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O Quinhão do Discípulo

Palestra Virtual
Promovida pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Leon Denis
http://www.celd.org.br

Palestrante: Carlos Alberto
Rio de Janeiro
29/12/2000

Organizadores da palestra:

Moderador: "jaja" (nick: ||Moderador||) "Médium digitador": "cacs" (nick: Carlos_Alberto)

Oração Inicial:

<||Moderador||> Deus, Pai nosso de amor e bondade, aqui estamos mais uma vez reunidos sob a Tua proteção maior, com o objetivo sincero de estudar a Doutrina de luz, abençoada Doutrina do Cristo, com o esclarecimento que o Espiritismo nos dá, abrindo horizontes novos em nossas vidas.

Que possamos nos sintonizar com os amigos da espiritualidade maior, que nos amparam neste momento, eles que são, verdadeiramente, os dirigentes desta tarefa. E que eles nos ajudem nestes momentos em que aqui estaremos, em estudo, para que tiremos o máximo de proveito para as nossas vidas. Fique conosco, Senhor, agora e sempre! Paz em nossos corações! Que assim seja!

Apresentação do Palestrante:

<Carlos_Alberto> Boa noite a todos. Tenho grande paixão por este trabalho na Internet. Sou freqüentador e trabalhador do Núcleo de Caridade Espírita Irmão Joé, no bairro da Piedade, no Rio de Janeiro. (t)

Considerações Iniciais do Palestrante:

<Carlos_Alberto> Nossa palestra de hoje, "O Quinhão do Discípulo", está baseada em um texto do irmão X, através da psicografia de Chico Xavier. O irmão nos fala dos nossos pedidos, das nossas rogativas, das nossas necessidades, da forma como fazemos estas rogativas, de como somos atendidos.

Depois que eu li o estudo sobre este mesmo tema desenvolvido pela nossa irmã Dulce Mara (a disposição de todos em nosso endereço http://www.irc-espiritismo.org.br, na parte de download - estudos), em dezembro de 99, o qual aconselho a todos os amigos aqui presentes, pela beleza e clareza de raciocínio, vi minha responsabilidade muito aumentada. Roguemos a Deus para que os bons Espíritos possam nos inspirar.

Fomos ao dicionário buscar o significado mais exato da palavra "quinhão", onde encontramos: "A parte de um todo que toca a cada uma das pessoas entre quem se divide".

Podemos então, deixar algumas perguntas em nossa introdução, de forma que a resposta de cada um de nós seja calcada em nossas reflexões:

O que tem tocado o nosso coração? Como nos colocamos frente as oportunidades de trabalho que se apresentam sem cessar? O familiar que roga amparo de entendimento, o colega no trabalho que roga amparo da compreensão, o vizinho difícil que roga amparo da paciência, o inimigo que roga amparo da prece...

Como temos recebido os convites da abençoada mediunidade, do abençoado trabalho de assistência social, do abençoado trabalho da evangelização, do abençoado trabalho de servir ao semelhante? Estamos esperando ou trabalhando? Estamos impondo condições ou servindo incondicionalmente? Estamos refletindo ou sendo guiados pelos nossos interesses menores? Estamos reclamando ou orando? O que estamos fazendo da nossa vida?

Esta é uma tática antiga, pois enquanto vocês pensam, me deixam pensar também :))) A melhor "defesa" é o "ataque" :))) Vou levar estas considerações comigo, para refletir nesta passagem de ano e entrar pelo milênio que chega... Aproveitemos, então, esta noite para darmos o pontapé inicial. Que Deus abençoe os nossos propósitos de entendimento. (t)

Perguntas/Respostas:

<||Moderador||> [01] <jaja> Como saber se estamos ou não cumprindo com a nossa parte naquilo que o Senhor espera de nós como discípulos?

<Carlos_Alberto> Uma excelente pergunta! :))) Questionando a nossa consciência. Santo Agostinho nos dá uma bela orientação em "O Livro dos Espíritos", quando nos recomenda que nos perguntemos diariamente, se fizemos algo que possa ter prejudicado nosso semelhante.

