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Política em Defesa da Vida

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrante: Carlos Roberto
Rio de Janeiro
01/03/2002

Organizadores da Palestra:

Moderador: "Jaja" (nick: [Moderador])

"Médium digitador": "Carlos Roberto" (nick: Carlos_Roberto)

Oração Inicial:

<Moderador_> Senhor Jesus, nós te agradecemos a oportunidade de estarmos aqui, reunidos em teu nome, com o objetivo de estudar a doutrina espírita. Te pedimos, Mestre querido, que possas nos abençoar, através de seus mensageiros de luz, esses Espíritos amigos que se fazem presentes neste momento. Que nosso companheiro Carlos Roberto possa receber as melhores vibrações do alto, de modo a auxiliá-lo na tarefa que tem nesta noite. Que as bênçãos do alto recaiam sobre todos nós! E que em nome de Deus, de Jesus e da espiritualidade amiga, possamos dar por iniciada mais uma Palestra Virtual. Que assim seja!

Considerações Iniciais do Palestrante:

<carlos_roberto> Muitos motivos de alegria na vida de todos é o que desejo, e que estas alegrias também envolvam quem vocês amam e quem ama vocês! Sou freqüentador do CELD - Centro Espírita Léon Denis. Lá desenvolvo o trabalho do NVG - Núcleo de Valorização da Gravidez -, que tem por objetivos valorizar e defender a gravidez. Hoje estamos aqui para raciocinarmos em conjunto sobre a importância da política em nossas vidas. A política é uma ciência que deve estar a serviço do bem do homem. No desejo que nossa troca de idéias seja muito produtiva, rogo aos amigos espirituais que coordenam este trabalho na noite de hoje, que me inspirem a humildade, a simplicidade, a jamais descurar da caridade, e a trilhar os melhores raciocínios em torno deste tema tão importante. (t)

Perguntas/Respostas:

<[moderador]> [01] - <jaja> Originalmente, acredito eu, a política deve ter sido criada para trabalhar a favor da sociedade, trazendo benefícios a todos. Mas parece que ela sofreu algum desvio. A que devemos atribuir isso?

<carlos_roberto> Existe em tudo o que fazemos o cunho da nossa personalidade. Assim também o é com relação a sociedade. Como temos ainda uma sociedade terrena de características primárias, no tocante aos valores morais, pois aqui ainda predomina o mal sobre o bem, é natural que tenha havido o desvio do bem comum para o bem dos indivíduos, em especial, dos que detém o poder. (t)

<[moderador]> [02] - <reinaldo_> Como participar da política e ser, ao mesmo tempo, apartidário (em relação aos partidos constituídos), já que nossa opção deve ser pelo 'partido da fraternidade'?

<carlos_roberto> Participar da política é necessidade de todo ser humano consciente do seu direito à participação do processo evolutivo da sociedade. Somos políticos quando emitimos nossas opiniões a respeito dos governantes. Somos políticos quando influenciamos as pessoas em suas decisões. Sermos apartidários é um passo importante, pois devemos votar em idéias e não em partidos políticos, mormente em países como o Brasil onde não existe a fidelidade partidária, onde se troca de partido com facilidade, em função de conveniências pessoais. (t)

<[moderador]> [03] - <jaja> O discurso de alguns políticos antes das eleições é um e, logo após eleitos, sua prática se transforma em outra coisa. Como conseguir identificar a verdadeira intenção de alguém, neste caso um político, de modo a sabermos quem escolher para dirigir os destinos de um determinado grupo de pessoas?

<carlos_roberto> Precisamos buscar a vida pregressa da pessoa. Bons indícios são: Trabalho voluntário a favor de núcleos sociais. Vida política - isto para os que já foram eleitos algum dia - pautada no gerar projetos de lei a benefício da coletividade. Pensamento cristão, vivência cristã, idéias cristãs. É importante que não seja um ateu. O rótulo religioso não importa, mas é importante que seja alguém que possua religiosidade, sem que com isto, tire os pés do chão. (t)

<[moderador]> [04] - <[rejane]> Como ajudar quando vemos jogos de interesse e disputas nas questões políticas?

