Estudos bíblicos

Grupo Espírita Bezerra de Menezes

Antigo Testamento

O Antigo Testamento contém a história do povo hebreu. Seus escritos foram compostos durante um período de mais de mil anos, até aproximadamente o final do século III a.C. Outras civilizações, como a egípcia e a babilônica, produziram também seus escritos religiosos e históricos, mas apenas os hebreus os reuniram em uma antologia sagrada. O resultado foi um épico religioso tão respeitado, que atravessou séculos e chegou aos nossos dias ainda sendo estudado e analisado por religiosos, historiadores e estudiosos do pensamento humano. Estudaremos, neste texto, apenas os personagens que julgamos mais importantes para se compreender a evolução do pensamento divino entre os homens, desde Abraão até Moisés, e de Moisés a Jesus. O conhecimento da história do povo hebreu é de fundamental importância para se compreender a história do cristianismo e sua evolução.

História do povo hebreu - Personagens mais importantes

A Criação e o Dilúvio

* Adão e Eva => Sete => Enos (início da evocação do nome do Senhor) => Noé (muitas gerações depois) => Sem => Terá => Abraão

Os patriarcas: Abraão, Isaac e Jacó (1800 – 1700 a. C)

ABRAÃO

Na genealogia de Abraão é importante saber que é da linhagem de Sem, descendente de Noé, que por sua vez descende de Enos, filho de Sete, filho de Adão e Eva, casal que a Bíblia trata alegoricamente como sendo responsável pelo povoamento do planeta (raça adâmica).

Primeiro patriarca e o fundador do povo hebreu, Abraão marca a transição para o início da existência dos hebreus como povo e o seu direito divino à terra de Israel. Simboliza a rotura definitiva com a idolatria pagã e o compromisso com o monoteísmo. Nas tradições judaicas e cristãs ele aparece como uma figura paterna, digno, humano e firme em sua fé.

- Esposa oficial- Sara
Filho: Isaac, que deu origem ao povo Judeu
- Ágar, a serva
Filho: Ismael, que deu origem ao povo Árabe

Prova: Deus pede a Abraão que sacrifique Isaac, seu amado filho com Sara. O sacrifício é suspenso e Abraão compreende que estava sendo testado. Dá exemplo de fé e temor a Deus.

ISAAC
- Esposa: Rebeca
- Filhos: Esaú e Jacó
- Irmãos gêmeos, porém Esaú veio primeiro e era o preferido de Isaac. Jacó era o preferido de Rebeca. Os dois (mãe e filho) enganaram Isaac velho e doente, que deu sua bênção e a tutela da família para Jacó, gerando o ódio de Esaú. Bem mais tarde, Esaú vai ao encontro de Isaac e perdoa seu irmão, num gesto de dignidade.

Prova: Desentendimento entre irmãos por causa da primogenitura, porém houve reconciliação mais tarde.

JACÓ
- Esposas: Lia e Raquel
Filhos de Lia: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulon (e Dina).
Filhos de Raquel: José e Benjamim
Filhos de Bala, serva de Raquel: Dã e Naftali
Filhos de Zelfa, serva de Lia: Gade e Asser

- Aos doze filhos de Jacó deram origem às Doze tribos de Israel, nome dado mais tarde a Jacó, por ter "lutado" com um anjo que ele julgou ser o Senhor. Os doze filhos foram abençoados pelo pai no leito de morte, primeira alusão histórica às 12 tribos.

- Jacó herdou de Abraão e Isaac a íntima comunicação com Deus e a promessa de que Canaã pertenceria à sua descendência. Rejeitou as imagens domésticas e amuletos, ainda utilizados até então.

JOSÉ (1700 – 1250 a. C) – Os israelitas no Egito

- Por ser preferido por seu pai Jacó, despertava ciúmes em seus irmãos. Foi vendido por eles, para uma caravana que o levou para o Egito. Lá, com seus dons espirituais e sabedoria, terminou como o segundo homem com poder no Estado. Seus irmãos, mais tarde foram recebidos por ele e perdoados por seus erros. Jacó e toda a sua família se estabeleceu como um clã pastoril na terra de Gessen, na região nordeste do delta do Nilo. Ali seus descendentes viveram e prosperaram durante 4 séculos.

- A importância de José está em ter levado a idéia do Deus único para o Egito, ter salvo sua família da fome e sede depois de ter sido maltratado por eles, ter vivido com sabedoria e bondade e fé. Levou os israelitas para viver no Egito, o que se deu com tranquilidade e fartura por quase 400 anos.

