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Do Mundo dos Espíritos

– Parte Segunda –

– Capítulo I –

Dos Espíritos

1 Origem e natureza dos Espíritos. 2 Mundo normal primitivo. 3 Forma e ubiqüidade dos Espíritos. 4 Perispíritos. 5 Diferentes ordens de Espíritos. 6 Escala espírita. 7 Progresso dos Espíritos. 8 Anjos e demônios.

Os Espíritos são seres inteligentes da Criação; povoam o Universo. Foram criados por Deus, porém quando e como ninguém sabe. São eles individualização do princípio inteligente, como os corpos são do princípio material. Sua Criação é permanente, isto é, Deus jamais deixou de os criar, mas sua origem ainda constitui mistério. O que sabemos é que a existência dos Espíritos não tem fim.

Os espíritos são inteligências incorpóreas que formam um mundo à parte – o mundo dos Espíritos. Embora seja o mundo dos Espíritos independente do mundo corporal, existe perfeita correlação entre ambos, portanto reagem um sobre outro. Daí porque os Espíritos estão por toda parte servindo de instrumento de que Deus se utiliza para a execução de seus desígnios.

Os Espíritos não têm forma determinada, a não ser para eles próprios. Uma chama, um clarão ou uma centelha podem definir o Espírito. Essa chama ou clarão, que vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, é inerente ao seu grau de adiantamento. Os Espíritos percorrem o espaço com a rapidez do pensamento e podem, se o quiserem, inteirar-se da distância percorrida. A matéria não lhes opõe obstáculo: passam através de tudo.

Quanto ao chamado dom da ubiqüidade, o Espírito não pode dividir-se, ou existir em muitos pontos ao mesmo tempo. Ocorre, entretanto, que cada um é um centro de irradiação para diversos lugares diferentes, como o Sol irradia para todos os recantos da Terra sem dividir-se. A força de irradiação de cada Espírito depende do grau de sua pureza.

O Espírito encontra-se envolto numa substância vaporosa que se denomina perispírito, por meio da qual se eleva na atmosfera e transporta-se aonde queira. Esse invólucro tira ele do fluido universal de cada globo e lhe dá a forma que deseja. Daí porque, passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório, como mudamos de roupa.

Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição a que alcançaram. São três as principais ordens: à primeira, pertencem os Espíritos puros, isto é, os que já atingiram a perfeição máxima; à segunda, os que chegaram ao meio da escala, nos quais já predomina o desejo do bem, e à terceira, pertencem os Espíritos imperfeitos. Nestes, predominam a ignorância, o desejo do mal e todas as paixões más.

A classificação dos Espíritos se baseia no seu grau de adiantamento, nas qualidades que adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de se despojar.

Os Espíritos melhoram-se por si mesmos, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada. Deus os criou simples e ignorantes e a cada um deu determinada missão com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição pelo conhecimento da verdade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que chegam a adquirir os necessários conhecimentos para a eterna felicidade. Os que aceitam submissos essas provas, chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada. Aqueles, porém, que só as suportam murmurando, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade. Todos os Espíritos se tornarão perfeitos. Uns, alcançam mais ou menos rápido o estado de perfeição; outros, demoram mais a alcançar esse estado, mas, de qualquer forma, todos evoluem. Às vezes podem permanecer, por longo tempo, estacionários, mas não retrogradam.

Os Espíritos não estão isentos das provas que lhes cumpre sofrer, pois se Deus os houvesse criado perfeitos, nenhum mérito teriam para gozar dos benefícios dessa perfeição. Assim, todos passam pela fieira da ignorância, mas pelo trabalho realizado, através das múltiplas reencarnações, atingirão o estado de felicidade.

Os Espíritos adquirem consciência de si mesmos à medida que o livre-arbítrio se desenvolve. Por essa razão há Espíritos que, desde o princípio, fazendo uso de seu livre-arbítrio, seguem o caminho do bem; outros há que permanecem por longo tempo votados ao mal, mas, mesmo assim, Deus olha de igual maneira para os que se transviaram e para outros, e a todos ama com o mesmo coração.

