho do NVG - Núcleo de Valorização da Gravidez, cujos objetivos são a prevenção do aborto e a valorização da gravidez. O trabalho é desenvolvido por voluntários que fazem um curso na própria Casa. O atendimento telefônico é realizado todos os dias das 13 ás 21 horas através do telefone 452-2266 (inclusive aos domingos).

Considerações iniciais do palestrante:

<Carlos_Roberto> Quanto a introdução ao tema, podemos dizer que quando pensamos no título do mesmo: "Nós e o Nosso Mundo. Como entender e explicar", estamos falando de angústias e dúvidas que envolvem pessoas de todas as religiões, raças e condições sócio-econômicas. É natural no ser humano a tentativa de compreender de onde viemos, porque somos tão diferentes um dos outros e para onde vamos. (t)

Perguntas/Respostas:

<||Moderador||> [1] <CELD> Como compreender a diversidade de comportamentos, de situações e de destinos que estão vivenciando os seres a nossa volta?

<Carlos_Roberto> Temos três caminhos para analisá-los: o materialismo, a unicidade das existências e a reencarnação. Cada uma destas análises leva o indivíduo a um nível de esperança no futuro diferenciado. (t)

<||Moderador||> [2] <CELD> Para aquele que é materialista, que acredita que tudo termina com a morte do corpo, como dar esperanças a ele, diante das situações difíceis da vida?

<Carlos_Roberto> Precisamos tentar fazer um ponto de contato com a vivência diária dele. Quanto mais sentimentos bons e responsabilidades ele tiver diante da vida, tanto mais fácil será utilizar o precioso "gancho" de chamar a atenção dele de que, se por um lado ele não acredita na continuidade da vida após a morte o corpo material, por outro lado, ele, de forma alguma, tem o comportamento animal de quem só pensa em si. É importante que se chame a atenção dele para o fato de que ele consegue ter atitudes corretas diante da vida quando outros, acreditando no que ele acredita, só pensariam em si mesmos. Talvez consigamos colocar no coração dele a semente de que ele acredita em algo além, pois não se comporta egoisticamente. (t)

<||Moderador||> [3] < CELD> Para aquele que acredita em uma única vida, como evitar que ele conclua que existe injustiça nas Leis Divinas?

<Carlos_Roberto> De duas uma: ou levá-lo a crer sem raciocínio, com base na justiça Divina, ou então ele não terá como negar que o amor de Deus não é igual para todos. Ele acredita que Deus sabe de tudo. Ora, quando Deus cria o ser, sabe se ele irá falhar ou não em sua missão, e, por conseqüência, sabe se irá condená-lo ao sofrimento eterno ou dará a ele a bênção da felicidade eterna. Então, sabendo-se que Deus tem o infinito poder, duas perguntas levariam à conclusão de que Ele não é justo:

1) Se Ele sabia que o ser iria falhar e iria ser condenado ao sofrimento eterno, porque o criou? Isto não é premeditar a maldade eterna?

2) Se Ele sabia que o ser ia fraquejar, porque não o criou mais forte?(t)

<||Moderador||> [4] <lflavio> No seu ponto de vista, como passar esperança `as pessoas, tendo em vistas as dificuldades atuais como desemprego, violência, falta de fraternidade ?

<Carlos_Roberto> A única forma de levar as pessoas a enfrentar momentos tão difíceis sem dar a elas incentivo à revolta e ao desespero sem fim, é fazê-las compreender que em tudo existe um objetivo maior e bom, infinitamente bom. Talvez a imagem material que melhor demonstre que momentos de perturbação são naturais para se conseguir um posterior estágio de equilíbrio, é o transcurso da obra de uma residência, onde convive-se por um tempo mais ou menos longo com a poeira, o barulho, a sujeira e uma certa incerteza quanto ao término da mesma. Quando a obra termina, avalia-se melhor a importância de cada esforço desenvolvido ao longo dela. Quando as pessoas começam a compreender que a terra é uma escola e não um a prisão, elas passam a ter certeza de que todo o esforço que ela faça através do trabalho no bem e de todo o tempo que ela use na sua própria instrução espiritual vai se reverter, inevitavelmente, na própria felicidade dela. Gostaríamos de colocarmos cinco idéias a respeito de Deus que pode nos levar a compreendê-Lo melhor e aos Seus amorosos desígnios:

  1. Deus não perdoa nunca, porque jamais se ofende;
  2. Deus jamais se ofende porque é perfeito;
  3. Deus é perfeito porque não há meios através do qual Ele possa se melhorar ou ser melhorado;
  4. Deus não condena, porque ama;
  5. Deus não castiga, porque educa. (t)

<||Moderador||> [5] <|Denise|> As dificuldades são muitas, e muitas vezes privamos nossos filhos delas, tentando amenizar os sofrimentos que por muitas vezes passamos. Isso é certo?

