Temas diversos

Grupo Espírita Bezerra de Menezes

Teria Jesus um corpo físico ou fluídico?
O corpo fluídico que Jesus teve foi o mesmo que possuem todos os Espíritos encarnados no planeta, ou seja, seu perispírito que age na intimidade da matéria servindo de laço entre ela e o Espírito. Certamente, tratava-se de um corpo espiritual bem mais etéreo que os que possuem os comuns dos mortais. Entretanto sua pergunta diz respeito a uma teoria existente no meio espírita de que Jesus não teve um corpo de carne, ou seja, que o corpo de que utilizou quando de sua passagem pelo nosso planeta, foi fluídico, nada tendo de real o seu nascimento, seu sofrimento e tudo o que vivenciou como Espírito encarnado. Esta teoria foi introduzida no meio espírita por meio da obra de um advogado francês, chamado Jean Baptiste Roustaing, que à época da Codificação kardequiana publicou quatro volumes do que ele chamou de "Revelação da Revelação", pois, segundo ele, foi ditado pelos evangelistas e pelo profeta Moisés. Neste livro, chamado os Quatro Evangelhos, ele diz textualmente que Jesus não teve um corpo carnal, mas um corpo fluídico, e que sua evolução se deu em linha reta, ou seja, que não conheceu a ignorância nem o sofrimento, contradizendo o próprio Cristo quando disse que não veio destruir a Lei, mas cumpri-la. Segundo os princípios da Doutrina Espírita isto não tem o menor fundamento e não encontra sustentação na razão. Jesus veio ao mundo como o maior de todos os Espíritos que já encarnaram neste planeta, mas da mesma forma que todos reencarnam: foi concebido através da conjunção carnal, foi amamentado por sua mãe, cresceu normalmente como criança excepcional que era e mais tarde apareceu já adulto para desempenhar sua divina missão de reformador da humanidade. Se assim não fosse Deus teria dois pesos e duas medidas. Essa teoria esdrúxula é apenas uma das muitas existentes nesses livros, que entra em contradição fragorosa com a doutrina codificada por Allan Kardec, mas que inexplicavelmente é editado e divulgado pela Federação Espírita Brasileira.

Gostaria de saber se existe algum preconceito sobre as obras de Ramatís e o porque de elas não serem tão divulgadas?
Não existe nenhum preconceito por obra nenhuma. O que acontece é que a Doutrina Espírita foi codificada por Allan Kardec e tem um corpo doutrinário deixado por ele para que seus seguidores pudessem avançar no conhecimento das coisas espirituais. A isso chama-se Espiritismo. E é essa doutrina que os espíritas (ou os que pretendem sê-lo) devem estudar incansavelmente para compreender sua essência e objetivo. Existe no meio espírita uma avalanche de obras que não são espíritas e que tomaram espaço devido ao desconhecimento da doutrina kardequiana. São opiniões de Espíritos que tem seu valor como opinião pessoal, mas não podem ser incorporadas como parte da doutrina básica, pois não se submeteram à chancela do Controle Universal dos Espíritos. As obras de Ramatís, em boa parte, são baseadas na doutrina esotérica. O médium que as recebeu, chamado Hercílio Maes, nunca foi espírita. Portanto, seus ensinamentos carecem de base doutrinária mais sólida. Sem entrar no mérito dos ensinamentos ali existentes, nosso alerta é para que as pessoas estudem antes a Codificação kardequiana a fim de que possam saber separar joio de trigo existentes nos livros de Ramatís ou em qualquer outro. Sem isso certamente será bem fácil introduzir práticas estranhas e antidoutrinárias nos centros espíritas.

O que acontece com o Espírito da pessoa que entra em coma?
O estado de coma é caracterizado por grave alteração cerebral, com comprometimento das funções neurológicas normais e abolição dos reflexos superficiais e/ou profundos, levando a uma interrupção temporária ou definitiva da capacidade do indivíduo se comunicar com o meio exterior. Se for um Espírito desenvolvido poderá desprender-se do corpo por alguns momentos e mesmo entrever e compreender o que se passa com ele. Mas se for um indivíduo atrelado ao lado material da vida, sem nenhuma noção da dimensão espiritual e de sua condição de Espírito imortal, sofrerá todas as fases do processo, permanecendo preso do corpo físico. Em alguns casos, o Espírito fica também em estado torporoso, experimentado as mesmas sensações do coma.

