Os sãos não precisam de médico

Grupo Espírita Apóstolo Paulo

Os sãos não precisam de médico

*Evangelho de Mateus, IX; 9 a 13

a) Sofrimento (provas e expiações)
b) Sentimento (desejo do espiritual)

"Jesus dirigia-se, sobretudo, aos pobres e deserdados, pois eles são os que mais necessitam de consolação; e aos cegos e humildes e de boa fé, porque eles pedem que lhes abram os olhos. Não aos orgulhosos, que crêem possuir toda a luz e não precisar de nada"(Allan Kardec, em "O Evangelho Seg. Esp., XXIV; 11 e 12).

"Se alguém quiser me seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á ; mas o que perder sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á. Pois de que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma" (Mateus, XVI; 24 a 26)

Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque.

Os sãos não precisam de médico

O objetivo desta palestra é mostrar ao público a importância dos ensinos de Jesus e da Doutrina na vida daqueles que praticam o erro. Embora todos nós sejamos imperfeitos, há pessoas que acreditam serem auto-suficientes, que não erram jamais. Fale ao público que esse pensamento distorcido é próprio do orgulho que temos em nosso espírito. Com isso, lembre que o grande mal que assola a humanidade não é a falta de dinheiro e sim a ignorância em relação às coisas de Deus. O homem passa a viver como se já não precisasse de mais nada, além do comer, beber, fazer sexo, divertir-se. Para estes, lembra Jesus, não é chegada a hora do ensinamento de Deus. Mas sim, para aqueles que já se conscientizaram da condição de imperfeitos e que buscam a verdade espiritual.
Após esta introdução, passe para a passagem da vida de Jesus abaixo.

"E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu.
E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos.
E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?
Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os doentes.
Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento."
Evangelho de Mateus, IX; 9 a 13

Se possível, memorize a passagem e conte-na aos ouvintes. Se não conseguir, leia-a, com calma e boa dicção. Depois, mostre ao público o sentido do ocorrido.
Primeiro, a modéstia e humildade de Jesus. Ele, o espírito mais superior que já esteve entre nós, fazia questão de sentar-se junto a homens considerados pecadores (explique quem eram os publicanos, profissão de Mateus; homens incumbidos de colher os impostos do povo judeu para entregar aos romanos. Geralmente, eram pessoas judias, como o próprio Mateus. Por este motivo, eram consideradas impuras pelos judeus e malditas). Por isso, lembre ao público a importância de nos comportarmos como Jesus, não desprezando os que nos são inferiores moral, intelectual ou financeiramente.
Depois, a perspicácia de Jesus, que percebeu o tom de voz irônico dos fariseus (explique quem eram os fariseus; classe religiosa dominante na época, inimiga de Jesus, pois o Mestre acusava-os, pelo menos a maioria deles, de falarem em Deus mas não seguirem seus ensinamentos). Jesus, então, mostrou que veio ao mundo para atender aos enfermos. Não apenas aos enfermos do corpo, mas principalmente aos enfermos do espírito. Ou seja, todo aquele que erra, que se conscientizou de seu erro, e que busca o arrependimento, com humildade.
Aos sãos, que na verdade pensam que o são, pois todos temos nossas doenças da alma (imperfeições); estes, Jesus afirma que não veio para eles, pois ainda não é chegado o seu tempo. Mostre ao ouvinte que a pessoa para entender os ensinos do Cristo, da Doutrina Espírita, precisa estar primeiramente com vontade de aprendê-los. Senão, de nada adiantará, pois o espírito precisa estar amadurecido para tal.
Então, explique as formas pelas quais o espírito amadurece e fica apto a conhecer a verdade espiritual. Divida a explicação como se segue abaixo:

a) Sofrimento (provas e expiações)
b) Sentimento (desejo do espiritual)

  1. Através dos sofrimentos o ser passa a encarar a vida de forma diferente. Com a dor, percebemos que não estamos na vida para brincar, mas para progredir. Ao agirmos contra a lei de Deus, estamos sujeitos a sofrermos em nós mesmos nossos atos errados. São as expiações, a colheita da plantação que fizemos.
    Além disso, temos em nossa vida as provas, situações que nos são colocadas para aprendermos a ter paciência, resignação, força de vontade. E muitas vezes estas provas são difíceis de passarmos.
    Com as provas e expiações passamos a valorizar a vida. E como elas são produtos de nossas necessidades, evoluímos através delas, tendo a condição de ouvirmos algo novo, além do matéria. É a hora de conhecermos Jesus e a Doutrina Espírita. É a dor criando algo de bom: o arrependimento e a busca pela melhoria.
  2. Mas há pessoas que conseguem buscar o amadurecimento espiritual sem o sofrimento. São pessoas que apenas a matéria não mais satisfaz. Sentem a falta de algo mais, um conhecimento além. Este sentimento leva-as ao desejo do espiritual, ou seja, aprender o que há além da parte material. Nestes, também é chegada a hora de conhecer sobre a Doutrina Espírita e Jesus.

Para completar estes raciocínios, leve o público a ler a passagem abaixo, mostrando que os pensamentos de Jesus e Kardec andam de mãos dadas:

"Jesus dirigia-se, sobretudo, aos pobres e deserdados, pois eles são os que mais necessitam de consolação; e aos cegos e humildes e de boa fé, porque eles pedem que lhes abram os olhos. Não aos orgulhosos, que crêem possuir toda a luz e não precisar de nada"(Allan Kardec, em O Evangelho Seg. Esp., XXIV; 11 e 12).

Sim, Jesus, como na passagem inicial, só pode ensinar quem quer aprender. Quem tiver a coragem de querer que seus olhos sejam abertos, ou seja: deixar o orgulho de lado, entender-se como cego espiritual (que não conhece a verdade) e colocar-se humildemente em posição de aprendizado.
Se o homem tiver o orgulho junto a si, como compreenderá as coisas de Deus?
Fale, com ênfase, que é a nossa hora de buscarmos o conhecimento. Que a fé em Deus deve fazer com que estejamos prontos em corrigir os próprios defeitos e buscar a compreensão. Deixar nossos interesses materiais um pouco de lado e dedicarmo-nos em benefício do próximo e de nosso auto-conhecimento.
Leia, então, para finalizar, a passagem abaixo:

"Se alguém quiser me seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á ; mas o que perder sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á. Pois de que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma" (Mateus, XVI; 24 a 26)

Em tom calmo e sereno, fixe o olhar no público, e diga que está em nossas mãos o caminho que queremos seguir. Negar-se a si mesmo é entender que não somos o centro do universo. Que devemos buscar nossa melhoria material, nosso conforto, mas este não deve ser o principal objetivo da vida. Caso contrário, nossa existência será totalmente voltada à matéria, e mesmo que ganhemos muito com isso financeiramente, estaremos arriscados a perder o que de mais valioso viemos buscar nesta encarnação: o conhecimento espiritual e a prática do bem ao próximo. Diz Jesus que devemos "perder" a nossa vida. Não que devemos nos transformar em alienados, que rezam o dia todo. Devemos viver no mundo e cumprir nossas obrigações sociais e profissionais da melhor maneira possível. Mas devemos ter tempo suficiente para buscar nosso aprendizado espiritual.
Assim, estaremos alimentando nossa alma com o que realmente a satisfaz: o progresso moral e intelectual, objetivo principal de nossa existência terrena.

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