Ainda esta semana, no Evangelho no Lar, no capítulo de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" em que tratamos do "Homem de Bem", encontramos roteiro seguro acerca do que Deus espera de nós. Jesus resume de forma bastante clara, embora muitas vezes nos pareça "ficção", ou até mesmo "quase" impossível, quando nos diz que devemos amar ao próximo como a nós mesmos.

Com as provas e expiações, vamos percebendo cada vez mais a necessidade da prática da caridade, do desenvolvimento de nossas virtudes. Sempre que formos motivos de alegria para nosso semelhante, estaremos cumprindo a nossa parte naquilo que o Senhor espera de nós. É Jesus quem nos diz, que quando atendemos a um "pequenino" que bate a nossa porta, é a ele quem atendemos. Seja com uma ajuda no trabalho, na família, na rua, na Igreja, no Centro Espírita, seja em qualquer lugar, sejamos motivo de alegria para nossos semelhantes. (t)

<||Moderador||> [02] <jaja> Como evitar o desânimo, que vez por outra se abate sobre nossa alma, quando, mesmo quando cumprimos com a nossa parte, não vislumbramos o resultado esperado por nós, diante da tarefa do bem?

<Carlos_Alberto> Eu sempre me lembro de um ensinamento que me ajuda nestas situações: "A semeadura é nossa, mas a colheita é de Deus." Ou seja, um dos passos para evitar o desânimo é buscarmos cada vez mais a Deus, buscarmos compreendê-lo, penetrar no Seu Amor, nas suas Leis. A cada vez que leio algo sobre a reencarnação, penso: "Deus é bom!"; quando lembro que o inferno não existe, penso: "Como Deus é bom!"

Precisamos pensar em Deus, nos aconchegarmos mais em Deus, olharmos em volta e encontrar Deus. Não da forma como sempre fazemos, com promessas, chantagens, trocas... Só confiaremos em Deus, de verdade, quando amadurecermos.

O desânimo realmente ainda é da nossa condição de espíritos imperfeitos, mas o conhecimento da vida futura, da perfeição de Deus, da nossa realidade como espíritos eternos e imortais, da grandiosidade da mensagem deixada por Jesus, são fatos suficientes para nos alegrar e nos deixar otimistas. Não podemos convencer ninguém destas realidades, porque é conquista individual.

Jesus continua nos aguardando pacientemente, como ovelhas perdidas. Aguardemos aqueles que não nos compreendem também. Repetindo: A semeadura é nossa, mas a colheita é de Deus. (t)

<||Moderador||> [03] <jaja> Muitas pessoas alegam não poder colaborar na seara de Jesus por se considerarem ainda bastante imperfeitos. Afinal de contas, só os seres evoluídos podem se apresentar como discípulos do Cristo?

<Carlos_Alberto> De forma nenhuma. Quando alegamos que não podemos colaborar, estamos, na verdade, nos escondendo atrás das nossas dificuldades, das nossas imperfeições. Estamos enterrando os tesouros que nos foram confiados por Deus. As nossas possibilidades de servir a Jesus são imensas.

Neste sentido, gosto muito de falar sobre a mediunidade. A mediunidade é sagrada e abençoada oportunidade que bate a nossa porta. A maioria dos médiuns recusa esta sagrada oportunidade, ora por não quererem compromissos, ora por esperarem facilidades, ora por não se sentirem "preparados". Assim é com tudo na vida. Se Deus esperasse perfeição imediata dos seus filhos, não nos teria criados imperfeitos. Todos temos dons e grandes possibilidades de servir no bem, independente de cor, raça, credo, nacionalidade.

Estudemos o Evangelho de Jesus, estudemos a Doutrina Espírita e, pouco a pouco, aprenderemos a aproveitar as oportunidades que a vida nos oferece, sem os "desculpismos" que ainda nos impedem de avançar. (t)

<||Moderador||> [04] <Caminheiro> Até que ponto a Providência atua no nosso meio e até que ponto cada um de nós pode modificar as programações que traçamos antes de reencarnarmos? Nosso quinhão pode modificar a Lei de Causa e Efeito?

