Laços de Família

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrante: Carlos Alberto
Rio de Janeiro
21/05/1999

Organizadores da palestra:

Moderador: "Brab" (nick: [Moderador])
"Médium digitador": "jaja" (nick: Carlos_Alberto)

Oração Inicial:

<lflavio> Senhor Jesus, Nosso Mestre Querido, queremos, em primeiro lugar, agradecer a benção da vida, e a oportunidade que temos, nos espalhados em todo Brasil, de nos encontrarmos aqui, para mais uma palestra virtual, com um tema tão importante e tão presente em nossas vidas. Abençoa, Mestre, nosso propósito de aprendizado, para que, juntos, possamos olhar o nosso próximo com mais carinho e atenção. Pedimos ainda, Mestre, que os amigos espirituais, que nos auxiliam sempre nas tarefas de divulgação desta sua doutrina, envolvam o nosso irmão Carlos neste trabalho da noite. Agradecidos, mais uma vez, iniciamos os trabalhos da noite. Que assim seja, graças a Deus!

Apresentação do palestrante:

<Carlos_Alberto> Bem, antes de mais nada, uma boa noite a todos. Tenho a oportunidade de trabalhar na abençoada doutrina espírita há uns 10 anos e também a grata oportunidade de conhecer e participar dos trabalhos virtuais que acabam, como eu sempre gosto de dizer, nos levando ao trabalho real. (t)

Considerações iniciais do palestrante:

<Carlos_Alberto> É ponto pacífico em todas as religiões que a família é uma das mais importantes associações existentes na Terra, se não a mais importante. Nos diz Emmanuel, no Livro Vida e Sexo, psicografia de Chico Xavier, no capítulo 2, intitulado "Família": "Temos no instituto doméstico uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor". Com a doutrina espírita, que nos traz em seus pilares a lógica absoluta da reencarnação, o conceito da família se expande, pois vai muito além dos laços consangüíneos. O entendimento das dificuldades existentes dentro do lar ganham explicação clara e lúcida. Passamos a entender porque nos afinizamos mais com um do que com outro. Compreendemos porque um amigo muitas vezes é aquele irmão que tanto gostaríamos de ter (e temos). Percebemos as tramas dos enganos entre familiares que se engalfinham pelos bens materiais. O porquê das tragédias familiares, traições, crimes, abandonos, rejeições, tantos abortos, tantas decepções. Embora o retrato das nossas famílias se revele muitas vezes desanimador e assustador, é com a doutrina espírita que vamos entender que cada um está fazendo o melhor que pode. Que os erros de hoje serão corrigidos amanhã. Errar é uma forma de aprendizado dentro das leis de Deus. Se assim compreendemos (e nos compreendemos), fica mais fácil perdoar, sermos perdoados e nos perdoarmos, facilitando assim a convivência na família. Temos na reencarnação então a grande diferença do Espiritismo para a maioria das religiões. Uma diferença que explica e CONSOLA. Mas não basta conhecermos os conceitos da reencarnação. Não basta explicarmos as dificuldades com a reencarnação. É preciso viver como Espíritos imortais (que somos). É preciso viver de acordo com os horizontes que a reencarnação nos descortina. É preciso sentir a reencarnação como mais uma oportunidade de vitória. É preciso então vivenciar a reencarnação. Não mais crendo, mas sabendo. Vamos então conversar sobre os laços de família, sobre a lógica irrefutável da reencarnação, não esquecendo do mandamento maior trazido pelo amigo Jesus: "Fazei ao próximo o que gostaríeis que fizesses a si mesmo." (t)

Perguntas/Respostas:

<[Moderador]> [1] <Homeover> Temos nossas reencarnações sempre dentro de um mesmo grupo familiar, ou mesmo predominando dentro de um determinado grupo?

<Carlos_Alberto> Somos conduzidos pelos gostos, pelas semelhanças, pela lei de afinidade. Logo esses fatores são predominantes na escolha da família, o que significa dizer que realmente ficamos próximos dentro de um mesmo grupo. Ressaltando que a escolha da família se dará de acordo com as nossas maiores necessidades, como espíritos imortais que somos. (t)

<[Moderador]> [2] <Brab> O que é o parentesco material e o que é o parentesco espiritual, segundo a Doutrina Espírita?

<Carlos_Alberto> O parentesco material é a união na família de acordo com os laços consangüíneos e o parentesco espiritual é a nossa verdadeira família pela união dos gostos, dos sentimentos, das afinidades. Enfim, pela reunião do entendimento de que todos somos irmãos. (t)

<[Moderador]> [3] <Homeover> Pode acontecer de uma determinada criatura encarnar na maioria das vezes dentro de um grupo familiar que seja ao mesmo tempo carnal e espiritual (o grupo de seus verdadeiros familiares pelas parecenças morais e de sentimento)?

