Lei de Causa e Efeito

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrante: Pedro Vieira
Rio de Janeiro
30/07/1999

Organizadores da palestra:

Moderador: "jaja" (nick: ||Moderador||) "Médium digitador": "Brab" (nick: Pedro_Vieira)

Oração Inicial:

<Valeryy> _Meus irmãos, é com grande alegria que estamos mais uma noite juntos, vibrando positivamente e, nessa vibração, vamos elevar nosso pensamento e dizer assim: Mestre e amigo Jesus, tu que nos ensinaste o caminho do amor, o caminho da razão, o caminho do bem. Tu que és o caminho, a verdade e a vida, dai-nos tua mão, Mestre, para que possamos caminhar sem medo, sem receio, confiantes que no final dessa caminhada encontraremos a Paz. Mestre, ilumina nosso irmão Pedro Vieira para que ele possa ser instrumento da vossa paz nesse momento para que possamos exercitar tudo o que nos for passado e, acima de tudo, Senhor, concede-nos a paz, concede a paz para toda humanidade! Deus está presente!!!! (t)

Apresentação do palestrante:

<Pedro_Vieira> Muito boa noite a todos. Meu nome é Pedro Vieira, sou colaborador do Centro Espírita Cristófilos, no Rio de Janeiro, e também do Centro Espírita Léon Denis. Na Internet trabalho como operador do IRC-Espiritismo, onde sou conhecido pelo nick 'brab'. Espero que nessa noite possamos trocar excelentes idéias sobre o tema, para compreendermos a nós mesmos como espíritos imortais perante Deus. (t)

Considerações iniciais do palestrante:

