A Formação da Moral na Infância

Palestra Virtual
Promovida pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrantes: Martha Beier e Carla Gemmal
Rio de Janeiro
19/10/2001

Organizadores da Palestra:

Moderador: "Jaja" (nick: [Moderador])
"Médium digitador": "Brab" (nick: <Martha_e_Carla)

Oração Inicial:

<[moderador]> Senhor Jesus, aqui estamos mais uma vez reunidos em Teu nome pedindo o Teu amparo para mais esta tarefa de divulgação da doutrina espírita. Sabemos, Senhor, da importância do estudo espírita em nossas vidas, e por isso Te pedimos que nos sustente e ampare para que possamos perseverar nesta tarefa que nos faz tanto bem. Que possamos direcionar nossas melhores vibrações para as companheiras que nos visitam nesta noite, com tanto carinho, trazendo o melhor de cada uma delas em benefício da causa espírita. Que os amigos da espiritualidade possam nos intuir, de modo a que possamos desenvolver nosso estudo da noite da forma mais apropriada possível. Que em Teu nome, Senhor, em nome dos espíritos amigos, dirigentes do nosso trabalho, mas sobretudo em nome de Deus, possamos dar por iniciada mais uma Palestra Virtual na noite de hoje. Que assim seja!

Apresentação das Palestrantes

<Martha_e_Carla> Carla: Freqüento o Centro Espírita Cristófilos, no Rio de Janeiro. Trabalho junto ao Lar Fabiano de Cristo no setor da Evangelização onde desenvolvo um trabalho voltado para a Educação do Ser Integral. <Martha_e_Carla> Martha: Sou pedagoga, psicomotricista, freqüento o Centro Espírita Amor, Caridade e Esperança, no Rio de Janeiro. (t)

Considerações Iniciais do Palestrante:

<Martha_e_Carla> A infância é o período mais propício para o desenvolvimento do processo educativo. Levando-se em consideração que a criança é um ser eterno, ou seja, um viajor da eternidade, faz-se necessário despertar valores latentes. Allan Kardec, no livro "Obras Póstumas", no Capítulo "Credo Espírita", afirma: "Os males da humanidade provém da imperfeição dos homens. (...) É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a humanidade" Podemos dizer, portanto, que a formação moral da nova geração que chega é fator essencial para o aprimoramento da sociedade humana como um todo. Continua Kardec, ainda na mesma obra: "O progresso geral é o resultado de todos os progressos individuais, mas o progresso individual não consiste apenas no desenvolvimento da inteligência. (...) e sim no melhoramento moral, na depuração do Espírito, na extirpação dos maus germens que em nós existem. Esse o verdadeiro progresso, o único que pode garantir a felicidade ao gênero humano." (t)

Perguntas/Respostas:

<[moderador]> [1] - <jaja> Costuma-se dizer no meio espírita que a faixa etária ideal para a formação moral de nossas crianças se situa entre 0 e 7 anos. Isto é correto? Por quê?

<Martha_e_Carla> Segundo Pestalozzi, a educação começa no ventre. Nós, espíritas, também acreditamos nisso, visto que o Ser Espiritual inicia sua ligação com seu novo corpo físico a partir da concepção. A fase até os 7 anos é sem dúvida especial, dado que o processo físico da reencarnação se efetiva nessa idade. Não vemos, entretanto, essa idade como um limite para a educação moral, que deve se processar durante toda a vida do Espírito. (t)

<[moderador]> [2] - <jaja> Muitas crianças demonstram uma certa tendência má desde a mais tenra idade. Como os pais devem agir, ao perceberem este tipo de comportamento em um de seus filhos? Reprimir é o correto?