Qual a opinião da doutrina kardecista sobre a hipnose e a terapia de vidas passadas?
No capítulo V, item 11, de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec assim instruiu: "Se Deus considerou conveniente lançar um véu sobre o passado, é que isso deve ser útil. Com efeito, a lembrança do passado traria inconvenientes muito graves. Em certos casos, poderia humilhar-nos estranhamente, ou então exaltar o nosso orgulho e, por isso mesmo, dificultar o exercício do nosso livre arbítrio. De qualquer maneira, traria perturbações inevitáveis às relações sociais". Na verdade, o esquecimento do passado é uma bênção. Fica fácil entender isso se levarmos em consideração o estágio evolutivo da maioria dos Espíritos deste planeta. A Terra, sendo um local onde ainda predomina o mal, o passado dos que nela habitam não deve ser nada agradável, pois estamos bem mais próximos do ponto de partida que do de chegada, em termos de evolução espiritual. Portanto, a lembrança de suas experiências ruins certamente trará muito mais prejuízos para o Espírito, do que lucro. Além do mais, muitas dessas chamadas "regressões" estão envoltas em muita fantasia, não havendo a certeza absoluta de que a pessoa fez uma regressão real ou não. As terapias baseadas em regressão a vidas passadas nada têm a ver com a Doutrina Espírita, embora seja divulgada com muita ênfase nos congressos e encontros espíritas. É bom lembrar que não se deve permitir que seja praticada dentro das casas espíritas.

Há fundamento na reportagem que saiu dizendo ser Chico Xavier a reencarnação de Allan Kardec?
Não, não há fundamento nessa afirmativa. Francisco Cândido Xavier é um médium missionário, que teve a tarefa de popularizar a Doutrina dos Espíritos. É um Espírito de inegáveis qualidades, mas de personalidade e pensamentos sem qualquer semelhança com Allan Kardec. Essa afirmativa nasceu no meio de seu "amigos" e é originada do fanatismo e idolatria que infelizmente o envolve. Allan Kardec ensina que podemos reconhecer os Espíritos através de suas idéias e pensamentos. Basta usar o bom senso e analisar as patentes diferenças existentes entre ambos.

Devemos aguardar algum tempo depois de constatada a morte cerebral no indivíduo? E se o corpo for cremado?
Em caso de morte cerebral, é prudente que se espere por um certo tempo, até que as funções vitais orgânicas se esgotem, para que se caracterize a morte propriamente dita. Esse tempo varia de indivíduo a indivíduo e como tudo está atrelado às leis divinas, certamente que depende da necessidade de cada um. Quanto ao ato de cremação, ele deve ser evitado, pois se o Espírito não tiver entendimento da existência da vida espiritual ele poderá sofrer uma perturbação momentânea, caso esteja assistindo o ato. Entretanto, a queima do corpo físico nada significa para os que se desprendem do corpo carnal com serenidade e compreensão dos ensinamentos da Espiritualidade.

O Centro Espírita deve fechar as portas nos feriados?
O Centro Espírita bem orientado funciona como um pronto socorro espiritual. É um posto avançado do Bem na terra. Da mesma forma que não se fecha as portas das emergências nos hospitais, também não se concebe que as casas espíritas não funcionem nos feriados, natal, carnaval, ano novo, ou que tirem férias etc. Um Centro Espírita organizado se estrutura para que seus trabalhadores tenham períodos de férias, havendo uma alternância de equipes, de forma de que o trabalho não sofra prejuízos.

