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Deus

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrante: Cláudio Zanatta
Rio de Janeiro
05/11/1999

Organizadores da palestra:

Moderador: "Wania" (nick: |Moderadora|) "Médium digitador": André Alcântara (nick: Claudio_Zanatta)

Oração Inicial:

<_Brab_> Querido Pai de bondade, de justiça e de amor, estamos mais uma vez reunidos em teu nome procurando a nós mesmos, procurando na perfeição em que nos criastes nossa própria consciência, nos caminhos do estudo e do auto-conhecimento. A Doutrina Espírita nos faculta um dos caminhos a esse conhecimento e, com esse propósito, Senhor Deus, nossos corações se unem nesse instante. Em especial hoje que tentaremos não alcançar sua realidade, que para nós ainda é insondável, mas ao menos virarmos a nossa fronte à tua direção e compreendermos aquilo que já nos permite compreendamos das tuas Leis, que refletem a tua sabedoria. Que os espíritos já mais adiantados e instruídos que nós possam ajudar-nos nessa sondagem, pela pessoa do nosso querido Cláudio Zanatta, e que ele seja sempre amparado e protegido por Ti. Que assim seja!

Considerações Iniciais do Palestrante:

<Claudio_Zanatta> Boa noite a todos! Que o Sr. Jesus nos ampare e nos ilumine na noite de hoje, para que possamos, da melhor maneira possível, tecer as nossas considerações acerca de um tema tão complexo e, ao mesmo tempo tão belo e importante que é Deus. Eu sou trabalhador do Centro Espírita Maria Angélica, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e me coloco a disposição para as perguntas.(t)

Perguntas/Respostas:

<|Moderadora|> <Lilian> [01] Segundo "O Livro dos Espíritos", a questão de número 06, nos fala do sentimento íntimo que cada pessoa tem, sobre a existência de Deus. Então, tendo em vista este sentimento já existente dentro do ser humano, como justificarmos os ateus?

<Claudio_Zanatta> Os ateus, na verdade, embalados pela perfeição da Obra Divina, acabam tomando o efeito pela causa, considerando que seus corpos físicos são eles mesmos. De todo o modo, como todos sabemos, não há aquele, ateu ou não, que, nos momentos supremos, não recupere a sua lucidez e invoque o nome do Senhor, dizendo: "Ai, meu Deus! Deus me ajude!", etc. (t)

<|Moderadora|> <Lilian> [02] Ainda de acordo com "O Livro dos Espíritos", nos é relatado que todos os espíritos são criados ignorantes, para, posteriormente, evoluírem de acordo com empenho e desenvolvimento de cada um. Porém, como justificarmos isso, se a Bíblia nos diz que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e Deus é um ser de plena inteligência?

<Claudio_Zanatta> Podemos interpretar o "à imagem e semelhança" como sendo a centelha Divina, o Princípio Inteligente, que é criado por Deus, e, nesse sentido, à sua semelhança, mas simples e ignorante, embora perfectível. Cumpre lembrar que o simples e ignorante remonta às mônadas da Criação, que, talvez, possamos comparar aos nossos vírus ou, quem sabe, às atrações nos minerais, conforme nos coloca André Luiz, em "Evolução em Dois Mundos". (t)

<|Moderadora|> <_Stone_> [03] Prezado Cláudio, existe um caso que contam sobre Chico, dizendo que ele recebeu uma senhora em sua casa com uma receita do médico. Ela não tinha dinheiro para comprar os medicamentos, o Chico também não tinha a quantia necessária. Então, sugeriu a ela que orasse para Maria, Mãe de Jesus, e comesse um pedacinho da receita nos horários prescritos para os remédios. Depois de um tempo, ela apareceu curada. Chico, então, disse a ela que a sua fé a tinha curado, assim como Jesus já tinha falado nas curas que realizava. Meu questionamento é o seguinte: Se a nossa fé em Deus nos salva dos males, não estamos concordando com os protestantes - embora ultimamente já estejam mudando este pensamento - , que divulgam a salvação unicamente pela fé?