<Pedro_Vieira> "A terceira lei de Newton é denominada, às vezes, a lei de interação. (...) Usam-se, freqüentemente, as palavras 'ação' e 'reação' na discussão da terceira lei de Newton.(...) O ponto importante é o da ocorrência das forças sempre em pares ação-reação, e o de a força reação ter o mesmo módulo, a mesma direção e sentido oposto à força ação" (Paul A. Tipler, "Phisics for Scientists and Engineers", 3rd. Edition) A definição científica, física, do processo de interação entre dois corpos materiais é bem clara. Quando um elemento material interage com o outro, provocando nele uma força, sofre, automática e instantaneamente uma força contrária de mesma intensidade. Se tal não ocorresse, não haveria a sustentação de objetos materiais em decorrência da reação do peso e mesmo os átomos de um elemento físico se desagregariam, já que se mantém unidos eletricamente pela força de atração entre os pólos contrários de suas partículas formadoras. Em suma, a matéria que conhecemos seria uma massa disforme. O sentido de nossa conversa da noite, no entanto, não é um sentido puramente material, mas da existência do homem enquanto espírito. O que chamamos "Ação e Reação" espirituais é o comportamento do próprio homem perante as Leis de Deus, que são perfeitas e imutáveis no Universo. O Espiritismo nos fala de ação e reação sempre no sentido das vidas materiais sucessivas, sempre no sentido do espírito imortal, nunca somente do homem carnal. O espírito tem a liberdade de ação. Se essa liberdade de ação é utilizada de maneira equivocada, será natural que, optando por "chocar-se" com as leis de Deus seja colocado em situação de enxergá-las de melhor modo. Em "O Livro dos Espíritos", questão 807 lemos: "Que se deve pensar dos que abusam da superioridade de suas posições sociais, para, em proveito próprio, oprimir os fracos?", ao que os espíritos respondem: "Merecem anátema! Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos: renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem feito sofrer aos outros." Quanto ao comportamento em relação aos adversários, Jesus nos alerta: "Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão. - _Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil. (Mt, 5:25s) Em comentário à questão anterior, Allan Kardec em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Capítulo X, item 6, nos fala: "(...) Não saireis de lá, da prisão, enquanto não houverdes pago até o último centavo, isto é, enquanto não houverdes satisfeito completamente a justiça de Deus." O sentido de punição, no entanto, deve ser retirado de nossas mentes. O aprendizado, ao espírito imortal, é urgente e precisa se fazer. O meio por que esse aprendizado irá sensibilizar o espírito é escolha própria dele. Aprender o valor do bem, às vezes, passa por aprender o valor do mal, valor esse que não pode ser sentido, por vezes, a não ser que fira o próprio espírito, que desmanche o próprio orgulho. Daí as circunstâncias criadas aparentemente por punição, mas que sempre encerram a sabedoria de Deus em ocasiões de o espírito se melhorar, sentir que errou e procurar o acerto, pelo meio da dor refazedora. A respeito de um caso que nos servirá de exemplo, no livro "O Céu e o Inferno", Capítulo VIII, "Expiações Terrestres", Allan Kardec estuda o caso de um menino que ele descreve: "Havia num hospital de província um menino de 8 a 10 anos, cujo estado era difícil precisar. Designavam-no pelo nº 4. Totalmente contorcido, já pela sua deformidade inata, já pela doença, as pernas se lhe torciam roçando pelo pescoço, num tal estado de magreza, que eram pele sobre ossos. O corpo, uma chaga; os sofrimentos, atrozes. Era oriundo de uma família israelita. A moléstia dominava aquele organismo, já de oito longos anos, e no entanto demonstrava o enfermo uma inteligência notável, além de candura, paciência e resignação edificantes. (...)". O menino em questão veio a desencarnar nessas condições, dando, depois, na Sociedade Espírita de Paris, a comunicação da qual extraímos algumas partes, mas que está integral no livro citado. "(...)asseguro-vos que todo sofrimento tem uma causa justa. Aquele a quem conhecestes tão mísero foi belo, grande, rico e adulado. Eu tivera turiferários e cortesãos, fora fútil e orgulhoso. Anteriormente fui bem culpado; reneguei Deus, prejudiquei meu semelhante, mas expiei cruelmente, primeiro no mundo espiritual e depois na Terra. Os meus sofrimentos de alguns anos apenas, nesta última encarnação, suportei-os eu anteriormente por toda uma existência que ralou pela extrema velhice. Por meu arrependimento reconquistei a graça do Senhor, o qual me confiou muitas missões, inclusive a última, que bem conheceis. E fui eu quem as solicitou, para terminar a minha depuração_. (...)" (Marcel, 'o menino do número 4') Para finalizar, o próprio espírito Marcel nos fala sobre o papel imenso que o conhecimento da lei de causa e efeito que o Espiritismo faculta, como esse conhecimento pode ajudar a consolar e instruir àqueles que sofrem. "(...) Por minha vez, também me compete dizer algo sobre o progresso da vossa doutrina, que deve auxiliar em sua missão os que entre vós encarnam para aprender a sofrer. O Espiritismo será a pedra de toque; os padecentes terão o exemplo e a palavra, e então as imprecações se transformarão em gritos de alegria e lágrimas de contentamento." (Marcel) Os espíritos, analogamente à matéria, sofrem interações entre si, interações que precisam de equilíbrio de forças de ação e de reação. Esse equilíbrio, chamado respeito mútuo, vem da dupla vivência: conhecimento da realidade espiritual e crescimento moral de doação e entendimento. Só então, pelo equilíbrio, a humanidade irá progredir verdadeiramente em direção a Deus. (t)

Perguntas/Respostas:

<||Moderador||> [1] <amaral> Boa Noite a todos. Você poderia dizer que essa Lei é da natureza?

<Pedro_Vieira> Sim, trata-se de uma Lei Natural porque rege a própria evolução, tanto material quanto espiritual. Desde que a Lei se encontre em tudo e governe todo o Universo, podemos dizer que é uma Lei da Natureza, ou melhor, uma Lei de Deus. (t)

<||Moderador||> [2] <homeover> Caro irmão, muita paz em Jesus! No caso de um resgate cármico, ele só teria condições de se iniciar quando nossa consciência (a lei do Pai escrita em nós) acusasse nosso delito?