Nos eventos beneficentes da casa espírita devemos servir bebidas alcoólicas? Em caso negativo, não seria desagradável para com os visitantes que gostam da bebida, deixar de servi-la?
O Centro Espírita é uma escola onde o homem aprende a se reeducar para a vida. É um local onde os princípios da moral de Jesus devem ser vivenciados e exemplificados na sua integridade, pois Ele disse: "Sede perfeitos". Os vícios, de qualquer natureza devem ser combatidos, pois escravizam o homem. A Doutrina Espírita nada proíbe, mas mostra ao homem, através da fé raciocinada, que ele é livre para realizar seus desejos, mas deve ter consciência das conseqüências boas ou más de seus atos. O ato de beber ou fumar jamais fez bem a quem quer que seja. Servir bebida alcoólica num evento espírita, sob o pretexto de agradar as pessoas que fazem uso dela ou, como querem alguns, para não ferir o livre arbítrio das pessoas, é uma grande incoerência. Além do mais, as casas espíritas freqüentemente estão envolvidas no tratamento de pacientes que possuem problemas com o álcool e seria um contra-senso tal atitude. Lembremo-nos que o exemplo arrasta mais que as palavras.

É lícito fazer rifas e bingos para arrecadar dinheiro para a instituição espírita?
Embora as rifas e bingos tenham sido legalizados para atenderem interesses de determinados grupos que exploram esse tipo de prática, tratam-se de jogo de azar, com todos os inconvenientes materiais e espirituais que ele produz. Nem tudo o que é lícito é ético e correto, haja vista a legalização do aborto, da pena de morte e da própria eutanásia em alguns locais do planeta. Jogos, incluindo bingos e rifas, são imorais e não se coadunam com os princípios espíritas. O fato de serem realizados com fins "nobres", segundo a justificativa dos que defendem sua realização nas casas espíritas, não os isentam de conseqüências desastrosas para o Espírito imortal. Se os fins justificassem os meios, teríamos que aceitar como corretas as ajudas vindas dos traficantes para as favelas que lhes dão apoio, pois investem numa melhor qualidade de vida dos favelados, embora com dinheiro retirado da podridão humana. Existem maneiras mais éticas e inteligentes de serem arrecadados fundos para as obras dos centros espíritas.

Qual a diferença entre prova e expiação?
A expiação, como o próprio nome diz, é um cumprimento de pena, é um resgate de débitos passados. Está ligada geralmente a existências anteriores. As provas, são situações em que o Espírito será testado em sua capacidade de suportar as dificuldades. Se sair-se bem estará apto a subir mais um degrau na escalada rumo à perfeição. É como numa escola. O aluno assiste às aulas para ser testado com as provas, em determinado tempo, se aprendeu mesmo as lições. Caso comporte-se inadequadamente, será punido com reprovação ou mesmo expulsão da escola, sofrendo as conseqüências de seus atos. É a expiação. Quanto mais evoluído o Espírito, menos expiação ele passa.

O Centro Espírita deve utilizar das práticas de cromoterapia, cristalterapia, receituários, regressão de memória, velas, imagens ou rituais em seus trabalhos?
A casa espírita que se orientar pelos ensinamentos dos Espíritos superiores não realiza tais práticas, pois elas nada têm a ver com a doutrina codificada por Allan Kardec. O Espiritismo ensina tão somente a moralização do indivíduo e suas práticas são desprovidas de aparatos exteriores. Suas terapias, como as de Jesus, fundamentam-se na instrução moral e na reposição de energias e fluidos espirituais, feita pela imposição das mãos. Os centros que praticam tais terapias ou rituais, têm liberdade para fazê-lo, porém não deveriam considerar-se "espíritas". Infelizmente, os centros espíritas estão cheios de modismos e doutrinas estranhas, oriundos da falta de conhecimento da doutrina básica. Não há como saber separar joio do trigo se não soubermos identificar um e outro. Isso só é possível com o estudo sério, disciplinado e sincero das obras da codificação kardequiana.