Os seres chamados anjos, arcanjos e serafins, não formam uma categoria especial; são eles Espíritos puros que atingiriam o mais alto grau da escala e reúnem todas as perfeições. Não foram criados perfeitos, mas, sim, dotados da faculdade de evoluir, como os demais Espíritos. A palavra anjo significa "gênio" e serve para designar todos os seres, bons ou maus, que estão fora da humanidade. Daí porque se diz: o anjo bom e o anjo mau; o anjo de luz e o anjo das trevas.

A palavra demônio deriva do termo grego daimon, e não implica a idéia de Espírito mau; significa gênio, inteligência, e se aplica aos seres incorpóreos, bons ou maus, indistintamente.

– Capítulo II –

Da encarnação dos Espíritos

1 Objetivo da encarnação. 2 A alma. 3 Materialismo.

O objetivo da encarnação dos Espíritos é para que eles alcancem a perfeição. Para uns, é expiação; para outros missão. Mesmo que um Espírito, desde o princípio, tenha seguido o caminho do bem, há necessidade da encarnação para que se instrua nas lutas e tribulações da vida corporal, adquirindo, conseqüentemente, méritos.

A alma é um Espírito encarnado. O laço que liga a alma ao corpo é semi-material, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. Por meio desse laço é que ele atua na matéria.

O homem é formado de três partes: 1. o corpo, que é análogo ao dos animais; 2. a alma, Espírito encarnado, que tem no corpo sua habitação; 3. o princípio intermediário, ou perispírito, que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo.

O corpo pode existir sem a alma, mas, desde que cesse a vida deste, a alma o abandona. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo sem vida orgânica. Um Espírito não pode encarnar, ao mesmo tempo, em dois corpos, pois ele é indivisível. A teoria de que a alma pode se subdividir em tantas partes quantos são os músculos e presidir assim a cada uma das funções do corpo, tem razão de ser, desde que se considere por alma o fluido vital, mas no caso de se entender por alma o Espírito encarnado, essa teoria é errônea, pois ele imprime o movimento aos órgãos do corpo servindo-se do fluido intermediário, sem, entretanto, se subdividir.

Como o Espírito é uno, está todo na criança como no adulto. Os órgãos das manifestações da alma, é que se desenvolvem e se completam. A alma não tem no corpo sede determinada, porém, nos grandes gênios, em todos os que pensam muito, ela reside mais particularmente na cabeça; aqueles que muito sentem e cujas ações têm todas por objeto a Humanidade, a alma ocupa principalmente o coração.

Todos os que se aprofundam nas ciências da Natureza, como os anatomistas, os fisiologistas, etc., só fazem referência ao que vêem. Não admitem, pelo orgulho, que haja algo acima de seu entendimento. Por esse motivo são levados, muitas vezes, ao materialismo. Graças à Terceira Revelação, a maioria dos homens de ciência da atualidade já se tornou espiritualista.

– Capítulo III –

Da volta do Espírito,
extinta a vida corpórea, à vida espiritual

1 A alma após a morte; sua individualidade. Vida eterna. 2 Separação da alma e do corpo. 3 Perturbação espiritual.

Após a desencarnação, a alma volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos de onde se aparta momentaneamente, conservando sua individualidade e o fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta. Leva consigo a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor, lembrança essa cheia de doçura ou amargor, conforme o uso que fez da vida. Temos prova de que a alma conserva sua individualidade após a morte, pelas comunicações que dela recebemos.

Será dolorosa a separação da alma e do corpo? Não; o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte. Essa separação se opera pela ruptura dos laços que a retinha ligada ao corpo; não se processa instantaneamente; é lenta e gradativa, de acordo com o grau de evolução a que alcançou o Espírito durante sua vida terrena. Ocorre, muitas vezes, que a separação da alma e do corpo se dá mesmo antes da cessação completa da vida orgânica. Na agonia, a alma, alguma vezes, já tem deixado o corpo; nada mais há que a vida orgânica.

O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Existe enquanto o coração faz circular o sangue nas veias, para o que não necessita da alma.

Dependendo do grau de adiantamento, a alma sente que se desfazem os laços que a prendem ao corpo, auxiliando mesmo para desfazê-los inteiramente, pois o futuro desdobra-se diante de si e já goza, por antecipação, do estado de Espírito. Pode ela encontrar-se com os que conheceu na Terra, dependendo da afeição que lhes votava. Vê os que estão na erraticidade, como vê os encarnados e os vai visitar.