<Carlos_Alberto> Sim! É necessário que assim aconteça, pois uma família nunca é formada somente de desafetos, pois não haveria sustentação mínima necessária. As leis de Deus sendo perfeitas, colocam no seio da família um ou mais espíritos capazes de ajudar na condução da mesma. (t)

<[Moderador]> [4] <Brab> O que devemos entender nas palavras de Jesus: "Não separeis o que Deus uniu"?

<Carlos_Alberto> Todos somos conduzidos ao desenvolvimento do amor maior, da fraternidade, da harmonia, de forma que a família é um grupo abençoado para o desenvolvimento desses sentimentos. O significado da expressão está no sentido de não separarmos violentamente os membros de uma família, ou seja, colocando os nossos interesses acima de tudo. Por exemplo, sabemos que a maioria dos casamentos na Terra é provacional, de forma que devemos buscar pelo entendimento que a doutrina espírita nos traz das leis de Deus. o esforço de mantê-los. O que ainda ocorre nos dias de hoje é o doar-se à paixão primeira, prevalecendo, neste caso, os instintos. Neste caso, muitas famílias têm seus laços rompidos por estas paixões. Nestes casos, é que Jesus nos afirma que não devemos separar o que Deus uniu, para o nosso próprio benefício. (t)

<[Moderador]> [5] <lflavio> Dizem que a reencarnação provocaria um relaxamento dos laços familiares. Como o Espiritismo encara essa questão?

<Carlos_Alberto> Muito pelo contrário. O Espiritismo fortifica os laços familiares, exatamente por nos demonstrar que as ligações afetivas são construídas passo a passo no pretérito. Sendo assim, cada vez mais desenvolvidas, à medida que compreendemos os ensinamentos do Mestre Jesus. (t)

<[Moderador]> [6] <Brab> Quando se vê liberto de seu corpo físico, pelo desencarne, o Espírito imediatamente encontra com seus entes queridos no Plano Espiritual?

<Carlos_Alberto> Cada caso é um caso. Não existe um modelo para o desencarne. Viveremos na vida espiritual de acordo com a nossa conduta moral enquanto encarnados. É por isso que a doutrina espírita nos ensina que "fora da caridade não há salvação", ou seja, seguindo este preceito, estaremos não só nos candidatando a encontrar nossos entes queridos no plano espiritual, como, principalmente, ajudá-los na sua caminhada. (t)

<[Moderador]> [7] <NanaNY> Boa Noite, tenho uma dúvida: após formarmos família aqui na Terra, quando desencarnamos, como vamos rever nossos entes queridos se por acaso os mesmos já encarnaram novamente? Como reconhecê-los?

<Carlos_Alberto> O reconhecimento dos entes queridos não se dá somente pela aparência, mas, principalmente, pela afinidade, pela vibração. A doutrina espírita nos ensina que mesmo encarnados nós temos a sagrada oportunidade, durante o sono, de mantermos contato com esses entes queridos, muito mais vezes do que podemos supor, de forma que estes contatos servem como um bálsamo para as nossas provas tão sofridas. No dia em que estivermos mais atentos, perceberemos com maior facilidade estes contatos. (t)

<[Moderador]> [8] <cyndy> Ao casarmos significa que temos grande compromisso para com o companheiro?

<Carlos_Alberto> Normalmente sim. A maioria dos casamentos na Terra é programada no plano espiritual, mas não podemos esquecer que temos livre-arbítrio, de forma que muitos casamentos são arrumados aqui na Terra mesmo. (t)

<[Moderador]> [9] <Brab> Tem o homem e a mulher o direito de, em nome de um "planejamento familiar", cometer atos como o aborto, por exemplo, por questões financeiras?

<Carlos_Alberto> EM NENHUMA HIPÓTESE!! NADA justifica o aborto. O aborto é um crime abominável que o homem comete em pleno século XX, onde, pelos seus interesses particulares e imperfeições, ainda acha escusas para este crime. O cuidado que devemos ter é que, mesmo nesta situação tão lamentável, a misericórdia de Deus nunca há de faltar, pois é infinita, onde precisamos nos conscientizar que a culpa daqueles que praticaram e descobriram que é um erro deve ser evitada, pois o sentimento de culpa não ajuda em nada, onde não nos faltarão oportunidades para desfazermos estes enganos. Ressaltamos que a lei de Deus NÃO É PUNITIVA, é educativa. (t)

<[Moderador]> [10] <cyndy> Ao casarmos significa que temos grande compromisso para com o companheiro?