Os filhos de casais espíritas devem ser batizados? E o casamento na igreja, é permitido?
O batizado é uma prática católica, oriunda do judaísmo. Significa a entrada da criatura na religião cristã. É um ato eminentemente exterior e que nada significa para o Espírito, uma vez que é feito quando ele ainda não tem condições de maturidade para decidir por esta ou aquela crença. Da mesma forma, o casamento na Igreja obedece um ritual que pouco tem a ver com o lado espiritual da relação do casal. É muito mais uma questão cultural que religiosa. Há pessoas que só foram à igreja no dia de seu casamento, portanto, não professam de fato essa religião. Os espíritas, os que realmente compreendem a Doutrina que abraçam, certamente não necessitam disso. Para eles, o casamento é uma instituição humana que deve ser regularizada perante as leis da sociedade. Se ainda optam por práticas religiosas convencionais, ainda estão longe de entender de fato o papel do Espiritismo em suas vidas. São es "espíritas-católicos", aqueles que freqüentam os centros, mas não deixam de acender suas velas, batizar seus filhos, casar na igreja etc.

Por que a Doutrina Espírita aconselha que não sejam acendidas velas para os desencarnados em nossa casa?
O ato de acender velas para os desencarnados vêm da crença antiga de que eles estão precisando de luz. Quando os homens ainda estavam na ignorância em relação às coisas espirituais, esse procedimento era compreensível, pois não se sabia como as coisas se davam de fato. Entretanto, depois do advento do Espiritismo, tudo ficou explicado e sabe-se que a luz que os Espíritos necessitam é a luz do esclarecimento e as boas vibrações enviadas a eles através das preces sinceras e amorosas de seus ente queridos. Apenas os Espíritos atrasados pedem velas por acharem que o escuro em que se encontram pode ser resolvido com a claridade material oferecida pela luz artificial. A Doutrina Espírita explica a razão das coisas, nos levando a ter um conduta cada vez mais racional e equilibrada, pois fundamenta a fé na razão e no bom-senso.

Gostaria de saber como a Doutrina Espírita explica a Transcomunicação Instrumental?
A Doutrina Espírita não fala da chamada Transcomunicação Instrumental - TCI, que tem sido objeto de comentários em artigos e livros contemporâneos. Mas o Espiritismo explica como se originam esses fenômenos que são simples efeitos físicos: ação dos Espíritos no mundo material, por meio de ectoplasma. Nas pesquisas em torno da TCI existem muitas fantasias que devem ser encaradas com cautela, pois a pretexto de explicação científica, os investigadores defendem a tese de que o fenômeno não necessita de médiuns, o que contraria frontalmente a teoria kardequiana. Querem os cientistas que a máquina substitua o homem no intercâmbio espiritual também. Recentemente se descobriu fraudes em uma "transfoto", que foi apresentada como originárias no Além, mas que na verdade fora tirada na Índia, num templo jainista. Muitas pessoas que se envolvem com esses fenômenos acabam fascinadas por Espíritos inferiores e perdem-se em justificativas fantasiosas e irracionais. É preciso ter cuidado, pois é uma área que carece ainda de muitos estudos para que se tire conclusões que atendam ao bom-senso.

Os espíritas, assim como os católicos, são contrários ao uso do preservativo? Por que?
Os espíritas não são contrários ao uso de preservativos, pois seria um contra-senso fazê-lo. Eles são necessários, tanto como método anticonceptivo para planejamento familiar como forma de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como AIDS, Sífilis, Hepatite B e outras igualmente graves.

Um casal tem o direito de escolher a quantidade de filhos que quer ter? O Espiritismo aceita algum método anticoncepcional ?
A Doutrina Espírita ensina ao homem a arte de viver com bom senso e equilíbrio, baseado na racionalidade e sabedoria dos ensinamentos dos Espíritos superiores. O casal escolhe quantos filhos quer ou pode ter, assim como faz todas outras tantas escolhas em sua trajetória de vida. Certamente existe uma programação de vida para os Espíritos, obedecendo as leis das probabilidades, bem como para atender às necessidades do Ser, mas não faz sentido afirmativas de que viemos com uma quantidade de filhos predeterminados para se receber. Se assim fosse teríamos que anular o livre arbítrio e condenar as medidas de controle da natalidade, o que seria um contra-senso. Essa teoria poderia nos levar a pensar também porque teria Deus programado mais filhos para pessoas de condição social mais baixa, quando justamente estas são as que têm menor possibilidade de proporcionar condições dignas de vida. Portanto, a quantidade de filhos que se quer ter deve ser programado por nós, não esquecendo porém que a tudo Deus rege e permite. Evidentemente estamos nos referindo a Espíritos de condição mediana de evolução, pois a vida de Espíritos atrasados obedece mais ao determinismo que ao livre-arbítrio, pela falta de condições destes em exercitá-lo.

