Livros apócrifos

01/08/2003 - Qual a visão espírita sobre os livros apócrifos, aqueles que não entraram na Biblia?

O Espiritismo não se manifestou sobre este assunto, a não ser naquilo que possamos deduzir através do estudo e da observação. Allan Kardec não se manifestou sobre este assunto, e o fato de ter publicado O Evangelho Segundo O Espiritismo, não quer dizer que ele tenha oficializado os textos selecionados pela igreja.

Jerônimo recebeu do Papa Dâmaso a incumbência de escrever a Vulgata Latina, tarefa gigantesca, pois existiam mais de setenta evangelhos, dos quais Jerônimo tinha que compilar quatro em latim. Na época o grego era considerada língua sagrada, e o latim língua popular. Embora a escolha de Jerônimo, que foi canonizado e tornou-se santo, depois que morreu, não há provas de que os autores sejam mesmo Mateus, Marcos, Lucas e João.

Se outros autores fossem os escolhidos, certamente estes seriam considerados apócrifos. Allan Kardec, ao escrever O Evangelho Segundo O Espiritismo, escolheu os ensinamentos morais, e mesmo assim escreveu um capítulo denominado Moral Estranha, que julgou que não podia ter saído da boca de Jesus.

Os ensinamentos morais de Jesus, mesmo que não se possa provar que sejam dele, são dignos dele. Os Evangelhos sofreram muitas adulterações e interpolações. As adulterações são criminosas e visam um objetivo inconfessável.

As interpolações são erros dos escribas, ou escreventes. Comentários escritos à margem eram introduzidos por engano no texto. Há uma riqueza enorme nos chamados apócrifos, mas precisam ser garimpados. Achamos que Kardec tinha muita razão ao selecionar os ensinamentos morais.