<Pedro_Vieira> Tenhamos consciência de que o arrependimento é a porta á ação refazedora. Erros existem para serem resgatados e não feitos de carrascos à própria consciência. O pior erro, nos dizem os espíritos, é congelar-se mentalmente naquilo que o fez sofrer. Esse erro, que gera mazelas psicopatológicas tais como a depressão, a baixa estima e tendências mais graves ao suicídio nascem exatamente da ignorância que o homem tem na própria capacidade de recomeçar. Os amigos espirituais sempre nos lembram que se o hoje está ruim por causa do ontem, o amanhã está vazio, esperando nossa ação no presente para que seja melhor. Nesse ínterim o exercício no bem é o primeiro passo à renegeração do espírito, mas esse exercício, mais uma vez dizemos, não se dá sem que o espírito tenha consciência de que errou, consciência que deve ser alcançada por ele só, sem forças, sem pressões. Primeiro o arrependimento, depois o refazimento, nunca o remorso. O progresso é urgente e se Deus nos move pelo amor, porque insistimos ainda em nos mover pelo sentimento de queda? (t)

<||Moderador||> [3] <MBueno> Muitos utilizam erroneamente o termo karma para dizer causa e efeito. Além da implicação de destino irrevogável que o termo karma implica, há outras divergências entre seus significados respectivos?

<Pedro_Vieira> A idéia de "karma" é uma idéia vinda do bhramanismo e do budismo, significando uma analogia entre as reencarnações e as leis de causa e efeito materiais. Essa significação nem sempre é exata, porque é importante tenhamos em mente sempre que não é necessário perder um braço para aprender a amá-lo, mesmo em nosso irmão, ou, em outras palavras, "resgatar" o braço cortado outrora. Vemos hoje em dia "promessas" feitas com coisas puramente materiais, como se Deus se subornasse com elas. Deus também não se suborna com um braço e não é por conta dele que um espírito irá necessariamente aprender. É possível, nos informam os espíritos, que um mesmo espírito reencarne em situações difíceis diversas vezes sem que isso represente para ele um aprendizado. Por outro lado é possível aprender o valor de um dom, de uma faculdade, pelo empenho dela no bem. O emprego de nossas potencialidades em nome de Jesus santifica-as, ensina-nos, pelo doce caminho do amor, ao invés do amargo caminho da dor. Tiremos a idéia maquinicista da ação e reação de nossas mentes, porque, antes de sermos objetos materiais se interagindo, somos espíritos imortais aprendendo. Nesse ponto o Espiritismo, somando a lei de amor e a misericórdia de Deus, se afasta da idéia maquinal de "karma" que existe em certas filosofias orientais. (t)

<||Moderador||> [4] <homeover> Delitos graves que tenhamos cometido em situações onde cumpríamos ordens (ex: soldado mata na guerra) pesam tanto no nosso carma quanto crimes voluntários?

<Pedro_Vieira> "Deus sempre julga pela intenção", nos dizem os espíritos. Vamos recorrer a um raciocínio para facilitar essa compreensão. A todo instante da vida agimos de duas maneiras paralelas: como homens, encarnados que somos, no exercício de nosso labor material, e como espírito imortais, pelo relacionamento mental, psíquico, que promovemos com os encarnados e os desencarnados. Se por uma imposição material é necessário ao espírito cumprir certas ordens, tudo dependerá da postura simultânea que o seu espírito tenha mentalmente desejado ou não o mal e se comprazido ou não no sofrimento alheio que o fará mais ou menos culpado. Os espíritos nos dizem que ele será culpado da crueldade que comete. Ademais, vamos colar a questão de número 749 de "O Livro dos Espíritos": "Tem o homem culpa dos assassínios que pratica durante a guerra?" "Não, quando constrangido pela força; mas é culpado das crueldades que cometa, sendo-lhe também levado em conta o sentimento de humanidade com que proceda." (t)

<||Moderador||> [5] <Carla> A lei do amor teria o poder de interromper a lei de ação de reação?