Onde é que um hipnotizador atua? Como consegue induzir uma pessoa a fazer as mais bizarras atitudes? Em resumo como funciona o hipnotismo à luz do Espiritismo?
O hipnotizador age como um Espírito obsessor que pudesse materializar-se e exercer domínio diretamente naquele que lhe permite a influência. Atua no campo fluídico, energético e psicológico do paciente, através do consciente (no caso das obsessões a sugestão é feita no inconsciente). Envolve o hipnotizado com suas energias magnéticas, submetendo-o ao seu jugo. Freqüentemente o hipnotizador age secundado por Espíritos que se divertem com suas traquinagens. Alguns profissionais tem usado a hipnose para tratar de algumas tipos de anormalidades comportamentais, mas atuam nos efeitos, sendo que a causa muitas vezes permanece inalterada. Nos casos de sugestão hipnótica consciente, a ordem atravessa o consciente e instala-se no inconsciente, embotando a vontade e a percepção. Atua no mesmo campo onde acontecem os sonhos, sobre o qual, o hipnotizado não tem domínio. É aí que se forma a ilusão de que se faz vítima. O indivíduo só é hipnotizado se tiver afinidade energética com o hipnotizador e com os Espíritos que o assistem.

Li no livro "Os mensageiros" de André Luiz, que antigamente era usado o método do 'sopro' para curar irmãos encarnados. Hoje em dia não se utilizam mais esse método. Qual a sua opinião sobre esse fato?
A técnica chamada "sopro" é de origem esotérica e fundamenta-se na tese de que a respiração absorve um elemento vital chamado pelos hindus de "prana". Seria o fluido vital do Espiritismo. Pensa-se que o ato de soprar o ar (sem deixá-lo ir aos pulmões) sobre um indivíduo poderia transmitir a ele essas energias. Sabemos pelos Espíritos superiores e estudos feitos por Allan Kardec, que o fluido vital é transmitido diretamente pela imposição das mãos. Portanto, não vemos motivo para usar o método. E, não se pode esquecer que ele não tem qualquer base doutrinária.

Qual é a atitude do espírita perante as pessoas que concordam com seus princípios mas gostam de freqüentar igrejas ou outros locais de culto?
Aqui temos que separar as coisas. Há pessoas que concordam com os princípios da Doutrina Espírita, mas têm suas crenças ou religiões, não se dispondo a abandoná-las. Há outras que freqüentam as casas espíritas regularmente, são simpatizantes do Espiritismo, mas permanecem também freqüentando igrejas, e abraçando suas crenças de origem. Há aquelas que se dizem espíritas, estão no trabalho espírita há anos, mas permanecem atreladas ao atavismo das antigas religiões e ainda atendem a ritos e dogmas, como acender velas, batizar filhos, encomendar missa de sétimo dia para entes queridos etc. E há os espíritas verdadeiros, aqueles que abraçam o ideal por compreenderem verdadeiramente a que se destina. Esses, segundo Allan Kardec, são reconhecidos por lutar constantemente para vencer suas más inclinações, com sinceridade e desejo ardente de aprimoramento. A posição do Espiritismo e do espírita é a de respeitar cada um, dentro de suas limitações, entendendo que todos vivem experiências que servirão, de uma forma ou de outra, para seu aprendizado como Espírito imortal. Não esquecendo, entretanto, de se esclarecer pontos de vistas para se fazer a luz nas consciências ainda dominadas pela ignorância das verdades eternas.

Antes de dormir podemos pedir aos Espíritos instruções a respeito de alguma decisão que eu tenhamos que tomar?
Quando dormimos, nosso Espírito desprende-se do corpo e vai viver experiências no mundo espiritual, dependendo de sua evolução e tendências. Freqüentemente nossos amigos do invisível nos instruem sobre questões importantes de nossas vidas, mas nem sempre lembramos, pois assim seria anular o livre arbítrio do ser. Tudo fica no campo da intuição, que podemos aproveitar ou não.