<Carlos_Alberto> Normalmente sim, pois viemos de um passado de muita ilusão que nos levou a grandes erros, principalmente no campo do sexo, de forma que a lei nos faculta o aprendizado, nos reunindo com aqueles com quem cometemos tantos desenganos, estendendo-se esta situação aos demais relacionamentos da família. (t)

<[Moderador]> Duas perguntas correlatas: [11] <kitza> Podemos, por algum motivo, reencarnar numa família sem laços de encarnações anteriores e nos mantermos distantes da família da encarnação passada? // <NanaNY> Ao reencarnamos, obrigatoriamente já nos relacionamos no passado com todos os membros dessa nova família?

<Carlos_Alberto> Certamente podemos reencarnar numa família sem laços de reencarnações anteriores. É o que comumente se chama de "ovelha negra". Para os familiares é uma oportunidade de crescimento; para a "ovelha negra" a abençoada misericórdia de Deus, que dá a este o amor daqueles que já caminharam um pouco mais à frente. Normalmente o relacionamento na família vem do passado, mas não é uma regra absoluta, pois há que se observar, acima de tudo, a necessidade do espírito e da própria família. (t)

<[Moderador]> [12] <Brab> Há uma passagem no Evangelho em que Jesus diz: "Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?", e, se referindo aos seus discípulos: "Eis minha mãe e meus irmãos, porque são todos aqueles que fazem a vontade de meu Pai, que está nos céus". Estaria Jesus renegando a própria família? O que quis nos mostrar o Cristo com essa afirmação?

<Carlos_Alberto> A afirmação, a princípio, realmente nos parece contraditória, mas numa análise mais profunda, percebemos que o Cristo nos fala exatamente da parentela espiritual, pois, em última instância, sendo todos nós irmãos em Deus, não tem sentido a exclusividade do relacionamento fraterno somente dentro de uma mesma família, cabendo ainda lembrar que Jesus nos faz refletir, nesta passagem, da necessidade de ampliarmos os nossos sentimentos. (t)

<[Moderador]> [13] <lflavio> Você coloca sobre casamentos provacionais (referência à resposta da pergunta 04). Quais os tipos de casamentos podemos ter?

<Carlos_Alberto> Os casamentos vão estar de acordo com a afinidade dos cônjuges. Se construíram essa afinidade no passado e têm merecimento para prosseguirem, teremos um casamento feliz. Se nos deixamos levar pela paixão, pela aparência física, pelos interesses materiais, teremos um casamento com uma ligação fortuita. Se temos um compromisso de resgate que vem do passado, teremos o casamento provacional. Quando desenvolvemos o amor em nosso coração, podemos nos casar para ajudar o(a) companheiro(a). Neste caso, o casamento é uma missão. (t)

<[Moderador]> Duas perguntas correlatas: [14] <_Marcio22> Como fica a separação na óptica Espírita? // <cyndy> No caso de separação como fica o nosso compromisso diante deste resgate?

<Carlos_Alberto> Cada caso é um caso. A doutrina espírita é clara em nos demonstrar que compromisso do passado não significa escravidão ou submissão que, muitas vezes, está acima das nossas forças. Um amigo, há pouco tempo, me deixou uma frase em que cabe muita reflexão. Dizia ele: "Às vezes, um dos parceiros se esforça por saldar o seu débito, mas, por mais que faça, o outro nunca se sente recompensado..." Nestes casos, fica claro que não é produtivo permanecer no relacionamento. A grande pergunta seria: Como saber quando isto acontece e quando a separação, então, é lícita? Foi o mesmo amigo que respondeu: "A vida nos demonstra e muitas vezes favorece o rompimento." (t)

<[Moderador]> [15] <Brab> Sabemos que há Espíritos que, por quererem manter uma proximidade com sua família, acabam atrapalhando-a após o seu desencarne. O que a Doutrina Espírita pode fazer no sentido de esclarecer esses Espíritos que acreditam ficando perto de seus entes queridos depois de desencarnados fazem a eles bem e proteção?

<Carlos_Alberto> Demonstrar a esses espíritos que a melhor maneira de ajudar aos familiares é, primeiramente, ajudando-se a si mesmo, ou seja, buscando o seu equilíbrio, estudando, compreendendo as leis de Deus, para, desta forma, em vez de desequilibrar, realmente ajudar. (t)

<[Moderador]> [16] <cyndy> Por que temos que esquecer o contato no sono com nossos entes queridos?

<Carlos_Alberto> Isso acontece quando essas lembranças possam atrapalhar o curso de nossa vida diária, pois o amor que muitas vezes nutrimos ainda está muito mais no campo do apego. (t)

<[Moderador]> [17] <cyndy> Como podemos identificar se o casamento é arrumado aqui na Terra ou não?