<Cláudio Zanatta> Esse caso do Chico é bastante conhecido e pode ser explicado perfeitamente à luz da Doutrina Espírita. O que ocorre é que a fé gera uma sintonia simpática que potencializa os recursos que se encontram à nossa disposição no Universo, bastando que tenhamos as condições necessárias para utilizá-los. Por exemplo, no caso do encontro da mulher hemorrágica com Jesus, onde, através da sua fé, gerou a transmissão do fluido magnético do Mestre, que atuou exatamente sobre a sua problemática, no caso uma hemorragia uterina persistente, promovendo a cura. O próprio Mestre não sabia de onde tinha vindo a solicitação, mas aquela mulher, através da sua fé, soubera dispor dos recursos que ali estavam disponíveis. Através do papel, combinado com a fé, aquela senhora também alcançou sua cura, funcionando o papel como condutor dos fluidos transmitidos e recebidos por aquele espírito necessitado. (t)

<|Moderadora|> <Wania> [04] Cláudio, você poderia nos falar um pouco sobre Politeísmo?

<Claudio_Zanatta> O Politeísmo tem a sua origem nos primórdios da humanidade, quando o homem não podendo ainda, em função da sua imaturidade, idealizar um ser abstrato, onipotente e, principalmente, único, que fosse a causa primária de todas as coisas. Assim, a cada manifestação da natureza inexplicada, atribuía a sua causa a uma divindade em particular. Somente com o passar do tempo chegou a conclusão de que a perfeição de tudo que existe, a harmonia do Universo, a perfeição de todas as leis, só podiam ter uma única causa, condição sine qua non para a manutenção de toda essa perfeição e equilíbrio. (t)

<|Moderadora|> <Naema> [5] Se Deus está em toda parte, por que todos os espíritos não podem vê-lo?

<Claudio_Zanatta> Para "vermos" Deus é necessário, antes de tudo, termos evoluído à altura da sua perfeição, embora saibamos que nunca seremos perfeitos como Ele. De todo modo, sabemos que Deus é onipresente, no dizer do Sr. Jesus, Ele está em nós, como nós estamos nele. Podemos percebê-lo a nossa volta e em nós mesmos, através das suas manifestações, seja num mundo perfeito que voluteia no espaço, seja no desabrochar de uma flor, seja no sorriso de uma criança. A Sua presença pode ser sentida também através da prece. (t)

<|Moderadora|> <_Brab_> [06] Caro Cláudio, em "O Livro dos Espíritos", os Espíritos nos dizem que "Deus é a inteligência suprema, a causa primária de todas as coisas" (Resposta à questão 01). No entanto, os próprios Espíritos nos mostram que Deus é a essência do amor. Deus seria então além de Inteligência Suprema também Sentimento Supremo, estando a resposta dos Espíritos incompleta?

<Claudio_Zanatta> Não, a resposta dos Espíritos não está incompleta. Eles também completam que Deus é a causa primária de todas as coisas, ou seja, é a razão de exatamente tudo o que existe. Deus é o infinito de todas as perfeições: é o amor supremo, a bondade e a justiça supremas, enfim, são atributos sem os quais Deus deixaria de ser Deus. (t)

<|Moderadora|> <Naema> [07] Como podemos explicar Deus de maneira simples, às crianças?

<Claudio_Zanatta> Podemos explicar que Deus é o Pai de todos nós e que, assim sendo, todos nós somos irmãos e, em função disso, devemos nos amar e amar a Deus. (t)

<|Moderadora|> <_Brab_> [08] A descrença de Deus é, em grande parte, na sociedade atual, efeito de um uso errado, principalmente por parte daqueles que deveriam levá-lo aos homens, durante os últimos séculos. Por que vemos, dia após dia, homens que dizem falar em nome de Deus, sendo alguns dos principais responsáveis pela descrença e mesmo pelo uso aproveitador de seu nome?

<Claudio_Zanatta> Você tem razão. Ao longo dos últimos 2.000 anos, o Cristianismo foi deturpado e serviu, o mais das vezes, ao interesses dos poderosos. No século XIII, com a vinda de Francisco de Assis, inicia-se a retomada da Doutrina do Cristo. No século XIX, com Allan Kardec, veio o Consolador Prometido, restaurando todo o ensinamento do Cristo e completando o que não pudera ser trazido à época em que o Sr. Jesus esteve entre nós, em função da nossa ignorância e da dureza dos nossos corações. Hoje, temos a nossa disposição um conjunto de conhecimentos que nos permitem alçar vôos bastante altos a caminho da luz, só bastando que tenhamos a disposição de estudar e, principalmente, mudar os nossos velhos e milenares hábitos. (t)

<|Moderadora|> <Naema> [09] A alma que deixou o corpo, vê Deus?

