Conhecendo o Espiritismo
Grupo Espírita Apóstolo
Paulo
No Grupo Espírita Apóstolo Paulo, o curso básico de Espiritismo tem dois
objetivos:
- Oferecer uma iniciação às pessoas que têm interesse em conhecer a Doutrina
e o centro espírita
- Oferecer um período de aproximação às pessoas que têm interesse em
trabalhar no centro espírita.
A apostila que aqui apresentamos foi elaborada como material de apoio para
esse curso. Ele tem a duração de três meses, sendo uma aula por semana com
duração de duas horas. A separação em quatro aulas visa apenas ao agrupamento do
conteúdo, já que as aulas dois e três são mais extensas e podem ser divididas em
dois ou mais dias. Além da apostila, aconselhamos que o curso contenha a leitura
e comentários por parte de todos de uma lição de O Evangelho Segundo o
Espiritismo. Isso deve ocorrer no início da aula, e durar entre 30 e 40 minutos,
tendo por fim harmonizar o ambiente e levar o aluno a meditar sobre sua conduta
frente à vida.
Os princípios apresentados são apenas os conceitos básicos da Doutrina Espírita.
Um curso tão rápido não formaria conhecedores de Espiritismo, mas dá um primeiro
passo para que o iniciante familiarize-se com as idéias e os temas que deverão
ser aprofundados nos estudos futuros. Além dos princípios básicos, esse curso
também tem a preocupação de apresentar de uma maneira mais objetiva o que é o
Espiritismo nos aspectos filosóficos e práticos:
- Como surgiu, quem deu origem e quais livros contêm seus princípios
- O que é um centro espírita (e o que não é) e o que se pratica dentro dele
- A relação da Doutrina Espírita com a Bíblia, pois nessa obra existem todos
os princípios do Espiritismo
A metodologia empregada, embora utilize esse material, é mais centrada no
debate, estimulando o raciocínio, a elaboração e exposição das idéias por parte
dos alunos, fazendo com que o seu desenvolvimento seja mais rápido. O instrutor
(que naturalmente deve ter um conhecimento razoável da Doutrina Espírita e
alguma experiência em lidar com grupos de pessoas) não expõe as idéias, mas
coordena o debate em torno do texto que pode ser lido em partes por alguns dos
alunos. Outros expõem o que compreenderam e o instrutor complementa ou corrije
algum conceito, quando necessário. A tarefa mais difícil para esse coordenador é
não deixar que o debate se conduza para outros assuntos distantes do conteúdo
proposto para a aula, pois naturalmente a troca de experiências entre um grupo
de pessoas tende a funcionar como uma catarse coletiva. Embora isso seja
positivo para o desenvolvimento pessoal dos participantes, não é o objetivo do
curso e deve ser permitido apenas raramente. Outro cuidado para o instrutor é,
ao corrigir uma colocação do aluno, não o contradizer, mas induzi-lo a enxergar
outro ponto de vista, sempre baseado no conhecimento existente na Codificação.
Pois serão muitos os que pela primeira vez estarão entrando em contato com os
princípios espíritas. É importante para isso saber manejar as palavras, ter
conhecimento doutrinário e citar Allan Kardec preferencialmente às obras
mediúnicas complementares.
É importante destacar que mesmo os trabalhadores que vêm de outras casas e que
já conhecem e estudam o Espiritismo há anos também devem passar por essa
iniciação antes de ingressarem no trabalho da casa e nas outras salas de estudo
doutrinário. Como é de curta duração, isso não deve ser encarado como uma
repetição, mas como uma oportunidade de integrar-se aos poucos, conhecendo bem
as pessoas e o ambiente do centro espírita antes de assumir novas
responsabilidades. Colocando a situação dessa maneira, os interessados
compreendem que isso traz benefícios tanto para eles quanto para a direção da
casa, e participam sem problemas.
Esperamos que todos possam aproveitar o conhecimento que nos traz a Doutrina
Espírita, sentindo-se motivados a buscar aquilo que Jesus Cristo nos aconselhou:
"Conhecereis a verdade e ela vos libertará".
Bom curso!
O nascimento da Doutrina Espírita
O Codificador Allan Kardec
"E eu rogarei ao Pai, e Ele vos enviará outro Consolador, a fim de que
permaneça eternamente convosco: o Espírito de Verdade, que o mundo não pode
receber porque não o vê e não o conhece...o Pai enviará em meu nome, e esse vos
ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito"
(João, XIV, 16 a 26).
Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou simplesmente Allan Kardec, foi o
codificador da Doutrina Espírita. Antes de conhecermos melhor a vida deste
professor francês, e como tornou-se o responsável pela Codificação da Doutrina
Espírita, mostraremos como foi seu primeiro contato com o mundo espiritual, que
serviu de marco inicial para o Espiritismo.
As mesas girantes
França, 1850: no início deste ano, surgiu no país europeu uma brincadeira que
atraía nobres da sociedade parisiense. Acostumados às festas de salões, muitos
franceses passaram a divertir-se com as chamadas "mesas girantes ou falantes".
Tratava-se de mesinhas redondas de três pés, sobre as quais certas pessoas
colocavam suas mãos e instantaneamente estes móveis começavam a girar e dar
saltos, sem que ninguém fizesse alguma força.
Tudo parecia um fenômeno magnético, ou seja, produto de algum tipo de poder
mental dos que se dispunham a brincar. O fenômeno então começou a ganhar
proporções maiores e espalhou-se por outros países da Europa, chegando também na
América. Desenvolveu-se uma forma de "conversar" com as mesinhas. Através de
pancadas no chão, produzidas com os pés do objeto, formou-se um código de
sinais, onde uma pancada seria "não"; duas, "sim", entre outros. Basicamente, as
perguntas eram sobre futilidades, que em nada ajudavam a entender o que estava
ocorrendo.
Foi então que uma senhora, chamada Emília de Girardim, veio a desenvolver um
método de contato, que consistia de uma mesa que se movia ao redor de um eixo,
lembrando uma roleta. Sobre a mesa, letras do alfabeto eram colocadas em
círculo, além de números e os termos sim e não. No meio desta circunferência,
havia uma agulha ou mesmo um ponteiro metálico, e então as pessoas envolvidas
colocavam suas mãos sobre a borda da mesa. O móvel passava a girar, parando sob
o ponteiro metálico a letra do alfabeto que viria a formar uma frase desta força
invisível.
No decorrer dos questionamentos feitos ao fenômeno, descobriu-se que o mesmo era
produzido por Espíritos que habitavam o mundo espiritual. Porém, ninguém tirou
desta surpreendente descoberta a utilidade que ela trazia. Simplesmente o que
importava era o fenômeno, o espetáculo, e não a causa do mesmo.
Kardec e os Espíritos
Em 1855, Hippolyte Léon Denizard Rivail, professor francês de Aritmética,
Gramática, Física, Astronomia e Fisiologia e pesquisador do magnetismo, foi
convidado por um amigo seu a ver de perto certas manifestações inexplicáveis que
ocorriam nos salões da capital francesa. Rivail era discípulo de Pestalozzi,
chamado de pai da pedagogia moderna, e casado com Amélie Gabrielle Boudet.
Nascido em 03 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, já ouvira sobre o assunto
das mesas girantes e quis entender bem o que estava acontecendo. Homem
criterioso, Rivail não se deixava levar por modismos e como estudioso do
magnetismo humano acreditava que todos os acontecimentos poderiam estar ligados
à ação das próprias pessoas envolvidas, e não de uma possível intervenção
espiritual.
O professor então participou de algumas sessões, e algo começou a intrigá-lo.
Percebeu que muitas das respostas emitidas através daqueles objetos inanimados
fugiam do conhecimento cultural e social dos que faziam parte do "espetáculo".
Como os móveis, por si só, não poderiam mover-se, fatalmente havia algum tipo de
inteligência invisível atuando sobre os mesmos, e respondendo aos
questionamentos dos presentes.
Rivail presenciava a afirmação daqueles que se manifestavam, dizendo-se almas
dos homens que viveram sobre a Terra. Foi então, que uma das mensagens foi
dirigida ao professor. Um ser invisível disse-lhe ser um Espírito chamado
Verdade e que ele, Rivail, tinha uma missão a desenvolver, que seria a
codificação de uma nova doutrina .
Atento aos dizeres do Espírito, e depois de muitos questionamentos à entidade,
pois não era homem de impressionar-se com elogios, resolveu aceitar a tarefa que
lhe fora incumbida.
O Espírito de Verdade disse-lhe ser uma falange de Espíritos superiores que
vinha até aos homens cumprir a promessa de Jesus, no Evangelho de João, capítulo
XIV; versículos 15 a 26: "E eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador,
para que fique convosco para sempre; o Espírito de Verdade, que o mundo não pode
receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque habita
convosco e estará em vós... Mas, aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai
enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de
tudo quanto vos tenho dito".
Através dos Espíritos, Rivail descobriu que em uma de suas encarnações
anteriores foi um sacerdote druida, de nome Allan Kardec. Foi então que resolveu
adotar este pseudônimo durante a codificação da nova doutrina, que viria a se
chamar Doutrina Espírita ou Espiritismo. Kardec assim procedeu para que as
pessoas, ao tomarem conhecimento dos novos ensinamentos espirituais, não os
aceitassem por ser ele, um conhecido educador, quem estivesse divulgando. Mas
sim, que todos os que tivessem contato com a boa nova a aceitassem pelo seu teor
racional e sua metodologia objetiva, independente de quem a divulgasse ou a
apoiasse.