<carlos_roberto> Quando estamos diante dos poderosos, não podemos enfrentá-los no campo deles. O Altivo me contou que um ex-vice-presidente de uma grande indústria de cigarros americana veio a público, e foi ao Congresso Americano denunciar que o teor de substâncias que compõe o cigarro são manipulados em função do consumo, ainda assim, não foi possível deter o avanço da indústria do cigarro. O que fazer? A "arma" preciosa que temos em nossas mãos é a educação! Se sabemos que um determinado candidato a um cargo político prima pelo desamor a vida, divulguemos as verdadeiras intenções dele, o que ele tem feito, para que ele não alcance uma fatia maior do poder, não prejudique mais a nação, não se complique mais ainda diante da consciência. Finalmente, se sabemos que determinada pessoa tem grandes valores morais, é um grande estadista, falemos sobre ele no nosso circulo de influência. (t)

<[moderador]> [05] - <reinaldo_> Como nós podemos agir, politicamente, no interesse coletivo, quando estamos tão ocupados em defender o próprio dia-a-dia?

<carlos_roberto> Respeitando que naturalmente alguns existem que tão ocupados estão em prover o necessário a própria subsistência, não podemos solicitar a estes um enganjamento maior na divulgação das boas propostas que bons políticos estejam apresentando. Se soubermos aproveitar nosso tempo da forma adequada, encontraremos tempo para orientar os que ignoram, sabendo que estaremos investindo na nossa qualidade de vida. Vou citar um exemplo: Neste momento temos um candidato a presidência do Brasil, que é responsável por um ato de graves conseqüências. Este político, ultrapassando os limites do Poder Executivo, criou uma Norma Técnica que liberou o aborto até 5 meses de idade em alguns hospitais da rede pública pelo Brasil a fora. Por isso, vemos o Padre Luis Carlos Lodi da Cruz, de Anápolis, procurando esclarecer com vigor ao público, para não votar no Sr. José Serra. (t)

<[moderador]> [06] - <_Alves_> Boa noite, Carlos Roberto. Contrariando a frase de Jesus "Dar a Cezar o que é de Cezar", muitos espíritas recriminam o engajamento político. Qual a sua opinião? É óbvio que estou falando em política fora da instituição espírita, pois ela não se presta a isso. Não pode o espírita, com uma visão melhor da sociedade, mais moralizado que deve ser, ajudar as instituições político-partidárias?

<carlos_roberto> Boa noite, Alves. O espírita antes de ser espírita é um ser humano, inserido no contexto da realidade que vive. No mundo a política tem grande influência. Como ignorá-la? O espírita deve sim ter um engajamento político, não como "político espírita" ou "espírita político", mas como espírita que precisa ter uma visão e um conhecimento político. Ele deve participar normalmente do processo, quer seja como político, quer seja como eleitor. Trazemos aqui a lembrança de dois espíritas que foram políticos que jamais se apresentaram como "políticos espíritas", mas que se preocuparam em exercerem seus cargos com sentimento cristão: Um foi deputado por São Paulo, Freitas Nobre. Outro, provavelmente o espírita mais conhecido dentre os que tiveram atuação política: Bezerra de Menezes. Gostaria de citar uma frase do Deputado Dr. Adolfo Bezerra de Menezes. "Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos e nesse princípio nos firmaremos". (t)

<[moderador]> [07] - <_Alves_> Esse é um homem, grande homem, ao qual costumo me referir tentando rebater estas críticas: Dr. Bezerra, que soube fazer da política um grande campo de trabalho em pról do semelhante. Bezerra é exemplo a ser seguido?