<Carlos_Alberto> Normalmente não percebemos, pois, se soubéssemos, provavelmente não casaríamos. (t)

<[Moderador]> [18] <Naema> Como encarar a contracepção através da laqueadura ou vasectomia? O perispírito seria lesado trazendo prejuízos em nova encarnação?

<Carlos_Alberto> Tudo que obsta o curso da Natureza nos é prejudicial. De acordo com cada caso, realmente traz prejuízos ao perispírito e, conseqüentemente, a futuras reencarnações. É importante lembrar, entretanto, que é preferível esses métodos ao aborto criminoso. (t)

<[Moderador]> [19] <NanaNY> No caso do aborto natural, houve recusa por alguma das partes interessadas?

<Carlos_Alberto> O aborto natural pode ser uma prova para os pais, para o espírito reencarnante, ou para ambos. Tendo o espírito o livre-arbítrio, pode, certamente, recusar a reencarnação, pelas dificuldade que antevê, ou até pela própria animosidade dos pais. (t)

<[Moderador]> Duas perguntas correlatas: [20] <RLF> Por que há tanta briga de irmãos em família? // <Kay-Ba> Como pode se explicar que dois irmãos numa mesma casa sejam como estranhos e não consigam se relacionar? (Eu me refiro não só a brigas, mas a serem como dois estranhos)

<Carlos_Alberto> Porque não estão ligados pelos reais laços de afetividade. São espíritos que se reúnem para transformar desenganos que normalmente tem raiz no passado. Sem a reencarnação é impossível o entendimento destas questões. (t)

<[Moderador]> [21] <diesIrae> Por que a insistência na discriminação racial nos dias de hoje se, inconscientemente, todos sabem já terem passado por várias raças, sexo, etc? Alguns povos renascem sempre numa grande mesma família espiritual (mesmo povo)?

<Carlos_Alberto> Digamos que cremos, mas não sabemos. O saber é quando interiorizamos um conceito na alma. Por enquanto, a maioria dos conceitos está interiorizada na mente, o que já é um grande passo, pois, nos povos primitivos, nem na mente estava. Logo, estamos caminhando para diminuir e extinguir não só o preconceito racial, como qualquer outro tipo de preconceito. Jesus foi a exemplificação máxima deste saber. Os povos se reúnem por afinidade. O que acontece é que alguns espíritos avançando mais rapidamente, muitas vezes, se desligam do grupo, não por rejeição àquele grupo, mas pela necessidade de buscar novos horizontes para o seu crescimento espiritual, sendo ainda possível que muitas vezes voltem como missionários. (t)

<[Moderador]> [22] <Pepa> Como fica a separação com relação ao compromisso de bem criar os filhos?

<Carlos_Alberto> A separação provoca sempre um transtorno na vida da criança. Nestes casos, o pai e a mãe deverão se desdobrar mais ainda nos cuidados, na atenção aos filhos. O mínimo desejável é que o casal separado possa manter uma cordialidade, evitando discussões diante dos filhos, minorando assim o sofrimento dos filhos, pois não podemos esquecer que os filhos crescerão e, se bem conduzidos, terão melhores condições de entender a separação. (t)

<[Moderador]> Última pergunta da noite: [23] <Pepa> Como lidar com um filho que odeia os pais e faz tudo para separá-los?

<Carlos_Alberto> Algumas medidas básicas que a doutrina nos ensina e que, nestes casos, devem ser intensificadas: a evangelização no Centro Espírita para esse filho, o culto do Evangelho no lar, com a participação da criança, a prece diária e, se necessário, o próprio tratamento espiritual, pela casa espírita. Não podemos esquecer que o apoio de um psicólogo pode ajudar bastante. (t)

Considerações finais do palestrante:

<Carlos_Alberto> Estamos caminhando para o real entendimento do conceito de família, pois vamos desenvolvendo em nós a necessidade da reforma íntima, nos melhorando, nos conscientizando que somos espíritos imortais, facilitando desta forma o nosso convívio neste sagrado e abençoado grupo instituído por Deus. Roguemos sempre ao Pai maior forças para seguirmos em frente diante das dificuldades dentro de um grupo familiar, pois são essas vitórias que mais gratificam o nosso coração. (t)

Oração Final:

<Naema> Senhor, agradecemos por mais uma noite em que pudemos estar reunidos em seu nome recebendo ensinamentos tão preciosos e que calaram fundo em nossos corações. Que essas palavras tão inspiradas possam nos guiar e nos mostrar a beleza do amor aos que estão aos nossos cuidados. Que possamos sempre receber os ensinamentos dessa doutrina tão preciosa. Assim seja!