Nos casos de morte violenta e acidental, isto é, quando a desencarnação não resulta da extinção gradual das forças vitais, os laços que prendem o corpo ao perispírito são mais tenazes e, conseqüentemente, mais demorado o despreendimento completo.

A alma após deixar o corpo passa algum tempo em estado de perturbação, porém esse estado depende da elevação de cada um. Aquele que já se encontra purificado, se reconhece quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo.

O conhecimento do Espiritismo exerce grande influência sobre a duração do estado de perturbação, pois o espírita já compreende antecipadamente sua situação. Entretanto, a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem.

– Capítulo IV –

Da pluralidade das existências

1 A reencarnação. 2 Justiça da reencarnação. 3 Encarnação nos diferentes mundos. 4 Transmigração progressiva. 5 Sorte das crianças após a morte. 6 Sexos nos Espíritos. 7 Parentesco, filiação. 8 Parecenças físicas e morais. 9 Idéias inatas.

A alma que não se depurou durante a vida corpórea, sofre a prova de uma nova existência, durante a qual dá mais um passo na senda do progresso. É por essa razão que passamos por muitas existências.

O objetivo da reencarnação é a expiação e o melhoramento progressivo da Humanidade. Desde que o Espírito se ache limpo de todas as impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal, alcançando, então, o estado de Espírito bem-aventurado; puro Espírito.

A justiça de Deus se manifesta na reencarnação, pois é através dela que os Espíritos tendem para a perfeição; Deus lhes faculta esse meio para alcançá-la, proporcionando-lhes as provas da vida corporal.

A doutrina da reencarnação é a única que corresponde à idéia que formamos da justiça de Deus; é a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por meio de novas provações. Os Espíritos a ensinam e a razão no-la indica.

Não é somente na Terra que reencarnamos; podemos viver em mundos diferentes. As que aqui passamos não são as primeiras nem as últimas; são, porém, as mais materiais e das mais distantes da perfeição.

A alma pode viver muitas vezes no mesmo globo e só passar a reencarnar em mundos superiores quando haja alcançado condição suficiente para tal.

Embora tenhamos vivido em outros mundos, podemos voltar a este, mesmo que não tenhamos nenhuma vantagem particular, a menos que seja em missão, caso em que progredimos como em qualquer outro planeta, pois todos os mundos são solidários: o que se faz num faz-se noutro. Há muitos Espíritos que reencarnam na Terra pela primeira vez, e em graus diversos de adiantamento.

Para alcançar a perfeição e a suprema felicidade, não é necessário o Espírito passar pela fieira de todos os mundos existentes no Universo; muitos são os mundos correspondentes a cada grau da respectiva escala e nenhuma coisa nova aprenderia nos outros do mesmo grau. A pluralidade de suas existências em um mesmo globo tem por fim, de cada vez, ocupar posição diferente das anteriores e nessas diversas posições se lhe deparam outras tantas ocasiões de adquirir experiências. Um Espírito pode reencarnar em um mundo relativamente inferior ao em que já viveu, quando em missão, com o objetivo de auxiliar o progresso. As tribulações de tal existência proporcionam-lhe meio de se adiantar. Se, portanto, falir nessa missão, terá de recomeçar de novo.

Os Espíritos que habitam os diversos mundos são de diferentes categorias, tal como ocorre na Terra. Ao passarem deste para outro planeta, a inteligência não se perde, porém pode acontecer que não disponham dos meios para manifestá-la, dependendo isto da sua superioridade e das condições do corpo que tomarem.

Os Espíritos que habitam os diversos mundos têm corpos semelhantes aos nossos; precisam eles da matéria para atuar sobre a matéria. Esse envoltório é mais ou menos material, de acordo com o grau de pureza a que chegaram.

O estado físico e moral dos diferentes mundos não nos é dado saber, porquanto tal revelação poderia nos perturbar, pois não temos ainda condição de compreender. Indo de um mundo para outro, o Espírito passa por uma espécie de infância, isto é, por uma transformação necessária, mas não é em toda parte tão obtusa como na Terra. O Espírito nem sempre pode pedir para reencarnar neste ou naquele mundo, mas, se houver mérito, poderá solicitá-lo. Se ele nada pedir, o que determina o mundo em que deve reencarnar é seu grau de elevação. Todos os mundos estão sujeitos à lei do progresso, daí porque o estado físico e moral dos seres vivos não é perpetuamente o mesmo nesses mundos. Há mundos onde os Espíritos só têm por envoltório o perispírito. Esse envoltório se torna tão etéreo que, para nós, é como se não existisse. Esse o estado dos Espíritos puros.