<carlos_roberto> Sim, em todos os sentidos. Precisamos lembrar que é preciso "estatura moral" para não sucumbir diante das facilidades que são oferecidas aos políticos. Isto no que se refere aos que se candidatam. E com relação aos que vão participar como eleitores? Precisamos ter o cuidado de não votarmos em candidatos porque eles (ou elas) são bonitos, charmosos, artistas, desportistas, participantes de um determinado partido político, etc. Precisamos buscar as idéias, os sentimentos, os projetos que são propostos e que visam o bem-comum, ao mesmo tempo que são "pé no chão", ou seja, que são exequíveis dentro da realidade do país. (t)

<[moderador]> [08] - <_Alves_> Diante disso, o "militante espírita" deveria pensar na fundação de um "partido espírita", ou deve procurar um partido qualquer e formar bloco, a exemplo dos evangélicos?

<carlos_roberto> A bancada evangélica tem por objetivo um poder concentrado em favor de interesses particulares, tanto quanto consigo alcançar. Isto não é buscar o interesse do bem comum, que é interesse do povo, independente de sua condição religiosa, racial, financeira, etc. Não deve existir uma "bancada espírita". E, é claro, não deve existir um partido espírita. O Espiritismo deve influir e influenciar a política sim. E de que modo? Produzindo homens e mulheres melhores, que serão melhores juízes, donas de casa, engenheiras, jogadores de futebol, e conseqüentemente, políticos. (t)

<[moderador]> [09] - <floxacino> Sendo a vida o maior dom que Deus nos deu, é válido cometer faltas no sentido de preservá-la?

<carlos_roberto> A política deve visar o maior de todos os direitos, que é o da própria vida. Em seu artigo 5 (quinto) a Constituição Brasileira contempla a vida como o maior dos direitos do ser humano, ao coloca-lo em primeiro lugar na lista dos direitos invioláveis, a saber:

"TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO I - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5o. Todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: "(grifos nossos)

Observem que liberdade, igualdade, segurança e propriedade, conquanto muito importantes, são precedidos pela referência ao direito à vida. Claro! Se não estivermos vivos, não poderemos gozar de nenhum dos outros direitos. É válido agirmos no sentido de preservarmos nossas vidas - e a dos outros também -, se necessário for, atuando em legítima defesa, ainda que isto resulte no impedimento parcial ou total das ações dos que nos agridem. Mas, isto não seria cometer faltas. A lei prevê, como por exemplo, a não punição de quem rouba alimentos no estado de necessidade. Vale aqui a intenção, os recursos morais e intelectuais que se possui, as circunstâncias em que os fatos ocorreram. Respondo assim, porque não existe uma situação específica na sua pergunta. (t)

<[moderador]> [10] - <_Alves_> Em sendo assim, qual a linha a ser seguida pelo "político espírita"? À direita, onde o controle está centralizado no Estado-Militar, à esquerda, que prega o socialismo puro, ou ao centro, tipo social-democracia e democracia cristã, que pregam um liberalismo controlado, onde o Estado apenas fiscaliza a aplicação da regras que regem a sociedade?

<carlos_roberto> A conduta espírita não deve estar sujeita aos moldes estreitos que o mundo oferece. Claro que talvez não seja possível ser candidato fora desses modelos que aí estão. Mas, uma vez eleito, a conduta espírita deve se pautar pela prática do bem. Deve se visar o bem da maioria. E neste caso, o que trabalho pelo bem comum, não é cerceado no seu interior, pelas orientações partidárias. Vemos aqui no Brasil o exemplo do PT, que é fundamentalmente abortista, embora procure amenizar isto dizendo em sua cartilha doutrinária, que um dos objetivos do partido é a "regulamentação" do aborto, palavra mal-disfarçada para identificar o desejo da legalização do aborto no Brasil. Ora, o PT exige os políticos a ele vinculados se pronunciem a favor do aborto, mas nada obsta, que cada político de per si, aja de acordo com sua consciência. (t)

<[moderador]> [11] - <_Alves_> Entendo sua colocação, Carlos, mas como fugir à orientação partidária? Existe o estatuto do partido ao qual se está filiado e, teoricamente, o político, espírita ou não, está preso. Por isso reforço a pergunta: que linha seguir, tentando não sair muito da ideologia espírita de igualdade e fraternidade?