<Martha_e_Carla> Dar limites de maneira coerente e principalmente através do seu próprio exemplo. Como exigir que uma criança não minta se ela vê seus pais mentindo? Como exigir de uma criança que não seja agressiva se convive com a agressividade dentro do seu próprio lar? Como exigir serenidade se jamais ela viu serenidade no agir de seus pais? O lar é a primeira escola e é fundamental que a criança tenha bases sólidas onde irá fortalecer seu crescimento moral. Reprimir por reprimir não traz conseqüência favorável alguma, pois a repressão é uma maneira de sufocar sem dar a oportunidade da reflexão. Com amor, perseverança, envolvimento, os pais devem indicar novos rumos, alimentar novos hábitos, e redirecionar essas tendências. Estar atento àquilo que as crianças têm acesso através dos meios de informação, por exemplo, jogos, colegas, televisão. A atenção, o diálogo e o sentimento de proteção são as melhores maneiras de superar essas dificuldades. (t)

<[moderador]> [3] - <jaja> E quando temos dois filhos com características morais completamente diferentes, como agir? Devemos tratá-los de maneira diferenciada? E como agir sob o questionamento de uma das crianças que se considera injustiçada por ser mais co-brada do que a outra?

<Martha_e_Carla> É fundamental jamais comparar um com o outro. O tratamento deve, sim, ser diferenciado, pois lidamos com individualidades com experiências próprias. Os pais devem, em primeiro lugar, fazer uma auto-análise, se isso realmente está ocorrendo, ouvindo a criança e reavaliar os seus procedimentos. Tente avaliar quanto tempo (preocupação, investimento, etc) é despendido com cada uma delas e terá uma noção prática da situação. (t)

<[moderador]> [4] - <jaja> Costumamos ouvir que muito mal se faz para a formação do caráter da criança uma série de programas televisivos que abusam da violência e até mesmo da sensualidade. O que seria o ideal: proibí-las de assistirem a tais programas? E quando os coleguinhas da escola comentam sobre esses programas? O que fazer?

<Martha_e_Carla> Dependendo da maturidade da criança proibir sim, pois é responsabilidade dos pais todo o acesso de informações que a criança tenha. Caso você julgue que a criança pode acompanhar o programa, o ideal é que assistam juntos e que você vá conversando e esclarecendo a criança sobre aquilo que está se passando, colocando seu ponto de vista e ouvindo-a. Cada ser que está sob a nossa responsabilidade nos foi confiado por Deus e a Ele prestaremos contas. Quando a criança se sente segura quanto às orientações dos pais, ela mesma se incumbirá de formular suas próprias respostas sem constrangimento. (t)

<[moderador]> [5] - <jaja> Sabemos dos benefícios da evangelização infantil nas lides espíritas, para a formação da moral na infância. Porém, algumas crianças se mostram refratárias em comparecerem às aulas. Qual deve ser a postura dos pais, quando isso acontece? Devem obrigá-las a freqüentarem, mesmo contrariadas?

<Martha_e_Carla> Obrigá-las não. Convencê-las da melhor maneira. O próprio exemplo é uma das melhores maneiras de se trazer a criança à Casa Espírita. Ouvir os motivos da criança, pois a evangelização infantil deve se esforçar para trazer o assunto de forma interessante. Os pais devem ser participantes-atuantes desse importante processo que é a Evangelização Espírita Infantil. (t)

<[moderador]> [6] - <jaja> Nos dias de hoje, já não temos mais aquele modelo antigo de família, onde a mãe, que não trabalhava fora, podia acompanhar mais de perto os passos de seus filhos. Como encarar o desafio atual, onde os pais ficam a maior parte do tempo longe de seus filhos, tendo que dar acompanhamento à sua formação moral?

<Martha_e_Carla> O fato é que não é importante a quantidade de tempo dedicada à criança, mas sim a qualidade desses momentos. É perfeitamente possível que um pai ou uma mãe que trabalhem fora cumpram o seu papel de forma eficaz se, ao chegarem em casa tenham em mente que existe ali um ser à sua espera que necessita do seu amor, sua atenção e dedicação de forma, neste momento, integral. Se ele não tiver o apoio dentro do Lar, irá procurar fora. E nem sempre o que está lá fora é o melhor. (t)

<[moderador]> [7] - <Brab> Será correto afirmar que a Evangelização Infantil deve ensinar somente a Moral Cristã ou devemos também falar de Espiritismo para as crianças?

