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Misericórdia

XCIII

No magistral Sermão da Montanha Jesus falou às multidões: “Bem aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”(Mt 5:7).

Ser misericordioso é compadecer-se da miséria alheia, ou seja ter compaixão pela miséria de nossos semelhantes. A misericórdia atesta ausência de egoísmo, pois reflete a compreensão e o entendimento de que todos nós estamos em pleno processo evolutivo e, por isso, sujeito a erros. Todos somos filhos de um Pai que é todo bondade e misericórdia sendo sua misericórdia, infinita que acoberta tudo que foi por Ele criado.

Se quisermos seguir os ensinamentos de Jesus e fazer deles um roteiro para nossas vidas, que exercitemos a legítima misericórdia que consiste em compadecermos dos irmãos de jornada, apiedando-nos seja atravéz das formas da indigência, do abandono da enfermidade, e da miséria espiritual caracterizadas pelas inúmeras falhas do comportamento humano.

Ser misericordioso, é condoer-se pelos irmãos que perambulam nas ruas a cata de um molambo ou de um pedaço de pão. É apiedar-se das crianças esquálidas e famintas que sem teto e educação são enjeitadas nos becos da vida e escorraçadas do nosso convívio.

É ter compaixão e sensibilizar-se à vista dos sofredores que a AIDS, o pênfigo, o câncer, a lepra e inúmeras outras enfermidades de curso doloroso os estão arruinando.

Ser misericordioso é nos suportarmos mutuamente. É relevarmos os defeitos daqueles que nos rodeiam. É renunciarmos a todo e qualquer desejo de vingança. Não guardarmos quaisquer ressentimentos, estando sempre prontos e dispostos a ajudar e servir aos que mais necessitam de nosso amparo. É condoer-nos da dor de nosso semelhante, procurando fazer algo prático para minorá-la.

A indulgência não vê os defeitos alheios e se os vê, evita comentá-los e divulgá-los.

Somos imensamente carentes de misericórdia devido a fase evolutiva em que vivemos. Nossos erros e fraquezas ainda são enormes e por isso precisamos exercê-la em favor de todos os que cruzam nossos caminhos, pois Jesus nos ensinou darmos as mãos e repartirmos o pão com nossos semelhantes. É dando que haveremos de receber.

Entretanto, é necessário que essa doação seja exercida com total despreendimento, sem esperarmos recompensas, reconhecimento, ou gratidão daquele que foi beneficiado. Se o beneficiado tem a obrigação de ser grato, o benfeitor não tem o direito de esperar gratidão.

Façamos o bem pelo próprio bem, pois assim nos ensinou Jesus de Nazaré.

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