A substância que constitui o perispírito não é a mesma em todos os mundos. Passando de um mundo a outro, o Espírito se reveste da matéria própria desse outro, operando-se, porém, a mudança com a rapidez do relâmpago. Os Espíritos puros habitam certos mundos, mas não lhes ficam presos, como os homens à Terra; podem, melhor do que os outros, estar em toda parte.

Para os Espíritos também há infância. Em sua origem a vida é apenas instintiva. A inteligência só pouco a pouco vai se desenvolvendo. Os nossos selvagens, por exemplo, são almas no estado de infância relativa, pois são desenvolvidos, visto que já nutrem paixões. As paixões são sinal de desenvolvimento, mas não de perfeição. São sinal de atividade e de consciência do eu. Na alma primitiva, a inteligência e a vida se acham no estado de gérmen.

A vida do Espírito, em seu conjunto, apresenta as mesmas fases que observamos na vida corporal. Ele passa gradualmente do estado de embrião ao de infância, para chegar, percorrendo sucessivos períodos, ao de adulto, que é o da perfeição, com a diferença de que, para o Espírito, não há declínio, nem decrepitude, como na vida corporal; que sua vida, que teve começo, não terá fim; que imenso tempo lhe é necessário, de nosso ponto de vista, para passar da infância espírita ao completo desenvolvimento; e que seu progresso se realiza, não num único mundo, mas vivendo ele em mundos diversos.

Todo Espírito para alcançar a perfeição tem de passar por vários graus intermediários. Dá-se com ele o que se verifica com a criança que, por mais precoce que seja, tem que passar pela juventude antes de chegar à idade da madureza; e também com o enfermo que, para recobrar a saúde, tem que passar pela convalescença. Demais, ao Espírito cumpre progredir em ciência e em moral. Se somente se adiantou num sentido, importa se adiante em outro. Pode ele reduzir as dificuldades do caminho através do próprio esforço, porém nunca descer mais baixo do que esteja atualmente, a não ser com relação à posição social, mas, como Espírito, não.

Em nova encarnação, a alma de um homem de bem não pode animar o corpo de um celerado, visto que não se degenera. Por outro lado, a alma de um perverso pode tornar-se a de um homem de bem, se se arrependeu. A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrograda.

A possibilidade de se melhorarem em outras existências não é motivo para que certas pessoas perseverem no mal, embora um Espírito imperfeito pense assim durante a sua vida corporal; mas liberto que se veja da matéria pensará de outro modo, pois logo verificará que fez cálculo errado e, então, sentimento oposto a esse trará ele para sua nova existência.

O Espírito influi sobre o corpo para que a alma se melhore, isto porque o Espírito é tudo; o corpo é simples veste que apodrece.

O Espírito de uma criança que morre em tenra idade, algumas vezes é mais adiantado do que o de um adulto, pois ela pode ter vivido muito mais e, em conseqüência disso, tenha adquirido maior soma de experiências. Assim, o Espírito de uma criança pode ser mais adiantado que o de seu pai. Se uma criança desencarna em tenra idade, não tendo por esse motivo praticado o bem nem o mal, Deus não a isenta das provas que tenha de padecer. A vida curta de uma criança representa para seu Espírito o complemento de existência precedentemente interrompida antes do momento em que devera terminar. Pode também a sua morte constituir provação ou expiação para os pais.

A criança que morre pequenina recomeça outra existência.

Os Espíritos não têm sexo, pois que o sexo depende da organização. Há entre eles amor e simpatia baseados na concordância de sentimentos. Em novas experiências, o Espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher e vice-versa. A preferência de cada um pouco importa; tudo depende das provas por que tenha de passar em nova existência.