<Martha_e_Carla> Sendo o Espiritismo o Cristianismo Redivivo, ou seja, que traz os ensinos do Mestre sem os dogmas que cercearam a evolução humana por tanto tempo, seria incoerente não colocar os princípios norteadores da Doutrina Espírita, caso contrário, as palavras de Jesus ainda seriam interpretadas à letra, como por exemplo a questão do inferno. Não concebemos o Espiritismo sem o Cristo, como não vemos razão do Cristo sem o esclarecimento do Espiritismo para a formação moral do indivíduo. Ao contrário do que se pensa, o Espiritismo não traz aos ensinos de Jesus complexidades, mas simplificações, lógica e coerência, que fazem com que sejam mais facilmente compreendidas pelo Espírito que reencarna como criança. Atendendo às devidas adaptações pedagógicas (faixa etária). (t)

<[moderador]> [8] - <jaja> E a participação das crianças em tarefas de ação social patrocinadas pelas casas espíritas? Isto deve ser estimulado? Como fazer com que elas se sintam úteis nestas tarefas?

<Martha_e_Carla> Bastante válido estimular a participação das crianças no auxílio ao próximo. Convém perguntarmo-nos: de onde nasceria algum impedimento que dificultasse essa participação? Conforme a faixa etária, poderiam ser engajadas nas diversas tarefas de auxílio ao próximo patrocinadas pela Casa Espírita. (t)

<[moderador]> [9] - <{reinaldo}> É possível à criança ter uma formação adequada quando o pai ou a mãe estão ausentes, ou seja, quero dizer, quando a criança vive só com o pai ou só com a mãe?

<Martha_e_Carla> Sim, desde que o presente assuma de forma integral a formação deste ser. Jamais fazendo juízo de valor para com o que está ausente, seja qual for a situação, pois isso abalaria significativamente a estrutura psicológica dessa criança. (t)

<[moderador]> [10] - <arroz_doce> Como educar os filhos quando o casamento está em crise, ou melhor, como deve ser o papel dos pais para não falharem na educação de seus filhos?

<Martha_e_Carla> Jamais colocar suas contendas frente aos filhos. Estes devem ser preservados de situações constrangedoras, agressivas, onde o emocional esteja aflorado. Todo e qualquer diálogo deve ser mantido com os filhos de forma madura, dando a eles a ciência dos acontecimentos. (t)

<[moderador]> [11] - <Brab> É possível uma formação moral adequada em casais homossexuais?

<Martha_e_Carla> Acreditamos que a formação moral transcende a opção sexual. (t)

<[moderador]> [12] - <jaja> Num mundo onde o materialismo é muito valorizado, como fazer chegar às nossas crianças a noção do necessário e do supérfluo? Se somos portadores de condição financeira abastada, mas portadores do conhecimento espírita, devemos dar somente o necessário ao nosso filho, quando seu coleguinha de escola possui o supérfluo?

<Martha_e_Carla> O Espiritismo veio libertar o homem do ciclo e da dependência materialista, dando a ele maiores condições de discernir entre o que lhe é realmente necessário e o que é supérfluo. Essa consciência deve ser levada também à criança. O consumismo é um fator de suprir carências. À medida que o homem sentir-se um Ser Integral, completo, essa necessidade se extinguirá. O foco é transferido do "ter" para o "ser". A criança que cresce escrava da noção consumista será, sem dúvida, um adulto inseguro e dependente do contexto social. Não queremos dizer, com isso, que os bens material sejam todos supérfluos. Essa noção é relativa, de acordo com a função mais ou menos útil que se dará a esses bens. (t)

Considerações finais do palestrante:

<Martha_e_Carla> É necessário educar o sentimento e cultivar a ciência do coração. Nunca como hoje foi necessário o dizer de Jesus: "Amai-vos uns aos outros". E amar é educar. (t)

Oração Final:

<[moderador]> Jesus, amada mestre e irmão. Estamos muito felizes com a possibilidade que tivemos hoje de estar presentes a esse encontro fraterno. Muito pudemos aprender com o que aqui foi dito e te pedimos, Senhor, que nos ajude a colocar em prática os ensina-mentos que aqui tivemos. Precisamos nos esforçar e vencer nossa inércia moral para que possamos fazer deste nosso planeta um mundo melhor, um mundo mais humano, solidário e justo. Que os espíritos amigos que nos guiam nesta tarefa possam nos sustentar na continuidade da mesma nos dias que se seguirão. E que a Tua luz, mestre querido, se derrame sobre nós, agora e sempre. Paz! Graças a Deus! (t)