Sendo Alan Kardec o maior expoente da Codificação, gostaria de saber se após estes mais quase 150 anos ele já se comunicou com algum médium e se há psicografias que se possa examinar.
Não há notícias confiáveis de que Allan Kardec tenha se comunicado até hoje. As poucas comunicações que trazem o nome do Codificador são provavelmente apócrifas, pois nada tem do pensamento lógico, racional e lúcido do Mestre. Pelo contrário, são a antítese de sua linha de raciocínio. Como a única forma de se reconhecer um Espírito é pelos seus escritos, é fácil identificar as mistificações que vieram com seu nome. Além do mais, os grandes missionários não se comunicam com a freqüência que se imagina e quando o fazem quase nunca assinam seus nomes.

Explique-nos, por favor, o significado das campanhas do quilo que são feitas pelos espíritas? De onde se originou esta idéia?
As campanhas do quilo, chamadas "Auta de Souza", em homenagem a uma poetisa desencarnada no início do século e que dizem ser a mentora espiritual do trabalho, foram criadas por um grupo de caravaneiros espíritas na década de 50, com o objetivo de angariar recursos para as famílias pobres assistidas por eles. São frentes de trabalho existentes em casas espíritas do país inteiro, que se resumem em pedir, de porta em porta, gêneros alimentícios que possam amenizar a fome de irmãos mais necessitados. Junto a isso, se aproveita para levar mensagens de divulgação da Doutrina Espírita ao povo, que ajuda com as doações. As campanhas de arrecadação de alimentos são criticadas por algumas pessoas que entendem ser esta uma atividade menor dentro da casa espírita. Entretanto, além de dar uma ajuda substancial aos irmãos em estado de pobreza material, trata-se de excelente meio de exercício da humildade. Compreende-se que deve ser prática bem difícil para os que se acham importantes por terem alcançado espaço nos meios científicos ou acadêmicos do mundo, pois geralmente é de onde vêem as críticas mais acerbas. Aos que têm dúvidas se este é um trabalho de caridade ou não, aconselhamos a aplicar o segundo maior mandamento da Lei: "amar ao próximo como a ti mesmo". Ou então, meditar sobre a Parábola do Samaritano, em Mateus 10 - 30 a 37.

Qual a opinião da Doutrina Espírita sobre os métodos de reprodução assistida como "bebê de proveta " e outros?
A Doutrina Espírita auxilia o homem na compreensão dos mecanismos da vida e nisto está implícito a necessidade do progresso em todos os sentidos. A ciência terrena é área onde o homem exerce suas potencialidades evolutivas, seja no que diz respeito a novas descobertas, seja na constatação de sua impotência diante da Criação. Os avanços científicos em todas áreas servem de alavanca para o aprimoramento da humanidade e em tudo está a Sabedoria Divina, que vê com naturalidade as tentativas do homem em busca de si mesmo e seus esforços de melhorias.
Todas as investidas ousadas do homem no campo da ciência está sob o controle da ordem universal, embora os cientistas não acreditem nisso. Enquanto não subverter o equilíbrio do orbe serão consentidos por Deus, que é a inteligência suprema que a tudo rege e provê. Os bebês de proveta são uma realidade e uma conquista do homem nesse campo, resolvendo problemas de muitos casais sem filhos. Entretanto, ultimamente têm assumido uma feição preocupante, pois proporciona gestações múltiplas, muitas vezes inviáveis do ponto de vista da vitalidade do feto, gerando a necessidade de sacrificar alguns deles. Isso, em uma sociedade materialista nada representa, mas para os que já compreendem a realidade da imortalidade do Espírito, certamente geram situações dolorosas de luta íntima e evidentemente conseqüências futuras.
Outro aspecto que preocupa é o da existência de bancos de sêmem, que fornecem espermatozóides de homens desconhecidos, para fertilizarem óvulos de mulheres que desejam ter a chamada "produção independente de filhos". Evidentemente, trata-se de uma questão de graves conseqüências, quando se considera a moral cristã e os interesses da família como célula estruturadora do equilíbrio do homem.

