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Solidariedade e Compreensão

LXXVI

Tenhamos sempre muita misericórdia com os enfermos, principalmente com os doentes segregados pela sociedade. Abandonados pela família, discriminados, odiados pelos homens maus. Os enfermos, como os portadores da AIDS, carregam hoje a mesma cruz, o mesmo estigma e a mesma repulsa que levavam os leprosos dos templos bíblicos.

A AIDS é uma doença absolutamente trágica não pelo seu quadro patológico, mas pela segregação, pelo pânico, pelo medo de contraí-la. Somado a isso, vem a parte moral, para aprofundar o problema.

Ninguém quer ser parente de um aidético. Poucos são capazes de lhe fazer um afago, dar-lhe carinho, afeto, compreensão.

O homem profano, muito orgulhoso e egoísta, perde inúmeras oportunidades de praticar a verdadeira beneficiência, compadecendo-se de enfermos tão carentes de amor e solidariedade.

Sejamos portanto, solidários e compreensivos com esses discriminados, pois amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem que desejamos a nós mesmos. Tal o sentido dessas palavras de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como irmãos”. (Jo 15:12)

A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, mas todas às relações em que nos encontramos com nossos semelhantes, sejam eles inferiores, iguais ou superiores a nós. Ela nos prescreve à indulgência porque dela precisamos. O espírito iluminado Vicente de Paulo nos disse que: “A caridade é a virtude fundamental, que deve sustentar todo o edifício das virtudes terrenas”. Ser caridoso, portanto, é também sentir toda a satisfação que a prática do bem nos oferece. Quem ama é o primeiro a receber todo o benefício do amor.

Quando toda a humanidade estiver convicta dessa grande verdade de que: “é dando que receberemos”, este planeta será diferente, pois todos serão envolvidos pelo sentimento de amor e caridade.

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