O que é a Doutrina Espírita
A Codificação
A partir daí foram 14 anos de organização da Doutrina Espírita. No início,
para receber dos Espíritos as respostas sobre os objetivos de suas comunicações
e os novos ensinamentos, Kardec utilizou um novo mecanismo, a chamada
cesta-pião: um tipo de cesta que tinha em seu centro um lápis. Nas bordas das
cestas, os médiuns, pessoas com capacidade de receber mais ostensivamente a
influência dos Espíritos, colocavam suas mãos, e através de movimentos
involuntários, as frases-respostas iam se formando. Julie e Caroline Baudin,
duas adolescentes de 14 e 16 anos respectivamente, foram as médiuns mais
utilizadas por Kardec no início.
Com o decorrer do tempo, a cesta-pião foi dando lugar à utilização das próprias
mãos dos médiuns, fenômeno que ficou conhecido como psicografia.
Todas as perguntas e respostas feitas por Kardec aos Espíritos eram revisadas e
analisadas várias vezes, dentro do bom senso necessário para tal. As mesmas
perguntas respondidas pelos Espíritos através das médiuns eram submetidas a
outros médiuns, em várias partes da Europa e América. Isso para que as
colocações dos Espíritos tivessem a credibilidade necessária, pois estes médiuns
não mantinham contato entre eles, somente com Kardec. Consequentemente, as
respostas, se iguais, demonstravam que vinham da mesma fonte espiritual.
Lembremos sempre que as perguntas e respostas de cunho moral eram submetidas a
comparações com o Evangelho de Jesus, exemplo primordial para a boa conduta.
Assim como as respostas sobre ciência e filosofia deveriam ter como marco a
objetividade e a razão.
Este controle rígido de tudo o que vinha de informações do mundo espiritual
ficou conhecido por "Controle Universal dos Espíritos" (ver a introdução de O
Evangelho Segundo o Espiritismo, item II). Disto, estabeleceu-se dentro da
Doutrina Espírita que qualquer informação vinda do plano espiritual só teria
validade para o Espiritismo se fosse constatada em vários lugares, através de
diversos médiuns, que não mantivessem contato entre si. Fora isso, toda
comunicação espiritual será uma opinião particular do Espírito comunicante, por
mais conhecido que este seja.
Com todo um esquema coerentemente montado, Allan Kardec preparou o lançamento
das cinco Obras Básicas da Doutrina Espírita, a Codificação, tendo início em
1857 com o lançamento de O Livro dos Espíritos. Estes livros contêm toda
a teoria e prática da doutrina, os princípios básicos e as orientações dos
Espíritos sobre o mundo espiritual e sua constante influenciação sobre o mundo
material.
Durante a codificação, Kardec lançou um periódico mensal chamado Revista
Espírita, em 1858. Nele, comentava notícias, fenômenos mediúnicos e
informava aos adeptos da nova doutrina o crescimento da mesma e sua divulgação.
Servia várias vezes como fórum de debates doutrinários, entre partidários e
contrários ao Espiritismo. A Revista Espírita foi a semente da imprensa
doutrinária.
No mesmo ano, Kardec viria a fundar a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
Constituída legalmente, a entidade passou a ser a sociedade central do
Espiritismo, local de estudos e incentivadora da formação de novos grupos.
Allan Kardec desencarnou em 31 de março de 1869, aos 65 anos, vítima de um
aneurisma. Sua persistência e estudo constantes foram essenciais para a
elaboração do movimento espírita e organização dos ensinos do Espírito de
Verdade.
Resumo das Obras Básicas da Doutrina Espírita
· O Livro dos Espíritos: lançado por Allan Kardec em 1857, é o
principal livro da Doutrina Espírita. Podemos chamá-lo de espinha dorsal, pois
sustenta todas as outras obras doutrinárias. Divide-se em quatro partes: "As
causas primárias"; "Mundo espírita ou dos Espíritos"; "As leis morais"; e
"Esperanças e consolações". É composto de 1018 perguntas feitas por Kardec aos
Espíritos superiores responsáveis pela vinda do Espiritismo aos homens. O que é
Deus? De onde viemos? Para aonde vamos? O que estamos fazendo na Terra? Estas
são algumas das questões respondidas pela falange do Espírito de Verdade.
· O Livro dos Médiuns: teve seu lançamento em 1861. Nele, Allan Kardec
mostra os benefícios e os perigos da mediunidade, ou seja, o canal que liga o
homem encarnado ao mundo espiritual. Demonstra que embora todos os seres vivos
possuam esta abertura de contato, há aqueles que a têm de uma forma mais
abrangente. Kardec e os Espíritos superiores alertam sobre a sutileza desta
faculdade, para que uma pessoa possa contatar os Espíritos sem ser prejudicada
por entidades maléficas, descontrolando sua mediunidade.
· O Evangelho Segundo o Espiritismo: editada em 1864, esta obra pode
ser entendida como a parte moral da Doutrina Espírita. Nela, Kardec e os
Espíritos superiores comentam numa linguagem acessível as principais passagens
da vida de Jesus. Explicam suas parábolas e demonstram a grandiosidade do Mestre
nos seus ensinos, dando-nos, além disso, conselhos importantes sobre nossa
conduta diária frente às dificuldades e dúvidas da vida.
· O Céu e o Inferno: Kardec lançou este livro em 1865. Através da
evocação dos Espíritos de pessoas das mais diferentes classes sociais, crenças e
condutas, demonstra-nos como foi a chegada e a vivência espiritual destes seres
após o seu desencarne. Rainhas, camponeses, religiosos, assassinos, ignorantes e
intelectuais são alguns dos que contam o que os aguardava depois de suas
atitudes terrenas e como poderão ser suas vidas futuras.
· A Gênese: nesta obra, de 1868, Kardec explica a Gênesis Bíblica, a
formação do Universo, demonstrando a coerência da mesma quando confrontada com
os conhecimentos científicos, despida das alegorias próprias da época em que foi
escrita. Expõe o que são os milagres, explicados pelas leis da natureza,
produtos da modificação dos fluidos que nos cercam. Enfim, faz a religião e a
ciência caminharem juntas, fortalecendo a fé dos que crêem em Deus.
| Perguntas
1) Em que país, data e ano foi lançado o primeiro livro da Codificação
Espírita? Qual era o nome da obra?
2) Quais são os cinco livros Básicos da Doutrina Espírita?
3) Qual o livro básico da Codificação que cita as principais passagens da
vida de Jesus e as comenta?
4) Há um livro da Codificação que fala principalmente sobre mediunidade.
Qual é?
5) Coloque (V) Verdadeiro ou (F) Falso
a) ( ) A Doutrina Espírita é uma religião cristã.
b) ( ) A promessa do Consolador Prometido está no Evangelho segundo João,
cap. 14; vers 16 a 26.
c) ( ) Controle Universal dos Espíritos é um método para controlar as
reencarnações.
d) ( ) Allan Kardec era médico. |
Princípios Básicos da Doutrina Espírita
A Doutrina Espírita tem como princípios básicos de sua crença:
- A existência de Deus;
- Existência do Espírito, sua sobrevivência após a morte e sua comunicação
com o mundo material;
- Reencarnação;
- Evolução moral e intelectual dos espíritos;
- Lei de Causa e Efeito.
Podemos observar, então, que alguns desses princípios encontram-se em todas
as religiões cristãs. Ou seja, tanto o Catolicismo, como o Protestantismo e suas
diversas ramificações, crêem em Deus e na existência de alguma forma de uma vida
espiritual. Isso, porque Jesus sempre deixou muito claro ambos, falando em suas
parábolas e em seus ensinamentos.
Mas, por que existe Deus? Se há mundo espiritual, como é a vida lá? E vivendo no
mundo espiritual, pode se fazer contato com o mundo material? Vivemos uma só
vida? Todos temos a mesma evolução espiritual? O que fazemos, de bom ou ruim,
recebemos de volta?
Estas perguntas que sempre nos atormentaram têm uma explicação racional na
Doutrina Espírita. E veremos que para todas elas existe algo a respeito na
Bíblia, que com a luz do Espiritismo podemos compreender.
1 A existência de Deus
A existência de Deus é o primeiro assunto de "O Livro dos Espíritos". Allan
Kardec e a falange do Espírito de Verdade entenderam a necessidade de nos falar
primordialmente sobre isso, pois crer em Deus, não só emocionalmente, mas também
racionalmente, irá nos favorecer a compreensão de toda sua criação.
Consequentemente, conseguiremos saber o porquê da vida e qual nosso objetivo de
existência. Abaixo, reproduzimos as primeiras perguntas e respostas da obra
citada:
1. Que é Deus?
Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
2. Que se deve entender por infinito?
O que não tem começo nem fim: o desconhecido; tudo que é desconhecido é
infinito.
3. Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito?
Definição incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para
definir o que está acima da linguagem dos homens.
Deus é infinito em Suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer
que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa
mesma, é definir uma coisa que não está conhecida por uma outra que não está
mais do que a primeira.
Provas da existência de Deus
4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa.
Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão
responderá.
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da
Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de
Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer
alguma coisa.
7. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa
primária da formação das coisas?
Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável
sempre uma causa primária.
Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da
matéria seria tomar o efeito pela causa, porquanto essas propriedades são,
também elas, um efeito que há de ter uma causa.
8. Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária
a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?
Outro absurdo! Que homem de bom senso pode considerar o acaso um ser
inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada.