<Carlos_Alberto> A Lei de causa e efeito é bastante ampla. A providência atua em nosso meio através das suas Leis sábias e amorosas. Uma dessas Leis é justamente a Lei de Causa e Efeito. É Jesus quem enuncia uma Lei que nos ajuda a entender até onde nosso quinhão pode atenuar ou até modificar as programações que traçamos antes de reencarnarmos: "O amor cobre a multidão dos pecados". As leis de Deus são antes de tudo, EDUCATIVAS, NUNCA PUNITIVAS. Logo, o amor é a maior demonstração de nosso real aprendizado. Se resolvermos dar uma guinada em nossa existência, podemos abreviar nossos sofrimentos, sem nenhuma dúvida.

O maior exemplo que eu vejo neste caso, e que gosto muito, é o de Paulo de Tarso, que sai da condição de grande perseguidor dos cristão, para um dos maiores (senão o maior) divulgador do Evangelho de Jesus. Ficaríamos aqui a noite toda falando neste belo exemplo de vida. Sua modificação não o isentou da Lei de Causa e Efeito, mas trouxe a conquista do verdadeiro tesouro, que é a paz de consciência. Podemos refletir durante toda a nossa existência, e que tem tudo a ver com o tema da palestra de hoje, na colocação de Paulo de Tarso, quando encontra com Jesus, na estrada de Damasco: "Senhor, que queres que eu faça?" É o servir incondicional, acima do personalismo, acima das vaidades, acima do falso saber.

Meditemos qual a nossa condição quando dizemos querer servir a Jesus. Meditemos na pergunta tão profunda de Paulo, que serve para grandiosas reflexões. Oremos a Jesus e digamos também, do fundo de nossa alma: "Senhor, que queres que eu faça?". (t)

<||Moderador||> Duas perguntas correlatas: [05] <Caminheiro> De que maneira alguém que deseje seguir o Espiritismo e more numa região onde não haja Centros Espíritas, pode progredir na Doutrina e adequar-se à qualidade de discípulo de Jesus? [06] <Caminheiro> Alguém que se empenhe em trabalhar pela Doutrina Espírita neste meio virtual - a INTERNET - mas que não procure um trabalho na Casa Espírita, pode ser considerado um Discípulo de Jesus, ou ainda está por cumprir uma obrigação mais concreta?

<Carlos_Alberto> A primeira idéia que me ocorre, na total impossibilidade de freqüentar uma casa espírita, é buscar o livro. Desenvolver o hábito do estudo. Acaba de me ocorrer uma coisa: Se não existe um Centro Espírita, porque não fundar um?

Encontramos no capítulo, "Trabalhadores de Última Hora", capítulo XX, de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", o Espírito Erasto nos conclamando: "Ide e pregueis". Mas cabe ressaltar que fundar um Centro Espírita não é apenas abrir uma porta e colocar um letreiro. É preciso criar raízes. Criar raízes significa atrair bons espíritos, através do estudo, mas, principalmente, da prática do bem.

O Centro Espírita que eu freqüento começou assim: estudos com amigos aqui e ali. Depois o trabalho com aqueles que moram nas ruas. A disciplina, o desejo de prosseguir. Quando vimos, as raízes foram sendo criadas. O discípulo de Jesus é aquele que segue seus ensinamentos. É claro que uma pessoa pode ser discípulo de Jesus sem ser espírita.

O que não podemos negar é que a Doutrina Espírita, nos ajudando a desenvolver a fé raciocinada, nos orientando a nossa reforma íntima, é de grande ajuda para que saiamos da ignorância, das crenças em coisas que não existem, tais como céu, inferno, milagres, reino e facilidades aqui na Terra.

Resumidamente: estudemos os ensinamentos de Jesus, na casa espírita, ou onde acharmos melhor e, mesmo na Internet, busquemos a nossa reforma íntima e ajudemos os nossos semelhantes, baseados em "Fora da caridade não há salvação". Estaremos sendo discípulos de Jesus. (t)

<||Moderador||> [07] <Caminheiro> Pode alguém ser discípulo de Jesus sem ser cristão? Caso positivo, como seria isso? Caso negativo, como enquadrar aqueles que agem de acordo com a moral de Jesus, mas professam outra fé, por exemplo: silkis, muçulmanos, judeus, ateus, etc?