<Pedro_Vieira> Há um erro básico nessa colocação. As leis de Deus não se sobrepõem nem têm entre elas concorrência alguma. Por questões de aprendizado o homem denomina e separa as leis Divinas, que, na realidade, são o que ele percebe da lei Universal. Nunca uma lei de Deus interromperá outra. As leis do Universo são harmônicas entre si, porque são facetas do mesmo funcionamento perfeito que nos rege. Mas o sentido da pergunta chama-nos, de qualquer forma, a uma reflexão interessante, ainda outra vez sobre o mecanicismo dos acontecimentos. O espírito é impulsionado à evolução pelo movimento de amor de Deus, que o chama incessantemente ao auto-conhecimento e ao relacionamento de amor, de sua parte, com tudo que o cerca. Essa lei de amor, que rege o espírito desde a sua criação, comanda também as situações ditas "conseqüências, reações", ou, como preferirem, "cármicas". A visão de um Deus punitivo que ainda se debate em nos salvar nos afundando ainda permanece em nossas mentes. No aprendizado que as situações da vida nos coloca vemos sempre o amor de Deus. Esse aprendizado se faz de acordo com a necessidade e a capacidade de cada espírito, sendo, mais uma vez, não um acontecimento mecânico, mas um acontecimento de amor. Nesse ponto o Espiritismo nos esclarece, enxergando as situações da vida sempre como um movimento de Deus em relação ao nosso crescimento, nunca em relação à nossa punição. (t)

<||Moderador||> [6] <homeover> Irmãos nossos a serem exilados nessa transição planetária do terceiro milênio, devido a persistência no mal, colherão, obrigatoriamente, num mundo primitivo, os frutos de seus desvarios. Se cooperarem ativamente para o progresso desse mundo, tanto quanto para o seu próprio, poderão algum dia voltar para a Terra?

<Pedro_Vieira> Deus certamente os colocará, a cada instante, no lugar onde o coração deles possa ser tocado pelo caminho que escolheram. Se mais brutamente hoje, se mais sutilmente amanhã, escolhemos como a bondade de Deus poderá chegar até nós, mas não podemos impedí-la de vir. O retorno à Terra será possível sim, desde que eles se coloquem mentalmente em condições para tal. Mas uma coisa é certa, Deus não os abandonará, como nunca abandonou nenhum de seus filhos. (t)

<||Moderador||> [7] <MBueno> A lei de ação e reação na Física é implacável! Mas a Lei de causa e efeito ensinada pelos espíritos superiores permite que o efeito em sofrimentos seja convertida ou ainda reduzido por ação da caridade, certo?

<Pedro_Vieira> Desde que o espírito se abra para aprender pelo amor, o ensinamento pode chegar de forma mais leve. A dor não é necessária como método educativo, desde que a educação já se tenha feito no espírito. Para Deus o progresso é a única realidade. (t)

<||Moderador||> [8] <homeover> A chamada queima do carma consistiria de trabalho ativo no bem, o máximo que pudermos? Se tivéssemos que perder um braço, por exemplo, por erros passados, fazendo nossa reforma íntima, nos convertendo em soldados do Cristo, poderíamos perder só parte de um dedo?

<Pedro_Vieira> Tudo depende do modo como o espírito se porte perante si mesmo. Muitas vezes, sendo conhecedor de suas imperfeições, pede métodos educativos, como vimos em nossa introdução com o espírito Marcel, para que possa ser tocado no coração e mudar sua ação pelo bem, que é a sua finalidade principal. A perda de algo material, outra vez, não significa aprendizado. O aprendizado pode lançar mão de recursos coibitivos ao espírito, mas essa não é a finalidade do progresso. Pode ser que não percamos nem um dedo. O melhor é que se perca as chagas morais que degrinem o espírito, causa primária da necessidade de educação. Se lança-se mão da matéria ou não para isso, tal é uma decisão que cabe ao próprio espírito, e, em outra instância, aos orientadores espirituais. (t)

<||Moderador||> [9] <FADA_> O fato de não conseguirmos realizar certos sonhos em nossa vida, quer dizer que seja um efeito de outras vidas?