A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e
desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente.
Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego
e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso
inteligente já não seria acaso.
9. Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema
e superior a todas as inteligências?
Tendes um provérbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem!
Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O
homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si
mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!
O poder de uma inteligência se julga pelas obras. Não podendo nenhum ser
humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, consequentemente,
uma inteligência superior à Humanidade.
Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado,
ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de
ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária
de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe dêem. |
Com essas questões, vemos qual o entendimento da Doutrina Espírita sobre
Deus.
Na Bíblia, há muitas passagens falando a respeito da existência do Pai criador.
Porém, uma das mais importantes encontra-se na "Oração do Pai Nosso" (Mateus,
VI; versículos 9 a 13), onde Jesus nos ensina a orar, agradecendo e pedindo a
Deus a luz para nossa existência.
2 Existência do Espírito, sua sobrevivência após a morte e sua comunicação
com o mundo material
153. Em que sentido se deve entender a vida eterna?
A vida do Espírito é que é eterna; a do corpo é transitória e
passageira. Quando o corpo morre, a alma retoma à vida eterna." |
A Doutrina Espírita nos explica que o Espírito é eterno, como afirmado na
questão acima de O Livro dos Espíritos.
A existência da vida espiritual é muito citada por Jesus nos Evangelhos. E se
existe essa vida, lá vivem os Espíritos. Mas o que são os Espíritos? Vejamos o
que diz O Livro dos Espíritos:
23. Que é o Espírito?
O princípio inteligente do Universo.
a) - Qual a natureza íntima do Espírito?
Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele
nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai
sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe."
24. Espírito é sinônimo de inteligência?
A inteligência é um atributo essencial do Espírito. Uma e outro, porém,
se confundem num princípio comum, de sorte que, para vós, são a mesma coisa.
25. O Espírito independe da matéria, ou é apenas uma propriedade
desta, como as cores o são da luz e o som o é do ar?
São distintos uma do outro; mas, a união do Espírito e da matéria é
necessária para intelectualizar a matéria."
27. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o
Espírito?
Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus,
espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade
universal... |
A Doutrina Espírita também nos ensina que os Espíritos nada mais são do que
as almas dos homens que materialmente viveram na Terra. Ou seja: quando
encarnado, o Espírito tem a denominação de alma; ao desencarnar-se e voltar à
vida espiritual, é denominado Espírito. Esta diferença de terminologia existe
apenas para diferenciar um estado do outro. Dessa forma, existindo o mundo
espiritual e os Espíritos, estes têm a condição de se comunicarem com os
encarnados. Há muitas passagens nas Escrituras Sagradas (Bíblia) que falam sobre
esse intercâmbio (adiante, conheceremos uma delas).
Deus nunca parou de criar Espíritos, povoando diversos mundos habitados no
universo. É Jesus mesmo quem diz: "Na casa de meu Pai há muitas moradas" (João,
XIV;2). E todos os espíritos são criados simples e ignorantes. Ou seja, nenhum
de nós teve privilégios ao sermos criados. Coube a cada um de nós, através de
cada reencarnação, adquirir experiências que nos tornaram como somos hoje.
3 A reencarnação
Compreendemos, assim, que nós mesmos conquistamos nossa evolução, vida após
vida, encarnação após encarnação. Todas as experiências que vivenciamos, sejam
boas ou más, servirão para compor nossa história espiritual.
Isso explica, por exemplo, porque há pessoas que têm tendências para um
desenvolvimento precoce para a música, pintura, matemática e demais artes sem
terem tido nenhum incentivo para isso nesta existência.
Por outro lado, há os que desde crianças têm o chamado popularmente "gênio
forte", onde impera a violência, a impaciência, o egoísmo. Tanto para o bem
quanto para o mal estas tendências nada mais são do que a demonstração do que
compõe a nossa história espiritual, traduzida e apresentada como inclinações que
temos na vida presente. Caberá a cada um de nós alimentarmos estas vocações (se
forem para o bem) ou cerceá-las (se forem para o mal). E é nisso que resulta a
sabedoria de Deus na reencarnação. Nela, nós mesmos colheremos o que de bom ou
ruim semearmos.
Com isso, a Doutrina Espírita põe fim às penas eternas, incoerentes com a
bondade e misericórdia suprema do Pai. Pois se nós, seres imperfeitos, sabemos
perdoar e dar novas oportunidades a nossos filhos, muito mais o fará Deus. Ao
invés de jogar eternamente no inferno quem errou, dá novas oportunidades de
vida, onde se colherá o que se plantou, aprendendo o melhor caminho a seguir.
Além disso, a reencarnação consegue explicar os porquês de problemas de
nascença, ou de problemas que nos acompanham no decorrer da vida. Se as causas
não se acharem presentes na atualidade, só podem ser frutos de atitudes
cometidas em outras existências. Senão, onde estaria a justiça de Deus, que deu
saúde e paz a uns e desgraças a outros? Só a reencarnação mostra como o Pai é
sábio e justo, pois sua Lei espiritual dá a cada um segundo suas obras, visando
sempre um único destino para todos: a felicidade eterna.
Na Bíblia, no Evangelho segundo Mateus, XVII; versículos 1 a 13, na passagem
denominada "Transfiguração", há vários elementos que nos comprovam o que a
Doutrina Espírita nos ensina:
| "Tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, seu irmão, e os conduziu
em particular , a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; e o seu
rosto resplandeceu com o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a
luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele... E os seus
discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem então os escribas que é
mister que Elias venha primeiro? E Jesus respondendo-lhes, disse: Em
verdade, Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas. Mas digo-vos que
Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram.
Assim farão eles também padecer o Filho do Homem. Então, entenderam os
discípulos que ele lhes falara de João Batista". |
Aqui, podemos observar a existência do mundo espiritual, a comunicação dos
Espíritos e a reencarnação. Jesus deixa bem claro que João Batista, seu primo e
pregador, que havia vivido junto com ele, antes de ser preso e decapitado pelo
rei Herodes, foi na verdade a reencarnação do profeta Elias, que vivera há mais
de 900 anos antes de Jesus. Naquele momento, depois de seu desencarne, João
apresentava-se a Jesus com a aparência de Elias, juntamente com Moisés, outro
profeta desencarnado há 1700 anos.
Abaixo, mais algumas passagens da Bíblia que falam sobre a reencarnação e a
confusão que os Judeus faziam com ressurreição. Isso porque, reencarnação é o
renascimento do Espírito para viver em um novo corpo, que nada tem a ver com o
anterior. É o que acredita a Doutrina Espírita. Já ressurreição é a volta do
Espírito no mesmo corpo que havia habitado, mesmo que esse já tenha sido
decomposto, que é o que crêem outras religiões.
Essa confusão fez com que Jesus não falasse diretamente da reencarnação para o
povo, mas sim apenas com seus discípulos mais próximos, que teriam uma melhor
condição espiritual de compreender o processo que envolve a reencarnação. Mas
mesmo entre eles, havia dificuldade para o entendimento completo. Por isso,
Jesus deixa muitas vezes subtendido o assunto. Vejamos em Marcos, VI; 14 e 15 /
Lucas, IX; 7 a 9:
| "Jesus expulsava muitos demônios e curava enfermos. E ouviu isto o rei
Herodes (por que o nome de Jesus se tornara notório), e disse: João, o que
batizava, ressuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam nele. E
outros diziam: Ele é Elias, ou um dos profetas. Herodes, porém, disse:
Este é João, que mandei degolar, e ressuscitou dos mortos". |
Em Marcos, VIII; 27:
| "Jesus interrogou a seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que
eu sou? E eles disseram: Dizem que é João Batista, outros que é Elias; e
outros, um dos profetas". |
Nestas duas passagens, não podiam estar se referindo à ressurreição, mas sim
à reencarnação, pois a ressurreição traria João, ou outros dos profetas, com o
mesmo corpo de antigamente. E Jesus tinha nascido, seus pais eram
conhecidos, e portanto, não poderia ser a ressurreição de nenhum deles. Mas sim,
a reencarnação. O que falavam as pessoas, o rei Herodes e os discípulos
demonstra a confusão entre ressurreição e reencarnação, mas deixa claro que a
crença na volta do Espírito à vida era conhecida, mas não compreendida.
Em João, IX; 1 a 41:
| "Jesus viu um cego de nascença, e seus discípulos lhe perguntaram:
Rabi, quem pecou para que esse homem nascesse cego, ele ou seus pais?
Jesus então lhes disse: Nem ele pecou, nem seus pais, mas foi assim para que
se manifestasse nele as obras de Deus". |
Passagem que demonstra mais claramente ainda que os discípulos e Jesus
conversavam sobre a reencarnação. A pergunta dos apóstolos sobre quem teria
pecado para que aquele homem nascesse assim nos indica que havia uma dúvida
sobre o processo reencarnatório. E mais, se o cego era de nascença, como ele
poderia ter pecado, senão em outra vida?
E Jesus, então, ensina que não se tratava de uma expiação, ou seja, do pagamento
de um erro de outras vidas; mas que aquela situação era uma prova por qual
passava o Espírito, e que teria fim com o "milagre" de Jesus. Falaremos mais
sobre provas e expiações no item "Lei de Causa e Efeito".
4 Evolução moral e intelectual dos espíritos
Explica-nos a Doutrina Espírita que muitos são os níveis de evolução dos
Espíritos. Cada Espírito escolhe o caminho que deseja seguir, seja no bem ou no
mal; no estudo ou na ignorância, até que todos possam atingir o progresso.
