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O Espiritismo no século XXIPalestra Virtual Palestrante: Júlio Cezar
Sá Roriz Organizadores da Palestra:Moderador: "Marcelo Soutinho" (nick: [Moderador]) "Médium digitador": "Jailton" (nick: Julio_Cesar_Sa_Roriz) Oração Inicial:<lflavio> Amigo Jesus, Nosso Consolador de todas as horas, Queremos agradecer a benção da vida, e a oportunidade de estarmos neste cantinho virtual, para estudar e aprender. Ampare-nos, Mestre Querido, abrindo as nossas mentes e corações, para que o entendimento se faça claro para todos nos. Que os vossos emissários de luz e de amor, possam envolver ao nosso irmão Julio Cesar, encarregado dos estudos da noite em muita luz. Mestre, confiantes em sua presença entre nos, vamos dar por iniciado os estudos da noite de hoje, em te nome e em nome de Deus nosso Pai e Criador. Que assim seja! (t) Apresentação do Palestrante:<Julio_Cesar_Sa_Roriz> Boa noite a todos os amigos que nos prestigiam neste momento, onde temos a oportunidade de conversarmos a respeito do Espiritismo na atualidade. Já fui engenheiro, trabalhei na VARIG e construí muitos hangares, fiz obras no Brasil e no mundo e, depois que aposentei fiz faculdade de Psicologia e hoje, como sempre, estou trabalhando intensamente pela divulgação da doutrina espírita, principalmente com os temas relacionais. Sou casado pela segunda vez e tenho 3 filhos e estou com 56 anos de idade. Trabalho há mais de 30 anos no Centro Espírita Seara Fraterna, na rua Bento Lisboa, 23 - Catete - Rio de Janeiro. Sou expositor de doutrina espírita do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, além de ser coordenador geral da Instituição Espírita Tarefeiros do Bem (IETB), que é uma organização sem fins lucrativos, que tem como finalidade abrir espaço de eventos para o público em geral, objetivando a divulgação da doutrina espírita. Um dos principais eventos que realizamos na IETB foi a peça teatral "Violetas na Janela", onde mais de 200.000 pessoas já assistiram e se encantaram. Agora estamos investindo no lançamento do meu livro "Oh, James! Na Poeira do Tempo", que é uma avaliação sobre a situação do antropocentrismo na face da Terra, procurando enfocar a situação do ator James Dean e outros ícones que se deixaram arrastar pelo consumismo e pelo individualismo. O livro já está praticamente esgotado nas livrarias Saraiva e Sodiler e pode ser encontrado no CELD e na USEERJ e outras tantas livrarias espíritas do Brasil. A editora é a Freitas Bastos. Vamos agora a uma introdução sobre o nosso tema. Considerações Iniciais do Palestrante:<Julio_Cesar_Sa_Roriz> Temos hoje a construção da subjetividade estabelecida em nosso psiquismo. Subjetividade quer dizer aquilo que está no intrapsíquico, ou seja, no cerne do pensamento. Há uma construção de conceitos paradigmáticos realizada pela mídia estabelecendo o que é "normal", estabelecendo processos, modos de ser e conseqüentemente, restringindo todo aquele que não seguir a moda, a cartilha estabelecida. A questão que coloco aqui em discussão com os amigos que nos dão a honra é a que interesses estão por trás do arrastamento ao egoísmo, ao consumismo que ora nos submete através da televisão, outdoor e as conversas da vida cotidiana? Esse primeiro ponto vale a pena ser discutido para que possamos nos conscientizar que muitas vezes consideramos um processo de escolha que parece que foi feito por nós, mas que em verdade obedeceu aos ditames da mídia. Vamos dar um exemplo simples para depois falarmos das coisas mais complexas. Todo mundo sabe que é chic usar calça jeans, porém nós sabemos também que ela esquenta no calor e esfria no frio, sendo inapropriada para o nosso clima. No entanto quem vai ficar por fora da moda? Assim, copiamos e fazemos o jogo da mídia que tem o interesse material. Agora os amigos podem começar a imaginar outras questões que estão sendo utilizadas como arrastamento e que a sociedade se submete sem se dar conta de que está se consumindo, desencarnando prematuramente com câncer e enfarte. Estresse é uma palavra inventada pelo consumismo, porque é o seu subproduto. A