<Pedro_Vieira> Somos os agentes de nossa própria felicidade. Essa é a real e imutável realidade do espírito. De sua pergunta extraio outras duas que deixo a que respondam: 1) Será que aprendemos a nos satisfazer com aquilo que temos, buscando no belo-simples o prazer real da vida? Será que as nossas insatisfações tão gritantes são realmente reflexo de nossas necessidades espirituais reais? 2) Se tudo fosse efeito de outras vidas, que utilidade teria uma vida do presente senão para ser joguete do passado? Nunca teríamos, assim, o livre-arbítrio. Seríamos sempre determinados por nós mesmos, em outras épocas. Somos os artíficies de nossa própria felicidade. Deus sabe nos conduzir. A nós cabe paciência, perseverança e resignação, com fé e beleza em apreciar aquilo e aqueles que Deus nos põe a caminho. A vida é tão bela. Que nos diria um nosso irmão que não pode enxergar? E outro que não pode andar? Será que realmente somos tão sacrificados quanto pensamos ser? (t)

<||Moderador||> [10] <homeover> O caso de João Batista, o profeta do Jordão, que foi decapitado devido a um considerável passivo espiritual (a degola de 400 sacerdotes de Baal, como Elias), nos mostra que independendo do progresso da criatura, a semeadura sempre é obrigatória?

<Pedro_Vieira> Corrigindo o irmão, "a colheita sempre é obrigatória". Sim, essa frase é verdadeira, do ponto de vista do espírito, que não necessariamente é o ponto de vista de nossos acanhados corpos materiais. João Batista, reencarnação de Elias, aprendeu provavelmente pela lição que a matéria lhe serviu de médium o preço da vida, em mais esse episódio. Seria possível que, mesmo invisivelmente aos olhos materiais, ele tivesse aprendido a mesma lição, pelas mãos do amor. O efeito de uma ação espiritual nem sempre pode ser visto aos olhos da carne, mas ele sempre existe. (t)

<||Moderador||> [11] <FADA_> Doenças como câncer e Aids são cármicas?

<Pedro_Vieira> Digamos, antes, que são métodos educativos que são procurados pelos espíritos. Vamos entender que "são procurados" no sentido amplo da palavra, seja buscado em outras vidas, seja buscado nessa própria vida. Quando se busca a Aids pelo desprezo à própria saúde, por exemplo, está-se "criando um carma" ao agir contra as leis de Deus, mesmo nessa vida. Quando as doenças como a Aids são adquiridas de forma totalmente involuntária certamente são o melhor aprendizado ao espírito. Somos do pensamento que um espírito ou está ou não está preparado para uma determinada situação. Se ele está, nessa situação não verá sofrimento ou angústia, porque a sua preparação o protegerá psiquicamente, e dela saberá aurir sempre o melhor. Se não está, precisa aprender com ela. E não há hora melhor para aprender do que a hora em que Deus julga ser a melhor. Sob esse raciocínio, podemos ver que a postura de resignação e de luta perante a vida é sempre a mais natural e a mais inteligente do espírita. Se a amiga pergunta se Aids e câncer podem ser resultados de ações pretéritas do Espírito, podem, e serão educativas a ele desde que ele aprenda, enfim, a se educar com elas, porque a educação presume um educador e um educando. Sem um deles, a educação não se faz. Se formos meros espectadores de nossas próprias situações, deixamos a educação à margem. (t)

<||Moderador||> [12] <jaja> Como saber se uma dificuldade pela qual passamos na vida atual é conseqüência de um mal que fizemos no passado ou apenas uma prova para nós, espíritos imortais? É importante fazer essa distinção?

<Pedro_Vieira> Você mesmo respondeu à sua pergunta. É importante fazer essa distinção? Com que propósito? Tudo o que suportamos nos é em medida exata para o nosso crescimento espiritual. E ninguém menos que Deus está no comando. A natureza do sofrimento que suportamos não se justifica saibamos agora. (t)

<||Moderador||> [13] <MBueno> Muitos dizem que a lei de causa e efeito é como a Pena de Talião, instituída por Moisés. Aqui o erro está em não se verificar que a causa e efeito serve à evolução do espírito e não para acerto de contas, certo?

