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O Caminho de Nossa Harmonização

LXXXVII

Na questão 919 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga dos instrutores que orientaram sua obra: “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?”

Um sábio da antigüidade vô-lo disse: “Conhece-te a ti mesmo”

Sócrates estava certo, mas, como é ainda difícil a tarefa de nos conhecermos!

O dever do espírita cristão é tornar-se progressivamente melhor. A finalidade do espiritismo é ajudar o homem em seu progresso moral para que ele seja feliz consigo mesmo e com os outros. Não foi outra a finalidade da missão de Jesus. Mas, para que o homem possa melhorar-se moralmente, ele precisa se conhecer.

Precisa saber de suas virtudes e defeitos, suas possibilidades e limitações, o que deve e o que não deve mudar.

Entretanto as pessoas se acovardam diante de tais atitudes. Preferem bisbilhotar a vida alheia, condenam os outros a estudar e a julgar a si mesmas. Em geral, as pessoas querem se parecer virtuosas, boas, honestas. Ficam inconformadas quando alguém lhes aponta um defeito, o que demonstra que não são tão virtuosas assim. Preferem um elogio falso a uma crítica verdadeira. A nossa tendência é de assumir o que é bom e atribuir aos outros o que é ruim.

Quando agimos com acerto, procuramos aos quatro ventos nossa vitória; quando é o outro quem acerta, não damos tanta importância ao fato e preferimos comentar que ele não fez nada demais.

Quando erramos, corremos para encobrir ou disfarçar para que o erro não apareça, quando o erro aparece, então procuramos sempre justificar; mas quando é o outro quem erra, levantamos a voz para acusá-lo, criticá-lo e até mesmo feri-lo moralmente.

Se estamos realmente interessados em melhorar, temos que mudar nossas atitudes. É importante estarmos em constante exame com nosso íntimo.

Façamos a guisa de nos conhecermos melhor, algumas perguntas a nós mesmos:

“Sentes que está mais calmo, afável e compreensivo?” “Conquistou a paz dentro de casa?” “Colabora com euforia na seara do Senhor?” “Traz o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo mais vivo nas atitudes?” “Anda um pouco mais livre do anseio de influência e de posses terrestre?” “Seus instantes de tristeza ou de cólera surda, às vezes tão conhecidos somente por você, estão presentemente mais raros?” “Dissipou antigos desafetos e aversões?” “Estuda mais profundamente a doutrina que professa?” “Entende melhor a função da dor?” “Usa mais intensamente os pronomes ‘nós’, ‘nosso’, e ‘nossa’ e menos os determinativos ‘eu’, ‘meu’ e ‘minha’?

Tudo caminha. Tudo evolui. Confiramos sinceramente nosso rendimento individual com o Cristo. Interroga com consciência quanto a utilidade que vem dando ao tempo, à saúde e aos ensejos de fazer o bem que desfruta na vida diária. Faça isto agora enquanto se vale do corpo humano, pois, quando passar para o lado de lá, talvez seja mais difícil.

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