O embrião congelado possui Espírito?
Não possui. Ali está apenas a matéria com seu princípio vital. Quando o embrião é designado para a fertilização "in vivo", então se dará a ligação espiritual, como se naquele momento estivesse acontecendo a fecundação. A matéria, nesse caso, poderá reproduzir matéria orgânica sem que necessariamente haja Espírito ligado a ela.

Como a Doutrina Espírita vê a doação de órgãos?
A Doutrina Espírita não deu opinião sobre o assunto, pois na época da Codificação ainda não havia o transplante de órgãos. O que se sabe dos Espíritos superiores é que o corpo é apenas um instrumento para o progresso do Espírito imortal quando ele está na carne. Depois do desencarne, não há nenhuma razão para pensar no corpo carnal que voltará a integrar-se na natureza pela decomposição. Porém, é preciso entender que em alguns casos onde ocorre o desencarne de pessoas excessivamente apegadas ao corpo ou à vida, pode haver a necessidade do Espírito assistir o período de seu velório. Nessas situações (que normalmente são expiações) o transplante ou a cremação de corpos poderão causar uma perturbação momentânea no desencarnado, por ele não compreender a razão de seu corpo ter algumas partes retiradas ou o motivo pelo qual foi queimado. Tudo isso, no entanto, acontece com a permissão de Deus e, infelizmente, por causa do pouco entendimento das pessoas a respeito do que seja a imortalidade da alma e as conseqüências de um excessivo apego à matéria.

Existe vida fora da Terra?
"Há muitas moradas na casa de Meu Pai", disse Jesus no Evangelho de João, 14: 1 a 3, e assim é. Deus não criaria o Universo para povoar somente um pequeno e atrasado planeta que é a Terra. Há mundos habitados em vários graus de evolução e, segundo os Espíritos Superiores, a Terra está em segundo lugar na categoria dos mundos, que varia de mundos primitivos até mundos divinos, sendo nosso planeta um mundo de provas e expiações.

Que tem o mundo espiritual a dizer sobre os seres extraterrestres? Eles existem?
Um dos princípios da Doutrina Espírita é a pluralidade dos mundos, portanto nada mais natural que existam seres extraterrestres. Mas é preciso tratar do assunto com certa reserva. A vida se manifesta por princípios lógicos e racionais. As leis orgânicas observadas na Terra são as mesmas em qualquer lugar do Universo. Portanto, não há razão para se acreditar em seres constituídos por outra matéria diferente daquela que encontramos no nosso pequeno mundo. A Criação é a mesma em qualquer quadrante que estiver o observador, assim como o mar é o mesmo em todos os pontos onde for examinado. Pode-se supor, no entanto, que futuramente teremos contatos com seres humanos de outros mundos, de feições mais delicadas que as nossas, mas nunca os "monstrinhos" que a imaginação fértil dos produtores de filmes tem apresentado à humanidade. Também não dá para se admitir que aconteçam "guerras nas estrelas". As civilizações mais adiantadas tecnologicamente e que viajam pelo Universo, são moralmente elevadas e não possuem armas bélicas. Guerra é um procedimento de planetas primários como o nosso. Se os extraterrenos estiveram na Terra em algum período, não se sabe. Supõem-se que sim. Se vão estar no futuro, também não se tem certeza. Se estão entre nós, devem ter motivos para se manter em silêncio. Mas o assunto ainda está em aberto para ser estudado por quem se interessa por ele. De concreto, ainda não se viu nada que convença qualquer uma destas hipóteses.

O Espiritismo acredita que, no futuro o homem poderá viajar no tempo? É possível que um Espírito que viveu no século XX reencarne em um século anterior? O que o mundo espiritual nos fala dessa relação espaço-tempo?
O fundamento das encarnações é o progresso do Espírito como ser imortal. Só existe o presente. O passado é o passado e não existe mais, a não ser na memória da criatura que viveu a experiência. Serve apenas como aprendizado para o Espírito, pois permanece gravado em seu patrimônio espiritual. O mundo material também progride, juntamente com o progresso de seus habitantes. O que ontem era novidade, hoje não é mais. Portanto, o século passado, como o próprio nome diz, passou. Não ocupa lugar algum do passado como costumamos ver nos filmes de ficção. Tudo é dinamismo na natureza e as mudanças são necessárias para o aperfeiçoamento das duas grandezas da criação: a matéria e o Espírito.