<Carlos_Roberto> É natural para o maravilhoso espírito materno e, algumas vezes, para o espírito paterno, que se procure amenizar, ou mesmo impedir completamente que as dores da vida envolvam àqueles filhos que Deus nos concedeu. É admirável o espírito dos pais que, tendo apenas uma porção de uma sobremesa, diante do olhar "guloso" do filho, entrega a ele a mesma, sob a alegação de que está sem fome, quando muitas vezes eles procuram disfarçar no rosto o desejo que lhes vai na alma, porque também queriam comer o petisco.(t)

<||Moderador||> [6]-<|Denise|> como podemos enfrentar as dificuldades que temos passado em relação ao mundo em que vivemos? Em relação a Doutrina Espírita?

<Carlos_Roberto> É muito bom quando contamos com um ouvido amigo atento, carinhoso e respeitoso, que nos permita desabafar as dores que estão consumindo a nossa alma. É muito importante que tenhamos com quem esvaziar, no todo ou mesmo em parte, o fel da amargura que porventura esteja tornando tão dura a nossa vida. Quando não dispomos deste recurso, e mesmo quando dispomos, Deus nos concedeu, pelo menos, três recursos, que podemos buscar para nos fortalecer, independente do conforto de uma outra pessoa encarnada:

  1. O alívio que podemos obter através da prece fervorosa, em que nos colocamos receptivos para recebermos o amparo, sempre disponível, por parte dos espíritos amigos que nos observam e envolvem do outro lado da vida;
  2. O auto-esclarecimento através da leitura das obras que induzam às reflexões lógicas e sadias. Recomendamos que se busque autores como: Alan Kardec, Léon Denis e a vasta obra mediúnica de Chico Xavier;
  3. Procurar usar parte do tempo para beneficiar os semelhantes, sendo que é muito importante que haja regularidade nestas ações. O caminho da felicidade de todos os seres passa necessariamente pelo buscar fazer a felicidade do semelhante. Deus assim o quis e quer, para que o amor seja o cimento Divino a estabelecer duradoura e crescente ligação entre todos os seus filhos.(t)

<||Moderador||> [7] <lflavio> muitos dizem que as dificuldades atuais oriundas do processo de transição a que o nosso mundo estaria submetido aceitam passivamente tudo que acontece. Qual a sua opinião sobre este fato?

<Carlos_Roberto> Sim, é verdade que, sendo a Terra um "berçário espiritual" no dizer de Emmanuel, que estejamos vivenciando um clima de atitudes infantis e irresponsáveis geradas pela maioria dos encarnados. É condição natural do estado de evolução da maioria dos encarnados neste abençoado planeta. Quanto à passividade, estamos diante de uma questão delicada e que pede muita isenção de ânimo e muito equilíbrio para bem se posicionar. Espero que eu consiga ser feliz na transmissão da idéia. Para muitos espíritos, a passividade é um claro sinal de evolução. Citamos como exemplo os milhões de espíritos que aceitaram reencarnar no Brasil, assim como aqueles muitos que foram degredados para o Brasil, e que vivenciaram a dolorosíssima experiência da escravidão. Para eles, espíritos que haviam vivenciado muitas "estripulias" espirituais, o comportamento passivo significou um afastamento positivo da rebeldia e da indisciplina que era característica dos seus espíritos. Por outro lado, existem situações em que a passividade absoluta é indesejável, pois que ela representaria a permanência do espírito numa mesma situação indefinidamente. Por isso, justificam-se os movimentos de independência dos povos, das transformações sociais. Todos os esforços devem ser desenvolvidos para que se possa combater a maldade, a ignorância e a violência através do trabalho no bem e do esclarecimento, que leva indivíduos e povos a compreender que a mudança traz benefícios em muitas situações. Sugerimos, para uma melhor compreensão deste assunto, aplicado à nossa vida diária, a leitura do livro "Renovando atitudes", do espírito Hammed.(t)

<||Moderador||> [8] <Ana> Carlos Roberto, você poderia falar um pouco mais sobre a unicidade da existência e a reencarnação , e a aceitação das dificuldades vivenciadas pelas pessoas?