- Escravidão: A descendência de Abraão permaneceu em "terra estrangeira" durante 430 anos. No Egito, mortos José e os homens de seu tempo, levantou-se um rei que, por medo dos israelitas, estabeleceu a escravidão para eles, durante um período que durou 80 anos ou mais. Esse rei, Ramsés II (1301 – 1234), o maior construtor da história do Egito, transformou os israelitas em operários escravos e submeteu-os a trabalhos forçados, porque eles haviam se tornado muito numerosos e fortes. Depois, querendo reduzir o número dos hebreus no Egito, o faraó ordenou às parteiras hebréias que matassem todos os meninos após o nascimento. Como não adiantasse, obrigou seu povo a jogar no rio os meninos recém-nascidos para que se afogassem. Começa a história de Moisés.

MOISÉS

- É a figura mais magestosa do Antigo Testamento. Grande líder e legislador. Seu papel foi tão importante que o Pentateuco também é conhecido como Os Cinco Livros de Moisés. Trouxe a primeira Revelação de Deus aos homens, nas tábuas dos Dez Mandamentos.

Fatos mais importantes da vida do missionário:
- A morte do egípcio
- A fuga para o deserto de Sinai
- A revelação de Deus sobre sua missão
- O retorno ao Egito
- A luta para convencer o faráo
- As dez pragas
- No deserto
- Os Dez Mandamentos
- Do Sinai a Cades
- A morte de Moisés

A lei civil de Moisés foi estruturada ao longo dos anos, tendo como base a justiça de Deus. Era um código político, social e familiar, com um espírito progressista, bem adiante de sua época. Abaixo um resumo dos pontos mais importantes:

- Monoteísmo – um Deus único, poderoso, justo, bom e soberano sobre todas as coisas.
- Proibição do exercício arbitrário do poder. Mesmo um rei deve temer a Deus e seguir a Lei.
- Estabelece juízes e escribas em cada cidade. A justiça deve ser administrada de forma imparcial para ricos e pobres
- Não perverter o direito, não fazer acepção de pessoas, não aceitar subornos, pois "o suborno cega os olhos dos sábios e falseia a causa dos justos".
- Proteção aos necessitados e desvalidos, a escravos fugitivos, devedores, servos, assalariados, órfãos, viúvas e forasteiros.
- Respeito às mulheres. Difamação é crime.
- As práticas do comércio devem ser honestas.
- Devem ser isentos do serviço militar os que, recentemente tenham casado, plantado vinha, construído casa.
- Respeito e preservação dos animais: o boi sem focinheira enquanto estiver amassando o grão na eira e poupar a ave-mãe se forem colhidos ovos do ninho.

Os Cinco Livros (Pentateuco) resumem de forma épica a história do povo hebreu e, consequentemente, a origem do Cristianismo:

Gênesis: A Gênesis trata da origem da Criação e do próprio mundo terreno. Nele, há uma narrativa simbólica onde todas as fases do aparecimento do Universo e do planeta Terra são descritas com relativa precisão. No estudo da Codificação Espírita, voltaremos a nos ocupar desse assunto, examinando o livro preparado por Allan Kardec, também denominado "A Gênese", que trata o tema em profundidade.

Êxodo: O livro Êxodo conta os principais episódios ligados à libertação do povo hebreu, escravo no antigo Egito durante cerca de quatrocentos anos. Esta liberdade teria sido conseguida através do trabalho missionário de Moisés, narrado em detalhes pela história bíblica.

Levítico: O Levítico é o livro que contém as instruções que eram destinadas à orientação dos cultos entre os seguidores do Legislador hebreu e a Divindade. Orientava as obrigações e rituais religiosos da época.

Números: O livro Números apresenta parte da história da movimentação dos hebreus no deserto em direção à Canaã, a terra prometida. Nele, existe ainda a realização de um censo, feito com a finalidade de se saber quantas pessoas empreenderam a histórica viagem, depois que Moisés as libertou do Egito.

Deuteronômio: O Deuteronômio apresenta um código de leis promulgadas por Moisés, destinadas a reorganizar a vida social do seu povo. É neste livro que se encontra a proibição dos contatos mediúnicos com os "mortos". A lei mosaica proibia essas atividades, porque as evocações fúteis, comuns entre os egípcios, também eram praticadas pelos hebreus de forma fanática e irresponsável. A prática tinha se vulgarizado e se tornado em motivo de graves problemas entre eles. A proibição foi uma medida disciplinar do legislador.

Bibliografia:
Introdução Bíblica – Norman Geisler e William Nix – Editora Vida, 1997
Quem é Quem no Antigo Testamento – Joan Comay, Imago Editora, 1998