Na visão espírita, o que realmente significam os sonhos? Mensagens ou avisos dos desencarnados?
Os sonhos são experiências que o Espírito tem no mundo espiritual, quando se desprende do corpo, no momento do sono. Nem sempre são boas por conta do atraso do mundo e das pessoas que nele vivem (nós). Dificilmente nos lembramos dos fatos com clareza. A maioria das lembranças são fantasias da mente das pessoas que sonham.

Os embriões congelados já não constituem uma vida? E assim sendo, ali já não habita um ser espiritual?
Os embriões congelados constituem vida orgânica, mas não vida espiritual, pois o Espírito só estará ligado a ele quando tiver possibilidade concreta de vir a ser implantando, pois de que adianta ligar-se a um "corpo" que não dará seqüência em seu crescimento? Lembre-se de que a encarnação se dá gradativamente, à medida que a gravidez avança e só se completa no momento do nascimento. Sugerimos a leitura dos itens 330 a 360 de O Livro dos Espíritos para melhor compreensão do assunto. Nesse capítulo tem toda a explicação de como isso se dá.

Com relação a uma jovem que desencarna com 29 anos, assassinada por assaltantes, pergunto: Ela teria algo a expiar neste sentido ou é somente conseqüência da maldade que ainda existe na Terra e ela acabou sendo uma vítima?
Não há como se saber com certeza a verdade dos fatos relatados, mas a Doutrina dos Espíritos nos ensina que em todas as circunstâncias a lei (de causa e efeito) está agindo. Neste caso, como foi em conseqüência de assalto, provavelmente ela (que nada tinha a ver com o assaltante) saldou um débito com a Lei. Claro que foi em conseqüência da maldade humana, pois ninguém vem ao mundo para morrer assassinado dessa forma. Mas Jesus disse que era necessário que o escândalo viesse, mas ai daquele por quem o escândalo se desse. O escândalo é o mal. Ou seja, neste mundo de atraso, onde o mal existe e predomina, freqüentemente as situações de dor são ocasionadas pela maldade humana como esse caso e tantos outros semelhantes, sem deixar de considerar as necessidade do próprio Espírito envolvido, sanando seus débitos do passado. Em todas as circunstâncias devemos analisar os fatos de maneira racional. Se, por exemplo, são situações decorrentes da imprudência e da falta de moralidade das criaturas, nem sempre está ali a necessidade, mas a conseqüência do livro arbítrio da criatura. É o caso dos assassinatos em brigas de rua, entre pessoas de má índole etc., ou nos casos de morte no trânsito por imprudência etc. Nem sempre é resgate, mas sim uma precipitação por parte do Espírito e uma antecipação de seu retorno.

Se essa pessoa estivesse na prática da caridade, ela evitaria a sua própria morte prematuramente?
A prática efetiva da verdadeira caridade (em seus aspectos morais), conduz o homem no caminho do Bem. Andando por ele, certamente uma pessoa desencarnará no período previsto pela Espiritualidade, quando de seu regresso à verdadeira pátria do Espírito. Se por razões espirituais, tiver que passar uma situação de perder sua vida, agredida por uma assaltante, ninguém poderá livrá-la desse destino, pois ele foi criado por ações do passado. No entanto, deve-se levar em conta que em todas as provas, a prática dos princípios morais do Evangelho atenua o sofrimento e a necessidade.

Os amuletos tem algum poder sobre os Espíritos?
Os amuletos só impressionam os Espíritos de pouco entendimento. Os superiores não se ocupam de ritos ou superstições, pois a preocupação é com o lado essencial do ser, ou seja sua iluminação interior.

Pode-se consultar cartomantes e videntes?
Pode, mas não se deve, pois corre-se grande risco de receber “orientação” de um Espírito atrasado. Afinal os Espíritos mais adiantados não se prestam a esse tipo de atividade.