<Carlos_Alberto> Vamos lá! Entendo que Jesus é o governador do nosso planeta Terra. Pelo que nos esclarece Emmanuel, no livro "A Caminho da Luz", Jesus participou da formação de nosso planeta, há bilhões de anos atrás.

Logo, Jesus "toma conta" da Terra muito antes do primeiro habitante aqui chegar. Com esta visão ampliada que o plano espiritual nos dá, entendemos um pouco melhor o real tamanho da missão de Jesus. É Jesus, portanto, o responsável por enviar os "missionários" de todos os tempos: Moisés, Buda, Ghandi, etc. Não há como negar que os missionários de todos os tempos são discípulos de Jesus em todas as épocas.

Ou seja, a misercórdia de Deus abrange a tudo e a todos. E Jesus, em comunhão direta com o PAI, não poderia privilegiar este ou aquele povo. É questão de tempo para que TODOS compreendam a grande mensagem vivida e exemplifica por ele, resumida no "Amai ao próximo como a nós mesmos". (t)

<||Moderador||> [08] <Caminheiro> Os "Discípulos de Jesus" escolhem sê-lo ou são escolhidos? Como é isso?

<Carlos_Alberto> Uma e outra coisa. Podemos resumir com um ensinamento que diz assim: "O Mestre aparece quando o discípulo está pronto". (t)

Considerações Finais do Palestrante:

<Carlos_Alberto> Estamos vivendo um grande momento em nossa existência como Espíritos eternos e imortais. A Doutrina Espírita nos brinda com ensinamentos e revelações que vem da fonte do mais alto. A Ciência, com os avanços cada vez maiores, vai confirmando TODAS as teses espíritas. Mas, para que não nos percamos no vazio que o conhecimento sem sentimento pode trazer, é fundamental que busquemos a Jesus. Não temos dúvidas que é preciso uma renovação moral da nossa parte, que é preciso muita reflexão, mas precisamos de Jesus.

O benfeitor espiritual do centro espírita que eu freqüento, nos deixou uma orientação que eu divido com todos vocês:

"Leiam 'O Evangelho Segundo o Espiritismo' antes de dormir... Leiam 'O Evangelho Segundo o Espiritismo' logo que acordarem. Nem que seja apenas um parágrafo e reflitam sobre o que lerem..."

É preciso que temperemos os nossos conhecimentos com muito sentimento. Que nos preocupemos com nossos semelhantes, com as dores que estão a nossa volta. O mundo clama por socorro. Atendamos ao chamado de Jesus, atendendo e consolando, não apenas com palavras, mas principalmente com sentimento.

Meditemos na pergunta de Paulo de Tarso, feita a Jesus e citada anteriormente: "Senhor, que quereis que eu faça?" O momento é nosso. Deixemos os nossos desculpismos e condições de lado.

Eu ajudo se Eu atendo se... Eu colaboro se... Eu compareço se... for do jeito que eu quero, se for na hora que eu quero, se ninguém me atrapalhar, se não chover, etc.

Nosso quinhão será do tamanho de nosso merecimento. Lembremos mais uma vez: "A cada um será dado de acordo com as suas obras."

Desejo a todos um belíssimo ano que chega, com muito trabalho, com muita reflexão, com muitas mudanças positivas, mas, sobretudo, com o servir que Paulo de Tarso nos ensinou com uma simples pergunta, de forma INCONDICIONAL, pois servir ao Mestre Jesus, se tornar seu discípulo está certamente entre as nossas maiores conquistas. Que Deus abençoe a todos nós. (t)

Oração Final:

<Wania> Jesus amigo, Pai de infinito amor, te agradecemos, mais uma vez, a oportunidade que nos concede. Que saibamos aproveitá-la, Pai, não nos detendo nas dificuldades, nos momentos de dor e de angústia.

Que possamos aprender a confiar no Teu amparo e no Teu amor. Que no limiar do novo milênio possamos olhar para nós mesmos e deixar de lado o Homem Velho, permitindo que o Homem Novo possa nascer em cada um de nós.

Obrigada, Senhor, por esta tarefa, e pelas tantas outras realizadas pelo IRC-Espiritismo. Que possamos merecer o Teu amparo. Que o Teu amor e a Tua luz nos conduza a jornada. Que assim seja, agora e sempre. Graças a Deus!

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