A Doutrina nos ensina que devido a esta diferença de evolução existem milhares
de mundos materiais que têm vida, e que eles estão divididos em cinco
categorias. Os Espíritos encarnados habitam os mesmos, dependendo de sua
condição moral/intelectual.
Esses mundos são:
- Primitivos: onde a ignorância é quase que total. Como exemplo, podemos
citar a época dos homens das cavernas;
- De Provas e Expiações: similar à Terra, onde a ignorância, o mal, ainda
superam o bem, embora a tecnologia e a inteligência estejam bem desenvolvidas;
- De Regeneração: próximo estágio do nosso planeta, onde o bem, a
compreensão, superarão a ignorância;
- Felizes: orbes em que praticamente a ignorância inexiste, e as pessoas
vivem para o bem da sociedade, buscando um progresso em conjunto;
- Divinos: locais onde só existe o entendimento das Leis divinas, não
havendo lugar para o mal.
Para passar de um mundo para o outro, são necessários milhares de anos de
dedicação e muitas vezes de sofrimento por parte dos Espíritos encarnados.
Porém, o fim sempre será a evolução material e espiritual do planeta.
E nesse processo evolutivo, há diversidades de estágios dentro de cada mundo,
embora não sejam muito grandes.
Na Terra, por exemplo, vemos diferenças de atitudes nas pessoas, mostrando uma
escala de adiantamento espiritual. Mas, todos ainda estamos limitados a uma
condição: a ignorância supera a compreensão.
Jesus comenta sobre esta diversidade na conhecida "Parábola do Semeador", que
está em Mateus, XIII; 4 a 9:
| "Eis que o semeador saiu a semear. E quando semeava, uma parte caiu ao
pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na. E outra parte caiu em
pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha
terra funda. Mas vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.
E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na. E
outra caiu em boa terra, e deu fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a
trinta". |
O semeador da Parábola é Jesus. As sementes, seus ensinos. A parte que caiu
ao pé do caminho simboliza as pessoas que escutam a palavra de Deus mas as
desdenham, buscando apenas os interesses materiais, simbolizados pelas aves.
A parte dos pedregais simboliza as pessoas que escutam a palavra de Deus e ficam
incentivadas a segui-las. No entanto, vão "com muita sede ao pote", criando uma
fé cega, sem bases racionais. Assim, não criam raízes. E quando vêm os problemas
a que todos estamos sujeitos, simbolizados pelo sol, revoltam-se contra Deus,
porque não compreendiam verdadeiramente seus ensinos.
A outra parte fala dos que escutam a palavra dos Evangelhos, até as acham
importantes, mas as preocupações com o dinheiro e o poder, simbolizadas pelos
espinhos, sufocam qualquer iniciativa de buscar a compreensão espiritual.
Por fim, a parte que caiu em terra boa fala das pessoas que escutam os ensinos e
procuram praticá-los, visando um entendimento dos porquês da vida e da prática
do bem ao próximo. Mas diz Jesus que até entre esses haverá diferenças, pois
todos temos nossos limites. E a capacidade de praticar o bem difere de pessoa
para pessoa.
Assim, caberá a cada um de nós escolhermos qual estágio gostaríamos de estar.
Pois a semeadura de Jesus já está aí há mais de 2000 anos. Colhê-la ou não será
uma escolha particular.
5 A Lei de Causa e Efeito
Tudo o que fizermos ao próximo, de bem ou mal, retornará para nós. É a
chamada Lei de Ação e Reação, plantio e colheita. Tem um exemplo na Lei da
Física, explicada por Newton, onde toda ação tem uma reação contrária, de mesma
intensidade e sentido oposto.
Nosso mundo é de segunda categoria, classificado como de Provas e Expiações.
As expiações são a colheita nesta ou nas próximas existências do erro que
tenhamos praticado em outras vidas. Não é um castigo, pois Deus não castiga. É
sim a oportunidade de compreendermos nossos atos indevidos, sofrendo em nós
mesmos o que fizemos outro sofrer. Com isso, nosso espírito absorve a
experiência, a terá a tendência de não mais praticá-lo.
Jesus fala da Expiação na passagem onde ocorre sua prisão, que está em Mateus,
XXVI; 52.
| "Então, disse Jesus a Pedro: Mete no seu lugar a tua espada: porque
todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão". |
Nesta passagem, o apóstolo Pedro tentava defender Jesus, ameaçando um guarda
com uma espada. E até neste difícil momento, Jesus aproveitou para nos ensinar o
quanto devemos pensar antes de agir. Caso contrário, não poderemos reclamar do
que nos espera no futuro.
As provas são as situações que ocorrem em nossa vida para ajudar-nos a
desenvolvermos a paciência, a inteligência, a humildade e a perseverança. Não
têm nada a ver com atos cometidos em outras vidas. Deus as coloca em nosso
caminho com o intuito de nos incentivar no desenvolvimento de nossos sentimentos
e habilidades, fazendo-nos ter "jogo de cintura" e sensatez frente aos percalços
da vida.
|
O Perispírito e o Fluido Universal
O Espírito, por ser de natureza abstrata, não tem forma. Por isso,
reveste-se de um elemento fluídico, semimaterial, chamado Perispírito.
Encarnado ou desencarnado, o Espírito reveste-se desta "roupagem". Na
verdade, o Perispírito é o elo de ligação entre o Espírito e a matéria. Tem
natureza fluídica, sendo uma modificação do Fluido Universal. O Fluido
Universal é a base de todos os elementos materiais do universo. Nossos
cientistas contemporâneos buscam incessantemente comprovar a existência de
um elemento básico de tudo que existe no campo material. Este elemento é
chamado pela Doutrina de Fluido Universal.
Pode o Perispírito ficar ou não visível e/ou tangível, porém, sempre estará
presente no Espírito em sua caminhada evolutiva. Abaixo, algumas questões
sobre o assunto em "O Livro dos Espíritos":
93. O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como
pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?
Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda
bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder
elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.
Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma
substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de
envoltório ao Espírito propriamente dito.
94. D e onde tira o Espírito o seu invólucro semimaterial?
Do fluido universal de cada globo, razão por que não é idêntico em todos
os mundos. Passando de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como
mudais de roupa.
Os médiuns
A mediunidade é o meio pelo qual os Espíritos têm condições de
influenciar diretamente os encarnados, sejam estas influências boas ou más.
Portanto, todos temos alguma mediunidade, pois todos sofremos influenciações
do mundo espiritual. Porém, há uma diferença em ter mediunidade e ser um
médium com possibilidades de perceber mais claramente a presença dos
Espíritos.
Em O Livro dos Médiuns, capítulo XIV, item 159, Allan Kardec define os
médiuns da seguinte forma:
"159. Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos
é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui,
portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que
dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais
ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em
quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por
efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma
organização mais ou menos sensitiva. E de notar-se, além disso, que essa
faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os médiuns
têm uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde
resulta que formam tantas variedades, quantas são as espécies de
manifestações.
"As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns
sensitivos, ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos
sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes, ou
psicógrafos. "
*Allan Kardec não cita os médiuns psicofônicos, pois durante a Codificação
os chamados médiuns "falantes" não eram tão comuns, ao contrário do que
acontece hoje. |
| Perguntas
1) Quais são os princípios básicos da Doutrina Espírita?
2) O Espírito é a inteligência? Comente sua resposta.
3) Para que serve o perispírito? Do que ele é formado?
4) Cite uma passagem da Bíblia onde pode se entender a reencarnação.
5) Coloque (V) Verdadeiro ou (F) Falso
a) ( ) Nem todo o homem tem mediunidade.
b) ( ) Os fluidos são a parte inteligente do Universo.
c) ( ) Mundo de Regeneração é o estágio em que se encontra a Terra.
d) ( ) A Lei de Ação e Reação contribui para o progresso do Espírito. |
O que é um centro espírita
Existe uma confusão muito grande a respeito do que é ou não é Doutrina
Espírita ou Espiritismo. Isto porque há pessoas que não sabem que as palavras
"espírita" e "espiritismo" foram criadas em 1857, na França, pelo codificador da
Doutrina Espírita, Allan Kardec. Somente deveriam utilizarem-se destes termos os
locais religiosos ou pessoas que seguissem os postulados desta doutrina.
Assim, cultos e religiões que de alguma forma têm em suas práticas a comunicação
de Espíritos e a crença na reencarnação são confundidas erroneamente com o
Espiritismo.
Na verdade, embora mereçam todo o respeito dos espíritas verdadeiros, estas
seitas são adeptas do espiritualismo ou esoterismo, e não do Espiritismo.
Todos aqueles que acreditam na existência do Espírito são espiritualistas. Mas
nem todos os espiritualistas são espíritas, praticantes do Espiritismo.
Para que uma casa religiosa seja espírita, ela deve seguir os ensinamentos
contidos nas Obras Básicas da Doutrina Espírita e no Evangelho de Jesus.
Geralmente, os locais espíritas recebem o nome de: Centro, Grupo, Casa,
Sociedade, Instituição ou Núcleo Espírita. Deve ser legalmente constituído, de
acordo com as leis vigentes no país em que está instalado. Mesmo ostentando este
nome, quem os visita necessita estar atento para quais as atividades e as formas
como as mesmas são praticadas por seus dirigentes e auxiliares, para que se
tenha a certeza de estar em um centro espírita.