<Pedro_Vieira> A ninguém é dado utilizar-se do mal para curar o defeito de outrem. Não se justifica dentro das leis de Deus nenhuma ação má de um irmão perante outro. Jesus foi bem claro quando disse: "É necessário que o escândalo venha, mas ai daquele por quem ele vier". A Pena de Talião incitava os homens ao revide. A mensagem que temos do Cristo é "amai os vossos inimigos". Disso podemos extrair que a nossa vivência enquanto espíritos é fundamental à nossa vida. Não nos permitamos ser os agentes do mal com a desculpa de que esse mal será benéfico a outrem. O mundo carece de amor, de amor pelo mal, do amor que modificará as postura más. Quanto ao "escândalo", ele virá de forma natural. Ninguém é chamado para executá-lo. Nisso a lei de causa e efeito se afasta e muito da Pena de Talião. (t)

<||Moderador||> [14] <Carla> Como o dito popular "O amor cobre a multidão dos pecados" se relaciona com a lei de causa e efeito?

<Pedro_Vieira> Dizemos que o amor é a força do espírito, porque é o sentimento por excelência, o que há de mais puro na capacidade que tem um espírito de sentir. Esse amor é, em última instância, a força do próprio espírito. Vamos recorrer a uma analogia física para impressionarmo-nos melhor em relação à questão. Uma bola de 40 Kgf de peso ser levantada por um homem enfraquecido e por um homem cheio de vigor. A força peso da bola age, dependendo do estado de quem a tenta sustentar, de forma diferente. O que será feito de forma leve e natural a um homem fortalecido será feito de forma grotesta e dificultosa pelo mesmo homem enfraquecido. Sendo o amor a força do espírito, ele cobrirá nossas dificuldades nos dando forças para sustentá-las, e não encobrindo as nossas faltas. A força do espírito é a sua disposição no bem, sua fé, sua segurança, perante o que as situações aflitivas da vida passam a ser encaradas como momentos passageiros e educativos, dos quais ele extrairá mais e mais força, se os souber aproveitar. Não muda o peso da esfera, muda a força de quem a sustenta. (t)

<||Moderador||> [15] <Irmao_> Seguindo o raciocínio da lei das causas e efeitos, como podemos ver o pai que castiga um filho indisciplinado?

<Pedro_Vieira> Tudo depende da maneira como o Pai-Espírito está encarando a situação. Se um mesmo gesto de censura for feito com a mente fixada no aprendizado do filho, dando a ele sempre para que ele se sustente melhor e se discipline, está se portando como amigo real do filho fazendo com que aprenda pelo amor, nos caminhos que o filho percorre. No entanto, se, para satisfação própria do orgulho, o pai se posta como vingativo, como orgulhoso, então está sendo duplamente ineficiente e culpado: ensina o filho a postura do revide e, ao mesmo tempo, faz com que aquela pancada física não tenha absolutamente nenhum componente espiritual real. Como podemos ver, tudo depende da forma como o espírito se posta diante das situações, porque quando ensinamos, com dureza ou com delicadeza, em última instância contará o toque espiritual que damos naquele com quem interagimos. O toque de amor e de interesse, ou o toque do revide, do ódio. Aos pais é dada a tarefa de orientação do reencarnante, que passa, por vezes, por constrangimentos que o farão compreender quando errou e o ajudarão a enxergar as próprias atitudes, desde pequeno. (t)

<||Moderador||> [16] <MBueno> Muitos dos resgates que fazemos ocorrem por nosso próprio pedido e vontade antes de nascer. A lei de causa e efeito é aplicada apenas quando o espírito evita a provação ou a expiação?

<Pedro_Vieira> Não. Definitivamente não. Pelo contrário, tanto melhor que ela seja aplicada com o nosso consentimento, porque estamos nos aliando ao nosso próprio adiantamento e não contra ele. Em uma ocasião estamos lutando contra as leis, na outra estamos consciente caminhando para elas. Qual delas é preferível? (t)

<||Moderador||> [17] <Carla> Por que grande missionários, homens de bem, sofrem pela lei de causa e efeito (por exemplo o caso de Chico Xavier, que se encontra quase cego, debilitado e passou por grandes provações)?