<Carlos_Roberto> Primeiro, vamos ver como analisar a justiça divina diante das idéias da unicidade da existência e da reencarnação relativamente à vinda do Mestre Jesus à Terra. Se nós vivêssemos uma única vida, qual seria o destino das pessoas que tivessem vivido antes de Jesus e depois Dele? Se aqueles que viveram antes de Jesus estivessem submetidos à mesma lei que determinaria o céu ou o inferno como destino definitivo, então Deus seria profundamente injusto, porque uns teriam o maravilhoso exemplo de Jesus como farol de luz a ser seguido, independentemente de fazê-lo ou não, enquanto os outros teriam sido privados de todas as lições do Mestre Amorável. Se a lei fosse diferente e determinasse que aqueles que viveram antes de Jesus não estariam sujeitos às mesmas possibilidades de ir para o inferno, chegamos a conclusão lógica, embora profundamente infeliz, de que melhor seria jamais ter ouvido os ensinamentos do Cristo, pois, desta forma, teríamos o acesso ao céu garantido. Respondendo a segunda parte, queremos falar que é comum as pessoas dizerem "EU TENHO QUE FALAR, SENÃO EU EXPLODO!!". As pessoas não se apercebem que enquanto elas falarem elas tenderão a explodir. Pelo contrário, quando elas buscam comportamentos positivos que o povo faz referência ao mundo animal, tais como: Ter "sangue de barata", engolir "sapos" e ter "a pomba da paz" no coração, elas ao chegarem aos seus limites terão uma possibilidade positiva e inversa à explosão, que é a expansão dos seus limites, que as levará a se tornarem cada vez mais fortes, resistentes e Cristãs. Quando silenciamos, impedimos que os espíritos desencarnados, ignorantes e por vezes ainda mal intencionados, nos conduzam a chamada "briga gravador", onde ao falarmos uma frase, sabemos automática e instantaneamente o que o outro nos responderá. Essas discussões têm o mesmo efeito dos pequenos furos na represa, destruindo pouco a pouco momentos de felicidade, e nos levando a ficar tristes, por concluirmos que se houvéssemos calado num determinado ponto da discussão, e melhor ainda, se sequer houvéssemos participado dela com os nosso lábios, e sim apenas com os nossos ouvidos, não teríamos estragados momentos preciosos de namoro, de possibilidades de auxílio no bem, de amizade, como também esclarece e aconselha Léon Denis ao nos dizer "Não discuta. Trabalhe.". Feliz daquele que se esforça por se tornar um instrumento da paz, onde quer que esteja. O primeiro e maior beneficiado é ele mesmo. Isto confirma o que nos ensina, ainda mais uma vez, o querido Léon Denis : "Tua obra mais bela é tu mesmo.".(t)

<||Moderador||> [9]<Ichthys> Um Espírito pode alterar características genéticas ao encarnar?

<Carlos_Roberto> Sim, a mente humana tem origem na criação Divina e o espírito, dando uma intensa direção ao seu pensamento, produz efeitos impressionantes como este, assim como diante de quadros de saúde física periclitantes, ele pode trazer momentos inesperados de melhora quando observados pela ótica da medicina material.(t)

Oração Final:

<|Denise|> Deus, Pai de Infinita Misericórdia, Jesus, Irmão Amado e Querido. Amigos Espirituais presente na Casa de Léon Denis, aqui estamos no final do primeiro estudo do dia. Agradecemos a ajuda e a proteção que nos deram, iluminando nossos corações e nossas mentes e, principalmente, iluminando o coração e a mente de nosso irmão Carlos que nos esclareceu a respeito de tema. Pedimos que nos ilumine e nos oriente sempre. E fiquem conosco pois o nosso trabalham apenas esta começando. Que assim seja!

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