Mostraremos abaixo, o que se encontra e o que não deve ser encontrado em uma
casa espírita verdadeira.
Palestras x Explanações e orações ao som de músicas, batuques, atabaques
Todo centro espírita tem o seu momento de esclarecimento doutrinário. As
exposições geralmente são sobre a Codificação espírita e o Evangelho de Jesus,
em uma ligação direta com nosso cotidiano. Não há nenhum ritual antes dos
trabalhos, a não ser uma prece evocando a proteção de Jesus e dos bons Espíritos
(geralmente, a oração é feita em pensamento). Em algumas oportunidades, antes ou
no final das palestras, alguns grupos fazem a apresentação de corais musicais,
quase sempre formados por grupos de jovens. Porém, este tipo de procedimento não
é aconselhável, sendo indicado que seja praticado em datas e horários diferentes
dos trabalhos espirituais e de esclarecimento ao público, exatamente para se
evitar confusões e mal-entendidos.
O Espiritismo não utiliza instrumentos musicais para exortar o público ou
evocar Espíritos. Não há o uso de qualquer instrumento durante os trabalhos.
Trajes normais x Trajes especiais
Os trabalhadores de uma casa espírita trajam-se normalmente, de forma
simples. A discrição deve fazer parte dos que trabalham no local, pois ali estão
para auxiliar as pessoas que buscam orientação para seus problemas materiais e
espirituais.
O Espiritismo não tem roupas especiais para os dias de trabalhos ou mesmo no
dia-a-dia dos seus adeptos. Enfeites, amuletos, colares, vestimentas com cores
que significariam o bem (branca) ou o mal (negra, vermelha) não têm fundamento
para o espírita.
Inexistência de rituais, amuletos e imagens x Presença de rituais e/ou
sacrifícios de animais
O verdadeiro centro espírita não pratica em suas atividades nenhum tipo de
ritual. A Doutrina Espírita segue o que o Mestre Jesus ensinou: que Deus é
Espírito, e deve ser adorado em espírito e verdade. Portanto, sem a necessidade
de nada material para contatarmos com a espiritualidade, ou ainda: ajoelhar-se
frente a algo ou alguém, beijar a mão ou louvar os responsáveis pela casa,
benzer-se, sentar-se no chão ou ficar levantando e sentando durante os
trabalhos, proferir determinadas palavras (mantras) para evocar os Espíritos.
Nas sedes dos verdadeiros centros espíritas não são encontradas imagens de
santos ou personalidades, amuletos de sorte, figuras que afastam ou atraem maus
Espíritos, incensos, velas e tudo o mais que seja material e que teoricamente
serviria de ligação com o mundo espiritual. O Espiritismo é contrário a qualquer
tipo de sacrifício animal. Espíritos que pedem este tipo de atividade são
Espíritos atrasados, ignorantes da Lei de Deus e muitas vezes maléficos, que
podem prejudicar a vida de quem dá ouvidos aos seus baixos desejos.
Comunicação particular com os Espíritos x Comunicação de Espíritos em
público
Os grupos espíritas têm reuniões específicas e íntimas para que os
trabalhadores da casa, aptos e preparados durante longos estudos para tal,
possam comunicar-se com os Espíritos. E através deles, obter informações do
mundo espiritual, orientações e mesmo ajudar no afastamento de perturbações
espirituais que porventura estejam prejudicando alguém. Todo este cuidado
baseia-se na orientação dos próprios Espíritos superiores, responsáveis pela
elaboração do Espiritismo, como também no alerta de João, o Evangelista, que em
sua 1ª Epístola, capítulo IV, versículo 1, diz: "Amados, não creiais em todos os
Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus". Agindo assim, o centro
espírita evita o máximo possível a influência de Espíritos zombeteiros e
maldosos, que muitas vezes vêem neste contato com os encarnados a oportunidade
de tecer comentários mentirosos e doutrinas esdrúxulas. A seriedade de reuniões
fechadas os intimida, favorecendo a presença dos Espíritos esclarecidos.
Há alguns tipos de trabalhos mediúnicos, principalmente de psicografia (escrita
dos Espíritos através de médiuns), onde pessoas levam até lá o nome de entes
desencarnados para tentarem a comunicação dos mesmos através da mediunidade, e
ficam observando a manifestação. O médium Francisco Cândido Xavier, conhecido
como Chico Xavier, da cidade mineira de Uberaba, é um destes exemplos. Porém,
nestes casos, o Espírito não se comunica diretamente com seu parente. Apenas
influencia o médium, que escreverá, de forma discreta e ordenada, a mensagem do
além.
A Doutrina Espírita é contrária a manifestação pública dos Espíritos,
principalmente se for cercada de curiosidades e interesses materiais, ao invés
do bom senso que deve permear toda comunicação espiritual. Há locais em que os
médiuns recebem seus "guias" ou "Espíritos protetores", teoricamente
responsáveis pelo funcionamento da casa, e orientam os consulentes sobre
qualquer tipo de dúvida. Muitas vezes, as respostas dadas por este tipo de
Espírito não têm base científica ou doutrinária alguma, seguindo apenas seu
próprio conhecimento, que pode ser limitado. Em vários destes lugares em que há
a manifestação pública, as entidades espirituais são servidas de fumo, bebida,
comida, ingeridas pelo médium incorporado. Com isso, mostram a limitação destes
Espíritos, ainda muito apegados aos vícios e prazeres materiais.
Desenvolvimento cauteloso da mediunidade x Desenvolvimento mediúnico forçado
A Doutrina Espírita explica que todo ser vivo tem mediunidade, pois é através
dela que os encarnados recebem influências boas e más do mundo espiritual, que
servirão de ajuda ou aprendizado no decorrer de suas existências terrenas. São
chamados de médiuns aqueles capazes de proporcionar a manifestação dos
espíritos. O Espiritismo adverte que para poder ampliar esta ligação com o mundo
espiritual, é necessário que o médium passe por uma série de preparativos. Anos
de estudo, maturidade, modificação moral constante, vida regrada, abstendo-se
dos vícios mais grosseiros, como o fumo e a bebida, são algumas das regras
básicas para que o indivíduo possa vir a desenvolver corretamente sua
mediunidade, e estão contidas em "O Livro dos Médiuns". Os centros espíritas
verdadeiros não aconselham a pessoa a trabalhar mediunicamente sem antes passar
por este período e preparação citados. Muito menos diz que alguém "precisa"
desenvolver a mediunidade. Ninguém é obrigado a nada, afirma a Doutrina. Todos
têm seu livre-arbítrio, e mesmo que o ser tenha um canal mediúnico amplo,
próprio para o desenvolvimento da mediunidade, e não quiser desenvolvê-lo, não
há problema. Tudo o que é forçado é prejudicial ao homem.
Se ao chegar em um ambiente espiritualista lhe afirmarem que sua mediunidade
"precisa" ser desenvolvida, caso contrário você sofrerá as consequências
materiais e espirituais; sua vida será um transtorno; que os Espíritos estão lhe
chamando para o trabalho; que esta é a sua missão; com certeza este não é um
local que segue a Doutrina Espírita. Há seitas e religiões afro-brasileiras que
obrigam a pessoa a desenvolver-se mediunicamente e depois as ameaçam com
terríveis problemas futuros se elas deixarem de "trabalhar". Isto gera angústia,
medo e desespero nos envolvidos, que geralmente acabam vítimas de graves
obsessões (influência maléfica persistente de um Espírito atrasado sobre outro
ser). Cuidado!
Não há promessas de curas x Promessas de cura
O verdadeiro centro espírita não promete a cura para quem o procura. A
Doutrina afirma que a cura de uma influência espiritual ou doença material
depende de uma série de fatores, entre os quais a modificação moral do enfermo,
sua necessidade, seus problemas relacionados com encarnações anteriores e acima
de tudo, se há ou não a permissão de Deus para que haja a solução da
dificuldade. Muitas vezes, o sofrimento é um período necessário para o ser
refletir sobre sua existência, e o único que sabe quando é a hora disso terminar
é o Criador.O que o centro espírita faz é um pronto-socorro aos necessitados de
amparo e esclarecimento, e de todas as formas possíveis (orações, tratamentos
espirituais, passes, orientações morais e materiais) tenta minimizar o
sofrimento alheio, rogando a Jesus que se o Pai permitir, que interceda junto ao
indivíduo.
Qualquer lugar que prometa a cura de problemas espirituais ou materiais, sem
levar em consideração os fatores já citados, não é um local espírita.
Condicionar uma cura à frequência exclusiva naquele ambiente, ao pagamento de
dinheiro ou bens materiais, ou mesmo à "força da casa" não tem base no
Espiritismo e foge do bom senso que regula as Leis de Deus. Estas, não podem ser
modificadas de acordo com nossa vontade. Por isso, prometer algo que não depende
apenas de nós mesmos beira a irresponsabilidade e pode levar a pessoa
desesperada ao desequilíbrio total ou à descrença em Deus.
