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Vingança

LXXI

Guardar ou manter em nós ressentimentos, mágoas e o desejo do revide, é condenável, pois esses sentimentos são próprios de um coração irado e rancoroso. A vingança é condenável em qualquer situação que ela ocorra, pois é um sentimento contrário à prescrição do Cristo: “perdoai aos vossos inimigos”. (Mt. 5:44)

A vingança se manifesta em nosso íntimo como reação de um coração ressentido pelo ódio e que guarda mágoa de uma ofensa recebida.

Jesus nos aconselhou o perdão “não sete vezes, mas setenta vezes sete.” (Mt 17:28) Prescreveu também o amor aos nossos inimigos. A vingança torna-se contrária à lei de Deus que é toda de amor.

Quando estamos ressentidos e magoados com alguém, começamos a percorrer uma perigosa estrada de ódio, que é fruto de nossa condição de espíritos inferiores.

Quando nos vem à mente o sentimento de vingança já estamos sendo movidos pelo ódio. E quem odeia fere a si próprio em primeiro lugar.

O homem orgulhoso, inspirado no que ele convencionou chamar de sentimento de honra e da dignidade, entende que ninguém pode tolerar uma afronta sem se rebaixar. Para o homem orgulhoso: “Não é bom levar ofensas para casa”.

Libertemo-nos dos sentimentos de vingança, empreendendo todos os nossos esforços para que se desenvolva dentro de nosso íntimo o amor, a bondade e a tolerância, buscando no evangelho e na prece, o amparo e inspiração para nos libertarmos do mal.

Fazer justiça compete unicamente a Deus, pois a justiça divina dispõe de recursos que dispensam nossa atuação.

Aquele que perdoa é bem visto aos olhos de Deus e se torna por isso, merecedor também do seu perdão.

O vingador é alguém que carrega pesado fardo de dores, do qual só se libertará quando iniciar a prática do perdão.

Sigamos o Cristo que escarnecido e apupado, cuspido, esbofeteado, ultrajado e crucificado na cruz da ignomínia, foi capaz de uma reação: o perdão. Ele não teria passado à posteridade, como um ser divino, modelo de perfeição e de amor, se em meio à escalada do Gólgota, houvesse insurgido contra seus algozes e sobre eles exercido o direito de vingança.

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