Maltratos em família

01/05/2003 - Recebemos um e-mail que relata que o marido é egoísta, insensível e não permite que ela tenha amizade com ninguém, nem mesmo com os familiares. Ela diz que tem 18 anos de casamento e dois filhos, mas não suporta mais e está pensando em se separar dele. Ela sente que tem uma missão a cumprir mas não sabe claramente o que é essa missão. Ela faz tratamento para depressão e tem tentado mostrar ao marido o amor e o perdão, mas ele não entende ou não quer entender.

Tivemos que sintetizar o seu e-mail porque era muito longo, mas colocamos o essencial. Mas, prezada amiga, é muito difícil mudar as pessoas. Há casos que somente a dor e o tempo conseguem mudar. Entretanto, será que seu marido era diferente na época do namoro e noivado?

Será que você não percebeu essas nuanças ruins do caráter dele mas pensou que poderia mudá-lo? Logicamente não estamos querendo aumentar o seu sofrimento, mas apenas demonstrar que não raro somos os construtores da nossa infelicidade.

Parece-nos que o principal do seu e-mail é saber a nossa opinião sobre a sua vontade de se separar dele. Pensamos que você tem todo o direito. Ninguém pode agüentar por muito tempo ser maltratada, espezinhada, e parece-nos que 18 anos é muito tempo.

Você só precisa estar certa de que o pensamento íntimo de uma missão a cumprir não seja a de transformá-lo, porque neste caso você terá que tirar isto da sua cabeça ou vai sentir-se fracassada. Somos de opinião que você, decidindo-se a permanecer com ele, exponha as suas condições, de ser tratada com dignidade, ter o direito de fazer amizades e especialmente relacionar-se com a sua família.

O fato dele ser evangélico, como você citou, não muda muito as coisas, pois nenhuma religião dá direito ao marido de escravizar a esposa. Não podemos lhe dizer faça isso ou faça aquilo, porque a decisão precisa ser sua, mas acreditamos que lhe demos muito material para reflexão.