Passes simples x Passes com movimentos e gestos bruscos
O passe é um método utilizado dentro dos centros espíritas. Nada mais é do
que a simples imposição das mãos de médiuns sobre a fronte de outras pessoas,
transmitindo-lhes fluidos magnéticos e espirituais (energias positivas do
próprio médium e de bons Espíritos), no intuito de fortalecer-lhes o corpo e a
parte espiritual. Jesus usou muito deste artifício ao curar os enfermos que o
procuravam. Tem duração em média de 30 segundos a 01 minuto. Geralmente, é
aplicado dentro de salas específicas, após a palestra, individual ou
coletivamente, com o público sentado e o passista de pé. Apenas são feitas
orações, em pensamento, pelos médiuns, rogando o amparo de Jesus àqueles que
estão recebendo os fluidos. Os passistas não ficam incorporados pelos Espíritos,
apenas recebem sua influência mental e fluídica.Importante: nunca há necessidade
do passista tocar a pessoa que recebe o passe. Toques, apertos, carícias têm
grandes possibilidades de serem mal-interpretados, gerando confusões, e por isso
são dispensados no centro espírita.
Locais em que os passes são aplicados com movimentos bruscos, utilizando
objetos, baforadas de cigarro ou charuto, estalando-se os dedos, repetindo
mantras e cânticos, tocando várias partes do corpo do receptor não são centros
espíritas. Passistas que transmitem os passes incorporados por entidades,
fazendo orientações ou conversando normalemente, não são médiuns espíritas.
Todo o serviço espiritual é gratuito x Cobrança pela ajuda espiritual
O verdadeiro centro espírita não cobra nenhuma orientação ou ajuda espiritual
de seu público, nem condiciona o recebimento de curas ou salvação às doações.
Dar de graça o que de graça receber, ensinou Jesus, em alusão aos conhecimentos
espirituais. Não aceita dinheiro por serviços prestados mediunicamente. Seus
dirigentes e trabalhadores têm profissões próprias, que lhes dão o sustento
financeiro necessário para suas vidas. Quem sustenta materialmente a casa
espírita são seus trabalhadores/sócios, através de doações mensais, destinadas
ao pagamento de aluguéis, manutenção, divulgação doutrinária e aquisição de
alimentos, roupas e demais objetos a serem distribuídos às famílias carentes ou
instituições filantrópicas que sejam assistidas pelo grupo. Todo valor
arrecadado será exposto em balanços mensais, para que tanto trabalhadores como
frequentadores tenham acesso sobre onde é investido o dinheiro do centro
espírita. Caso algum frequentador da casa queira doar algo ao núcleo, é
preferível que a doação seja feita em gêneros alimentícios, roupas, materiais de
construção e afins, que poderão ser destinados aos carentes ou mesmo utilizados
na manutenção da casa. Se houver por algum motivo uma doação em dinheiro, o
centro espírita deverá fornecer um recibo ao doador e inscrever esta doação no
balanço mensal do grupo.
Todo local que cobra dinheiro, favores ou exige qualquer coisa ou favor material
devido à ajuda espiritual prestada não é um centro espírita. A cobrança
financeira é própria de pessoas que vivem da exploração da crença alheia,
contrariando os ensinos de Jesus. Há seitas que pedem dinheiro aos seus
assistidos afirmando que será usado para o feitio de trabalhos espirituais, como
a compra de velas, comida, roupas e coisas do gênero. Isso não é Espiritismo.
Espíritos que se prestam a fazer serviços espirituais em troca de coisas
materiais são entidades atrasadas, que nada de bom podem trazer aos que os
procuram.
Não podemos comprar a paz de espírito e tranquilidade que buscamos, é isto que
prega a Doutrina Espírita. Se não for esta a orientação do local, com certeza
não é um ambiente espírita.
Os 10 principais serviços do centro espírita
A Doutrina Espírita, ou Espiritismo, tem como lema a liberdade de expressão.
Assim, não há um órgão centralizador, como ocorre, por exemplo, na Igreja
Católica. Há apenas os princípios básicos que sustentam a Doutrina, ou seja: a
existência de Deus, dos Espíritos, a possibilidade da comunicação com eles, a
existência do mundo espiritual, da Lei de causa e efeito e a reencarnação.
Diante disso, cada centro espírita tem a possibilidade de praticar as atividades
doutrinárias da maneira que achar melhor. Colocaremos abaixo 10 das principais
funções que devem ser praticadas dentro de um verdadeiro centro espírita. A
prática correta ou não destas atividades vai variar de acordo com o conhecimento
do grupo que dirigir a casa. E a melhor maneira de sabermos se os trabalhos
estão sendo feitos dentro dos preceitos de Allan Kardec é analisarmos os
resultados obtidos na orientação e tratamento dos problemas materiais e
espirituais dos que buscam ajuda no centro espírita.
1) Recepção
Aquele que chega pela primeira vez no centro espírita geralmente tem uma
série de dúvidas a respeito do funcionamento da casa. Muitas vezes nem sabe o
que irá encontrar ali, haja visto a grande confusão que há na sociedade sobre o
que é e o que não é Espiritismo. Havendo uma recepção, que pode ser uma simples
mesa ou uma sala, o indivíduo poderá para lá se dirigir e obter as informações
sobre horário de funcionamento da casa e trabalhos desenvolvidos.
É necessário que a pessoa responsável pela recepção tenha total conhecimento das
atividades da casa e que se mantenha simpática em todos os momentos. Precisamos
lembrar que a recepção é o primeiro contato do visitante com o centro espírita.
E quase sempre é a primeira impressão que cativará ou afastará o público do
grupo.
2) Palestras
É o principal trabalho de uma casa espírita. O ser humano só consegue
libertar-se de seus vícios morais ou materiais quando se esclarece dos
malefícios que os mesmos trazem para sua existência. É através das palestras que
os oradores conseguem levar o conhecimento espiritual existente na Doutrina
Espírita.
Porém, por ser uma atividade de maior seriedade, deve ser entregue a pessoas
preparadas doutrinariamente e experientes em relação à vida cotidiana.
O assistente precisa sentir no palestrante o que a Doutrina chama de força
moral. Ou seja, que o expositor esteja falando de algo que conhece e pratica.
O tempo destinado à palestra também é importante. Muito curtas, são
superficiais; compridas, tornam-se exaustivas. O ideal são palestras que tenham
duração de no mínimo 30 minutos e no máximo 40 minutos.
Seu teor deve mesclar os postulados da Doutrina Espírita e o Evangelho de Jesus.
Sempre que possível, relacioná-los com o dia-a-dia da sociedade. Assim, o
ouvinte poderá fazer ligações do que está ouvindo com seus próprios problemas e
dúvidas.
Importante: no momento da palestra, é aconselhável que as demais atividades da
casa sejam interrompidas para que todos os trabalhadores e público possam
escutá-la. Lembremos que a palestra será o agente modificador do necessitado e
incentivador dos que prestam assistência no núcleo.
3) Atendimento particular
Chamado em alguns centros espíritas de consulta ou entrevista, este trabalho
visa orientar e ajudar espiritualmente pessoas detentoras de problemas mais
graves, e quando necessário, submetê-las a um tratamento espiritual.
Em uma sala reservada, um atendente e um auxiliar (trabalhadores experientes da
casa) receberão para uma conversa íntima indivíduos desajustados emocionalmente,
desesperados, com dificuldades familiares, amorosas, financeiras, desiludidos da
vida.
A recepcionista da casa se encarregará de preencher uma ficha com os dados
básicos do atendido (nome, idade, estado civil, endereço), encaminhando-a aos
atendentes. Estes, após conversarem com a pessoa, farão os demais apontamentos
que julgarem necessários para o acompanhamento do caso, como: estado emocional,
religião praticante, se é portador de algum desequilíbrio mental já
diagnosticado por médicos, se está sob efeito de remédios, e outras informações
que poderão ajudá-los em um possível tratamento espiritual.
Casas que já possuem médiuns devidamente preparados poderão detectar durante a
entrevista ou em uma reunião mediúnica se há ou não uma influência espiritual
atuando junto ao ser, orientando-o após isso sobre as atitudes a serem tomadas.
Caso contrário, o atendente terá seu trabalho limitado, mas poderá orientar o
indivíduo dentro de um posicionamento cristão, ajudando-o a corrigir seus
defeitos e encontrar a paz procurada.
Importante:
a) Todas as informações prestadas pelo entrevistado ao atendente serão
altamente sigilosas. As fichas que contêm anotações sobre a vida particular da
pessoa deverão ficar em um fichário sob a responsabilidade daqueles que
participaram da entrevista.
b) Caso haja a utilização de um médium verificando a atividade espiritual ao
lado do atendido, possíveis manifestações de Espíritos nunca devem ocorrer na
presença do necessitado, para evitar possíveis distúrbios psíquicos ou
impressões indesejadas.
4) Reunião mediúnica
Trata-se de uma reunião íntima onde apenas participam os médiuns (pessoas com
maior capacidade de sentir a influência dos Espíritos) da casa e algum
trabalhador auxiliar, pois ali muitas vezes serão tratados assuntos que dizem
respeito à vida particular de pessoas que buscaram auxílio no centro espírita.
Depois de passarem pela sala de atendimento, e verificadas possíveis influências
espirituais (obsessão*), os casos serão levados às reuniões mediúnicas, ou de
desobsessão. Nestas reuniões, o dirigente da sessão fará o que Allan Kardec
denominou de evocação, ou seja: solicitará a Jesus e aos Espíritos superiores
que permitam a manifestação da entidade espiritual que está acompanhando
determinado ser. Ao se manifestar em um dos médiuns presentes, este Espírito
receberá o que o Espiritismo chama de doutrinação, que nada mais é do que uma
conversa franca e amigável com o Espírito comunicante. O trabalhador responsável
tentará obter do Espírito o que ele deseja ao lado do necessitado e tentará
convencê-lo a afastar sua influência, com a ajuda dos Espíritos que dirigem a
casa.