<Claudio_Zanatta> Necessariamente, não. O que ocorre é que, com o desencarne, continuamos a ser o que sempre fomos, à exceção do corpo físico que perdemos. Assim, se não víamos Deus encarnados, não será a condição de espíritos em estado de erraticidade que permitirá vê-lo. Conforme foi colocado anteriormente, ver Deus depende de termos atingido patamares elevados na escala evolutiva, condição necessária para que apreendamos cada vez parcelas maiores da verdade, o que nos dará as condições para percebermos e, principalmente, compreendermos Deus. (t)

<|Moderadora|> <_Brab_> [10] Em "O Livro dos Espíritos", na parte que trata dos "Três Reinos", lemos: "Pobres homens, que vos rebaixais mais do que os brutos! Não sabeis distinguir-vos deles? Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus.". Todo homem, mesmo ateu, mesmo ignorante, mesmo auto-hipnotizado, mesmo acometido das mais duras e sérias obsessões, é capaz de pensar em Deus, mesmo sendo Deus um ente tão distante à sua compreensão?

<Claudio_Zanatta> Sim, todo ser humano, por mais endurecido, ignorante e mau, em um ou em outro momento pensará em Deus, porque foi criado por Ele, e criado para ser feliz. Se momentaneamente se desequilibrou, mais a frente será constrangido, pelo amor ou pela dor, a retornar à condição natural do espírito, que é do progresso indefinito em direção à perfectibilidade. (t)

<|Moderadora|> <_Brab_>[11] Seria mesmo imprescindível que estudássemos sobre Deus? Santo Agostinho falava que "quando busco a Deus não encontro, mas quando não o busco, sei exatamente onde Ele está". Qual deve ser a postura do espírita perante Deus? É louvável algum tipo de "estudo" de Deus?

<Claudio_Zanatta> Nos dias de hoje, é importante que tenhamos uma fé raciocinada, que nos permita crer, mas crer baseados na verdade, crer em função das leis de Deus que são todas as leis da natureza. Quanto mais estudarmos, quanto mais nos aprofundarmos nos estudos, mais teremos condições de basear a nossa fé. Assim, podemos dizer que Agostinho estava certo em dizer que sabia exatamente onde Deus estava quando o sentia mais do que o buscava, uma vez que Deus é onipresente, nós é que não o percebemos. Precisamos estudar, sim, mas também precisamos obrar, para que possamos colocar em prática todo o resultado do nosso estudo e da nossa fé. (t)

Considerações Finais do Palestrante:

<Claudio_Zanatta> Conforme o ítem 30 do Cap. II de "A Gênese" - "A Providência", podemos concluir sintetizando que Deus existe: disso não podemos duvidar. É infinitamente justo e bom: essa é a sua essência. A tudo se estende a sua solicitude: compreendemos. Só o nosso bem, portanto, pode Ele querer, donde se segue que devemos confiar nele: é o essencial. Quanto ao mais, esperemos que nos tenhamos tornados dignos de O compreender. Obrigado a todos. Muita paz. Graças a Deus! (t)

Oração Final:

<Claralice_palestra> Vamos neste momento buscando sintonizar com nossos mentores espirituais, envolvendo nossos pensamentos, nossos corações neste clima de paz e elevamo-nos em pensamentos para junto de Deus, nosso Pai, e de Jesus, nosso Mestre. E nesta oportunidade temos muito a agradecer por estes instantes em que pudemos, mais uma vez, nos colocarmos em disponibilidade para o aprendizado que aqui foi veiculado, tão necessário a todos nós, aprendizes das coisas espirituais. Agradecemos, assim, ao Pai Criador, ao nosso Mestre Jesus, aos amigos da Espiritualidade Superior, que sempre nos dispensa tantos recursos de amor, ao nosso querido Cairbar Schutel que nos orienta e também ao palestrante da noite. Desejamos também transformar este instante de prece em socorro a espíritos encarnados e desencarnados que aqui estiveram e estão buscando orientação e paz. Que a humanidade toda possa receber emanações de luz, paz e amor, hoje e sempre. Graças vos damos, Pai! (t)

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