pessoa permanece exaustivamente submetida aos padrões de produção para ganhar muito dinheiro e ser considerado aristocrata. Então, o espírito encarnado, que veio para a Terra evoluir, enquanto espírito imortal que é, se perde dedicando a sua vida à conquista das coisas materiais. Ora, a matéria é para usufruto e se for constituída como fim efetivamente o espírito, ao desencarnar, aqui deixará todas as conquistas materiais amealhadas. O que ela levará de valor para o plano espiritual? Esta é uma questão que vale a pena ser discutida: Como viver na materialidade sem ser materialista e ateu? Como conviver numa sociedade antropocêntrica (centrada no homem) sem se deixar consumir? (t) Perguntas/Respostas:<[moderador]> [1] - <lflavio> A matéria ainda nos atrai muito. Que é necessário para no mundo atual viver centrado no Antropocentrismo? <Julio_Cesar_Sa_Roriz> O antropocentrismo é um problema, pois é uma caracterização do egoísmo, ou seja, o indivíduo só pensa em si mesmo e vive aquilo que o povo chama de "lei do Gerson". Portanto, apesar da matéria adquirir um significado de valor nos momentos atuais (Allan Kardec em "Obras Póstumas" nos diz que a Aristocracia atual é a do dinheiro), levando as pessoas à ilusão da materialidade, cada um será julgado segundo a sua própria concupiscência, como disse Paulo. Na questão 132 do Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta qual a finalidade da encarnação e os Espíritos responde que é para que cada espírito possa passar pelas provas e pelas expiações para alcançar a perfeição; e para que cada um de nós possa fazer a sua parte no contexto geral. É aí, nesse contexto geral, que nós espíritas deveremos contrapor ao antropocentrismo, que significa combater o egoísmo, para que a sociedade de homens encarnados possa evoluir mais rapidamente. (t) <[moderador]> [2] - <kkatia> Na verdade, vivemos na matéria, por isto certa dose de materialismo não seria necessária para que puséssemos vivenciar melhor nossa experiência na carne? <Julio_Cesar_Sa_Roriz> O espírito precisa se utilizar da matéria, pois dessa maneira ele consegue viver com a diversidade evolutiva humana. Enquanto desencarnado, o espírito se coloca no plano espiritual segundo seu nível evolutivo, que é caracterizado pelo peso específico do seu perispírito. Então enquanto desencarnado permanece na sua faixa vibratória, próxima da Terra e enquanto encarnado lida com várias faixas evolutivas, pois os 6 bilhões de espíritos encarnados são de várias faixas evolutivas. Emmanuel, no livro Roteiro, cap. 9, diz que existem 22 bilhões de espíritos dedicados à Terra, o que nos leva a compreender que temos 16 bilhões de espíritos no plano espiritual em várias faixas evolutivas. Ora, um espírito encarna na carne (desculpe a ênfase) para que possa aprender a agregar valores espirituais e possa também ajudar os outros nesse mesmo mister. É claro que a evolução espiritual não é excludente ao usufruto da matéria, mas veja bem, é para uso-e-fruto. É necessário que dê frutos, que são os valores espirituais. (t) <[moderador]> [3] - <Soutinho> O Antropocentrismo não seria uma conseqüência (ou característica) natural do estágio evolutivo dos Espíritos encarnados na terra, e seu desaparecimento no decorrer do processo de elevação também não o seria? <Julio_Cesar_Sa_Roriz> Você tem razão, Soutinho. Gostaria de lembrar que o desaparecimento do antropocentrismo vai ocorrer a partir do momento em que cada um de nós se esforçar para romper os grilhões do egoísmo dentro de nós. Vou dar um exemplo trivial: uma pessoa dirigindo um carro na via pública, tomando coca-cola numa latinha, acaba de beber e joga a latinha pela janela. Ora, o que está regendo esta atitude, além da falta de educação? A pessoa pensa segundo o processo antropocêntrico: eu pago impostos e tenho garis que são pagos para fazer esse serviço. Por outro lado, observa-se esta questão em nível mais preocupante, quando alguém vai vender um carro usado e "dá uma guaribada" para enganar o "trouxa" que vai comprar o carro. É claro que qualquer acidente que ocorrer com esse carro nas mãos do desafortunado