A reunião mediúnica também pode servir para que os bons espíritos dêem
orientações e para que os sofredores manifestem-se, podendo ser ajudados através
da conversa.
Importante: para conseguirem-se bons resultados na doutrinação dos Espíritos é
necessário que médium e doutrinador tenham uma vida moral sadia. Vícios
materiais, como o cigarro, a bebida ou as drogas; e vícios morais, como o
adultério, o orgulho, a sensualidade exagerada e a mentira devem ser combatidos
rapidamente por aqueles que se dispõem a trabalhar em nome de Jesus em um centro
espírita. Assim como nas palestras, onde o exemplo moral do palestrante é que
tocará o indivíduo que o escuta, na mediunidade o Espírito só será convencido de
que precisa se modificar se sentir que quem o está orientando ou dando-lhe
passagem está esforçando-se também para isso. Caso contrário, a evocação
dificilmente trará benefícios ao sofredor.
*Obsessão: Conforme define Allan Kardec em "O Evangelho Segundo o
Espiritismo", cap. 28, item 81: "A obsessão é a ação persistente que um mau
Espírito causa sobre um indivíduo".
É diferente, portanto, de uma perturbação espiritual simples, que pode ser
causada pelo estado emocional momentâneo por qual passamos.
Na obsessão, o Espírito mau tem o objetivo persistente de prejudicar o
obsediado, seja por uma afinidade moral, com o intuito de aproveitar-se dele;
seja pelo ódio que os une devido a encarnações passadas.
A obsessão, porém, nunca tem como causa o Espírito obsessor, mas sim, as más
tendências que todos carregamos dentro de nós. Ou seja, o obsessor é sempre
consequência de nossa condição moral, pois se estivéssemos livres do orgulho, do
egoísmo, da maledicência, do nervosismo, da impaciência, da avareza, da
sensualidade exagerada, não haveria como uma entidade má se aproximar de nós.
Pois a aproximação só se dá pela afinidade de pensamentos e desejos.
Pensar e agir bem, portanto, é o melhor método de afastarmos as obsessões de
perto de nós. E se necessário, a administração de um Tratamento Espiritual
(descrito a seguir) dará grandes possibilidades de livrar o obsediado desta
doença moral.
5) Tratamento espiritual
Todo aquele em que foi diagnosticada uma obsessão poderá passar por um
tratamento espiritual. Ele consiste na aplicação de passes semanais, ingestão de
água fluidificada e o acompanhamento das palestras no centro espírita, buscando
a análise constante das imperfeições que possibilitaram à má influência
instalar-se ao seu lado, tentando melhorar-se moralmente a cada dia.
Este tratamento será complementado nas reuniões mediúnicas, onde os responsáveis
pela ajuda continuarão a evocar a entidade perturbadora no sentido de orientá-la
a seguir outro caminho.
Assim, atua-se nos dois campos que geram o problema obsessivo: o obsediado,
orientando-o moralmente e auxiliando-o fluidicamente; e o obsessor, alertando-o
de seu estado e encaminhando-o para um melhor estágio espiritual.
6) Passes
Os passes são transmissões de fluidos de um ser para outro. Os fluidos são
energias que fazem parte da estrutura material e espiritual dos seres. Nos
centros espíritas é aconselhável que os médiuns passistas tenham uma vida
regrada, sem os vícios já citados no item "Reuniões mediúnicas". Afinal, se seus
fluidos estiverem contaminados por maus pensamentos ou atitudes indevidas
poderão prejudicar ao invés de auxiliar quem os recebe.
O passe é aplicado apenas com a imposição das mãos do passista sobre a fronte do
indivíduo. Não é necessário tocá-lo.
No momento do passe, o passista busca sintonia com os Espíritos superiores,
geralmente através de uma prece feita de pensamento. Com isso, estes amigos
espirituais poderão ajuntar seus fluidos aos fluidos do médium, favorecendo
ainda mais quem está recebendo. A pessoa após o passe irá se sentir fortalecida
e mais disposta frente aos problemas por quais passa.
Importante: o passe é um complemento espiritual, e não a solução. Para que o
indivíduo possa melhorar é necessário que busque constantemente a libertação de
suas imperfeições. Aqueles que buscam a casa espírita apenas para receber o
passe devem ser orientados sobre a necessidade do esclarecimento através das
palestras e das boas leituras.
7) Livro de preces
Muitas pessoas que vêm ao centro têm parentes e amigos que não podem
acompanhá-los por variados motivos: doença, viagem, trabalho ou mesmo ignorância
sobre o que é a Doutrina Espírita. Outras há que gostariam que seus entes
desencarnados recebessem boas vibrações através de orações feitas no núcleo. O
livro de preces serve para isso. As pessoas deixam lá os nomes, idade e endereço
dos que elas gostariam que fossem beneficiados pela prece. Um trabalhador da
casa pode ficar responsável por anotar os dados, que posteriormente serão
levados para a reunião mediúnica. Assim, em determinada parte do trabalho, será
feita uma prece a Jesus e aos bons Espíritos, pedindo que possam interceder
junto àqueles que ali estão anotados.
Importante: sempre que possível, orientar ao público que embora as preces à
distância possam levar ajuda, o ideal é a presença da pessoa na casa espírita,
onde o amparo será mais direto e os resultados melhores.
8) Estudo doutrinário
É indispensável ao bom funcionamento do centro espírita o estudo semanal das
Obras Básicas da Doutrina Espírita. Para os trabalhadores em geral, é
aconselhável a leitura de "O Livro dos Espíritos" e de "O Evangelho Segundo o
Espiritismo". Quanto aos que trabalham na mediunidade, a leitura de "O Livro dos
Médiuns" torna-se obrigatória para o bom desenvolvimento de suas faculdades.
Se a casa espírita fica sem estudo torna-se presa fácil de Espíritos atrasados
que vez por outra tentam atrapalhar o bom andamento dos trabalhos em nome de
Jesus. Conhecendo as Obras Básicas da Doutrina, as orientações de Kardec e os
conselhos dos Espíritos superiores, os trabalhadores do centro estarão mais
atentos para saberem se estão ou não fazendo da casa um núcleo espírita sério.
As obras acessórias que existem no movimento espírita, psicografadas (escritas
através de médiuns influenciados por Espíritos) por Chico Xavier, Divaldo
Pereira Franco e tantos outros médiuns de renome também podem ser estudadas,
desde que não sejam o alvo principal dos estudos. O trabalhador precisa estudar
e revisar constantemente as obras de Kardec para poder separar o joio do trigo
existente nas obras acessórias.
Importante: para os que estão ingressando ou querendo ingressar nos trabalhos
da casa, é importante que o centro tenha um curso para iniciantes, como o que
estão participando.
Há vários cursos deste tipo no movimento espírita, que trazem um resumo da
Doutrina e de sua história. É aconselhável que diferente dos trabalhadores, que
devem estudar sempre, os iniciantes tenham um curso de curta duração (no máximo
5 meses, com aulas semanais). Caso contrário, poderão desanimar antes de
conhecerem mais a fundo o Espiritismo.
Se o curso seguir estas dicas, com certeza será um grande auxiliar na captação
de novos trabalhadores para o centro.
9) Assistência material
A caridade material deve fazer parte de toda casa espírita. Se ficarmos
apenas na teoria, sem colocar "a mão na massa", o centro corre o risco de
tornar-se apenas um núcleo de muita conversa e pouco serviço.
Trabalhos assistenciais a serem desenvolvidos não faltam: visitas a enfermos em
hospitais, manicômios, orfanatos, asilos; distribuição de cestas de alimento, de
roupas, de comida; desenvolvimento de escolas profissionalizantes, cursos de
gestantes, evangelização infantil em favelas e muitas outras formas de auxílio
aos carentes do pão material.
Todo trabalhador do centro espírita deve buscar ao menos um tipo de caridade
material por semana. Isso desenvolverá dentro dele o sentimento de compaixão ao
próximo, que lhe será muito útil em sua vida, dentro e fora da casa espírita.
10) Divulgação doutrinária
A Doutrina Espírita precisa ser bem divulgada para que diminuam as confusões
existentes entre ela e cultos espiritualistas ou afro-brasileiros. Ter uma
biblioteca na casa é de extrema importância. O centro poderá comprar ou receber
em doações uma série de livros doutrinários que possam esclarecer o leitor sobre
as bases do Espiritismo e do mundo espiritual. Estas obras devem ser emprestadas
ao público que terá cerca de vinte dias para ler e devolvê-la para a casa. Uma
pessoa fica responsável pelo empréstimo e anotação do nome, endereço e telefone
do locatário. Com isso, se caso houver uma demora na devolução, o bibliotecário
poderá contatar o leitor e lembrá-lo de devolver a obra para que outras pessoas
possam usufruí-la também.
Outras formas importantes de divulgação são a Internet e os folhetos ou jornais
doutrinários que podem ser confeccionados pelo grupo. O teor das matérias deve
ser o esclarecimento das práticas espíritas, a exposição de temas evangélicos e
o comentário de situações e fatos do cotidiano à luz da Doutrina Espírita.
O Grupo Espírita Apóstolo Paulo possui uma página na Internet
www.espiritismo.org e também um folheto, o
"Entenda a Vida", que em alguns meses do ano é distribuído nas residências do
bairro onde se localiza o centro, como também aos frequentadores do mesmo.
| Perguntas
1) Qual é a origem das palavras Espírita e Espiritismo? Quem as inventou?
