O Argueiro e a Trave No Olho

“O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo X, itens 9 e 10.”

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositora: Vera Oliveira
Rio de Janeiro
29/05/2002

Dirigente do Estudo:

Márcio Duarte

Mensagem Introdutória:

NÃO CENSURES

Não censures. Onde o mal apareça, retifiquemos amando, empreendendo semelhante trabalho a partir de nós mesmos.

O cirurgião ampara o corpo enfermo, empregando atenção e carinho, com bisturis adequados.

O artista afeiçoa a pedra ao próprio sonho, aformoseando-lhe a estrutura com paciência e vagar.

Ninguém desfaz a treva sem luz.

E reconhecendo-se que a luz nasce da força que se desgasta, em louvor da cooperação e do benefício, o amor procede do coração que se entrega ao trabalho para compreender e auxiliar.

Quando estiveres a ponto de desanimar ante os empeços do mundo, de espírito inclinado à acusação e à amargura, lembra-te de Deus cuja presença fulge nas faixas mais simples da natureza.

A divina sabedoria apoia a semente para que a semente germine, propiciando-lhe recursos imprescindíveis à existência; nutre-lhe os rebentos, doando-lhes condições precisas para que se desenvolvam, e, convertida a planta em árvore benfeitora, assegura-lhe a seiva e aguarda-lhe ocasião justa para a colheita dos frutos de que enriquecerá o celeiro.

Em toda a parte da Terra, surpreendemos a esperança de Deus, em função ativa, seja na pedra que se erguerá em utilidade, no carvão que se fará diamante, no espinheiral que se metamorfoseará em ninho de flores, na gleba inculta que se transfigurará em jardim.

Deus opera com tempo igual para todos.

E a própria sabedoria divina nos auxilia a todos indistintamente, agindo, criando, renovando e sublimando com apoio nas horas; sempre que nos vejamos defrontados por dificuldades e incompreensões, saibamos servir com paciência e aprenderemos que, à frente dos problemas da vida, sejam eles quais forem, não existem razões para que venhamos a esmorecer ou desesperar.

Oração Inicial:

<Moderador_> Senhor, nosso Mestre e Irmão maior, queremos nos reunir, Senhor, em Teu nome, para falarmos de Tua palavra, que nos foi trazida há dois mil anos. Que possamos aproveitar bem este tempo e esta oportunidade de estudar o Teu evangelho. Pedimos a assistência dos bons espíritos, que orientam este trabalho. Que eles nos inspirem e inspirem a nossa companheira, Vera Oliveira, na sua exposição. Pedimos, Senhor, que seja em Teu nome, e em nome de Deus, que possamos dar por iniciado o Estudo sobre o Evangelho Segundo o Espiritismo.

Que assim Seja!

Exposição:

<Vera_Oliveira> Meus queridos companheiros, que Jesus nos abençoe a noite de estudos e que nos conduza ao que tiver de melhor no tema de hoje, para que juntos possamos refletir em lições tão valiosas para as nossas almas.

Recordemos o Capítulo VII - Bem aventurados os pobres de espírito, do Evangelho Segundo o Espiritismo, quando Kardec nos esclarece que o orgulho é a catarata que tolda a visão.

Interessante esse esclarecimento de Kardec. Se o orgulho é a catarata que tolda a visão, certamente nos deixa um desconhecimento de nós mesmos. E isso significa que olhamos mais o que acontece fora de nós, e, mesmo assim , ainda ficamos sem bases para direcionar e discernir aquilo que identificamos no outro, segundo os nossos conceitos, os nossos padrões e o nosso sentimento. Por isso, devemos refletir profundamente na necessidade intransferível de identificarmos e trabalharmos esse grande obstáculo do nosso progresso, que é o orgulho.

E por que nós estamos falando disso nesse item?

Justamente, porque é no item 10 que Kardec nos diz : "Se o orgulho é o pai de muitos vícios é também a negação de muitas virtudes e pode-se encontrá-lo na base e como motivo de quase todas as nossas ações".

Foi por isso que Jesus se interessou em combatê-lo como principal obstáculo ao nosso progresso. Se a Lei é de Progresso para o espírito imortal, faz-se imprescindível retirar os obstáculos do nosso caminho.

Em quê o orgulho dificulta a nossa relação com o outro?

Achamos que somos melhores em muitas situações. Isso, muitas vezes, nos distancia da possibilidade de desenvolvermos uma relação amorosa com o outro.

Sentimos medo de ser ofendido por alguma coisa que o outro nos faça. Nos sentimos enciumados quando descobrimos que o outro tem outros afetos. Enfim, são muitas as dificuldades que o nosso orgulho cria na intimidade do nosso ser, nos trazendo insegurança, insatisfação e desentendimento, nos nossos relacionamentos.

Quando apontamos defeitos nos outros, não podemos esquecer que o outro, necessariamente, não tem o defeito que dizemos que ele tem. Atribuímos um determinado defeito a alguém, segundo a nossa opinião. É a forma que vemos as coisas, daí a necessidade termos muito cuidado.

