Obsessão - O Passe - A Doutrinação

José Herculano Pires

III — Os recém-desencarnados

As manifestações de espíritos recém-desencarnados ocorrem com freqüência nas sessões destinadas ao socorro espiritual. Revelam logo seu estado de angústia ou confusão, sendo facilmente identificáveis como tal. Muitas vezes são crianças o que provoca estranheza, pois parecem desamparadas. Quando esses espíritos se queixam de frio, pondo às vezes, o médium a tremer, com mãos geladas é porque estão ligados mentalmente ao cadáver. Se o doutrinador lhes disser cruamente que morreram ficam mais assustados e confusos. É necessário cortar a ligação negativa, desviando-lhes a atenção para o campo espiritual, fazendo-os pensar em Jesus e pedir o socorro do seu espírito protetor. Trata-se a entidade como se ela estivesse doente e não desencarnada. Muda-se a situação mental e emocional, favorecendo a sua percepção dos espíritos bons que a cercam, em poucos instantes a própria entidade percebe que já passou pela morte e que está amparada por familiares e espíritos que procuram ajudá-la.

Nos casos de crianças desamparadas que chamam pela mãe o quadro é tocante, emocionando as pessoas sensíveis. Mas a verdade é que essas crianças estão assistidas. O fato de não perceberem a assistência decorre de motivos diversos: a incapacidade de compreender por si mesmas a situação, a completa ignorância do problema da morte em que foram mantidas ou conseqüências do passado reencarnatório em que abandonaram as crianças ao léu ou mesmo que as mataram. A reação moral da lei de causa e efeito as obriga a passar pelas mesmas condições a que submeteram outros seres em vida anterior. O doutrinador deve lembrar, nessas ocasiões, que o Mundo Espiritual é perfeitamente organizado e que essas provas de resgate e ensino passam rapidamente. Tratado com amor e compreensão, esses espíritos logo percebem a presença de entidades que na verdade já o socorriam e a levaram a sessão para facilitarem a sua percepção do socorro espiritual. Ninguém fica ao desamparo depois da morte. Essas mesmas situações chocantes representam socorro ao espírito para despertar-lhes a piedade que não tiveram em vida.

Quanto às manifestações de crianças que são consideradas como espíritos pertencentes as legiões infantis de socorro e ajuda, o doutrinador não deve deixar-se levar por essa aparência, mas doutrinar o espírito para que ele se retome com mais facilidade a sua posição natural de adulto, o que depende apenas de esclarecimento doutrinário. As correntes de crianças que se manifestam nas linhas de Umbanda e outras formas de mediunismo popular são formadas por espíritos que já estão capazes de ser encaminhados como espíritos adultos no plano espiritual. Se lhe dermos atenção, continuarão a manifestar-se dessa maneira, entregando-se a simulações que, embora sem intenções malévolas, prejudicam a sua própria e necessária reintegração na vida espiritual de maneira normal. Esses espíritos, apegados à forma carnal e que morreram (como crianças) entregam-se a fantasias e ilusões que lhe são agradáveis, mas que, ao mesmo tempo, os desviam de suas obrigações de após-morte. O mesmo acontece com espíritos que se manifestam como debilóides ou loucos. Precisam ser chamados à razão, pois entregam-se comodamente a lei de inércia, querendo continuar indefinidamente como eram na sua encarnação já finda. Ocorre o mesmo no caso de espíritos que se manifestam em condições larvares ou animalescas. O doutrinador não pode aceitá-los como se apresentam, pois estão simplesmente tentando fugir às suas responsabilidades, através de ardis a que se apegam e com os quais muitas vezes se divertem.

Todos os espíritos, ao passarem pela morte, têm o dever de reintegrar-se na posse de sua consciência e dos seus deveres. Gozando do seu livre arbítrio, apegados a condições que lhe parecem favoráveis para viverem à vontade, entregam-se a ilusões que devem ser desfeitas pela doutrinação. E para isso que são levados às sessões, e não para serem acocados em suas fantasias. Os espíritos que a protegem recorrem ao ambiente mediúnico para que eles possam ser mais facilmente chamados a realidade, graças as condições humanas em que mergulham no fluido mediúnico das sessões.