<Pedro_Vieira> Vamos por partes. Em primeiro lugar não sabemos que individualidade espiritual está por trás de um homem que aparece como um homem de bem em nossa sociedade (estamos tratando de casos gerais em nossas vidas). Supondo geralmente que se trate de uma alma abnegada não temos acesso ao seu passado espiritual. A todo instante é possível ao espírito modificar-se interiormente e fazer a opção pelo bem. Certa feita, Chico Xavier foi perguntado por que ele sofria tanto ao que respondeu que seria a ele muito doloroso ver o sofrimento alheio sem poder entendê-lo na própria pele. E perguntamos, enfim: será que o que para nós é SOFRIMENTO para ele não passa de simples atribulações físicas passageiras? Será que nosso conceito de sofrimento está equiparado com o conceito que um espírito mais adiantado tem, nas situações da vida? Ainda um outro gênero de sofrimento, chamado "sofrimento por amor", que nada mais é do que a exemplificação pela ação do posicionamento que o nosso espírito deve ter perante as situações de nossa vida. O exemplo máximo dessa postura perante os sofrimentos, por simples e pura questão educativa, é o próprio Cristo e a vida que levou quando esteve entre nós. (t)

<||Moderador||> [18] <Dimmitri> Como entender os efeitos da violência generalizada? Tantas causas do passado?

<Pedro_Vieira> Espíritos que fizemos sofrer, oprimindo no passado, retornam a nós dando gritos de amor e de compaixão que não escutamos por puro preconceito e puro egoísmo. Muitos desses casos, como o são das frágeis crianças que são levadas ao crime, são ignorados pela sociedade por pura preguiça, a pretexto de "violência" No entanto, é necessário observar que espíritos já cônscios de si mesmos optam pelo mal e esse por esse mal são responsáveis. São efeitos de suas próprias decisões, portanto. A opção pelo mal não se justifica nunca. O passado do espírito traz a ele certas tendências das quais pode se subtrair e, para isso, sempre lhe há forças, pela ação firme de sua vontade. Por fim, para ajudar-nos na reflexão, sabemos que o que chamamos de "generalizada" é somente mais "gritante", nada mais do que isso. O mal grita, o bem trabalha, eis a diferença. (t)

Considerações finais do palestrante:

<Pedro_Vieira> Nossa visão maquinicista das questões espirituais faz-nos encarar Deus como um simples elemento robotizado, é uma visão errônea. Deus nos permite caminhemos pelo amor e é somente por esse aspecto, o da evolução do espírito, que devemos encarar as situações da vida - TODAS elas. Vamos nos fixar a viver, paralelamente à nossa vida como homens, a nossa vida como espíritos, exercitando-nos mentalmente no bem, na prece, no recolhimento, para que, mesmo quando precisemos agir bruscamente, nosso espírito esteja abraçando a pessoa, desejando a ela todo o bem e toda a paz que puder aurir, e que nunca abandonemos aqueles com quem interagirmos, porque toda oportunidade de troca é divina, e somos sempre responsáveis por aquilo que cativamos. Que Deus nos abençoe sempre. (t)

Oração Final:

<MBueno> Agradecemos a Deus Pai todo poderoso por mais esta oportunidade de aclarar nossas consciências, ampliar nossa visão do mundo espiritual, nosso verdadeiro lar e ganharmos mais maneiras de auxiliar e fazer progredir a todos que nos rodeiam. Pedimos a Deus que ilumine nossas mentes, permitindo perceber os momentos adequados para aplicarmos o que acabamos de aprender e que este se frutifiquem na Seara de Jesus, tornando mais felizes a todos nossos companheiros de jornada até o Pai. Que vibrações de amor, luz, paz e sabedoria envolvam a todos irmãos que aqui estiveram e a todos que com eles estarão. Que assim seja!