<carlos_roberto> Não existe uma orientação espírita quanto a política especificamente. Existe uma orientação espírita quando a maneira de viver a vida. Vamos buscar o capítulo 10 do livro "Conduta Espírita", do qual ressaltaremos apenas alguns trechos.

NOS EMBATES POLÍTICOS

Situar em posição clara e definida as aspirações sociais e os ideais espíritas cristãos, sem confundir os interesses de César com os deveres para com o Senhor. Só o Espírito possui eternidade. Distanciar-se do partidarismo extremado. Paixão em campo, sombra em torno. Em nenhuma oportunidade, transformar a tribuna espírita em palanque de propaganda política, nem mesmo com sutilezas comovedoras em nome da caridade. O despistamento favorece a dominação do mal. Cumprir os deveres de cidadão e eleitor, escolhendo os candidatos aos postos eletivos, segundo os ditames da própria consciência, sem, contudo, enlear-se nas malhas do fanatismo de grei. O discernimento é caminho para o acerto.

Repelir acordos políticos que, com o empenho da consciência individual, pretextem defender os princípios doutrinários ou aliciar prestígio social para a Doutrina, em troca de votos ou solidariedade a partidos e candidatos.

O Espiritismo não pactua com interesses puramente terrenos. Não comerciar com o voto dos companheiros de Ideal, sobre quem a sua palavra ou cooperação possam exercer alguma influência. A fé nunca será produto para o mercado humano. Por nenhum pretexto, condenar aqueles que se acham investidos com responsabilidades administrativas de interesse público, mas sim orar em favor deles, a fim de que se desincumbam satisfatoriamente dos compromissos assumidos.

Para que o bem se faça, é preciso que o auxílio da prece se contraponha ao látego da crítica. Impedir palestras e discussões de ordem política nas sedes das instituições doutrinárias, não olvidando que o serviço de evangelização é tarefa essencial. A rigor, não há representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da política humana.

"Nenhum servo pode servir a dois senhores." - Jesus. (LUCAS, 16:13.)

Não resisti e coloquei o capítulo inteiro. Se o espírita não é capaz de resistir as pressões políticas dos seu partido, de modo que então se veja obrigado a agir em desacordo com sua consciência, então o lugar dele não é lá. Nenhuma filosofia partidária, nenhuma pressão política, faria com que Bezerra de Menezes, desrespeitasse as normas estabelecidas pelo Cristo. (t)

Considerações finais do palestrante:

<carlos_roberto> Precisamos aprender que não se deve votar em quem é contra a vida. Não adianta votar em quem quer educação para os mortos. Não adianta votar em quem quer saúde para os falecidos. Não adianta votar em quem quer transporte público eficiente para os que foram para o outro lado da vida. Não adianta votar em quem quer boa alimentação para os defuntos. Temos que votar nos que querem trabalhar pelos vivos. Isto significa que precisamos aprender a distinguir e apoiar todos os políticos que são contra:

A legalização do aborto.

A legalização da pena de morte.

A legalização da pena de morte.

A legalização do suicídio assistido.

A legalização das drogas.

A legalização da eutanásia.

Precisamos votar em gente que gosta de gente, sem preconceitos. Que ame e respeite o velho, tanto quanto respeita o adolescente e a feto-cidadão, o embrião ser-humano. Que os caminhos da vida dêem para todos muitos motivos de alegria! (t)

Oração Final:

<[Moderador]> Jesus amigo, aqui estamos a te agradecer por mais estes momentos que nos foram concedidos para o nosso aprendizado, enquanto Espíritos imortais que somos. Que as palavras aqui colocadas possam servir para nossa reflexão em nossas vidas. Abençoe a cada um de nós aqui presente e envolva-nos com a tua paz! Que em teu nome, Mestre amado, em nome dos Espíritos do bem que nos assistem e, acima de tudo, em nome de Deus, que possamos dar por encerrada mais uma Palestra Virtual. Que assim seja!

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