2) Comente três diferenças entre um centro espírita e um terreiro de cultos
afro-brasileiros.
3) Como deve ser o desenvolvimento mediúnico em um centro espírita?
4) Qual a principal atividade de um centro espírita?
5) Coloque (V) Verdadeiro ou (F) Falso:
a) ( ) A cobrança financeira dos frequentadores do centro é muito importante
para os trabalhos espíritas.
b) ( ) A reunião mediúnica deve ser feita na presença de todos os
interessados, trabalhadores ou não da casa.
c) ( ) Obsessão é uma influenciação normal de um Espírito sobre um
encarnado.
d) ( ) Não há rituais, velas, cânticos, roupas especiais e evocações em
público em um centro espírita . |
O trabalhador espírita
Agora que sabemos o que é a Doutrina Espírita, quais seus princípios e como
ela deve ser praticada nos centros espíritas, comentaremos sobre como deve ser
um trabalhador espírita.
Prestar serviço caritativo em uma casa religiosa requer boa vontade e
perseverança.
Primeiro, porque sempre que modificamos algo em nossa vida, há como que uma
barreira a ser transposta. Isso é a tentativa de mudança causando uma reação
contrária.
Mudar o estabelecido, os costumes que temos, é muito difícil, pois nos fará
rever conceitos e assumir novos compromissos.
E estas dificuldades de adaptação poderão ocorrer em muitos setores de nossa
vida.
Ao comentá-los, lembremos da "Parábola do Semeador", onde caberá a nós deixarmos
ou não as sementes frutificarem em nossos corações.
No lar: se ambos os cônjuges resolvem trabalhar em prol do
próximo, não há problemas, pois os dois irão se ajudar nessa nova etapa da vida.
Porém, se apenas um toma esta decisão, terá que saber contornar, com paciência e
humildade, as reclamações e questionamentos do companheiro (a).
Raros são os casos em que mesmo não frequentando um trabalho caritativo o
cônjuge não implica com o outro. Isso porque inconscientemente sente-se
diminuído, sem forças para buscar algo novo, o que começa a perturbar.
Cabe àquele que decidiu buscar fazer algo de bom pelo próximo manter um diálogo
constante, sem forçar ao outro a mesma iniciativa. Com exemplos na conduta e
mostrando diariamente o quanto o trabalho espiritual tem lhe feito bem, irá
tocar o coração do companheiro (a), que poderá vir a juntar-se a ele na seara de
Jesus.
Mas mesmo que isso não ocorra, com o passar do tempo a mudança de atitudes dos
que trabalham no centro espírita irá beneficiar diretamente toda sua família,
ajudando na manutenção de um ambiente harmonioso e feliz, construindo um lar
onde os filhos terão prazer em viver. Enfim, uma família cristã.
No trabalho: muitos dos velhos companheiros do novo trabalhador
(a) espírita irão estranhar quando, no sábado à tarde, ao invés de ir no futebol
ou às compras no shopping, ele for visitar velhinhos no asilo; ou bater de porta
em porta pedindo alimento aos carentes. Será, então, chamado de "carola",
"fanático", "rato de igreja" e outros adjetivos próprios de nossa sociedade.
Esta será a fase mais difícil, pois muitas vezes passamos mais tempo com os
amigos do trabalho e do lazer do que com nossa própria família.
Isso também passará com o tempo, quando seus amigos perceberão que não é a
dedicação de algumas horas semanais em benefício alheio que o tornará menos
sociável. Pelo contrário, sentirão uma maior serenidade em seus atos, um maior
equilíbrio em seu cotidiano.
E o futebol, como as compras, não deixarão de existir em sua vida. Apenas
cederão um pouco de espaço para os que necessitam de nosso amparo.
Os vícios: todos sabemos que cigarro e álcool não fazem bem
para o organismo, nem em pequenas doses. Mas muitos de nós não conseguimos nos
afastar, ainda, destes vícios. Compreendendo a Doutrina Espírita e como agem os
fluidos que nos envolvem, percebemos que estes hábitos também prejudicam nosso
corpo espiritual, o Perispírito, deixando-nos impregnados com as sensações dos
mesmos.
O trabalhador espírita iniciante deve estar consciente da necessidade de lutar
contra esses vícios materiais. Não de forma radical, pois a natureza não dá
saltos. Mas de forma sensata e constante, contando com a ajuda dos bons
Espíritos e de Jesus.
Já para o trabalhador espírita que pratica a mediunidade, ou que transmite
passes, o uso do cigarro e do álcool é excluído. Isso porque no caso da
mediunidade, muitos são os Espíritos comunicantes ainda ligados a esses vícios.
E para orientá-los, ou envolvê-los em boas vibrações, médiuns e doutrinadores
precisarão ter a "força moral na palavra", prescrita por Allan Kardec. Ou seja,
se vamos orientar alguém para desvincular-se do vício, nós mesmos devemos estar
desvinculados. Caso contrário, nossas palavras não emitirão sinceridade, apenas
superficialidade.
É o mesmo que o pai ou mãe que bebem, fumam ou falam palavrões quererem proibir
os filhos de fazerem o mesmo. De nada adiantará, se não houver o exemplo.
Já no caso do passista, ao ministrar o passe estará doando seus fluidos,
juntamente com os dos Espíritos superiores. E se os seus estiverem contaminados
pelas substâncias contidas no cigarro e no álcool, irão transmiti-las aos
receptores.
É verdade que de nada adianta o médium não beber ou não fumar e viver na
mentira, desonestidade, adultério e orgulho. Porém, estes são os vícios morais
que a convivência com a Doutrina deve nos levar a modificar. E, verdadeiramente,
são mais difíceis de vencer.
Começar pelos vícios materiais pode nos ajudar a ter força de vontade. Cabe a
nós decidirmos.
As compensações: realmente, ser um trabalhador espírita
necessita muito ânimo e coragem. Porém, as recompensas são reais. Pois todo
aquele que trabalha para Jesus com sinceridade no coração encontra o "Reino de
Deus" dentro de si, que nada mais é do que a paz de espírito e o equilíbrio na
vida.
Abaixo, transcrevemos uma passagem contida em "O Evangelho Segundo o
Espiritismo", capítulo 20, item 4, intitulada "Missão dos Espíritas", que nos
mostra bem o que o Senhor espera daqueles que decidiram ajudar ao próximo.
| Missão dos espíritas
"Não escutais já o ruído da tempestade que há de arrebatar o velho mundo
e abismar no nada o conjunto das iniquidades terrenas? Ah! bendizei o
Senhor, vós que haveis posto a vossa fé na sua soberana justiça e que, novos
apóstolos da crença revelada pelas proféticas vozes superiores, ides pregar
o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos, conforme
tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas
terrestres.
Não mais vos assusteis! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. O
verdadeiros adeptos do Espiritismo!... sois os escolhidos de Deus! Ide e
pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua
propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações
fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. Certamente
falareis a criaturas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz
as exorta incessantemente à abnegação. Pregareis o desinteresse aos avaros,
a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos
déspotas! Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. Faz-se mister
regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele
não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e
da charrua evangélicas. Ide e pregai!
Ó todos vós, homens de boa-fé, conscientes da vossa inferioridade em face
dos mundos disseminados pelo infinito!... lançai-vos em cruzada contra a
injustiça e a iniqüidade. Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro,
que cada dia mais se alastra. Ide, Deus vos guia! Homens simples e
ignorantes, vossas línguas se soltarão e falareis como nenhum orador fala.
Ide e pregai, que as populações atentas recolherão ditosas as vossas
palavras de consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.
Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Somente lobos caem em
armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das
fogueiras imoladoras.
Ide, homens, que, grandes diante de Deus, mais ditosos do que Tomé, credes
sem fazerdes questão de ver e aceitais os fatos da mediunidade, mesmo quando
não tenhais conseguido obtê-los por vós mesmos; ide, o Espírito de Deus vos
conduz.
Marcha, pois, avante, falange imponente pela tua fé! Diante de ti os grandes
batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros
raios do Sol nascente.
A fé é a virtude que desloca montanhas, disse Jesus. Todavia, mais pesados
do que as maiores montanhas, jazem depositados nos corações dos homens a
impureza e todos os vícios que derivam da impureza. Parti, então, cheios de
coragem, para removerdes essa montanha de iniqüidades que as futuras
gerações só deverão conhecer como lenda, do mesmo modo que vós, que só muito
imperfeitamente conheceis os tempos que antecederam a civilização pagã.
Sim, em todos os pontos do Globo vão produzir-se as subversões morais e
filosóficas; aproxima-se a hora em que a luz divina se espargirá sobre os
dois mundos.
Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos
eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão;
porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação
terrena, encontrareis fervor e fé. Ide; estes receberão, com hinos de
gratidão e louvores a Deus, a santa consolação que lhes levareis, e baixarão
a fronte, rendendo-lhe graças pelas aflições que a Terra lhes destina.
Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está
pronto; a terra espera; arai!
Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que Ele vos confiou; mas, atenção!
entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram; reparai, pois,
vosso caminho e segui a verdade".
(O Evangelho Segundo do Espiritismo, cap. XX, item 4) |
| Perguntas
1) Fale um pouco de sua impressão sincera sobre o curso e se o/a ajudou a
compreender o que é a Doutrina Espírita. Dê sugestões, se as tiver.
2) Você acha que os estudos dos quais participou irão ajudá-lo(a) em algo
em sua vida? Por quê? |
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Last revised: 14/06/2001
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