Os pais transmitem aos filhos apenas a vida animal, pois que a alma é indivisível. Um pai obtuso pode ter filhos inteligentes e vice-versa. A sucessão das existências corporais estabelece entre os Espíritos ligações que remontam a suas existências anteriores. Daí a simpatia que existe entre nós e certos Espíritos. Os laços da família não são destruídos pela doutrina da reencarnação, como pensam alguns; pelo contrário, são distendidos. Essa doutrina amplia os deveres de fraternidade, pois entre os nossos servos pode encontrar-se um Espírito a quem tenhamos estado presos pelos laços da consangüinidade.

Embora os Espíritos não procedam uns dos outros, nem por isso menos afeição consagram aos que lhes estão ligados pelos elos da família, dado que, muitas vezes, eles são atraídos para tal ou qual família pela simpatia ou pelos laços que anteriormente se estabeleceram.

Os pais transmitem aos filhos somente a parecença física. As parecenças morais derivam de que uns e outros são Espíritos simpáticos que, reciprocamente, se atraíram pela analogia dos pendores. O corpo deriva do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os descendentes das raças apenas há consangüinidade.

Os pais exercem, porém, grande influência sobre os filhos depois do nascimento destes, pois é sua missão desenvolver os Espíritos dos filhos pela educação. Tornar-se-ão culpados se vierem a falir no seu desempenho.

Não é raro que mau Espírito peça lhe sejam dados bons pais, na esperança de que seus conselhos o encaminhem por melhor senda e muitas vezes Deus lhe concede o que deseja.

Os pais podem melhorar o Espírito do filho que lhes nasceu e está confiado. Esse é seu dever. Os maus filhos são uma prova para os pais.

A semelhança de caráter, que muitas vezes existe entre dois irmãos, tem por conseqüência a simpatia que aproxima seus Espíritos. Entretanto, não é regra geral que sejam simpáticos os Espíritos dos gêmeos. Acontece também que Espíritos maus entendam de lutar juntos no palco da vida.

Os Espíritos quase sempre se agrupam em famílias, formando-as pela analogia de seus pendores mais ou menos puros, conforme a elevação que tenham alcançado. Um povo é uma grande família formada pela união de Espíritos simpáticos. Na tendência que apresentam os membros dessas famílias para se unirem, é que está a origem da semelhança que, existindo entre os indivíduos, constitui o caráter distintivo de cada povo.

Em novas existências o Espírito conserva os traços do caráter moral de suas existências anteriores, mas, melhorando-se, ele muda. Sendo o Espírito sempre o mesmo, nas diversas encarnações, podem existir certas analogias entre as suas manifestações, se bem que modificadas pelos hábitos da posição que ocupe, até que um aperfeiçoamento notável lhe haja mudado completamente o caráter, porquanto, de orgulhoso e mau, pode tornar-se humilde e bondoso, se se arrependeu.

O novo corpo que o Espírito toma nenhuma relação tem com o que foi anteriormente destruído. Entretanto, o Espírito se reflete no corpo. Sem dúvida que este é unicamente matéria, porém, nada obstante, se modela pelas capacidades do Espírito, que lhe imprime certo cunho, sobretudo no rosto, pelo que é verdadeiro dizer-se que os olhos são o espelho da alma.

Reencarnando, o Espírito guarda vaga lembrança das existências anteriores, que lhe dão o que se chama idéias inatas. Os conhecimentos que o Espírito adquire em cada existência jamais se perdem. Liberto da matéria, sempre os tem presentes. Durante a encarnação, esquece-os em parte, porém a intuição que deles conserva lhe auxilia o progresso. Em cada nova existência, o ponto de partida para o Espírito é o em que, na existência precedente, ele ficou. A origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos é a lembrança do passado. O corpo muda; o Espírito porém não muda. Mudando de corpo pode perder algumas faculdades intelectuais, desde que conspurcou sua inteligência ou a utilizou mal. Além disso, uma faculdade qualquer pode permanecer adormecida durante uma existência, porque o Espírito quer exercitar outra que nenhuma relação tem com aquela. O sentimento instintivo que o homem, mesmo quando selvagem, possui da existência de Deus é uma lembrança que ele conserva do que sabia como Espírito, antes de encarnar. O mesmo ocorre com outras crenças relativas à Doutrina Espírita que se observa em todos os povos, pois esta Doutrina é tão antiga quanto o mundo.

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