comprador terá uma responsabilidade direta dessa pessoa egoísta que o enganou. Saindo do plano individual, vamos para a questão coletiva. Todos nós sabemos que por motivos meramente políticos e ideológicos, Saigon foi bombardeada pelos americanos e os engenheiros e químicos americanos se envolveram na pesquisa de um desfolhante químico para ser usado em Saigon. Quantas pessoa cegas, mutiladas e mortas? E a flora e a fauna? Isso é uma parte do antropocentrismo que está acontecendo e nós que conhecemos as necessidades de se combater o egoísmo precisamos agir em qualquer lugar em que estejamos para que possamos colocar a nossa opinião firme e serena a respeito desses temas. Poderíamos falar sobre os médicos, os engenheiros, etc que estão aí acontecendo; os barões da economia que se locupletam com a fome da população, etc. (t) <[moderador]> [4] - <Soutinho> A caridade (no sentido de fazer um bem ao próximo) também não pode ser encarada como um exercício de antropocentrismo? <Julio_Cesar_Sa_Roriz> Soutinho, consideramos o antropocentrismo um problema, cuja conseqüência requer o uso da caridade. Por exemplo, é notório que a AIDS proliferou na África de uma maneira assustadora. É claro que os espíritos que lá estão reencarnados (filhos de aidéticos) estão passando por expiações duríssimas, decorrentes de um passado repleto de egoísmo. A misericórdia divina está aí a serviço da humanidade para proporcionar alívio aos sofrimentos humanos e é claro que nós, os espíritas, assim como outros trabalhadores do bem, estamos envolvidos no movimento da caridade. No entanto, é necessário perceber que a melhor caridade que podemos fazer é evitar o antropocentrismo em nós e através do nosso exemplo nos mostrarmos no mundo não calando a nossa boca de modo algum. Os valores são agregados através da compreensão, principalmente quando observa-se o exemplo vivo proporcionado por esses valores. Por isso, a questão da caridade é tão importante no Espiritismo, pois trata não só da beneficência, mas principalmente da prevenção. (t) <[moderador]> [5] - <kkatia> o que falta ao homem para superar o egoísmo, seria a consciência da vida espiritual? Ou uma nova escala de valores? <Julio_Cesar_Sa_Roriz> Enquanto a ciência materialista estiver analisando o homem como um objeto, teremos faculdades, doutores e pessoas materialistas no modo de ser, mesmo que se digam portadores de uma religiosidade. O materialismo é combatido pela doutrina espírita não no sentido persecutório, uma vez que o materialismo oferece oportunidades para que o próprio homem possa melhor viver na Terra. A inteligência se desenvolveu demasiadamente e o sentimento permaneceu na retaguarda, favorecendo o materialismo em detrimento da concepção da realidade espiritual, da comunicabilidade dos espíritos, da pluralidade dos mundos habitados, etc. Os valores espirituais aparecem na Terra entre os espíritos encarnados que a despeito da expectativa materialista proporcionada pela ciência e pela mídia dão exemplo de espiritualidade, como o caso de Chico Xavier, Tereza de Calcutá e outros tantos homens e mulheres de bem que ajudam a imprimir os valores espirituais na consciência humana. Allan Kardec diz, em Obras Póstumas, no capítulo das aristocracias, que a próxima "aristocracia" (aristos = melhor; cratos = poder) será a da inteligência moralizada. (t) Considerações finais do palestrante:<Julio_Cesar_Sa_Roriz> Terei o máximo prazer de conversar com os companheiros através do meu e-mail (jcesaroriz@hotmail.com) quando poderemos nos extender mais sobre o assunto que, aliás, faz parte do meu livro "Oh, James! Na Poeira do Tempo". Visitem também o site www.ohjames.hpg.com.br. Um abraço! (t) Oração Final:<Julio_Cesar_Sa_Roriz> Senhor, nesse momento elevamos o nosso pensamento e a nossa emoção, vibrando intensamente na direção de todos aqueles que estão investidos da missão de melhora da humanidade. Que possamos nós corresponder às expectativas quanto à divulgação da nossa abençoada doutrina e quanto à nossa melhoria pessoal. Muito obrigado, Senhor! (t) |
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