Analisamos o semelhante segundo os nossos conceitos que, muitas vezes, estão baseados em preconceitos e equívocos, que não condizem com a realidade do nosso companheiro. Jesus nos ensinou o grande método de viver bem com o outro, o que geralmente, achamos ser impossível exercitar , porque o catalogamos como ensino de santificação. Por outro lado, sabemos não ser real este sentimento. Trata-se apenas de uma forma de viver melhor, de viver bem, de crescer, de aprender com o outro, de trocarmos experiências. Mas só poderemos crescer nesse sentido, se nos sentirmos livres dessas mesquinharias que nos fazem tão pequenos quando podemos ser grandes nos sentimentos, nas emoções de amor e consequentemente nos sentirmos felizes.

Olhe para o outro e tente senti-lo em sua melhor forma, pois todos nós temos o nosso lado bom. Podemos, ainda, esquecer seu lado negativo , que não cabe a nenhum de nós analisar por não termos competência para tal. Jesus nos ensina : "Atira a primeira pedra, aquele que tiver sem pecado." Estava aí o Mestre, indiscutivelmente, dizendo da nossa incompetência em julgar o outro.

Ao olharmos o lado bom, poderemos nos descobrir e nos relacionar com nossos semelhantes pelo lado positivo. Experimente, tente descobrir, estimule esse lado bom. Incentive-o. Arranque de dentro do outro, os sentimentos nobres e você verá, nós veremos, que a relação se torna mais fácil, mais compensadora, enfim, nos trará valores que nem imaginávamos.

Em O Livro dos Espíritos, na parte que fala das Leis Morais - Lei de Liberdade, nos dizem os espíritos, que nós fazemos os hipócritas porque não aceitamos a sua forma de pensar. Ou seja, quando alguém percebe que não aceitamos a forma com que ele pensa, não se mostra como é. No entanto, prosseguem os espíritos dizendo, que todo ser é livre para pensar. Imagine que, se Deus deu ao homem a liberdade de pensar, quem somos nós para aceitar, ou não, o que outro pensa. Quando refletimos sobre esse esclarecimento dos espíritos, percebemos quanto é grande a nossa infantilidade.

E por que nós recorremos a essa pergunta?

Justamente porque no item 9, que estamos estudando, Jesus conclui a abordagem evangélica, dizendo: "Hipócritas. Tirai primeiro a trave do vosso olho, e então vereis como podereis tirar a palha do olho do vosso irmão."

Eis aí a grande direção que o Mestre nos dá, nos convocando a cuidar, primeiro de nós mesmos, no sentido de trabalhar nossos defeitos.

E, quando falamos em olhar para o nosso interior, não podemos esquecer, e nem deixar de citar Joanna de Angelis, através da sua valiosa obra, onde aborda aspectos psicológicos e doutrinários, nos auxiliando a detectar sempre o que precisamos modificar em nossos espíritos para o processo da renovação.

Tentemos, na noite de hoje, refletir na questão do orgulho.

Somos orgulhosos? Por que somos? Do quê temos orgulho?

Para quê temos orgulho? Aonde chegaremos com orgulho?

O que ele nos trará de bom para a nossa felicidade?

Eis aí questões que se desdobram em nossa mente e, certamente, as nossas emoções também se movimentam no sentido de avaliarmos e reavaliarmos o nosso próprio conteúdo.

E nessa reflexão, busquemos nesse momento nossos amigos espirituais, que tudo fazem para o nosso progresso moral, para que eles nos ajudem, nos direcionem nesta noite, quando sairmos dos nossos corpos físicos, para uma das muitas salas de estudos no plano espiritual, para que possamos fazer um curso rápido sobre a humildade, a chave do progresso individual.

E, para concluirmos, vamos recordar uma resposta de Baltazar, um dos diretores espirituais do Centro Espírita Léon Denis.

Perguntou-lhe, o médium Altivo, o que ele fazia para trabalhar conosco encarnados, já que tínhamos tantas dificuldades? Como ele fazia para administrar as nossas dificuldades.

E Baltazar respondeu:

- Para trabalhar com vocês, fiz um curso, na espiritualidade, de bom ânimo!

O princípio é o mesmo. Roguemos a Jesus, que nos conceda a oportunidade de fazermos pequenos cursos, para voltarmos aos nossos corpos mais animados, mais capazes de superar os nossos limites e as nossas dificuldades.

Um espírita nunca deverá crer que não vencerá uma dificuldade, porque ele sabe que, diante das dificuldades, a providência sempre enviará os recursos.

Oração Final:

<Moderador_> Façamos a nossa prece de encerramento, unindo nossos corações e pensando em Jesus.

Mestre amigo e nosso irmão Jesus. Queremos Te agradecer a oportunidade do estudo, na noite de hoje. Te agradecemos pela Doutrina Espírita, que vem nos consolar e nos ensinar e ir ao Teu encontro, em nosso caminho da evolução. Fique conosco, Senhor, nos abençoe e abençoe a nossa amiga Vera, que nos trouxe a Tua palavra, em uma bela exposição. É em Teu nome, Senhor, e em nome de Deus que pedimos para encerrar o Estudo de Hoje.

Que assim seja!